Death Note: Resurgence

11 Death Note - Ordem


Notas iniciais
Eeh, tá aqui mais um capítulo. Este capítulo foi um pouco perigoso de ser postado, porque tem alguns fatos que podem me trazer um bloqueio criativo irreparável mais para frente. @_@ Mas se ele tiver alterações, que sejam poucas, eu avisarei com toda a certeza. Mesmo assim, reviews obrigatórios, ok? Good reading (?) ;3

\"Após este caderno tocar no solo, ele passa a ser de propriedade do mundo humano\"

(Death Note — How to Use It — Rule 6)


Uma luz rasgou o céu iluminando pela janelinha minúscula todo o porão. Seus olhos brilharam com o fenômeno, mas logo apagaram e tudo se manteve escuro de novo. Suas mãos estavam suadas demais para manter-se segurando o caderno. Ele consultou o relógio. Havia acabado de dar 1h59 da madrugada.

Matsuda respirou fundo, engolindo a saliva acumulada na boca. Ela escorregava penosamente pela garganta seca, causando ainda mais desconforto. O coração batia descompassado. Tinha certeza de que morreria naquele dia, pois Raito estava de volta. Se não cumprisse o pedido dele, provavelmente morreria. Mas, então, o que estava fazendo ali se nas duas opções ele já estava morto? Matsuda tinha um plano.

A luz de fora cobriu o local no momento em que o relógio do rapaz apitou, indicando hora cheia. Em seguida, um estrondo. Neste momento, o peito dele sentiu o nervoso aumentar: Ali estava o Shinigami.

— Hmmm, achei que você iria fugir — proferiu a voz áspera de Raito, este que avançava para perto de Matsuda calmamente, balançando seu corpo deformado e produzindo ruídos macabros neste andar — Ao menos covarde deixou de ser.

— Fale-me logo o que fazer.

O Shinigami apontou com sua mão comprida para a superfície de uma mesa inacabada presente naquele porão.

— Vá até ali e coloque o Death Note.

Matsuda obedeceu a Raito hesitante. Andou devagar até a mesa e postou o Death Note acima desta. O Shinigami jogou alguns papéis ao lado, que continham além de toneladas de palavras, fotos de perfil e frontal, tanto de homens quanto de mulheres. Matsuda tocou os dedos sobre os papéis.

— Escreva o nome completo destes criminosos no caderno. Tem de ser com letra legível. Grave bem seus rostos e imagine-os enquanto escreve.

O rapaz apertou os olhos. Focou bem a face do primeiro da lista. Desviou para verificar o nome. Soichiro Ukitake. Soichiro... bem que ele poderia estar ali. Contudo, o próprio filho — que no caso estava ao seu lado, planejando mortes mais uma vez — havia tramado sua morte, como forma pecaminosa de vencer a guerra.

Não era hora para lamentar. Poderia se lamentar depois, depois de ter posto seu plano bolado à poucas horas em ação. Teria de dar certo... Matsuda apertou os lábios. Curvou as costas em cima do Death Note, de modo que ele não pudesse ler o que o humano escrevia. Contudo, Raito deslocou a cabeça para o lado, para poder visualizar. A ponta da caneta aproximava-se vagarosamente da folha do caderno assassino, tão lentamente que Raito quase se sentiu entediado...

— RAITOOOO! FINALMENTE TE ACHEI!

O Shinigami voou para trás. Alguma coisa tinha saltado para cima dele, fazendo-o cair no chão pesadamente. Matsuda jogou a caneta para cima conforme o susto do barulho, que fora ainda mais alarmado pelo ruído de um relâmpago. Caminhou de costas, vendo Raito caído no chão. Quase...! Mas... ele nem havia escrito seu nome ali ainda...

— ARGH! O que raios é isso?!

Raito se debateu, tentando tirar aquele corpo de cima do seu.

— Senti tantas saudades! Ah, finalmente podemos ser o casal mais lindo do Reino Shinigami!

Matsuda não entendia porque Raito se debatia. Não tinha nada ali a não ser ele e o monstro.

— Quem é você, sua louca?!

