Notas iniciais
Basicamente, este capítulo é um prólogo, já que narra como o site foi descoberto pelos amigos. De qualquer forma, classificarei como um capítulo, de forma que fique um tanto mais organizado. Boa leitura!

Minha mãe é enfermeira, então ela sempre vira as noites no hospital, e meu pai, que esteve desempregado por dois anos, finalmente arrumou um emprego em uma empresa farmacêutica produtora de genéricos, e já estava sendo abusado, sendo forçado a virar noites preenchendo relatórios. Eu não estava curtindo muito essa ideia de ficar sozinho em casa, e por causa disso, resolvi chamar meus dois melhores amigos para uma noite de garotos: Brad e Victor. Iríamos ficar em casa, falar das mulheres da nossa escola, jogar vídeo-game, comer enlatados e ficarmos bêbados.

Fiz o convite por volta das seis e arrumei o apartamento preguiçosamente, afinal, eram meus amigos, e não precisavam de tamanho conforto. Esperei-os, sempre muito atrasados, e por isso, a campanhia apenas tocou às nove da noite:

— Olá, noivas. — Zombei quando abri a porta.

Brad estava vestindo uma camisa vermelha, com um emblema de uma caveira sangrando e jeans desbotadas com cortes que exibiam todo o seu joelho, ele era alto, branco e muito musculoso, possuía cabelo ralo, preto, e olhos azuis quase tão intensos quanto o mar; possuía esse espírito de roqueiro e até um pouco encrenqueiro. Victor era o oposto, era moreno, um tom de pele não tão escuro, tinha cabelos lisos e pretos, que caíam displicentemente sobre a testa dele, escondendo metade da mesma. Os olhos eram verdes, quase fosforescentes. Eu gostava mais dele, Brad tinha atitudes erradas que eu sempre criticava, mas ele nunca deu muita bola para o que eu falava. E por me ignorar, ele já havia ido preso duas vezes, porém, por ser de família rica da alta sociedade Nova Iorquina, ele sempre conseguia se safar.

— Trouxe presentes. — Brad rosnou.

— Uma garrafa de vodka que ele roubou do bar do pai dele. — Victor bufou. — Como se ele não tivesse doze dólares.

— Quando é proibido, é muito melhor. — Ele lançou seu sorriso extremamente cretino, como sempre fazia, era típico. E nós o conhecíamos muito bem.

— Me dá isso aqui.

Puxei a garrafa da mão de Brad e os convidei para entrar, eles se acomodaram no sofá e eu tranquei a porta, seguindo para a cozinha para abrir a garrafa com a ajuda de uma faca. Sou menor de vinte e um, então, legalmente, sou proibido de beber álcool, mas eu e meus amigos somos tão resistentes à bebida que uma garrafa de vodka não nos deixaria nem um pouco tontos. Estávamos acostumados. Por isso que as nossas festas particulares eram sempre quando eu estava sozinho em casa, podíamos ficar bêbados e falar besteira sem ninguém para nos criticar.

Quando voltei para a sala, Brad estava contando uma história:

— Eu to falando sério, foi hoje quando eu estava voltando da escola, eu vi essa bolsa em uma dessas latas de lixo e peguei para conferir. Quando eu abri, tinha um notebook dentro. — O aparelho estava nas mãos dele, era um Dell prata e bem rústico, estava sujo de areia e quando ele abriu a tampa, pude ver que por dentro, suas condições eram ainda piores. O teclado estava completamente gasto, ou pelo menos o que restou dele, já que algumas teclas foram brutalmente arrancadas. O touchpad tinha marcas de sangue espalhadas por todo ele, e metade da tela tinha uma mancha verde que era completamente irreconhecível. — Aí eu peguei. Não vi problemas nisso

— Porque você se interessou por um notebook ferrado, Brad? — Perguntei enquanto passava a garrafa a ele, que bebericou pouco.

— Sei lá, não é todo dia que você acha um notebook na rua. — Ele riu.

— Mas você não viu o notebook na lata de lixo. — Victor observou. — Você apenas viu uma bolsa, e pegou. Quer dizer, você é rico, não sabia que você gostava de fuxicar a lixeira alheia.

— Não sou rico. Meus pais têm uma boa condição de vida. — Brad contrapôs, mas eu achava que essa discussão já estava ficando um pouco ultrapassada. — E eu não fui fuxicar o lixo, tive motivos para estar onde eu estava. Bom, pode-se dizer que eu estava no lugar certo, na hora certa.

— O que você estava fazendo? — Perguntei, lançando um olhar para Victor que claramente demonstrava que eu não estava gostando nada daquilo.

