Death Note - Por J
4 Capítulo 3
Notas iniciais
obrigada pelos elogios, vou tentar escrever com mais frequencia =D
A limusine parou, frente a um hotel extremamente luxuoso, e Watari me convidou a descer. Ele me conduziu até a porta do quarto 784.
- Aqui está o melhor detetive que já pisou na terra. – ele disse sorrido, fazendo com que os seus cabelos grisalhos lhe dessem um tom extremamente simpático. – Estou ajudado ele, chame-o de Ryuzaki. Passe as informações necessárias a ele J. Cabe a ele decidir se fará parte da investigação. – Participar? Mas eu só preciso passar as informações de Naomi. Porque Watari estava falando em participar? Ele quer que eu fale cara a cara com o tal homem? Está mais do que explícito que ele não vai me levar a sério. Mas já estou acostumada. Watari abriu a porta, e eu entrei, seguida por ele.
- Sente-se. Não sei onde ele se meteu... mas devia estar aqui.- Watari foi procurá-lo e eu me sentei, como sento de costume, em uma poltrona verde. Como ela era macia. Meus pés se encaixavam perfeitamente no acolchoado. Quando fitei em cima da mesa. Doces. Todos os tipos de doces. Eu estou louca por eles. Mas não são meus.
- Você está... na minha poltrona. – meus pensamentos foram interrompidos por um homem, de aparência surpreendentemente semelhante a minha. Era apavorante. Era como se fosse uma versão masculina minha. Como... isso é possível?
- Há uma igual bem ali. – Eu disse movimentando a cabeça na direção da poltrona no outro lado da mesa. Eu pus o dedão na boca e comecei a roer as unhas. Enquanto ele andava em direção a poltrona há qual eu havia me referido, e sentava exatamente como eu.
- Ah... mas essa ai é especial. Tem a marca dos meus pés no acolchoado. È perfeita para alguém que senta como eu. Eu devo dizer... Como nós. – Eu não conseguia acreditar que aquela semelhança entre mim e o homem fosse mera coincidência. Como... Então... Foi isso. Watari não estava me examinando para me julgar. Estava me comparando a este homem. Mas por quê? Será... Que ele é o investigador?
_ Ah, então foi por isso que fiquei tão confortável. Você amaciou. – eu o encarei, e ele levou a mão à mesa, pegando um morango.
- Está servida? – ele perguntou empurrada a mesa na minha direção. Ataquei os cubos de açúcar mascavo. Ele seguia me examinando. Eu sei quem é esse homem. – Você deve ser J. Eu sou L. – ele disse servindo chá, que aparentava ser de morango, em uma xícara azul, de porcelana.
- Então... seu nome ainda é L. – eu disse arqueando a sobrancelha, e pegando uma xícara.
- Eu disse que era L. Não que me chamava L. Não é muito boa investigadora aparentemente. – Ele sugeriu, debochado, tentando claramente, achar um modo de me desafiar.
- Você se chama L. Isso é indiscutível.
- E como pode ter tanta certeza?
- Você sempre foi o único a quem Watari chamava pela sigla no orfanato. Enquanto as outras crianças, eram chamadas pelos nomes verdadeiros. Na época... Você era só mais um garotinho prodígio como qualquer outro da Wammy’s House.
- Memória impecável... Midoryko.
- Minu, por favor. A quanto tempo não é mesmo L? a ultima vez que te vi, estávamos montando uma replica do orfanato em cartas. – ele suspirou, e observou a grande janela, que mostrava o anoitecer.
- Acho que tínhamos 13... 14 anos. –ele completou pensativo.Éramos adolescentes quando ele saiu. Éramos muitíssimo próximos desde que Watari o levou para lá. Eu tinha 7 anos.Ele tinha 8.
- Geralmente você sumia por alguns meses mas depois voltava. Desta vez não voltou. Senti sua falta. Mas depois... eu fiz 16. E saí do orfanato. Achei um Hobi. Pegar casos que a policia ainda desconhecia, e resolver por conta própria. Quando iam prestar atenção, eu já havia pego o cara. Mas é um pouco solitário fazer tudo sozinha. – eu não senti falta dele. Chorava por ele todas as noites.
- Devo concordar. Watari sempre esta comigo, portanto eu não fico sozinho. Mas seria solitário com certeza. Falando em Watari... – ele dizia calmamente, levando a xícara na boca.- ele me disse que tem coisas importantes para me contar Minu. – claro... eu havia me esquecido do mais importante. Mas eu não podia evitar... Tantos anos passaram... E ele não mudou nada.
- Ah... é claro. L, você já considerou o fato... de que Kira pode controlar as ações das vitimas antes de matá-las?
- É uma certeza nossa. Kira gosta de brincar comigo e me mandar mensagens sem sentido pelos presos.- ele disse em um tom irritado.
