“Apesar disso, eu gosto da Misa, ela sempre tenta me proteger, talvez essa seja a hora de protege-la de volta...”

– Near, esse é o caderno que você me deu. – Diz Oliver fazendo os outros dois virarem-se pra ele.

– Você não está tentando protege-la, está? – Perguntou Near.

– Vamos, pode testar, peça para escrever meu nome.- Oliver tinha uma expressão confiante e segura em seu rosto.

Near passa o caderno às mãos de Misa com insegurança, e hesitando um pouco. Ela o pega um pouco incerta, quer dizer, se o Oliver estava dizendo que aquilo é falso, então é falso, certo?

“Provavelmente esse caderno é falso, Moriko esteve atrás de Near o tempo todo, e ainda sim ele a ignora”. Pensou ela.

– Vamos, escreva. – Disse Oliver apressando-a.

“Oliver Peterson” Ela escreve vagarosamente. Eles então esperam, Near estava um pouco apreensivo, Oliver calmo e Misa em dúvida, entretanto não estava nervosa.

Oliver respira fundo. O que tira a atenção de todos por causa do silêncio que percorria a sala. Near está olhando para o seu relógio de pulso. 35... 36... 37... 38... 39...40. Os segundos se passam e Oliver ainda continuava a olha-los.

– Viu, o que eu falei? – Disse ele.

“Mas se a Misa não é o Kira, quem é então?” Se perguntava Near. Ele assente. – É, parece que você é inocente. – Diz ele sorrindo. – Por enquanto... – Completou. – Enfim, estou indo. Oliver suas coisas já estão arrumadas?

– Não, mas eu sou rápido – O garoto levanta-se e vai em direção ao quarto correndo.

– Desculpe o incômodo. Mas você deve saber que eu estou fazendo meu trabalho. Espero que não guarde ressentimento por isso.- Disse Near quando Oliver já havia saído.

– Não tem problema. – Respondeu Misa sorrindo. — Eu entendo. Afinal o Light também fazia as mesmas coisas. A propósito, vocês tem alguma notícia do desaparecimento dele? Já fazem meses mas eu não tenho notícias, eu sei que o caso Kira é muito importante. Mas o Light também é, afinal ele seria de grande ajuda pra vocês. Não?

“Será que é possível que ela ainda não saiba?” Pensou ele. “Provavelmente é um blefe, nesse jogo jogam-se dois”. – Você já pensou na hipótese do Light estar morto Misa? Talvez o Kira tenha feito isso com ele, Você sabe, ele sempre lutou tanto para que Kira desaparecesse...

– Não acredito que isso tenha acontecido, é como se eu ainda sentisse que ele está vivo. É como se eu sentisse a presença dele, sabe? Além do mais se o Kira tivesse feito isso com ele, eu não sei se conseguiria perdoa-lo.

– Mas você não é fã do Kira?

– Não ao ponto de perdoa-lo pela morte daquele que eu amo.

– Mas o Kira mata criminosos, certo? Você não acha que Light tenha escondido algo de você esse tempo todo? — Diz Near com um sorriso irônico.

– Light sempre foi muito obcecado por justiça, eu tenho certeza que tudo que ele fez no passado foi por justiça, Kira não mataria alguém tão parecido com ele. – Respondeu Misa com a mesma feição.

– Vamos? – Disse Oliver surgindo na sala. Ele percebe o clima tenso. – Atrapalhei algo?

– Não, só estávamos nos despedindo. Adeus Misa. – Diz Near sorrindo.

– Adeus Near. Adeus Oliver. – Disse ela acenando, eles vão embora, e quando desaparecem pelo corredor Misa fecha a porta.

Eles descem o elevador. E seguem até o carro. Near então lembra-se do que havia dito a Oliver assim que o entregou o caderno. “Troque os cadernos... Troque os cadernos”. Suas próprias palavras ecoavam em sua mente.

– Oliver, uma pergunta. – Disse Near. – Você achou o caderno original na casa da Misa, não foi?

