Deaths Hunters

1 CAPITULO 1 A Verdadeira Vontade de Viver


“Eu tenho quase a certeza de que nunca irei me acostumar.”

Um jovem de 20 anos corre pela areia em uma praia à noite.

“E, não importa quantas vezes, ou de quantas formas diferentes eu veja e reveja essa mesma cena.”

O jovem está desesperado, seus pulsos sangram, ele está quase sem energia alguma.

“Não importa os motivos, não importam as palavras, nem o passado de cada um deles.”

O jovem tropeça e cai. Seu rosto está coberto de areia, ele tenta se levantar e não consegue. Então olha para trás, pegadas são feitas na areia, ele não consegue ver de onde elas surgem claramente, mas um vulto cinza se aproximando com garras enormes o faz sentir medo.

“Todos eles, sem exceção, parecem comigo.”

Um outro jovem aparece à frente do vulto cinza e o acerta.

CAPITULO 1 – A Verdadeira Vontade de Viver.

No dia anterior: Uma missa, uma triste missa. Tristeza, uma palavra que era pouco falada naquela cidade, Salvador. Sim, a cidade onde muitos habitantes escolhem passar sua feliz vida. A cidade levava uma alcunha: a cidade da alegria. Naquela cidade havia muitas festas, na verdade, quase o ano todo. Assim, era uma cidade que prosperava muito, pois aquele espírito de alegria enchia os habitantes daquela cidade de energia, convertida em seus afazeres. Realmente era uma cidade sonho para muitos habitantes do mundo. Ali não havia desastres naturais, o sol brilhava praticamente o ano todo e era uma cidade costeira.

Mas naquele dia, sentimentos totalmente contrários a toda aquela atmosfera feliz tomavam a existência de um habitante daquela cidade. Ele que vivera sempre como qualquer outro cidadão que ali nascera estava experimentando uma forte dor emocional. Carlos era o seu nome, ele perdera a mãe e a namorada em um único acidente; sentia-se só, ele estava saindo da missa de 7º dia de morte das duas.

Carlos era muito feliz em toda a sua vida, acreditava ter tudo o que precisava, costumava dizer que foram 20 anos de muita sorte. Mas, há duas semanas ele havia sido dispensado do seu trabalho. Não se deixou abater e continuou em frente, sempre com o apoio das duas pessoas mais importantes na sua vida: sua mãe e a sua namorada.

Mas, um dia ele acordara se sentindo estranho, com sentimentos negativos e brigou com a namorada, isso nunca havia acontecido daquela forma, sem motivo nenhum. Sua mãe resolveu levar a garota para casa. Foi quando o acidente de carro acabou por ceifar a vida das duas.

Desde aquele dia, um dos jovens mais felizes daquela cidade se tornara infinitamente triste, ele sentira uma culpa imensurável. Por mais que parentes e amigos tentassem o confortar nada fazia sentido. Ele só carregava consigo uma certeza: se havia um culpado, era ele.

Naquele dia, mais um dia sem dormir, ele tomara uma decisão. Nada daquilo fazia sentido algum, nem aquela cidade, nem a sua vida. Ele deveria punir o único responsável pela morte daquelas pessoas tão importantes para ele.

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No alto de um dos prédios da cidade, dois jovens estavam observando Carlos.

— Ele vai fazer. – Diz um deles.

— Sempre há uma chance de que isso não aconteça. – Responde o outro. – Não devemos nos mover até que ele tome sua verdadeira decisão.

— Droga...

— Ele parece um pouco com você, não é? Foi a um ano, não é? E o fato de estar na mesma cidade então...

— Ele não se parece em nada comigo. E ainda não é dia 25 para ser um ano atrás. É isso que vamos mesmo fazer?

— Sim, isso que devemos fazer. Apenas observar.

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A noite chegara, Carlos estava em uma das praias da cidade. Ao seu lado, apenas um litro de bebida alcoólica e uma faca. Naquele momento ele pensara em todos em sua vida, se culpara pela ultima vez de tudo aquilo o que havia acontecido.

— Eu... Eu não mereço estar aqui mais. Estou indo ao encontro de vocês. – Sussurra Carlos.

Dois cortes são feitos, um em cada um dos pulsos, o sangue começa a escorrer rapidamente, logo a areia ao redor está manchada de rubro. Carlos se deita.

— Agora só tenho que esperar...