— Isso não é da sua conta.

Brad era assim. Ele desviava dos assuntos que não lhe acomodavam, e quando isso acontecia, eu e Victor ficávamos automaticamente preocupados, porque sabíamos no mesmo instante que ele estava metido em uma confusão braba. Brad geralmente nos contava tudo, e quando não o fazia, era certeza de que não nos queria envolto no problema, o que de certa forma piorava tudo um pouco mais, porque cedo ou tarde, seríamos puxados para a situação. Era uma maneira deturpada que ele tinha de nos proteger. Eu e Victor sabíamos que logo descobriríamos o que ele não queria contar, por isso não forçamos a barra e deixamos passar. A garrafa de vodka não demorou a acabar e eu ainda não tinha sentido nem cócegas.

— Eu tentei ligá-lo. — Ele murmurou baixinho, quase misterioso. — Não deu certo de jeito nenhum.

— Vai ver está sem bateria.

Os comentários de Victor sempre eram os mais lógicos, já que era isso que ele prezava. Era o melhor aluno da classe, e sempre foi assim. E eu o conheço desde que tínhamos oito anos de idade. Talvez por não ter religião, seu pensamento científico era mais aguçado. Isso não mudou até o presente dia.

Chequei a entrada para o carregador na lateral do Notebook, era idêntica a minha, redonda e um pouco fechada em suas extremidades. Fiz um sinal para que eles esperassem e segui até o meu quarto. Era o menor cômodo da casa, o que não era realmente pequeno, já que todos os outros eram ridiculamente gigantes para os padrões de um apartamento regular. Morávamos em uma parte rica da cidade, e éramos privilegiados por isso, afinal de contas, quem sustentou a casa pelos últimos dois anos, foi a minha mãe, que apenas com o trabalho de enfermeira foi capaz de racionalizar o dinheiro para manter tudo que tínhamos. Agora com meu pai trabalhando, iríamos voltar a situação de bem estar que possuíamos antes. Procurei o carregador de meu notebook no quarto bagunçado, o que se provou uma tarefa realmente difícil. As paredes eram azuis, assim como o resto da decoração de cama, já o guarda-roupa, a cama, o criado-mudo, a bancada e a prateleira que sustentava os meus livros escolares eram mogno, quando arrumado, era um exemplo de quarto, mas agora, tudo estava jogado para os lados, o colchão estava no chão e a suíte molhada, a água se infiltrando para o piso de madeira do quarto.

De qualquer maneira, encontrei o carregador pendurado na borda da minha gaveta de cuecas. Trouxe-o para a sala e conectei na tomada que ficava atrás do sofá. Até Victor se aproximou para ver o que aconteceria com o notebook assim que o carregador fosse posto, e para a nossa surpresa, a luz próxima à fenda piscou, um tom vívido e verde.

— Funciona! — Brad riu. — Vamos ver o que tem nesse notebook.

— Ninguém acha suspeito um notebook operante estar no lixo? Isso deve ser roubo.

— Não sabemos se está operante, Victor. — Comentei. — Pode estar ruim, irreparável.

— Quem liga. — Brad pressionou o dedo contra o botão ligar e a tela acendeu. — Até aí está tudo certo, não é Victor? Você não é o geek? Então, vamos continuar.

Ficamos aturdidos em conferir que o aparelho estava em seu completo funcionamento, e o logon não necessitava de senha alguma, sendo assim, fomos automaticamente redirecionados para o desktop. Tudo estava em seu perfeito estado, e definitivamente eu iria começar a prestar mais atenção em latas de lixo depois dessa. Com uma bela limpeza em seu disco rígido e obviamente em sua aparência, isso renderia a Brad pelo menos uns trezentos dólares, o que era um profit muito alto para algo achado em um lixo nas ruas de Nova Iorque. É claro que ele precisaria da nossa ajuda para essa parte, já que era um brutamontes que não tinha conhecimento nenhum do mundo virtual além do caminho para os sites macabros, pornográficos ou Facebook, e por nos usar, ele teria que dividir a grana. Até agora essa estava sendo uma noite bem produtiva, e eu não dava nada antes dela começar.

— Tudo esta funcionando bem demais para ser verdade. — Victor torceu o lábio. — Me empresta isso aqui, Brad.

