Decifra-me
3 Capítulo 3- Flores Amarelas
Notas iniciais
Eu ainda me lembro da ensolarada, quente e alegre manhã do dia dois de fevereiro de 2006. Não foi meu aniversário, e nem o de algum conhecido meu, era apenas mais uma manhã de quinta-feira em que eu não tinha ido à escola, assim como minha amiga. Então éramos duas crianças sem deveres, trabalhos, obrigações. E podíamos simplesmente aproveitar aquele dia vago, preenchendo-o com brincadeiras e coisas aparentemente banais.
“Vamos andar de patins”, Sophia me pediu. Eu disse que preferia bicicleta, e era disso que iríamos brincar- eu era mais velha e, portanto a escolha era minha-. Eu tinha seis anos ela tinha cinco. Para ela o meu argumento foi válido, então estava tudo bem. Nós duas morávamos em um condomínio fechado, e saímos pedalando pelas ruas sob o sol de meio dia. Nosso objetivo era “encontrar objetos abandonados”. Encontramos três gatos, cimento fresco um cadeado e flores amarelas. Tentamos fazer uma casa para os três gatos, mesmo que eles tivessem fugido há tempos; Sophia disse que o cadeado lhe concedia super-força, eu disse que a flor que colhemos ficava linda em seu cabelo.
Era em torno de cinco da tarde quando retornávamos para casa, o sol já era frio. Ela me deixou em frente ao portão de minha residência, e eu disse a ela que aquele era o dia mais divertido e feliz da minha vida inteira, ela me respondeu “o meu também”.
E decidimos que aquela manhã de fevereiro era o nosso dia mais feliz de qualquer outro que ainda viesse.
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