Debaixo Das Terras Sagradas
8 Capítulo 7 - Flor do Mal
Notas iniciais
Não me culpem já tenho capítulos até o 10, mas o meu amigo que corrige ta com preguiçite aguda e eu não sei português -nn
Espero que se divirtam *-*
Quero reviews u_u
Ao contrário do que todos pensam, anjos não andam por aí ajudando pessoas.
Ele nem se quer ligam muito para elas.
Depois de milênios dominando e sendo adorados, quem faria alguma coisa?
O poder sobe à cabeça com o tempo, e isso também acontece com seres mitológicos.
Digo mitológicos por coisas que os humanos não podem provar a existência.
Desculpe se mudei o conceito, mas esse é o MEU conceito. Se tiver algo contra, trate-os com outros nomes, como quiser.
Contarei-lhes uma pequena história, mas ajuda muito a clarear os pensamentos.
Essa minha aversão aos anjos não se deve apenas por ser uma demoniza, mas sim pelo o que eles fizeram minha raça passar e ser o que é hoje em dia.
No reino dos imortais, existiam diversas criaturas desde as lindas ninfas aos horríveis minotauros. Contudo, existia uma classe que todos adoravam: os celestiais. Essa classe era totalmente o oposto da minha, os demônios. Alguma coisa que era boa sempre se relacionava com os seres do céu e ruins aos seres de debaixo da terra.
Conforme o tempo foi passando, começaram a nos chamar de seres inferiores. Antigamente não éramos ruins, mas, quanto mais éramos ofendidos, mais nos rebelávamos. Até o dia que colocamos fogo na capital da terra dos celestiais e realizarmos motins em outros reinos.
Fomos perseguidos até a morte. A grande maioria foi queimada. E então, tentamos nos refugiar nas terras humanas, mas até lá fomos perseguidos. A igreja católica nos perseguia, alegando sermos bruxos. Não me julgue mal, nós realmente praticávamos magia, mas não era para o malefício.
Quando chegamos à terra dos humanos, queríamos passar despercebidos e começamos a praticar a medicina, com ervas e essas coisas já que entendíamos muito bem da natureza.
Mas Akasha III, o Deus, como os católicos chamavam, interveio e mandou por meio de seus mensageiros que fossemos punidos. Contudo, eles levaram tudo ao pé da letra, e realmente puniram os "bruxos", até mesmo humanos e praticantes de outras religiões foram mortos. Foi praticamente um holocausto.
Por isso tenho que hoje fugir e me esconder. Não quero ser morta. Todos eles pagarão caro pelo que fizeram a meus familiares.
x-x-x-x-x-x-x-x
Flor do mal, que floresce caprichosamente
Com um colorido tão maníaco
Mesmo que seja uma flor tão bela
Ela tem espinhos demais e não pode ser tocada
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Nota da autora: depois dessa breve passagem pela historia da irmã correspondente da Katsugo, nós vamos voltar à historia dela, nos dias atuais. Vou colocar como se fosse o capitulo anterior.
No capitulo anterior:
– Bem... vou direto ao ponto: Aquele ferreiro é um descendente de celestial.
A revelação fora espantosa. Achávamos que não haveria nenhum celestial por perto, mas parece que estávamos enganadas.
– Denachi, o seu feitiço, que na verdade é quase que uma indução da aparência celestial, não surtiu efeito nele por causa disso. Ele é como se fosse igual a você e oposto da Katsugo. Ele não é um celestial completo, e nem mesmo sabe da existência deles. Provavelmente foi fruto de algum tipo de amor proibido.
– Meu inferno! Mas como iremos fazer agora, tia? Tem algum problema? — Eu disse, trêmula. Somente de me lembrar do incidente que ocorreu em casa, já sinto arrepios.
– Ele provavelmente tem algum tipo de dom, mas eu acho que seria relevante, já que ele parece ter uma afeição pela Denachi, fazer dele um cavaleiro. Só existem duas maneiras: o beijo ou o sangue. Denachi, com este camponês ao seu lado você poderá ter um controle melhor dos seus poderes e a juventude eterna, já que ele parece ser apaixonado por você.
– Mesmo, tia? Que sorte! Está vendo, Katty, não é tão ruim quanto parece!
Realmente, não era assim tão ruim. Até bom, eu poderia dizer. Talvez ele fosse a carta na manga que precisávamos.
A reveladora notícia me fez ficar mais cansada do que já estava. Longas caminhadas pelas ruas escolhendo roupas, jóias, sapatos e afins me deixou cansadíssima. Fui para o meu lindo quarto desfilando, enquanto arrancava suspiros dos jovens rapazes que passavam por mim e inveja das pequenas e pobres campesinas.