Victor sentou-se no meio, e com o notebook no colo dele, fomos capazes de perceber muitas outras informações que a lentidão de Brad com o touchpad não nos permitiu. Haviam alguns programas instalados que eu nem sabia para quê serviam, mas não me pareciam que tinham um uso muito saudável. Após fuxicarmos todas as pastas, não chegamos à conclusão alguma sobre o dono do aparelho, ou sobre de onde viera. Rastrear o IP não adiantaria de muita coisa, pois nos levaria diretamente para o endereço do meu condomínio no Upper East Side, o que não seria de muito uso. A única coisa intrigante que encontramos estava na pasta de imagens, era uma parte de um documento, talvez uma escritura antiga que datava de mais de cinquenta anos atrás. Era, obviamente, uma fotografia digital de um papel, e eu não sabia se foi culpa do ângulo, da luminosidade, ou da própria velhice do papel em questão, mas não se podia ler muita coisa. Uma palavra ou outra podiam ser distinguidas, lei e respeito, e outro provérbio antigo. O que mais gritou a minha atenção era o título, escrito em letras garrafais: “Tieger Labs”. Assim que Victor percebeu, ele direcionou o seu olhar preocupado para mim.

— Thom, este não é o laboratório farmacêutico onde seu pai está tendo seu primeiro dia de trabalho?

A Tieger Labs é uma empresa que produz genéricos de remédios famosos, e os vende por um preço quase cinquenta por cento mais barato, e por isso é tão famosa. Sua fórmula criara problema uma vez, nos anos setenta, e matou milhares de pessoas que ingeriram seus remédios. A empresa mudou de dono, mas manteve o nome do fundador original. Agora ela é comandada por Pete Stark, um magnata que controla a bolsa de ações com sua companhia.

— Bom, isso é antigo. É a escritura de posse da empresa, ou algo assim. — Dei de ombros.

— Isso é estranho. — Victor balançou a cabeça negativamente. — Bom, vamos jogar vídeo-game?

— Bora. — Brad que estava quieto, finalmente falou. Era óbvio que ele estava entediado. — Já não aguento mais, esse computador não resultou em nada, e eu seriamente acredito que perdemos tempo.

— Foi você quem o trouxe... — Victor reclamou.

Pedi a Victor que ligasse o meu Play Station 3 e escolhesse um jogo que valesse à pena enquanto eu preparava algo para que pudéssemos comer, nada muito requintado, pois sempre nos viramos com qualquer coisa. Tinha uns nuggets no freezer e batatas fritas já preparadas. Fritei tudo que pude, fiz uma mistura numa tigela gigantesca, e joguei muito ketchup em cima, e depois sal. Bom, isso não deveria fazer muito bom para o colesterol, mas não importava muito de qualquer maneira. Voltei para a sala com a tigela, e o jogo ainda nem estava preparado.

— Será que eu tenho que fazer tudo aqui? — Reclamei.

— Thom... — Victor me chamou, assustado. — Vem ver o que Brad achou no notebook.

Sentei ao lado deles e grudei os olhos no notebook enquanto Brad se explicava:

— Eu estava simplesmente mexendo na Internet, usando o wi-fi da sua casa. Fui ver os favoritos do ex-dono desse notebook e eu encontrei esse site. E eu sei que pode parecer que eu uso esse tipo de coisa, mas eu estou sério quando digo que nunca vi essa página antes em toda a minha vida.

O endereço era estranho para mim. Nunca ouvi falar em nenhum deathmaker.com em toda a minha vida. O layout do site era minimalista, fundo preto e um vídeo sendo reproduzido. Só prestando atenção no vídeo, percebi o motivo de tanto espanto. Mortes bizarras estavam sendo reproduzidas em sequencia, uma pior que a outra. Uma mulher sendo ceifada com uma lâmina e seu corpo sendo espalhado em dois me chamou bastante atenção, mas nenhuma outra foi tão pavorosa quanto um homem que colocava a mão dentro das calças, e quando puxava, segurava o seu membro em mãos, gritando de pavor. Outra marcante foi a idosa que após uma grande crise de tosses incessantes, começou a cuspir sangue e acabou por vomitar o próprio coração. O órgão caiu no piso azul no chão, inútil, enquanto a senhora tombava para o chão, morta, sua boca realmente maior do que o normal, e o espanto predominando em seus olhos. O mais assustador era que nada disso parecia montagem. Perdi o foco da imagem, tentando entender que tipo de página era aquela que estávamos acessando. Será que aqueles vídeos podiam ser reais? Não... Ninguém era capaz de vomitar o próprio coração, o órgão vital do corpo humano. Não havia como.

— Mas que droga é essa. — Murmurei.

Brad estava mexendo freneticamente com a seta, só então percebi que ele estava silenciosamente nos perguntando se ele devia ou não acessar; havia dois links logo abaixo dos vídeos: acessar ou sair desta página. Uma dúvida cruel, admito.