- Entendo. Então já sabe também que ele pode matar por outros modos, e não só apenas por parada cardíaca. – ele estava levando a xícara a boca, mas parou e a pousou na mesa.
- Pode justificar essa dedução?
- Já chego lá. Deve ter sido notificado da morte de 12 agentes do FBI. Um desses agentes, era Ray Penber. Ray estava investigando a família Yagami. Um tal de... Lig... Klith...
- Light. – L me corrigiu.
- Isso mesmo. Quando se envolveu em um seqüestro de ônibus. Durante o seqüestro, Ray se viu obrigado a mostrar a identidade do FBI, a alguém. Que no momento, eu não sei quem. Logo depois que a carteira foi mostrada, o seqüestrador simplesmente se atirou na rua e foi atropelado. Devo mencionar que esse seqüestrador, era um procurado, cujo o nome e a foto foram publicados nas noticias da TV Sakura?
-Mas que conveniente para o nosso privilegiado...
- Oito horas antes , um outro procurado,com nome e foto publicados, invadiu uma loja de conveniência e morreu vitima de sua própria faca. Dois procurados reincidiram no crime, e acabaram tendo uma morte acidental no mesmo dia. Não é uma coisa nada comum. – Ele só me encarava com aqueles olhos grandes e olheiras tão chamativas quanto as minhas. Ele apontou para mim.
- Minhas olheiras são tão chamativas quanto as suas?
- Eu estava pensando a mesma coisa. – ele pousou as mãos nos joelhos, e riu.
- prossiga.
- Oito dias depois do seqüestro do ônibus, Ray e mais 11 agentes do FBI foram mortos. Nesses mesmos oito dias,mais de 20 delinqüentes de crimes leves, morreram em conseqüência de paradas cardíacas. Depois da morte de Ray, as mortes pararam completamente.
- Isso significa... Que o seqüestrador..
- Foi uma ferramenta de Kira para matar os agentes. – eu completei.
- Não só isso... Kira manipulou o seqüestrador, para que Ray precisasse mostrar a identidade... Depois de descobrir seu nome, o manipulou para que conseguisse os arquivos com os nomes dos agentes, tendo os mesmos, fez todos eles pedirem a mesma coisa, para Ray não entrar em suspeita... E então matou todos eles. Eu... Só preciso saber para quem Ray mostrou a identidade. Sabendo disso... Temos nosso Kira. Não acho que tenha sido Light... Ray seria muito burro mostrando a identidade ao suspeito. Entretanto... Minha suspeita aumentou para 55%. – aumentou?
- Ah. Então você já suspeitava do garoto?
- No principio, não passava de 5% de suspeita. Depois da morte de Ray, equipei a casa dos Yagami com um equipamento de vigilância 24h. Depois disso, minhas suspeitas baixaram para 1%.Mas me diga... Watari me disse que você é uma ótima agente de campo. Foi assim que conseguiu essas informações?
- Faz alguns anos que abandonei as investigações de campo... Essas informações foram passadas a mim por Naomi Missora. Creio que ela já trabalhou para você.
- É acho que sim. O nome não me é estranho. – ele coçou a cabeça – não costumo me lembrar de todo mundo que trabalha para mim.
- Memória impecável. – Eu impliquei com ele. Ele arqueou a sobrancelha e sorriu. Depois olhou para os lados.
- Onde esta Watari?
- Eu podia pedir a Naomi para falar com o motorista do ônibus. Ela é boa em conseguir informações... eu sou boa em tirar conclusões em cima delas... somos uma boa dupla.
- Que decepção saber que você já faz dupla com alguém. – L disse, em um tom meio desapontado, meio sarcástico. Eu sorri para ele, e Watari entrou na sala com um celular na mão, e na outra um notebook com a ficha de Naomi.
- L, J, Naomi Missora morreu. – O que? Como assim morreu? Falei com ela hoje de manha.. ela... ela estava ótima!
- Morreu como?- eu falei fria, tentando achar uma única explicação para aquele absurdo.
- Suicídio pelo que fui informado senhorita.
- Impossível. – respondemos eu e L ao mesmo tempo.
- Eu conheci Naomi, ela não se mataria. É uma mulher forte, e determinada. Por mais que o noivo morresse, ela não se entregaria desta forma. – L falava, com a ponta do dedo na boca, e os olhos fixos na janela.
- Além do mais, ela estava muito determinada a capturar Kira. Eu nunca a vi tão séria. E não tem sentido ela ter se matado, nós combinamos que ela deveria contatar a central de operações, enquanto eu procurava Watari. Ela deveria me ligar depois de falar com os policiais. Eu... Kira. Kira a pegou antes que ela pudesse falar com alguém. Só pode ser isso. – L fez que sim com a cabeça, e ouvimos a porta abrir. Quatro homens de terno entraram no quarto, enquanto um fechava a porta, os outros ficaram me encarando.