E olha que eu tinha apenas 15 anos de idade. Meu ar luxuriado é sempre uma boa carta na manga. Ao chegar ao quarto, vi que minhas jóias e roupas já estavam em seus respectivos lugares. Ao menos os servos deste lugar sabem trabalhar direito. Suspirei pesadamente e chamei uma serva para me ajudar a tirar meu espartilho. Roupas vitorianas sempre calham. São lindíssimas.
Após tirar minha roupa, vi que a banheira com água quente já estava pronta e banhei-me. Pedi a uma serva que segurasse meus cabelos e a outra que mexesse a água. Como eu amo esse conforto. Mas para estragar meu belíssimo banho de beleza só poderia ser um demônio mesmo.
Minha avó entrou no quarto, e, com um gesto de mão, pediu que as serviçais se fossem.
– Katsugo, precisamos conversar – ela se sentou em uma cadeira que até agora eu não tinha notado dentro do recinto. As janelas estavam fechadas, com as cortinas abertas recostadas no canto, em perfeita simetria. Minha banheira era de algum tipo de ferro, não sabia qual. O teto e as paredes pareciam ter um tecido estofado, mas era somente impressão minha.
– Diga, titia – eu falei, retornando meu olhar para o teto.
– Você tem que começar a estudar a bruxaria. Mas antes disso, deve se tornar uma demoniza completa –
– Como assim demoniza completa? – Neste instante, olhei para ela. Eu não fazia a mínima ideia do que ela estava falando.
– Katsugo, a praga que eu coloquei em Akasha III diz que as últimas filhas terão personalidades trocadas. Você era muito boazinha, enquanto a última filha dos celestiais era aprisionada por ter um demônio horrível dentro dela.
– Como assim, tia? Eu NUNCA fiquei sabendo disso, mas, na realidade, eu era boazinha sim. Mas só até...
– O dia em que você fez os celestiais da sua escola virarem pó.
– Sim, isso mesmo. Como você sabe?
– O demônio que estava na menina agora esta dentro de você. Mas ele está adormecido. Você deve ter sentido muita dor na hora em que o demônio voltou para o seu corpo, afinal ele era uma parte de você.
– Agora, sim, tudo faz sentido — eu falei, surpresa – finalmente, descobri o que eu sou. Mas, e agora? Como eu faço para despertá-lo?
– A gente vai precisar da ajuda do seu cavaleiro e da lua.
– Da lua? Como assim da lua?
– A lua cheia nos deixa com nossos poderes no máximo, tanto do bem quanto do mal. É necessário muito cuidado ao se mexer com ela. Você verá mais sobre essas coisas neste livro.
Ela me mostrou um livro que parecia ser de contos de fadas.
– Para que esse livro?
– Ele é o livro das sombras. Contém diversos feitiços.
Peguei-o e o folheei. Tudo o que vi foi uma historia gigante que nenhuma criança gostaria de ler.
– Mas isso é um livro infantil. — eu disse, sem entender nada.
Minha avó riu debochadamente.
– Denachi disse a mesma coisa. Mas tem um segredo, você tem que dizer secreta revelat com a mão esquerda em cima dele. Tente.
Sequei minhas mãos e peguei o livro, assim como ela disse, eu pus a mão esquerda e disse "secreta revelat" e então o conteúdo do livro começou a mudar.
– Nossa! — eu disse, assustada — Isso é incrível!
– Sim, é mesmo, mas tome muito cuidado com ele, é uma relíquia. Eu só tenho esse, portanto você devera dividi-lo com sua irmã. E o mais importante, não diga de sua existência para ninguém. E se algum dia a igreja bater na porta daqui de casa, não sinta medo. É só dizer secreta occultare com um sussurro e assoprar o livro.
Com o livro em minhas mãos eu disse "secreta occultare" e assoprei, as letras começaram a se mexer, como quando se assopra uma sopa. As imagens desintegraram como pó, e as palavras finalmente mudaram para a história que estava escrita antes.
– Avó, quer dizer, tia, isso é muito legal mesmo — eu falei, entusiasmada. Aquilo era esplêndido! — mas me diga, como se faz para escrevê-lo assim?
– Ah, isso é uma longa história. Deixa para outro dia. Vou sair agora para que você tenha um bom banho. Vou guardar o livro dentro da sua escrivaninha. Boa noite.
Assim, entreguei-lhe o livro e ela saiu. Poucos minutos depois, minhas servas chegaram e continuei a tomar meu banho.
x-x-x-x-x-x-x
– Denachi-sama, posso entrar?
O que será que uma criada quer comigo, sua excelentíssima senhora?! Intrometida. Deve querer ver minha beleza celestial que me condena a ter cara de boazinha.
– Sim, entre sua, besta.
Assim que usei minha linda voz, a criada entrou. Muda, seguiu seu caminho até meu armário, enquanto eu, sentada em frente ao espelho penteando meus cabelos louros, olhava-a de rabo de olho, observando cada movimento seu ao trazer mais e mais vestidos para dentro do meu quarto. Por fim, trouxe algumas caixas, que despertaram a minha curiosidade.