– O que o leva a crer nisso? – Perguntou ele.

– Você lembra que eu pedi para que você trocasse o caderno assim que o visse? E então, você fez o que eu pedi?

– Não, eu nunca achei o caderno original. Eu apenas escondi o falso da Misa para que ela não soubesse dos nossos planos.

– Você acredita em Shinigamis não acredita?

– Assim como você, eu só acredito naquilo que eu vejo.

– Repito a pergunta, você acredita em shinigamis?

– Assim como você, se eu tivesse visto um eu acreditaria.

– Vamos Oliver me diga, como é o shinigami da Misa?

– O que você está tentando fazer? Você acha mesmo que eu cairia em um joguinho desses, ah francamente Nate. Um simples jogo psicológico para conseguir a confissão de um criminoso qualquer, convenhamos, mesmo que eu tivesse visto algo e estivesse tentar esconder isso de você, acha mesmo que eu cairia nisso?

– Ok, ok. Vou acreditar que você nunca pegou no original. Mas caso eu descubra que você está mentindo.

– O que você faria?

– Vou considera-lo como cumplice do caso Kira. Sendo assim, você será parte culpado pela morte de centenas de pessoas.

– Está bem, sinta-se a vontade para me investigar.

_____________________________________________________________________________

Os dias se passam. Durante esse tempo, Kira não havia matado ninguém, aumentam as possibilidades de que talvez Hideki tivesse sido o Kira, o Hora da Justiça foi suspenso por tempo indeterminado, os seguidores de Kira entraram em desespero, a criminalidade crescia a cada dia, os membros da força-tarefa sentem-se mais aliviados, e pensam em seguir a diante com suas vidas. Agora, faltavam apenas algumas horas para o casamento de Matsuda.

Misa estava caminhando pelo aeroporto de Kanto, a procura de seu primo. Ela passa os olhos por todos, mas finalmente o encontra, Kaya era alto, tinha cabelos loiros e olhos cor de mel, tinha uma feição gentil e era robusto, vestia um paletó. E No momento estava lendo um jornal, em um restaurante.

– Kaya! – Exclamou ela.

– Olá Misa. Quanto tempo. – Diz ele a puxando para um abraço. – Nossa você não cresce mesmo né. Ainda continua com o mesmo rosto do que antes, e a mesma cara de criança. – Ela faz uma careta.

– E você continua o mesmo né, sempre zombando de mim. Mas quando nós éramos pequenos...

– Você era pequena? Você é pequena. Não me lembro de ver você menor que isso.

– Ah dane-se, vamos logo já estamos atrasados. – Eles foram caminhando até o estacionamento.

– Você não estava noiva? – Perguntou ele estranhando o fato dela tê-lo chamado para ser seu acompanhante.

– Digamos que o noivo desapareceu, e agora estamos indo para o casamento da irmã dele.

– Só espero não chamar mais atenção mais que o noivo. – Diz ele endireitando a gola.

Ela revira os olhos. –Não seja presunçoso. – Ela abre a porta do carro. – Vamos entre.

– Não deveria ser o contrário? – Ele pergunta arqueando uma sobrancelha.

–Dane-se, apenas entre. – Ela o empurra.

Eles seguem até o apartamento dela.

_____________________________________________________________________________

Misa bate na porta, e Oliver a recebe.

– Está pronto Oliver? – Perguntou ela.

– Sim. – Disse ele.

– Como você pode deixar uma criança sozinha aqui? – Perguntou Kaya se jogando sobre o confortável sofá do apartamento de Misa.

– Digamos que ele não está sozinho. – Disse ela olhando para Moriko com um sorriso.

– Misa, você poderia me ajudar a colocar a gravata, só falta isso. – Disse Oliver indo ao quarto.

– Eu ajudo. – Disse Kaya se levantando.

– Não, só Misa sabe o nó que eu quero. – Ele gritou já de dentro do quarto.

– Está bem então. – O loiro sentou-se no sofá de novo.

Misa foi para o quarto. Ao encontro do garoto, ele estava segurando uma gravata.