- Quem é ela Ryuzaki? – disso o homem de óculos e bigode.
- è sua irmã? Não me surpreenderia se fosse gêmea. – Disse o que aparentemente era o mais novo, e o mais brincalhão. Depois desse comentário, levou um tapa na cabeça de um homem grandão, com cabelo desalinhado, e costeletas mal feitas.
- Essa é Minu,outra investigadora que vai nos ajudar. Podem confiar totalmente nela, é minha amiga... – ele falou levantando da poltrona e levando as mãos nos bolsos. Depois sorriu, e me encarou. – Eu não tenho amigos a mais de 10 anos. Minu esses, são o que restou da central de operação. Eu decidi que não poderia trabalhar neste caso sem confiar neles. Ainda tem mais um, mas mandamos ele para central de operações, para que não fique vazia.
- Eu vou até lá. – eu disse levantando – Já que... até alguns minutos atrás não tinha ninguém, pode ser que Naomi tenha passado por ali. – Levei as mãos aos bolsos e fui em direção a porta.
- Eu vou junto. – L veio e parou ao meu lado.
- Mas Ryuzaki... você nunca sai... – Disse o homem que os outros estavam chamando de Matsuda. L suspirou e olhou para franja que estava caindo sobre o rosto.
- Mas desta vez eu vou, e além do mais, a amiga dela morreu depois de ir a este lugar. Não posso deixar ela ir sozinha. –L abriu a porta, me deu um leve empurrão, saiu e a fechou. – Gostaria que você me chamasse de Ryuzaki na frente dos outros. – Eu acenti e nós pegamos o elevador, ambos com uma péssima postura, as mãos nos bolsos, eu com os pés descalços, e ele com um tênis velho, pisando nas barras como eu costumo fazer. Chegamos na portaria, e Fox me aguardava, com os meus Vans nas mãos.
- O que faz aqui? Não lembro de ter te chamado. – eu disse a ele em um tom calmo.
- Desculpa chefia, mas eu achei que fosse precisar disso. – ele disse me entregando os Vans. Eu os joguei no chão, e calcei, pisando nas barras traseiras. – vai precisar de uma escolta?
- Não será necessário Fox, mas uma carona até que iria bem. — Ele entrou na BMW Sedan preta, L e eu entramos atrás. Permanecemos em silêncio até chegarmos à central de operações, onde descemos do carro, eu pedi para que Fox nos esperasse ali. Entramos na central de operações, e fomos falar com os porteiros.
- Com licença, eu queria saber... Se esta mulher esteve aqui mais cedo. – eu perguntei tirando uma foto de Naomi do bolso e mostrando a eles.
-Ah esteve sim. – disse o homem com um sorriso. – ela insistia em falar com alguém da central, mas não havia ninguém. Depois disso, ela saiu daqui com o filho do Yagami. – L não tirava os olhos das câmeras de segurança.
- Queremos ver as imagens das câmeras de segurança. -Disse L, tirando do bolso uma carteira do FBI com o nome falso, Hideki Hyuga. O Senhor baixinho, nos acompanhou até uma salinha apertada, com muitos monitores, onde um homem grandalhão dormia espichado em uma cadeira.
- Levante-se seu inútil. Quero ver as imagens de hoje mais cedo. – disse o Senhor Baixinho, empurrando o grandalhão para fora da sala. Ele se jogou na cadeira, eu e L ficamos parados ao seu lado, enquanto ele procurava. Quando encontrou, ampliou a tela, e vimos Naomi entrando e insistindo um pouco com o Senhor Baixinho, vimos o garoto entrando, conversando cm ela, e vimos os dois indo embora juntos. Eu ainda estava no orfanato quando isso aconteceu. Era por volta das 15h00min. Watari nos avisou sobre a morte de Naomi por volta das 17h30min, agora são 18h14min. L abriu a boca para dizer alguma coisa, mas invés disso, me puxou para fora da sala, saiu da central me puxando pelo braço, e entrou no carro, eu entrei logo atrás dele.
- Poderia por favor voltar ao hotel? – L pediu a Fox, sentando como de costume, pondo a ponta do dedão na boca, e balançando para frente e para trás. Ele provavelmente estava pensando a mesma coisa que eu. Light tinha matado Naomi.Mas a morte de Naomi foi obra de Kira. Portanto, Light é o Kira. E isso não se discute. Pelo menos, esta claro para mim. Pode-se dizer, que tenho 97% de certeza. Só terei 100%, quando conversar com pessoas, como o motorista do ônibus seqüestrado, ou a Sra. Yagami. Fox estacionou a BMW na frente do hotel, L desceu do carro assim que ele parou, eu desci atrás, Watari estava na portaria, quando L passou por ele, o mesmo se curvou, e seguiu andando atrás do meu colega.