— Eu não quero ver mais nada. — Victor se antecipou.

— Eu estou curioso. — Anunciei.

Foi o suficiente. A clássica vitória da aprovação de dois. Victor se levantou e foi sentar-se na outra poltrona, comendo o tira-gosto que eu havia preparado. Aproximei-me ainda mais de Brad e tomei posse do controle do notebook, que estava em cima da mesa de centro da sala, próxima à nos dois. Assim que a página carregou fiquei tranquilo ao perceber que não existiam mais vídeos, e sim um pequeno texto que dizia: “Bem vindo ao seu primeiro e único Gerador de Mortes digital. Apesar de parecer que isso é apenas uma brincadeira, deve ser levado a sério, use consciente dos riscos! Com o gerador, você pode assassinar qualquer pessoa que você desejar, você só precisa do nome completo desta e de uma foto onde apenas ela apareça, além é claro, da cidade onde essa pessoa vive. Entregue os dados, você pode escolher de qual maneira a pessoa irá morrer, qualquer descrição é válida, desde que apresente coerência, e, além disso, a liberdade de decidir em que dia e em que hora o ocorrido deverá tomar ação. Ponha seu e-mail para receber um vídeo completo da cena da morte, e deleite-se”.

— Bom, isso é muito bizarro. — Comentei.

Encostei-me as almofadas no sofá, um pouco afetado pelas palavras que li. É claro que isso não era verdadeiro, mas que tipo de pessoa doente fazia uma brincadeira dessas? Era além da criação de imaginação saudável. Brad, por outro lado, estava curtindo um pouco a página. Ele estava descendo, mas não parecia encontrar o que queria. Olhei encabulado para aquilo, mas só fui entender quando ele achou o link que o levaria para a página onde ele seria capaz de matar alguém. Estava no canto superior da página, no lado esquerdo, escondido até.

— O que você vai fazer Brad? — Questionei, erguendo a sobrancelha.

— O que tá acontecendo? — Victor não resistiu e se aproximou.

— Brad quer matar alguém. — Eu ri. — Ou quase isso. O que vale é a intenção.

Contei para ele tudo que li, e ele ficou realmente intrigado, pois os vídeos na homepage pareciam verídicos, e de qualquer forma eram muito assustadores. Eu estava comentando isso com Victor e nem estava prestando a mínima atenção em Brad, mas quando me virei para olhá-lo, tive uma surpresa. Ele estava conectando um cabo USB para criar uma conexão entre o celular dele e o notebook, provavelmente estava prestes a pegar uma foto de alguém que ele conhecia para usar como isca. Victor não gostou muito da atitude e ameaçou tirar o cabo, mas Brad desaprovou:

— Ei, quem está fazendo sou eu! Isso parece interessante, é óbvio que é mentira, só quero ver o que acontece. Estou curioso. — As mãos hábeis de Brad seguraram o pulso do meu amigo com firmeza. — Então me deixe continuar.

— Você não tem como ter certeza. — Victor se defendeu.

— Deixe de ser medrosa, Victor. Acha mesmo que isso é verdade? Burra.

— Odeio quanto você age assim, como uma criança de nove anos.

— Não é um problema meu.

Nossos comentários negativos não foram suficientes para impedir Brad, mas nada podíamos fazer, não iríamos comprar briga com ele por causa de uma bobeira, e de certa forma, o notebook era dele, afinal, achado não é roubado, e ele estava usando fotos de alguém com o próprio celular. Não reconheci a pessoa no começo, mas assim que ele fez o upload da foto para o formulário que preenchia, e o site ampliou a foto, pude reconhecer. Brad estava assinando a suposta morte da irmã dele. Isso pode ser um choque para aqueles que realmente amam os seus irmãos, e, nem por brincadeira, colocariam uma foto deles e o nome completo em um site, que por mais que seja falso, pode representar certo risco. Como pude confirmar, ele colocou o nome da irmã dele por completo: Annie Fulgars Smith, e preencheu também a cidade onde ela mora, Nova Iorque. As partes mais interessantes, se é que se pode usar essa palavra, fora o campo onde pedia para descrever a morte dela: “Ela irá se sufocar, mas sem o uso de nenhum acessório, simplesmente não será mais capaz de respirar. As unhas dela irão todas cair, e enquanto ela luta para conseguir ar, um corte se formará no meio de sua barriga, como um rápido rasgo. O resto será uma agonia, enquanto ela sangra para morte e tenta respirar, sem conseguir fazê-lo completamente”.