Misa parou. Estacou como uma pedra. Raito também cessou suas tentativas de retirá-la de cima. Que olhos amendoados e nostálgicos eram aqueles que ele via...?

— Raito não se lembra mais da Misa? — a voz grave amansou curiosamente para um choramingar — Misa... Misa... Misa... Misa-Misa...! Misa! Por favor, se lembre de mim...!

— Quê? Misa? — surpreendeu-se Raito, deslizando seu corpo rapidamente para trás, agora que ela havia afrouxado com seu peso para cima dele — Como... é que você...?

— Ah, você lembrou! Lembrou! ... Sabe de uma coisa? Raito ficou muito sexy como monstrinho Shinigami... Hihihi...!

Raito ficou de pé, e neste movimento, Misa fez o mesmo. Por outro lado, Matsuda continuava imóvel. Raito falava sozinho. Ele estava louco, ou era o próprio Matsuda aquele que deveria estar na camisa-de-força? Seus músculos o impediam de mover o braço para o lado, para prosseguir com seu plano de eliminar Raito novamente. Tinha que se esforçar. Raito não estava olhando. Como num súbito de coragem, Matsuda aproximou-se ligeiro para perto do caderno, escrevendo garranchosamente: Light Yagami. O dono deste nome virou a cabeça para o lado, mas já era tarde demais. O nome estava completo na superfície da pauta. Matsuda ofegava, mostrando um sorriso de satisfação e, quem sabe, até perverso.

— Arf... arf... Hahaha...! Você já era! — disse confiante, apontando o dedo para Raito. Este ficara imóvel — Quanto tempo demora a surtir efeito?

Se Raito tivesse sobrancelhas, elas estariam arqueadas para Matsuda. Ele girou os olhos para o caderno e, segundos depois, voltou-os para Matsuda. Passaram-se muitos segundos em completo silêncio. Até mesmo Misa estava calada, olhando do Shinigami para o humano, alternadamente.

— ......

O sorriso de Matsuda broxou assustadoramente quando Raito começou a rir de repente.

— GAAAHAHAHAHAHAHAHAHA! O QUEÊ? VOCÊ PLANEJAVA ME MATAR USANDO ISSO? HAHAHAHA!

— Ahm? O q-quê...? Porque você não morreu até agora?! Minha letra está feia, mas está legível...!

— E eu achando que você tinha... evoluído um porcento da sua capacidade... realmente... você é muito idiota... não retiro minhas palavras mais...! — Raito ofegava de vez em quando, para soltar mais umas risadinhas enquanto falava. Parecia não conseguir mais rir, de tanto que havia feito — Você falhou em todas as três tentativas...!

— Hmm? Olha... esse aí não é o Matsu? — Misa apontou para o humano seriamente, indicando-o para Raito que ainda recuperava-se de um ataque de risos — Oi Matsu! — ela acenou alegremente para ele.

Raito pegou o rapaz pelo pescoço rapidamente, erguendo-o do chão. Ah, como queria separar aquela cabeça oca do corpo inútil.

— Gah...!

— Você sabe exatamente NADA sobre o Death Note, não é mesmo? Será que é tão babaca de esquecer sobre o que falavam sobre o caderno, naquele tempo? Ele mata HUMANOS. Por acaso eu tenho cara de humano? AHM?!

— Raito! Pára com isso! Vai machucar ele!!

Misa deu um tapa no braço de Raito, o fazendo soltar Matsuda. O Shinigami voltou os olhos claramente nervosos para a outra. Matsuda afastou-se ligeiramente, visando manter máxima distância da criatura.

— Não era para interromper! Eu não ia matá-lo...!

— C-com... quem... você fala... seu maluco...? — balbuciou o humano, com a mão no pescoço.

A Shinigami virou a cabeça para o rapaz no chão, acompanhada pelo mesmo movimento feito pelo outro.

— Ah, tadinho... eu esqueci! Ele não pode me ver se não tocar meu Death Note! Ei, Raito, faço isso pra mim! Eu quero que Matsu me veja!

— Hnf...

Raito aceitou o caderno que Misa lhe oferecia. Jogou-o na direção de Matsuda. Este terminou sua tragetória deslizando pelo chão áspero.

