Debaixo Das Terras Sagradas

6 Capítulo 5 - Uma pequena passagem no tempo


Notas iniciais
Pessoal, essa parte é uma parada no tempo.
É o outro ponto de vista de um fato que aconteceu em uma lembrança, nem sei em que capítulo da fic.

Ouço vozes. Elas riem, mas do que estão rindo?

Por que sinto angústia?

Por que me sinto sozinha?

Você está sozinha.

Não, não estou. Tenho minha família.

Uma família que te aprisiona?

Realmente, uma família que não gosta de mim.

Mais risos. Por que não posso rir como eles?

Você não ri espontaneamente.

Por que não?

Porque vocêé amaldiçoada.

Porque sou amaldiçoada?

Chega de perguntas.

Não. Eu quero saber mais!

Hora de acordar...

Não, por favor! Espere!


Castelo de veraneio da família real sagrada.

1896 — The Bloody Day.

– Ele realmente é lindo! Você acha que ficarei bem com ele?

Voz nojenta. Todos são nojentos, todos me atormentam. Por que me sinto tão angustiada quando pessoas boas falam? Eu era pra estar entre eles. Por que não estou?

– Este anel... É de noivado?

Minha voz sonolenta ecoava pela sela que eu estava, as duas plebéias que estavam conversando pararam assustadas.

– Diga-me, é de noivado?

– S-sim, Tsubakino-sama.

Minha voz em tom de uma risada maléfica ecoava na sala. Por que estou ridicularizando um momento tão maravilhoso?

Pare de rir! Alguém me faça parar de rir! Alguém tire essa aura maldosa que me envolve contra minha vontade!

– Que coisa ridícula! — O que estou falando? Céus! Vou magoá–la! –Você deveria se preocupar com a sua aparência. Você está podre! Quem gostaria de noivar com você? – Pare já com isso! Pare de usar o meu corpo! Não quero mais causar discórdia, não quero!

Cale a boca Tsubakino Haru! Você não está em posição de me confrontar!

Meu interior estava em frangalhos. Incontáveis anos sendo dominada por um demônio. Um demônio que não pertence ao meu corpo.

Na verdade, sou uma celestial, a sétima filha de Akasha III, Rei dos reis, dos mares e de todos os seres vivos: Deus. Por causa da maldição de uma demoniza, existe um demônio que me controla. Foi uma troca, meu pai para conseguir ter filhos celestiais teria que ter um filho correspondente, só que demônio. Por isso ele teve sete filhas celestiais e sete demonizas. Quando uma delas morresse, a correspondente de nós morreria. A primeira filha celestial teria aparência de demoniza, ou seja: pele morena, cabelos negros e olhos em cores escuras, mas a primeira filha demoniza teria aparência celestial. Já as últimas filhas teriam personalidades trocadas.

Eu sofro com isso. A personalidade da última filha demoniza suprime a minha enquanto eu faço o mesmo com a dela.

– S-sim, Tsubakino-sama, vou ouvir seus conselhos e ser mais cuidadosa com minha aparência — disse a camponesa com a voz embargada de choro.

Melancolia.

Sofrimento.

Dor.

Eram as únicas coisas que eu sentia ao ouvir aquilo. Se eu pudesse falar pediria para me matarem. Mas eu devia ser forte. Devia suportar, por minhas irmãs e pelo meu povo.

– Pode sair, minha querida. Você sabe que nossa princesa não fala por ela mesma, não se sinta mal. Você é linda do jeito que é.- uma voz muito conhecida falava, um outro camponês, o que cuidava de minha cela. Hikari Sora-kun.

Por ele, eu continuo lutando e sendo forte. Sei que todos lutam para achar uma saída. Todos querem saber qual a minha verdadeira personalidade. Todos querem me ouvir falar, como uma verdadeira princesa celestial.

– Ora, ora, ora, se não é o loiro aguado! A princesinha aqui dentro está doidinha para falar com você. O demônio dentro de mim falava e mexia meu corpo sensualmente.

Meu corpo se levantou, evidenciando minhas roupas rasgadas.