– Não precisava ser grosso com ele. – Disse ela.

– Na verdade não era o nó da gravata que eu queria que você fizesse, é que eu tenho algo para lhe entregar... ou devolver.

– O que?

– Espere. – Ele vai até a gaveta, e retira um caderno. E a entrega.

– De novo isso? O que você está tentando fazer?

– Pegue, eu sei que é seu.

– Eu não sei o que é isso.

– Não é isso que eu vejo na sua shinigami.

– Eu não tenho uma shinigami.

– Engraçado, foi a mesma coisa que a Moriko me disse. Agora pegue.

Ela assentiu e retirou o caderno das mãos dele. – Você vai me denunciar?

– Se eu tivesse que denuncia-la, já o teria feito. Se você for presa não será por minha culpa. Apenas guardei isso para protegê-la.

Misa fica um momento apenas olhando para aqueles olhos, ela não pudera acreditar que ele tinha feito isso por ela, a sua única reação foi abraça-lo. – Obrigada Oliver.

Ele a afastou carinhosamente. – Ok,ok, mas agora você precisa me arrumar, já estamos atrasados. – Ele põe o nó da gravata em questão de segundos e Misa corre para o banheiro, toma banho e põe um vestido longo e vermelho, arruma o cabelo e em alguns minutos está pronta. Mas não saiu do quarto, precisava fazer algo antes.

Misa começou a murmurar baixinho. – Matsuda foi um dos traidores do Light, ele o tirou de mim. Eu pretendia ter uma vida feliz ao lado do meu amado, mas não me permitiram isso. Então, não poderei deixar que ele viva o que eu não vivi. Além do mais, não acho justo a Sayu casar com um dos responsáveis pela morte do seu querido irmão.

– O que você pretende fazer? – Disse Moriko.

– Então você estava aí escutando? Eu irei matar o Matsuda.

– Não que eu me importe isso, mas vão saber que é você.

– De forma nenhuma, você verá. – Ela pega o caderno, e faz algumas anotações. Minutos depois, ela já estava saindo do quarto, ao encontro dos outros. – Vamos?

_____________________________________________________________________________

Alguns minutos se passam e eles chegam ao templo, seria uma cerimônia oriental tradicional, com alguns traços ocidentais.

Os noivos já estavam no altar, e um ancião a sua frente.

– Atrasei-me de novo. – Disse ela posicionando-se ao lado de uma das convidadas.

A cerimônia seguiu normalmente, e os noivos trocaram alianças, e fizeram os votos. Após isso, é servido o Saquê, os noivos pegam os copos e levam até boca. Bebem o líquido e ao final, tentam colocar ao mesmo tempo o copo sobre a bandeja. Mas o de Matsuda cai antes do da Sayu, fazendo todos se entreolharem surpresos.

– O que aconteceu? – Perguntou Oliver que estava ao lado de Misa.

– Matsuda fez com que o copo dele batesse na bandeja antes do da Sayu.

– E daí?

– E daí que, segundo a nossa tradição, quem deixar o copo do saquê cair primeiro, morrerá primeiro.

– Entendi.

De repente, um homem entra no templo gritando, segurando uma pistola e fazendo todos se jogarem no chão. Ele segue até o altar, e sem falar nada, dá dois tiros no peito de Matsuda, e segundos depois, aponta para a própria cabeça e se mata. Todos começaram a gritar, algumas pessoas correram para fora. Sayu ajoelhou-se ao lado do seu agora, esposo.

– Mat.. tsu..da. – Disse ela com os olhos arregalados. Lágrimas rolavam intensamente pelo seu rosto. – Por quê?

Todos saíram, os únicos que permaneceram no templo foram os membros da SPK, Mogi e Arisu, Sachiko estava em choque, Misa, Oliver e Kaya.

Enquanto todos se aproximavam do corpo, Near observava tudo de longe. “Isso foi muito suspeito. Aposto que é coisa do Kira, e muito provavelmente é alguém que conhece muito bem a força-tarefa...”