Zero começou a entrar em pânico. Ele não conseguia uma explicação para aquilo tudo.

— Pessoal... Por favor... Eu não sei o que está acontecendo!!

Valentina pensou.

— Zero... Se o que Alma disse é verdade, um de nós está planejando matar alguém. E você não consegue explicar essa arma.

— Mas... Mas eu...

— Já basta! Vamos acabar com ele logo! — Disse Diana.

Vincent levou um susto.

— Diana...?!

— O quê? Se ele queria nos matar, então vamos fazer isso com ele antes. Assim, convenhamos, fica um de nós a menos!

Vincent não se conteve e deu um tapa no rosto de Diana, fazendo todos se assustarem.

— O que você está sugerindo, Diana? Que matemos ele para ficarmos mais próximos da saída? Sabia que é exatamente o que a Alma quer que a gente faça?

Diana colocou a mão no rosto e não falou mais nada, apenas olhou para Vincent.

— Vincent... — Disse Joel, de cabeça baixa.

— Eu fiz uma promessa para a Emily, lembram? Eu disse à ela que ninguém ia morrer aqui. Se começarmos a pensar em eliminar alguém só pra ficar mais perto de escapar, logo ninguém vai sair vivo desse lugar!

Valentina cruzou os braços.

— Mas Vincent... Ainda não tira o fato de que tem uma arma no quarto do Zero e ele não consegue explicar.

— Eu tenho uma ideia pra isso...

Vincent se lembrou da noite anterior.

— Eu tenho certeza que eu tranquei o quarto antes de dormir ontem à noite.

— Sim, é uma regra que seguimos desde o primeiro dia... — Disse Sérgio.

— Exato! Mas mesmo assim, Alma entrou no meu quarto. Como acham que ela fez isso?

— Mágica? — Sugeriu Joel.

Vincent cruzou os braços e olhou para Joel.

— ...Tá, continue.

— É óbvio que ela tem todas as chaves desse laboratório!

— Está sugerindo que... Ela entrou no meu quarto sem eu perceber? — Perguntou Zero.

— Eu mesmo não tinha percebido... Acordei com ela parada do meu lado!

Valentina pensou.

— Então ela plantou essa arma aqui para causar discórdia?

— Numa tentativa de que comecemos um massacre para entreter o público e o humor doentio dela. Reparem que ela fez questão de nos avisar que tinha alguém planejando matar. — Completou Vincent.

Joel colocou a mão em seu queixo.

— Faz sentido... Então, o Zero é inocente?

— Por enquanto, pelo menos nessa situação, tudo leva a crer que sim. — Disse Vincent.

Zero finalmente respirou aliviado.

— Vincent... Obrigado...

— Você agiu muito bem, Vincent... — Disse Sérgio.

— Eu sou um advogado, lembra? Tenho que estar sempre pronto pra defender alguém.

O grupo ia se retirando do quarto de Zero. Vincent se virou para Diana.

— Ei... Me desculpe por aquilo...

Diana levantou a cabeça e olhou para Vincent.

— Não, eu... Eu acho que falei algo que não devia... Eu é que peço desculpas. Eu sugeri matarmos alguém...

— No calor dessa situação acho que todos nós cometemos erros.

Diana deu um leve sorriso.

— Eu não vou repetir isso. — Disse Diana.

— Eu também não.

Vincent estendeu sua mão para Diana, que a apertou com força.

Algum tempo depois, o grupo estava novamente no corredor. Para surpresa de todos, os auto-falantes ligaram.

— Ahh... Vocês estragaram meu joguinho...

Zero se irritou.

— Joguinho?! Não teve a menor graça!

— Você percebeu o que fez?! — Gritou Diana.

Alma riu.

— Hehehe... Eu prometo que na próxima vou fazer algo mais difícil de descobrir... Nossa, eu vou adorar isso! Quero só ver como vai ficar a cabeça de vocês quando não souberem mais o que sou eu e o que são vocês que estão fazendo.

Vincent perdeu a paciência.

— Alma... Você tem razão. Talvez eu já esteja perdendo a cabeça!

Vincent fez um gesto para todos esperarem. Em seguida, caminhou em direção à cozinha.

— Ei, olha só! Parece que um dos participantes finalmente ficou xarope. O que será que ele vai fazer? — Perguntou Alma.

Vincent pegou uma faca.

— Hum... Eu estou gostando disso... — Disse Alma.

Vincent voltou para o corredor e encarou uma das câmeras. Todos se assustaram ao vê-lo com a faca.

— O... O que ele vai fazer? — Perguntou Valentina.

— Alma... Para mostrar que nem eu, e nem ninguém aqui vai se render a você... Eu vou desrespeitar uma regra!! — Gritou Vincent.

— Miau? Como assim?

Vincent caminhou em direção ao quadro no final do corredor. Aquele que Alma havia dito que não queria ninguém perto.

— Vincent...? — Disse Alma, assustada.

— Eu vou destruir seu quadro!

Diana correu até Vincent.

— Vincent, espera!! Você vai entrar em problemas!

— Eu não ligo...

— Vincent, pare!! Não faça isso!! — Gritou Alma.

Vincent ignorou Alma e golpeou o quadro com a faca usando toda a sua força. Mas para sua surpresa...

— O... O quê?!

O quadro era falso. Atrás do rasgo que Vincent fez havia...

— Ei... O corredor continua atrás do quadro?! — Perguntou Diana.

Zero se aproximou e usando as próprias mãos, ajudou a rasgar o desenho.

— Tem mais quartos...? Mas como?

— Ela não queria que a gente visse isso? — Perguntou Sérgio.

— Oh... Segredos... — Disse Joel, espantado.

O grupo passou pelo quadro. Havia uma porta na parede esquerda e uma no final do corredor. Vincent se aproximou da porta da esquerda e a abriu.

— ...Outro quarto... — Disse Vincent.

O que surgiu em frente a eles era um quarto normal. Havia uma cama, um criado-mudo, um guarda roupa e um tapete no chão. Aparentemente era um quarto feminino.

— Ei... Tem um caderno aqui... — Disse Valentina.

Vincent se aproximou. Valentina lhe entregou o caderno.

— O que é? — Perguntou Valentina.

— É um diário... — Disse Vincent.

— Epa, um diário?! Mas de quem?! — Perguntou Joel.

Vincent se sentou na cama. Todo o grupo se reuniu ao redor dele para ler.