– Traga-me estas caixas...
A jovem era feia, com seus cabelos bagunçados presos em um coque, nariz grande e olhos cor de mel esbugalhados. Usava um vestido surrado branco e sapatilhas. Percebi que ela viera “molengando” ao meu encontro, e logo me irritei.
– Venha rápido, sua lesma! Não tenho todo o tempo do mundo!
Ela se assustou e deu uma pequena corrida, entregando a caixa em minhas mãos. Logo me apressei em abri-la. Mas, antes, percebi um bilhete em cima "aqui está, são todas suas irmãzinha. Não esqueça de me agradecer depois". Eram diamantes. Minha irmã havia encomendado jóias para mim. Oh! Que notável. Como ela era boazinha! Mesmo tendo me anunciado que não havia comprado, ela encomendou.
– Denachi-sama, a senhora quer que eu traga as outras caixas para a senhora também?
– Tem mais? — eu disse me levantando entusiasmada. – então as traga rápido!
Assim como o dito, a criada cumpriu o que foi mandado. Saiu do meu quarto, cansada. Caixas e mais caixas cheias de jóias e sapatos.
Chequei caixa por caixa, sapatos, jóias. Eram quase todos brancos, ou de cores claras. Fiquei atônita. Será que havia algum feitiço para mudar cores de roupas? Logo fui reclamar com minha irmã. Como ela poderia fazer isso comigo?
Sai à tona de meu quarto, provavelmente estava muito vermelha de raiva. Todos me olhavam enquanto eu passava rapidamente pelo corredor. Acho que cheguei ao quarto de minha irmã, vi alguns servis passando, olhando interessados para a porta do quarto, comentando que ela estava tomando banho e logo vi minha avó sair do quarto e, com cara de poucos amigos, enxotar os servos.
– Tia, a Katsugo tá aí?
– Sim, está tomando banho, por quê?
– Preciso falar com essa peste.
– Entre então, só não a irrite.
– Ah! Pode deixar comigo. — eu disse com um sorriso malicioso brotando em meu rosto enquanto mirava a porta– não vou fazer nada demais.
Assim, entrei no quarto, e, sem muita demora, achei a sala de banho. Lá estava ela, sendo paparicada pelas servas. Uma segurava seus cabelos e outra massageava seus pés.
– Que coisa bonita, hein, Katsugo, também quero ser paparicada assim! – eu disse enquanto entrava na sala.
– Olá, Dena-chan, você também pode pedir para elas te ajudarem com o banho – ela disse de olhos fechados enquanto desfrutava do banho quente.
– Criadas, saiam. Preciso falar com você, Katty.
As criadas saíram e eu comecei a gritar com a Katsugo. Ela ficou assustada, não sabendo do que eu estava falando.
– Como assim? Do que você esta falando?
– Das coisas que você comprou para mim. São todas em cores claras! POR QUE você fez isso? EU sou a mais velha! EU deveria vestir roupas escuras.
E então ouviram gargalhada sarcástica vindo da mesma, enquanto eu me descabelava.
– Era só isso? Eu comprei pois combina mais com você e com os vestidos que você encomendou. Agora, ela saía da banheira, nua, seu corpo escultural. Seios fartos, cintura fina, coxas grossas pés pequenos, altura mediana, cabelos lisos negros até a altura da bunda, que por sua vez também era farta. Por que ela tinha todo aquele corpo, e eu, a mais velha, era magra e sem muitos atrativos? – O que foi? Ficou apaixonada?
– Não, eu só estava olhando o quanto você é bem desenvolvida e eu não.
– Ah, que isso, Dena-chan! Você é linda. Eu só tenho esse corpo por ser a luxúria. Você, ao contrário de mim, emana aristocracia clássica e riqueza, além de beleza estonteante. Mesmo que não tenha nada tão bem desenvolvido, é linda. Ao menos você tem um ar puro.
– Que horror, Katsugo! Como você acha que uma demoniza quer ser pura?
– Mas ao menos assim você não tem problemas, como eu provavelmente terei com a igreja.
– Isso é verdade, mas, falando assim, você nem parece uma demoniza.
Ao proferir essas palavras, parece que ela ficou um pouco abalada. Mas quem se importa? Acho que vou falar com a vovó para ver se consigo mudar a cor das minhas coisas, mas infelizmente eu sei que ela não vai deixar, e concordar com a querida Katsugo dela. Tanta preferência me deixa abismada. Só porque ela é uma demoniza de verdade. Mas como ela pode ser tão hipócrita? Fora ela própria, Yami no Nagai, que pôs a maldição que me deixou com cara de celestial.
Algum dia desses, perguntarei por que fez um feitiço tão ruim, para ambos os lados, eu creio.
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