Era uma fria noite de verão. Lá fora a o vento bailava, invadia o quarto, remexia as cortinas, arrepiava pelos, esfriava a mobília, fazia o maior estrago. Iluminado por um único feixe de luz que vinha da janela, o menino, deitado em sua cama, observava tudo ao seu redor. Ainda estava amedrontado pelo o que viu noutro dia debaixo da sua cama. Ele segurava o cobertor bem acima do seu gelado nariz. Seus olhos atentos vigiavam o seu cofre em forma de porquinho, que no outro dia quase foi a comida da criatura.

Já eram duas horas da madrugada, e para o menino a palavra “dormir” tinha se tornado inexistente. Preferia sonhar acordado. Sua cama se transformou em um forte, seu cobertor em um escudo, seu quarto era agora um campo de batalha, aonde o invasor vinha de baixo. Mas, seu medo acabou furando a barreira, fazendo do indefeso porquinho um alvo fácil.

O menino olhou para o lado, e foi quando a fantasia acabou. Ele avistou um braço que vinha debaixo da sua cama. O braço tentou pegar o porco em cima do criado-mudo, mas o menino foi mais rápido: o refugiou entre suas cobertas.

O menino cobriu-se por inteiro, abraçou o seu cofre, e tomou coragem para conferir se o que tinha visto foi mesmo real, ou apenas uma ilusão. Pegou a lanterna que guardava debaixo de seu travesseiro. Lá estava ele, o monstro. Tinha um aspecto humano, vestia um paletó valioso, carregava consigo uma pasta cheia de papéis dentro, informações sobre as suas vítimas. O menino tomou um susto e correu até o quarto dos seus pais. Estes também foram ver o tal monstro, mas se deixaram enganar por uma campanha bem feita. Nada de errado.

O menino voltou a dormir, assombrado por um político corrupto que morava debaixo da sua cama.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!