Death Note: Resurgence
6 Death Note - Caminho
\"Uma causa de morte só pode se estender em um período de até 23 dias\"
(Death Note — How to Use It — Rule 4O)
A base da Kaihatsu foi difícil de ser retirada da terra. Porém, quando Raito o fez, o pano cessou sua goteira sangrenta. O rapaz colocou-a por cima do ombro. Não ia deixá-la lá, se era sua. Mal sabia direito o que significava ter uma Kaihatsu, por isso era melhor protegê-lo por hora. Então, ele parou. Olhou em volta. Não havia nada além de um novo vazio de terra queimada, um vento uivante e um céu acizentado. Para que lado deveria ir, para chegar aonde não sabia? Porque Ryuk o deixara agora...?
— Ugh... ugh... uhh...
Raito ouviu alguns gemidos. Sua cabeça voltou-se para trás, para ver um homem encolhido no chão, ocultando a cabeça com os braços e as pernas. Raito não se lembrava dele estar ali à segundos antes.
— Eliminar... eliminar... e-eliminar... — sussurrava forçado aquele homem ao chão, este que, diferente de Raito, possuia apenas alguns farrapos em volta da cintura e tórax. Estas palavram penetravam os ouvidos do rapaz como sussurros trazidos pelo vento — ... eu não estou eliminado...
O homem tirou a cabeça do meio das pernas. Girou seus olhos insanos para Raito. Estes olhos se abriram ainda mais ao vê-lo, junto com um sorriso — que Raito lembrou muito o sorriso de Ryuk: largo e torto.
— Deus! Deus! Você voltou! Você voltou! Deixe-me saudá-lo! Deixe-me dar-lhe o seu manto...!
— Argh... Mikami? O que você... SAIA DAÍ!
Mikami tentava alcançar os pés de Raito, engatinhando em sua direção.
Enquanto isso, ele rasgava os panos que tinha envoltos em seu corpo, oferecendo-os para Raito. Este, por sua vez, deu largos passos para trás, desvencilhando. O homem ao ouvir Raito repreendendo-o, mostrou uma expressão melancólica na face.
— Me perdoe, Deus! Por favor, não me puna como fez com eles! Juro que não pecarei jamais diante Tua imagem! Por favor...!
— Me responda, o que você faz aqui, Mikami?
— Deus, eles, as criaturas infernais, me trouxeram para cá. Falaram que era para mim Te aguardar e recepcioná-lo!
Mikami se levantou, parecendo fraco. Manteve certa distância de Raito, parecendo temer alguma reação adversa. Sempre possuía nos olhos um jeito ancioso, talvez triste.
— Você possui uma Kaihatsu...! Ao que disseram à mim, apenas aqueles que possuem uma podem ser escolhidos pelo Rei deste lugar! Deus irá vê-lo?
Raito moveu a Kaihatsu no ombro, olhando ao seu arredor. O que aquele tal Rei Shinigami queria tanto com Raito?
— Talvez, se eu encontrar o caminho até ele.
— Mikami sabe onde é, Deus!
— Para que lado fica?
— Tens de seguir a direção contrária em que o vento sopra, Deus! Siga a direção contrária do vento, e Tu encontrará o caminho!
— Hm.
Ele ficou atento para a direção em que o vento soprava. Sentiu que era da sua esquerda para a direita. Virou a cabeça para a esquerda. Era para lá que deveria. Deveria caminhar contra o vento. Já estava chato ter de aturar o vento zunindo, agora teria que suportar muito mais.
— Mikami, fico agradecido. Terá um espaço reservado no meu Novo Reino, quando eu começar a construí-lo novamente...
— AH! Obrigado, meu Deus! Obrigado! Vossa gentileza e nobreza não se igualam a mais ninguém...!
— Hmf... Até mais.
Mikami ficou venerando a direção que Raito tomou, e este girou os olhos e balançou a cabeça. Prosseguiu caminhando na direção em que o vento soprava contrário. Esperava que Mikami estivesse certo.
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