Death Note: Resurgence
8 Death Note - Tragédia
\"O humano que tocar no Death Note logo após esse chegar ao mundo humano, será seu novo proprietário\"
(Death Note — How to Use It — Rule 7)
\"Todas as unidades, repito, todas as unidades! O suspeito está fugindo pela Koishitsu 22, Koishitsu 22!\"
\"Entendido!\"
\"Sim senhor!\"
\"Tragam as tropas especiais!\"
\"Estamos muito próximos! Estamos muito próximos!\"
As cirenes e o barulho dos motores enchiam o ruído das ruas agitadas daquela noite, deixando-as alvoroçadas mais uma vez. Os carros policiais praticamente voavam pelo asfalto, desviando dos carros comuns, ônibus e vans da autoestrada.
Haviam cerca de quatro viaturas atrás de um suspeito de roubo de uma loja de automóveis novos. Porém, este suspeito era acusado de estar portando explosivos, se tratando de um homem-bomba. Talvez, apenas mais um estranho atentado nas últimas semanas; já era o terceiro homem-bomba que deveriam desativar às pressas.
— Apressem-se, vamos! Não falta muito! — Matsuda berrava no rádio.
\"Senhor! Ele entrou numa área de contrução!\"
\"É a nossa chance!\"
— ESPEREM! NÃO SE APROXIMEM!
A viatura que abrigava Matsuda deu um cavalo-de-pau na rua. Ele saltou para fora, abrigando-se atrás do carro, junto com outros dois homens. Tinha uma arma nas mãos. Visava muito bem o carro roubado pelo suspeito dali. Ele estava parado naquela área de obras, que mais parecia um grande terreno inutilizado. As estruturas metálicas estavam erguidas, formando o esqueleto de um prédio médio. O carro, parado bem próximo desta estruturas. A porta estava fechada. Matsuda pegou o rádio do bolso e entrou em contato.
— Provavelmente o suspeito ainda está dentro do veículo! Mantenham distância!
\"Positivo!\"
— Senhor, ele está abrindo a porta...!
Matsuda girou os olhos rápido para o carro. A porta abriu-se. Estava escuro, mas podia-se ver perfeitamente o movimento. Um barulho alto veio dos céus. Luzes ofuscaram diretamente na porta do carro, quando o helicóptero dirigiu sua lanterna. Nada do suspeito aparecer. Ficaram uns dois minutos ou mais visualizando minuciosamente o local, mas nada do suspeito.
— Onde ele está?
— Ainda está dentro do carro...?
— Calem-se! Olhem!
A silhueta de um homem deixou o carro. Ninguém podia ver seu rosto.
\"Qual a ordem, senhor?\"
— Aguardar. Nada de disparos. Esperem minha ordem.
\"Perfeitamente.\"
Matsuda continuou a fitar com os olhos apertados. Parecia fazer um incrível esforço para conseguir enxergar a face do suspeito. Mesmo com as luzes, o ângulo em que estava o homem era impossível. Até que o suspeito deu alguns passos para longe do carro. Andando, o homem parecia um zumbi. Todos prenderam a respiração.
\"Oficiais, aguardem ordens. Sem disparos.\"
O homem virou seu corpo na direção das viaturas em volta do terreno. O ruído do helicópeto era notável, mas mesmo assim, foi possível ouvir claramente a voz alta e estridente dele:
— QUE OS CÉUS TRAGAM DE VOLTA A FORÇA E DETERMINAÇÃO DE KIRA! AMALDIÇOEM TODA A OPOSIÇÃO PELO NOSSO DEUS DA JUSTIÇA! MORRAM, COVARDES!!
Dois segundos depois, o ar sofreu uma deslocação muito notável. A explosão encheu o ar. Matsuda dilatou as orbes. A estrutura do prédio em contrução vibrou alto, perdendo sua estabilidade com a gravidade. Balançou e depois os andaimes e barras de ferro despencaram para todos os lugares, voando até mesmo para longe da área interditada. Nas ruas próximas, os carros corriam velozes e as pessoas gritavam, tamanho o barulho causado.
\"Senhor! Senhor! Instabilidade!\"
O helicóptero pedia socorro.
A pressão do ar aumentou tanto que a estabilidade do helicoptero fora abalada. A hélice rodou contorcida sobre suas cabeças. Matsuda deu um pulo para o lado e correu para longe, sem tempo de avisar os companheiros do solo. Correu tão rápido que sentiu seu coração pulsar pela boca. Segundos foram suficiêntes para ele sentir uma nova deslocação, seguida do ar quente do fogo. O helicóptero atingiu o chão e não somente o chão, mas como as viaturas. Matsuda caiu no chão, protegendo a cabeça. Gritos invadiam seus ouvidos. Possívelmente eram vindos dos companheiros policiais.
