Deaurum
1 Préludio: Obstruída Visão
Notas iniciais
“Dois meninos aparentando entre 12 e 15 anos corriam por um imenso campo aberto. O sorriso e a vitalidade de ambos eram impressionantes. Um dos meninos tinha o cabelo branco como o tom da neve que acontecia entre os meses de Slohl e Slagon, os meses como eram conhecidos por aquele povo, mas seus traços mais marcantes eram a resistência que ele tinha ao colidir contra o chão diversas vezes. O segundo irmão possuía um ralo tufo de cabelo na cabeça e sua pele era como um ferro exposto ao frio e calor, um tom de ferrugem. Os olhos de ambos brilhavam enquanto olhavam um para o outro, o olho do primeiro irmão era de um tom azul como um rio no inverno e do segundo era de um tom dourado que todos cobiçariam para ter, aquele sim era um olho que parecia uma peça de ouro.
Mas toda felicidade pode se desmanchar em questões de segundos e era isso que sempre acontecia com aqueles dois irmãos; o primeiro irmão avançou contra o segundo e antes mesmo que alguém pudesse notar seus movimentos, os dois já se engalfinhavam em uma terrível briga. O segundo gritou para que o irmão parasse, mas não foi ouvido; ele se livrou de forma ágil dos braços do primeiro e esbofeteou seu rosto com uma força descomunal que ele mal sabia de onde teria vindo; o primeiro irmão caiu ao chão desmaiado.
Um grupo de guardas avançou para perto dos dois meninos gritando o nome do primeiro e o do segundo, respectivamente, Draccon e Draconem. Os guardas tinham armaduras, escudo e espadas marcadas com o brasão da família dos meninos, a família Shieve — um fundo azul meia noite estampava um desconexo de ondas azul jeans onde traçado ao meio havia um braço com armadura atravessando o brasão em um punho fechado e cruzando o braço havia três espadas se entrelaçando, uma centralizada e duas em diagonal.
Levaram o primeiro filho, Draccon, até a sala do curandeiro real; horas se passaram e nada de uma resposta positiva do tal. Do outro lado da sala podia se escutar a voz imponente do pai deles, o Rei Stellio; o velho passava um sermão em Draconem falando sobre o que ele fizera contra o irmão, mas Draconem era frio e ignorou praticamente todas as palavras do pai.
Choros e lágrimas vararam o dia e tarde toda; Stellio não podia acreditar que sua criança estava ali, deitada sobre a maca de nogueira, inerte e com uma respiração irregular. Ele quase forçou que o curandeiro fizesse algum milagre, mas nada acontecia. Quando a noite caiu, os Anciões de Lórien chegaram trazendo uma flor de lis élfica que o curandeiro transformou em um chá que quando tocou os lábios de Draccon já o fez recuperar a vitalidade, nem parecia aquele ser fraco e desmaiado que antes estava deitado e agora sentado; Mas os Anciões também trouxeram outra coisa preciosa: um cristal de cor rubra que foi colocado no expositor central da Sala de Trono.
Naquela noite, mesmo estando curado, Draccon não dormiu; suas ambições e desejos o sucumbiram ao maior nível de loucura. Ele era sorrateiro e ágil, não tanto quanto o irmão, mas era. Drac foi até a Sala do Trono e pegou o cristal precioso do pai, mas não era para ele, era apenas parte do plano. O quarto do irmão Draconem estava o terror de sempre quando ele entrou lá e esconder o cristal em meio aos montes de bagunça de Draconem foi extremamente fácil para Drac. O passo final era alertar o pai e o garoto o fez; o pai ficou mais decepcionado do que já estava com Draconem e sua última jogada e irreparável era aquela, ele baniu o filho mais velho de Pejite e retirou todos seus títulos e posses.
Mas toda decisão tem consequência e a de Stellio foi a morte. No fim da noite e quase início da manhã, Draconem armado com uma pistola, deu dois tiros no pai e desde daquele dia não se sabe mais nada sobre o garoto, mas talvez, isso seja até agora.”
— Mas como sabe disso, vovó?
— Ah, meu neto… Eu já fui apaixonada por Draconem e o próprio me contou a história enquanto me fazia falsas juras, porque é isso que Draconem é; algo sem coração, sentimentos e uma pessoa horrível.
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