Death Note: Os Sucessores - 2 Temporada
29 Cap. 28: Meu Irmão Bastardo
Notas iniciais

Aqui é o momento, quando começo a fazer parte da história também. Hora das apresentações eu suponho.
— Há uma lenda Matt.
— Como assim? – perguntei encostado no banco de couro avermelhado.
— Os shinigamis eram os responsáveis por decidir quem vive e quem morre. Eles eram uma grande organização. Observavam as pessoas, estudavam elas e então poderiam decidir se diminuíam seu tempo natural de vida ou mesmo se o entendiam.
— Mas eu pensei que shinigamis não pudessem fazer isso porque quebra com a lei primordial deles.
— Agora é assim. – ele estava com a cabeça deitada para trás quase dormindo, se é que ele ainda podia dormir, mas continuava segurando sua barra de chocolate. – Depois de uma grande guerra que separou os mundos e as raças os shinigamis definharam. Não se sabe como, mas suas espadas, lanças as armas que escolheram que fazem o papel de Foice da Morte perdeu seu poder nos outros seres, apesar de causar muita dor são inofensivas. Foi aí que surgiram os cadernos da morte. O Rei entregou um a cada shinigami para que assim pudessem obter o tempo de vida das pessoas, mas acontece que apesar disso eles continuaram definhando e apodrecendo.
— Como sabe de tudo isso? – ele abriu os olhos e se virou para mim.
— Ah! Meu amigo se eu pudesse lhe contar tudo o que sei, tudo o que vi. Descobri segredos que nunca deveriam ser revelados. Descobri sobre Lawliet, Beyond e Naomi. Bem pouco, mas já é um começo.
Ele apoiou os cotovelos na mesa. Era estranho porque aquilo era tudo o que havia no lugar que ao meu redor era simplesmente cercado pela escuridão. Foi quando eu vi que imagens do que ele havia falado começaram a passar como se eu estivesse assistindo televisão. Acho que deveria ter ficado assustado, mas não estava.
— Vendo assim os shinigamis são o tão falado Deus que todos clamam.
— Sim. Supus a mesma coisa. Mas então pense comigo Matt. Quem poderia derrotá-los? A guerra se espalhou na dimensão onde viviam todos os outros seres com exceção dos humanos, o chamado Plano Espiritual e ele se dividiram dando origens aos outros mundos. Mas isso só se deu porque os Deuses da Morte enfraqueceram.
— Então se Ryuk se tornar poderoso como você disse e fizer a raça dos shinigamis se erguer de novo você teme que ele queira se vingar e com isso nos destruir?
— Mais ou menos. Isso aconteceria se tivéssemos sorte. O que eu estou mesmo preocupado é se acabarmos tendo que nos submeter a eles.
— Então é uma questão de matar ou morrer.
— Isso. – ele mordeu um pedaço de seu chocolate e eu comecei a rir. – O que é tão engraçado?
— Ora Mello. É apenas irônico o fato de ter que dizer isso já que estamos mortos. Você disse que se eles vencerem podemos ser destruídos, deixarmos de existir. Mas se já morremos o que isso significa? O que há depois?
— Mais um grande mistério do universo. – ele falou debochado. – Acontece que eu nunca quis saber o que vem depois da morte mesmo sempre estando tão perto dela. E sinceramente eu não gostei disso aqui. Então nem quero saber o que vem depois.
— Certo. Então vamos lá. O Rei dos Shinigamis criou os cadernos. Me parece óbvio que ele deve saber de tudo. Aliás... E se ele for o responsável? Se causou a desgraça para sua própria raça? – ele refletiu.
— Para fazer algo assim ele teria que sair lucrando com isso. – ele ficou pensativo. Parecia até que tínhamos voltado a Wammy’s e tentávamos resolver os casos que pegávamos hackeando o computador de um policial. – Espere! É isso. É isso Matt! Entendi. Você é um gênio.
— Então explique a esse gênio que não entendeu nada. – voltei a acender um cigarro.
— O boato diz que o tempo de vida das pessoas mortas vão para os Shinigamis que usam o caderno, mas a alma vai para quem tem a posse verdadeira por meio de uma espécie de contrato assinado que no caso vai tudo pro Rei.
— Não é esse então o lucro dele? E daí?
— Simples. Eu ainda estou aqui sem falar que encontrei Ryuuzaki. E... Naomi Misora.
— O que? – foi minha vez de ficar espantado. – Você foi morto pelo Death Note? Então isso está errado. As almas não vão para ele pelo menos não todas.