— Toque-o e você saberá com quem falo.

Matsuda virou as orbes assustadas para ele, depois, girou-as devagar para o caderno. Quando fez o que lhe foi mandado, Matsuda olhou para o que, de repente, nasceu ao lado de Raito. Era uma criatura semelhante ao Shinigami, com cabelos bem compridos e amarrados despropocionalmente na cabeça. Os olhos redondos e curiosos do ser fitavam o que parecia de forma feliz o homem.

— Ei, Matsu! Sou eu, Misa-Misa!

— Ergh... v-você... Misa...?

— Sim, sim! Misa Amane! Estrela no mundo humano, agora também famosíssima no Mundo dos Shinigami! — ela fez uma pose, como se mandasse um beijo para Matsuda. Não era exatamente uma cena que se comparasse com Misa sedutora e bela em sua vida humana — Até o Rei Shinigami deu em cima de mim por lá... A-ah, Raito, não fique com ciúmes, tá bem? Eu dei um fora nele rapidinh...

— O que exatamente aconteceu por aqui, afinal? — disse Matsuda, parecendo ignorar tudo o que Misa ia dizendo — Raito Yagami foi morto, Misa Amane se suicidou... O caderno da morte desapareceu... e agora tudo está de volta? Do que vale os esforços, meu Deus?

O Shinigami pisou firme no chão, visando cessar o raciocínio que Matsuda impunha de forma autoritária.

— Não diga Meu nome em vão, seu verme. Apenas aqueles que não se opõem a mim terão seus esforços recompensados. Apenas os de bom coração, trabalhadores e esforçados terão sua chance de viver. Ao contrário de você, que já tem o fim de sua vida em minhas mãos.

Os olhos assustadores do Raito Shinigami faiscaram no mais intenso vermelho, enquanto ele mantinha-se superior à Matsuda. O humano fitou-o com receio, à princípio. Todavia, este receio parecia escorrer pelo seu rosto até o chão, o impulsionando a se levantar novamente. Suas costas tornaram-se eretas, enquanto a superioridade de Matsuda chegava gradativamente à de Raito fisicamente e logo psicologicamente, também:

— Você está errado. O único que não tem bom coração por aqui é você. Aliás, você nunca teve um coração, Raito. Pois até mesmo os criminosos que mancham este mundo tem um batendo no peito. O que você tinha aí quando era vivo seria apenas um pedaço de carne e músculos que, forçado e involuntariamente, fazia o trabalho de bombear o sangue para o seu corpo sujo, sustentando sua alma imunda que pensa predominar sem qualquer escrúpulo o mundo que à ninguém pode pertencer.

Depois de cessar as palavras mais sinceras e profundas que havia dito em sua vida, Matsuda ficou fitando intensamente a criatura. A raiva de Raito subia até sua cabeça, exalando pelos olhos escarlates. Como ele tinha a ousadia de tentar rebaixar o futuro Deus do Novo Mundo, daquela forma tão repugnante...?

— Ora, seu...!

— MATSUUUUUUUUU!

A porta do porão bateu. Alguém estava tentando a abrir. Todos no porão mantiveram suas bocas caladas, inclusive o rapaz humano.

— Matsuu? Eu sei que você está aí... porque trancou a porta? — voltou a voz abafada.

— Erm... Sayu? J-já vou! — falou com a voz nervosa, correndo para alcançar as escadarias que o levariam para perto da porta. Quase deslizou em um lance delas, de tão nervoso que estava.

— Sua voz está estranha. Aconteceu algo?

A luz do lado de fora do portão fez-se presente. Matsuda abriu sem pestanejar, arfando e mostrando um sorriso amarelo e trêmulo no rosto suado, que dedava medo. Sayu olhou-o com desconfiança, mas essa insegurança era menor que a preocupação.

— O que faz acordada à esse hora...?

— Eu quem digo isso à você, meu amor... por que está suado desse jeito...

— E-eu estou trabalhando numa planta de uma maquete para as investigações da polícia...! Mal pude esperar para começar, s-sabe?

— Aham, sei.