— Brad, isso é bizarro... — Victor comentou, notoriamente assustado.

— Vocês estão tão bobos, acham mesmo que isso é real? Só quero ver se vão fazer montagem com a foto. E como eu não gosto de esperar muito... — Ele preencheu o incidente para acontecer daqui a duas horas, as exatas onze e quarenta da noite. — Logo teremos o resultado. — Ele concluiu a morte, e deixou um de seus e-mails falsos que ele usa para “trollar” as pessoas via internet. — Bom, duas horas. Algo deve aparecer em meu e-mail.

— Certamente. — Balancei a cabeça. — Podemos jogar vídeo-game, agora?

Ficamos tão distraídos pelo resto da noite, que esquecemos completamente do site que gerava as mortes das pessoas artificialmente. Brad nem mesmo se lembrou de levar o notebook, quando ele foi para casa, horas depois. Victor decidiu que dormiria aqui, já que ele morava um pouco mais longe, e eu arrumei uma cama para ele no sofá. Acabei por adormecer no outro sofá mesmo, extremamente preocupado com os meus pais, que ainda não estavam em casa, e já devia ser quase três horas da manhã. Acordei para beber água e o dia já estava clareando. Demorei-me na cozinha, vagarosamente, passando o dedo pelo balcão. Servi-me de um copo d’água e engolir foi quase um sacrifício; senti-me engasgando por alguns momentos. Algo estava me deixando assim, e eu realmente não sabia o motivo. Uma imagem me veio à cabeça, assustadora até, aquelas mortes que eu vira ser reproduzidas no vídeo, noite passada. Porque eu estava pensando nisso agora? Que sensação ruim era essa que não me permitiu ter uma boa noite de sono, e que agora me assolava com tamanho desespero que eu sentia que ia desmaiar? Puxei o telefone da cozinha, pendurado na parede e disquei o telefone do meu pai. Ninguém estava em casa, e já estava amanhecendo um novo dia, o que havia acontecido para gerar tamanho atraso? Ninguém atendia, e eu estava prestes a acordar Victor para contar-lhe como eu estava me sentindo mal.

— Victor? — Cutuquei-o quando retornei para a sala. O relógio sobre a estante marcava cinco e meia da manhã. Até o ruidoso tic tac estava me assustando.

— O que foi? — Ele resmungou, despertando.

— Tem algo errado. — Falei sombriamente. — Eu to me sentindo muito mal.

O caráter de Victor sempre foi muito bom, como amigo, ele não deixava de ser presente em momento algum, ele sempre estava lá para me ajudar. Era um amigo muito bom e com certeza era melhor que Brad, por isso eu andava mais com ele do que com o outro, e além do mais, Victor não fazia besteiras.

— Thom... O que houve? — Ele lançou as suas cobertas para longe e se levantou, ao meu lado.

— Eu não sei. Meus pais não atendem ao telefone, e eu estou me sentindo mal, alguma coisa aconteceu, é como se fosse um sexto sentido. É só... — Sentei-me na poltrona única, completamente aturdido. — É estranho, eu não sei muito bem o que eu estou sentindo, mas eu acho que foi um pesadelo. Já está quase amanhecendo e meus pais não chegaram.

— Eles provavelmente estão presos no trabalho. — Victor me tranquilizou. — Fica calmo, cara. Bom, já que eu acordei, vou fazer café. Liga a TV, vamos assistir desenho ou alguma coisa. É sábado, não temos nada melhor para fazer mesmo.

Consenti. Victor seguiu para a cozinha e eu liguei a televisão. Ainda estava no último canal assistido, a CNN. Meu pai gostava de assistir às notícias do mundo, e aquele canal as anunciava rapidamente. A apresentadora estava falando do clima, mas me distrai com a previsão do tempo e larguei o controle, deixando que ela falasse. Assim que terminou de contar sobre todo o clima do país, ela voltou à notícia principal e uma manchete surgiu no final da tela: “Assassinato bizarro na cidade de Nova Iorque”. Isso era comum aqui, Nova Iorque era um circo de horrores, pessoas morriam todo dia, e nem sempre de maneira convencional. Victor trouxe uma xícara de café para mim e voltou para a cozinha. Beberiquei o líquido sem prestar muita atenção no que ela falava; até que um nome foi mencionado. Annie Fulgars Smith.


Notas finais
Realmente espero que gostem, postei apenas o primeiro capítulo, que é um pequeno prólogo, para apresentar alguns dos personagens principais. Aguardo por feedback, e o segundo capítulo será postado logo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.