Nesse momento ele ouve um barulho enorme, areia acerta o rosto dele, a expressão pacifica que habitava em sua face dá lugar a uma expressão de medo, terror.

— Quem... É? – Pergunta Carlos, olhando para a sua esquerda.

Ele não consegue ver claramente, mas um vulto cinzento começa a se aproximar dele, o vulto assume cada vez mais rapidamente uma forma concreta.

— Você... Comigo... – Sussurra o vulto de maneira assustadora.

— Não! – Grita Carlos.

Carlos começa a correr pela areia da praia, mas algo estava diferente, parecia que ele estava em outro lugar. Tudo ao seu redor começava a se transformar, todas as coisas começavam a assumir um tom acinzentado. Mesmo os brilhos das lâmpadas dos postes e prédios a metros dali. Ele olha para trás, o vulto se aproxima cada vez mais rápido, Carlos percebe que o vulto criara garras longas e aparentemente afiadas.

— Você... Comigo... – Continuava a sussurrar o vulto.

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No alto do prédio os dois jovens continuam a observar, eles pulam de prédio em prédio à medida que Carlos se desloca pela areia.

— Não posso mais apenas ficar assistindo. – Diz um deles.

O jovem pula do prédio em direção a praia.

— Como sempre impaciente. – Sussurra o outro.

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O jovem que pulou do prédio se aproxima rapidamente do local, em uma velocidade acima do normal. Em sua cabeça, passam pensamentos que se misturam com a situação.

“Eu tenho quase a certeza de que nunca irei me acostumar.”

Carlos corre pela areia da praia.

“E, não importa quantas vezes ou de que formas diferentes eu veja e reveja essa mesma cena.”

Carlos está desesperado, seus pulsos sangram, ele está quase sem energia alguma.

“Não importa os motivos, não importam as palavras, nem o passado de cada um deles.”

Carlos tropeça e cai. Seu rosto está coberto de areia, ele tenta se levantar e não consegue. Então olha para trás, pegadas são feitas na areia, ele não consegue ver de onde elas surgem claramente, mas o vulto cinza se aproxima com garras enormes e o faz sentir cada vez mais medo.

“Todos eles, sem exceção, parecem comigo.”

O jovem aparece à frente do vulto cinza e o acerta.

— Chega dessa perseguição! – Diz o jovem recém-chegado.

Carlos está impressionado, ele treme, o vulto cinza havia sido arremessado no mar.

— Quem... Quem é você? – Pergunta Carlos ao jovem.

O jovem se cala, parece ignorar Carlos. Passam-se alguns segundos de silêncio, apenas o barulho das ondas pode ser perceptível.

— Eu vou morrer! – Grita Carlos, olhando para seus pulsos sangrando.

— Não se desespere, ele queria você com máximo de energia possível, esse sangue escorrendo em seus pulsos é apenas uma ilusão barata. – Diz o jovem.

O jovem estava vestido de preto; camisa, tênis, calça, uma camisa por cima também. Carlos observa atentamente.

— Quem... Quem era ele? – Pergunta Carlos, se levantando.

— Um Oni, ele estava aqui para te matar e pegar a energia da sua alma. – Responde o jovem. – Eu sou um Caçador da Morte, meu dever é impedir isso.

Passam alguns minutos, as ondas começam a se tornar mais fortes.

— Ele está voltando. – Diz o Caçador da Morte.

Neste momento o vulto cinza emerge das águas, ele grita. Um grito de agonia que parece ter a intenção de tomar o coração e a mente de Carlos. O Oni começa a ir em direção a eles.

— Ele está vindo! – Grita Carlos, que não consegue se mover tomado pelo grito de agonia do Oni.

— Carlos, eu sei o porquê de você estar nesta praia hoje, você quer mesmo morrer? – Pergunta o Caçador da Morte.

— Eu... Eu mereço morrer. Por minha causa, duas pessoas que eu amava morreram. – Responde Carlos, lágrimas começam a escorrer dos seus olhos.

— Essas duas pessoas também te amavam, não é?

— Sim, elas me... Amavam...

— E, você acha que elas gostariam de te ver assim? Você diz que merece morrer, mas eu sei que o quer você é viver.

Carlos chora, o Oni se aproxima mais deles.

— Então me escute Carlos. – Diz o Caçador da Morte. – Viva, Carlos! Mesmo que pareça não ter mais saída, mesmo que esteja sozinho, pense nessas pessoas que te apoiaram, pense nelas e siga em frente. Não se sinta no direito de se punir, se essa punição tiver que vir, ela virá!