Ainda com desconfiança, Sayu espichou o pescoço para tentar verificar o que havia lá dentro, porém não conseguir olhar nada além do negrume. Como não viu nada, ela mostrou um sorrisinho nos lábios e tocou-os levemente em Matsuda, que ainda tentava expressar verdade.

— Vá dormir, por favor. Talvez o sono esteja te atrapalhando um pouco com as palavras.

— É, acho que é verdade... já estou indo — disse Matsuda por fim, vendo Sayu sair de perto da porta.

Agora lhe restava ver a expressão dos dois às suas costas, mas nem precisou de muito, pois ambos já haviam se aproximado o suficiente para dar um enorme susto no humano.

— Owwwwwwwwwwn, Matsu-chaaaan! Você vai casar com a irmãzinha fofa do Raito, é?

Raito manteve-se inteiramente mudo.

— C-c-casar...? Do que você tá falando...?

— Ora, Matsu, não seja ignorante! Ela até te deu um beijinho...! Você poderá ser meu concunhado, sabia?

Misa agarrou o braço do outro Shinigami bobamente, mas este último ainda olhava seriamente para Matsuda. O rapaz engoliu seco novamente. Possivelmente ele estava remoendo aquela última frase dita com audácia. Pensando melhor, Matsuda achou que tinha perdido uma ótima oportunidade de ficar calado.

— Vamos embora agora, Misa — ordenou Raito, dando as costas para Matsuda e desvencilhando das mãos da Shinigami, que ficou intrigada tanto quanto Matsuda pelo ato dele — E eu disse agora — reafirmou, vendo que Misa ficara hesitante.

— T-tá... bem, Raito...! Até mais, Matsu!

Obediente e sem perguntar o porquê, Misa andou para perto do próprio caderno, pegando-o do chão. Matsuda apenas o fitou quando ele ergueu a mão esquelética com a intenção de pegar o seu, porém retrocedeu o ato.

— Leve essa desgraça com você — pediu Matsuda.

— Não. Ele caiu no mundo humano, agora pertence ao mundo humano. Não posso pegá-lo para mim de volta dessa forma. Não que eu queira algo tão precioso nas mãos de alguém tão inútil como você.

— Shii, não seja tão infantil assim, por favor, Raito... desde que você morreu, anda muito tenso — Misa fez menção de querer pegar nos ombros do Shinigami para realizar uma massagem, mas desistiu ao ver que Raito virou-se de volta para Matsuda.

— Quero todos estes criminosos mortos quando eu voltar daqui exatamente uma semana, neste mesmo horário. Inclusive as fichas amarelas que estão no fundo. Eu saberei quem está morto e quem vive.

Sem esperar alguma confirmação, o Shinigami ex-humano atravessou a parede do porão.

A Shinigami voltou a cabeça de olhos melancólicos para Matsuda e, sem mais, foi atrás do outro.

Matsuda encostou-se na parede. O que deveria fazer? Não era nada bom para tramar planos estratégicos ou coisas do tipo. Não teria força que fosse o suficiente como L ou Near para derrotar Kira mais uma vez... mas, se ele estava escrevendo nomes no caderno da morte e matando criminosos, isso não o faria o novo Kira?

Ele caminhou para perto das fichas. Olhou-as com expressão receosa. Viu a borda de uma ficha amarela, como Raito havia indicado. Quando pegou a primeira, viu uma foto que não esperava: Era Shuichi Aizawa, com seu nome seguido ao lado.

— Essas fichas são do pessoal da Central de Operações...!

Passou uma por uma: Hideki Ide, Kanzo Mogi... Qual era sua intenção tendo-os como mortos? Vingança? Ou apenas... orgulho?

Jogando estas folhas num canto, ele pôde ver também outras fichas da mesma cor amarelada. Segundo as informações contidas, todos eram integrantes do FBI e da CIA, o que logo fez Matsuda recordar-se: Eram os agentes de Near... E inclusive o próprio Near. Leu o nome Nate River numa ficha sem qualquer identificação fotográfica, no entanto não teve dúvidas de que aquele era o nome verdadeiro do detetive.

Matsuda pegou a caneta e apertou os olhos. Aproximou a ponta desta na superfície da pauta...