\"Aaaaaaaaa- Tsssss\"
\"Tsssss\"
\"Tsssss\"
O rádio em seu bolso chiou, perdendo o sinal. Matsuda continuava com a cabeça protegida quando ouviu. O que havia acontecido...? A poeira chegou até onde ele estava, fazendo-o tossir. Aquela poeira estava quente, quente demais. Ele virou a cabeça para trás e sentiu todo o calor emanando das altas chamas que tentavam perseguí-lo. Ele quase voltou para o chão quando foi se levantar, quase tropeçando. Pôs-se a correr e quando olhou para as chamas novamente, um rosto de formou claro naquele vermelho fervendo... Matsuda virou-se de frente para o fogo andando de costas enquanto suas retinas pregavam uma peça óbvia — porém assustadora: o rosto de Raito ria de sua cara, com dentes enormes e olhos mais vermelhos e faíscantes que aquelas chamas. O homem respirou fundo para gritar, engolindo uma quantidade muito grande de fumaça:
- NÃO! VOCÊ ESTÁ MORTO! SAIA DA MINHA VIDA!
Ele correu.
Correu o máximo que pôde. Chega da cara feia de Raito em sua vista. Aquilo que ele via eram apenas peças de sua consciência. Alguma coisa prendeu em seu pé, o fazendo retornar ao chão. Neste movimento, ele viu algo descendo lentamente do céu. Algo retângular, pelo que parecia. Este algo caiu no chão, com um baque surdo que foi ouvido por Matsuda. O rapaz ficou visualizando. Rastejou para perto daquele objeto. Puxou-o para perto de si...
— Isso é...
Era um caderno de capa preta.
- O que andam dizendo por aí é verdade? — a voz demasiadamente rouca chiou, jogando um crânio com violência em uma parede de pedra.
— Rumores. Mas eles estão vindo dos próprios confiáveis do Rei. Achei que o Rei não queria espalhar suas espectativas dessa forma.
O mais baixo e resmungão Shinigami olhou torto para o companheiro de voz baixa e calma. Aquele segundo Shinigami curvou seu corpo incrívelmente esguio no chão, pondo-se a sentar. Era tão comprido que ficava da mesma altura que o primeiro quando sentado. Pegou na mão — aliás, a única mão que tinha, curiosamente, pois não havia um outro membro oposto — um dos crânios que enfeitavam a terra queimada, olhando-o com certa perícia.
— Isso vai contra as regras do Death Note — o pequeno falou, abaixando os olhos, contorcendo-os de certa raiva.
— Ninguém nos informou algum dia de que elas não poderiam ser burladas assim. — E quem em sã consciência iria alterá-las dessa forma?
— Fica frio aí, Dosu. He.
Ryuuku voltava a pisar sobre a terra. O cheiro inusitado de sangue o persseguia ainda. O seu sorriso distorcido brilhava em seu rosto, aquele sorriso que jamais abandonava.
— O que quer aqui, se intrometendo nos assuntos dos outros, Ryuuku? — disse o mais sereno ao chão.
— Oras, vim brincar com vocês. Não somos mais amiguinhos...?
— Pare de zombar, seu escroto. Você se livrou da punição por ter jogado intencionalmente aquele caderno no mundo humano. As punições são claras, mas com que direito você tem de se livrar delas?
— Vá se foder — rosnou Ryuuku alegremente, rindo das palavras de Dosu, o Shinigami mais áspero — Está com raiva de mim porque fiz uma coisa que você jamais teve coragem e por eu ser da confiança do Rei agora...!
O Shinigami alto pôs as mãos esqueléticas no chão, apoiando-se para levantar. Era incrível como ele conseguia ser maior até mesmo que Ryuuku.
— Não invente de criar confusões logo de cara, ou você vai se dar muito mal, Ryuuku. Você vai se equivocar e penará pelas consequências.
— Ow, ow... relaxa aí, Izumiku. Tô de boa, tô de boa...
— Que cheiro é esse, seu nogento?
Ryuuku virou os olhos exagerados para o companheiro Dosu. Realmente, aquele cheiro de sangue estava enjoativo, até mesmo para ele.
— É sangue. Não sabe mais distinguir cheiros?
— Eu sei muito bem que é sangue! — rosnou o baixinho Dosu, cabaleando para perto de Ryuuku com uma cara incrívelmente contorcida — Mas isso me lembra sangue humano!
— Andou matando gente com as próprias mãos, hm? — fez-se presente o mais alto, ainda examinando um crânio na mão que possuía.
— Nãah! Calem a boca! Eu não sou tão repugnante! Acha que sou tolo de enfrentar a punição de Nível Extremo*?
— Então diga o que é!
O Shinigami permaneceu sorrindo. Mesmo quando ele queria mudar sua expressão, sua face continua inalterada na zombaria de seu sorriso. Talvez seja por isso que eles mesmos se julgavam seres isentos de emoções. Ele demorou um pouco para mover a boca enorme.
— Nada que seja da sua conta — respondeu Ryuuku, virando as costas e alçando um voo baixo por cima do solo, indo para longe dos companheiros.
— Gh! Maldita escória seja Ryuuku! Não presta nem para responder uma simples pergunta... Vamos cortá-lo da competição por isso.
— Tanto faz — proferiu Izumiku, jogando o crânio na direção em que Ryuuku se fora. O baque surdo soou por aquele lugar vazio — Ele não é bom de Arremesso de Crânios mesmo...
Notas finais
*Nível Extremo: Segundo a Death Note Wiki, existem nove níveis punições para os Shinigamis que quebram leis. Matar um humano sem usar o Death Note implica a punição de "Extreme Level", contudo, nem o anime nem o manga entram em detalhes sobre essa curiosidade dos Shinigamis.
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