- Ryuzaki, foi imprudência sua sair do hotel. Espero que tenha valido a pena. – ele dizia em tom preocupado, enquanto nós entravamos no elevador.
- Light é o Kira Watari. – depois, ele me encarou,e a porta do elevador abiu, ele virou a cabeça na direção da porta, fazendo com que a cabeça andasse na frente do corpo. Eu faço isso, quando estou nervosa. Ele abriu a porta do quarto 784, passou pelos outros agentes, e foi para o seu quarto. Watari tentou ir atrás dele, mas quando estava levando a mão a maçaneta, L abriu a porta.
- pode por favor, pedir a J que venha até aqui? E me traga duas tortas de morango com chantilly e leite condensado. – e fechou a porta. Watari me olhou, eu havia escutado o que L dissera, então entrei no quarto, L se encontrava sentado no chão, cercado de televisores, controlados por um notebook a sua frente. – senta aqui por favor. – ele disse dando palmadinhas no chão a seu lado. Eu sentei. Ele abriu nuns televisores, algumas imagens de Light, no que parecia ser a sua casa. Ele passa a maior parte do tempo estudando. Não vê TV, não meche no computador, apenas estuda. O dia todo.Apenas por 3 minutos, nos quais ele parou para ler uma revista pornográfica. Isso não fazia o menor sentido.Um garoto que chega da escola e estuda o dia todo até a hora de dormir, sem sair para fazer nada... não vê esse tipo de coisa. Alias... nenhum garoto que vê esse tipo de coisa estuda o dia todo. Ninguém estuda o dia todo... a não ser que ele soubesse que estava sendo observado...
- O que achou? – L me perguntou, com o entusiasmo transparecendo na voz.
- Esta perfeito... demais. Ninguém passa o dia inteiro estudando... Observou esse garoto por quanto tempo? — eu falei levando o dedo indicador a boca, e roendo a unha.
-Alguns dias.
- E ele só fez isso? O dia todo?
- Apenas isso. Mais nada.
- É falso.
- Falso?
- Não quero dizer que a filmagem seja falsa, quero dizer que de algum modo, ele descobriu que haviam câmeras no quarto. Não tem como alguém ter essa rotina. È perfeito demais para um adolescente de 17 anos. Quando eu tinha 17 anos...
- Eu fazia coisas bem esquisitas... -L tirou as palavras da minha boca. – mas certamente não estudava. Watari me disse que tinha um papel segurando a porta... Mas ele disse também que colocou o papel ali exatamente como estava.
- Espera... Se ele se deu o trabalho de por um papel... Certamente havia alguma outra coisa. Pelo que eu ouvi... Light é muito inteligente. Ele não se contentaria apenas com um papel. Tinha alguma outra coisa... Talvez... Um grafite na dobradiça. Eu já fiz isso. Foi o primeiro caso em que trabalhei com agente de campo, e cérebro da operação.
- Grafite na porta... Como eu não pensei nisso? Me sinto humilhado.-nesse momento, Watari entrou no quarto, empurrando um carrinho cheio de doces. E bem no centro do carrinho... Não pode ser. Torta de morango!
- Como você sabe que eu amo torta de morango?
- Foi apenas um palpite. – ele disse pegando o enorme prato de torta, enquanto eu já cravava o garfo no meu.
-Baseado em que?
- Nessa sua mania de ser exatamente como eu. Eu supus que como torta de morango é meu doce favorito, devia ser o seu também.
- Inteligente.
- Mas ainda me sinto humilhado pelo grafite na porta.
- Eu acho justo que você não tenha percebido. Já concluiu a maioria do caso sozinho. Quase não deixou nada para mim.
- Não sabia que você viria. Sou detetive, não vidente. – eu ri um pouco da cara dele suja de chantilly. Infelizmente ele percebeu, pegou a lata de chantilly no carrinho, eu pensei que ele iria botar na torta, mas ao invés disso, jorrou chantilly por toda minha cara. Eu passei o dedo na minha bochecha direita, e depois lambi.
- Pelo menos agora, meu rosto esta delicioso.
-Isso é o que você diz. – Ele afirmou dando de ombros.
- Não acredita em mim? – ele virou o rosto, e me encarou com um sorriso de garoto.
- Vamos tirar aprova. – Ele chegou perto de mim, e lambeu o chantilly da minha bochecha esquerda. – Tem razão. Deliciosa. – depois sorriu, e voltou a comer a torta.Me diga, como é que depois de 10 anos... ele ainda faz meu coração bater forte por ele?
Fale com o autor