O Oni se aproxima ainda mais, Carlos se ajoelha. Ele chora, lembrando de toda a sua dor. Do dia em que as duas pessoas mais importantes para ele morreram, mas ele lembra também do apoio que as duas já deram para ele.

— Então Carlos. O que você quer fazer? – Pergunta o Caçador.

— Eu... EU QUERO VIVER! – Grita Carlos.

— Certo!

O Oni se aproxima mais e desfere um golpe com suas garras, mas o Caçador desvia e acerta um soco na região central do Oni, o Oni grita ainda mais e se desfaz, como se a luz invadisse o seu corpo e o iluminasse acabando com a escuridão em sua existência.

— Isso mesmo Carlos, tenha sempre em mente esse pensamento. – Diz o Caçador parado em posição que desferiu o soco. – Nunca esqueça esse sentimento.

Carlos cai na areia, como se sua energia estivesse sendo drenada, o seu sangramento retorna. Nesse momento o outro jovem, que também era um Caçador da Morte, desce do alto do prédio e diz:

— A ambulância já está quase chegando. Vamos sair daqui.

— Tudo bem, Kurogane.

Passa-se meia hora, Carlos acorda, ele está assustado. Ele reconhece alguém ao seu lado, é o seu pai.

— Onde eu estou? – Pergunta Carlos.

— Na ambulância, estamos indo para o hospital. – Responde o pai.

— Onde estão os dois? Onde está o caçador?

— Filho, você bebeu demais e com essa perda de sangue, deve ter sido alucinações. Eu sei que não estive muito do seu lado, mas te prometo que iremos recomeçar. Juntos.

O pai de Carlos começa a chorar. Carlos segura a sua mão, parece que todos aqueles sentimentos negativos que ele carregava haviam sidos dissolvidos.

— Seguir em frente... – Sussurra Carlos.

Nesse momento Carlos lembra-se de segundos antes dele desmaiar, havia chegado outro jovem perto do caçador e ele agradecera ao Caçador.

— Obrigado, Caçador da Morte. – Disse Carlos, quase desmaiando.

— Meu nome não é Caçador da morte, meu nome é Fábio. – Respondeu o Caçador.

Nesse momento ele desmaiara e não se lembrava de mais nada além de barulhos de pessoas chegando correndo para socorrê-lo.

Carlos chegara ao hospital, tudo estava sobre controle, próximo dali acima de um dos prédios dois jovens observavam.

— Parabéns, conseguiu salvá-lo. – Diz Kurogane.

Fábio apenas vira-se, ficando de costas para o hospital e andando em direção contrária.

— Você sabe que não deveria me agradecer, o mérito é dele por ter a vontade verdadeira de continuar vivendo no fundo do seu coração.

— Você deveria se ouvir às vezes.

— Já disse, eu não sou como ele. Temos que voltar à base, não é?

— Sim, vamos.

Eles caminham sobre o luar. Enquanto anda, Fábio pensa:

“Eu tenho quase a certeza de que nunca irei me acostumar. E, não importa quantas vezes, ou de quantas formas diferentes eu veja e reveja essa mesma cena. Não importa os motivos, não importam as palavras, nem o passado de cada um deles. Todos eles, sem exceção, parecem comigo.”

Nesse momento ele pára e observa um prédio, olha para a janela de um apartamento em especial, que ainda está com a luz acesa, uma garota está olhando as estrelas pela janela.

— Olha só, é meia noite. Dia 25 de dezembro. Um ano. – Diz Kurogane.

— Ainda isso? Pode ser dia 25, mas naquele dia estava chovendo. – Responde Fábio.

— Realmente... Nenhum momento é realmente igual a outro.

— Pode ser parecido, mas...

“Mas, lamento não ter despertado a mesma coragem, a mesma vontade que eles.” – Pensa Fábio.

Eles se vão, partem da cidade. É quando, nesse momento na cidade de salvador, começa a chuver.

CONTINUA...

Salvador. Foi nessa cidade que o jovem nasceu e viveu. Desesperado, o jovem quebra o tabu e presencia a verdade diante dos seus olhos.

No próximo Death’s Hunters, Capitulo dois: O nascimento de um Caçador da morte.

Foi o coração do jovem que decidiu por essa jornada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.