– Olha só como você a deixou! Ela está toda suja! — com um sorriso debochado em minha face, o demônio tornou a dizer — tire essas roupas, o corpo dela é invejável sabia? Você não gostaria de tê-lo para si?

– Sim, o corpo dela é invejável. — falou o plebeu, corando — Mas nada farei. Sou apenas um servo. Além de que ela está sendo controlada por você, demônio maldito. Minha princesa não falaria tais coisas –

– Você me irrita completamente, sabia, Sora? — gritou o demônio. Logo após, ele arremessou meu corpo contra a parede e eu caí desfalecida.

– Oh, meus deuses! De novo, não!

Gostaria tanto de poder conversar com você, Sora-kun, gostaria de poder te dizer que você fica lindo mesmo preocupado e que eu não sinto nada que acontece com o meu corpo.

Mesmo com o meu corpo esparramado no chão, eu podia ver tudo o que acontecia. Era como se eu estivesse fora do meu corpo, e o demônio, dentro. Pude ver Sora pegando meu corpo no colo e colocando sobre a cama. Penteando meus longos e cacheados cabelos loiros, trocando minha roupa e dando-me um banho com lenço umedecido.

Aaah, Sora-kun! Como vocêé especial! Gostaria tanto de poder controlar meu corpo, só para lhe promover ao status nobre. Vocêé perfeito! Um verdadeiro cavalheiro.

E com um singelo beijo na testa de meu corpo, ele saiu.

Alguns minutos depois, o demônio acordou e começou a dançar com meu corpo. O rotineiro.

Kimi to natsu no owari Zutto hanashite

Mas algo de estranho aconteceu. Um tremor gigantesco.

Yuuhi wo mite kara hoshi wo nagame

Uma gargalhada vinda de minha voz foi ouvida pelos camponeses assustados.

Kimi no hoho wo nagareta namida wa zutto wasurenai

A altíssima gargalhada parou. Dessa vez era possível ouvir o gritar de palavras

– FINALMENTE! Ohhhhh, PRINCESA DAS TREVAS! VOCÊ DESPERTOU MINHA QUERIDA! — o demônio sucumbiu à gargalhada novamente, enquanto um aglomerado de camponeses e nobres se juntava em frente à cela para ver a detestável cena.

Kimi ga saigo made ookiku te wo futte kureta koto kitto wasurenai

–FINALMENTE PODEREI ENTRAR EM SEU CORPO! RETORNAREI À MINHA VERDADEIRA CASA!

As pessoas que estavam à sua frente ouviam assustadas o que o demônio dizia. O que estava acontecendo? Nem mesmo eu sabia. Contudo, algo mais estranho ainda aconteceu. Um líquido preto saiu da boca de meu corpo, seus olhos viraram totalmente ao contrário, uma fumaça preta saiu de suas narinas e de seus ouvidos.

A fumaça, junto com o líquido preto que saía de minha formosa boca, aglomeraram-se, assim, formando um figura que se assemelhava a um demônio, e, assim, desapareceu.

Da kara kou shite yume no naka de zutto eien ni...

Calor.

Não um calor mórbido e muito menos fulguroso. Somente um calor aconchegante. E, num instante, tudo se apagou.

Saikou no omoide wo...

Será essa a minha casa?



Notas finais
Espero que tenham gostado.
Por favor, Reviews!
Precisos aber se estou fazendo tudo certinho :3
Ah a parte ai em japonês vou colocar a tradução:
Kimi to natsu no owari Zutto hanashite
Conversávamos e conversávamos no fim do verão
Yuuhi wo mite kara hoshi wo nagame
Vendo o pôr do sol, depois vendo as estrelas
Kimi no hoho wo nagareta namida wa zutto wasurenai
Nunca esquecerei das lágrimas que correram pelo seu rosto
Kimi ga saigo made ookiku te wo futte kureta koto kitto wasurenai
Até o fim você acenaria para mim, eu sabia que não esqueceria
Da kara kou shite yume no naka de zutto eien ni...
Então só com isto, para sempre, num sonho...
Saikou no omoide wo...
As melhores lembranças...
Obrigado :)