— Começo a pensar numa coisa. E se houver mesmo um julgamento para quem morre? Aquela velha historia de ir pro céu e pro inferno.
— Mas então como as almas que vão para o Rei são selecionadas?
— É isso que temos que descobrir. Se conseguimos descobrir porque algumas almas não foram para ele podemos descobrir quem está acima dos shinigamis.
— E assim, dependendo de quem for, colocá-los do nosso lado uma vez que eles já foram derrotados ou enganá-los se for preciso.
— Exatamente. – ele sorriu satisfeito. – Bom te ter de volta parceiro.
— Mas Mello... Tem uma coisa que não faz sentido. Se os shinigamis foram derrotados por que não tentaram isso antes? Por que não contra-atacaram?
— Parece que eles foram tão humilhados e tiveram que passar séculos trancados em seu mundo morrendo que se esqueceram. O portal deles é o único que leva de volta ao Mundo dos Humanos e apenas um shinigami consegue atravessá-lo. Sem falar que tal portal surgiu junto com os cadernos.
— Entendo. – dei mais uma tragada. – Tudo isso é suspeito. Só consigo pensar que o culpado de tudo o Rei. Bom, e o que pretende fazer então Mello?
— Eu pensei no seguinte. Ir ao Mundo dos Shinigamis descobrir os podres desse Rei e evitar que Ryuk consiga poder suficiente para derrotá-lo. Esse é o plano primordial. Entretanto se tivermos uma chance de acabar com eles devemos fazer o mais rápido possível.
— Ótimo. – terminei o cigarro e o joguei fora naquela fumaça preta que nos cercava. – Vamos então. Já estou ficando entediado.
— É o que eu diga. Mas antes você precisa praticar. – o fitei sem entender. – Kages são os seres das sombras que controlam a escuridão. Venho tentado invadir aquele lugar onde você estava há muito tempo para tirá-lo de lá.
— Nossa. Quase me sinto importante.
— Deixei que os outros tomassem as almas que quisessem lá. Não tinha nenhum interesse nelas.
— Me surpreende eles terem seguido o acordo.
— Não me subestime ruivo. Eu sou um dos melhores aqui mesmo tendo chegado depois. É que ao contrario de você... – ele levantou a barra de chocolate pela metade. – Eu não sou um viciado. – ri dele.
— Então andou ocupado. Pelo menos entediado não ficou. Falando nisso que lugar é esse?
— Uma parte desse mundo onde almas vazia, sujas e más vagam. Elas não têm poder porque são muito fracas para admitirem sua escuridão. Se disseram arrependidos quando viram que iam se ferrar, mas isso não adiantou. Eu gosto de ficar aqui, é calmo. O restante desse mundo é um eterno cassino de Las Vegas. Sempre agitado e violento.
— Seu tipo de lugar preferido. Não é a toa que veio pra cá.
— Mas eu não vim. Assim como você eu escolhi esse mundo quando me vi num lugar que parecia um jardim. Você se lembra de algo assim?
— Eu mal me lembro da minha morte. Acho que devia estar bêbado. – peguei outro cigarro e acendi. – E isso? De onde vem?
— Do Mundo dos Humanos claro. Há shinigamis corruptos também.
Eu gargalhei como se tivesse ouvido a melhor piada do mundo.
— Cínico, interesseiro e ilegal. Você não tem jeito mesmo Mihael.
— E ainda sim, você está aqui como um cãozinho me seguindo Mail. – eu o encarei com as sobrancelhas cerradas. – Obrigado. – ele me surpreendeu dizendo isso. – É bom ter você ao meu lado de novo, sempre foi o único que fez isso. Se serve de consolo eu não imaginei que você fosse morrer naquele dia.
— É. Eu também não. Nunca achamos isso. Sempre fomos muito confiantes.
— Porque podíamos ser, eu que subestimei o Kira e me concentrei só em Near. Detesto dizer, mas vendo agora entendo o que ele falou quando disse que sou facilmente controlado pelas emoções. – ele fechou o punho e socou a mesa.
— Near... No final aquele infeliz não morreu.
— Mas só conseguiu derrotar Light graças a mim. E pra ser sincero achei um tanto estranho ele ter me dado tanto crédito. Devo dizer que foi uma vitória excepcional.
— Espera! Você estava lá quando Kira perdeu?
— Estava. Claro que ninguém me viu, acho que eu era apenas um fantasma sem poder nenhum. Nem sabia que isso era possível, nunca acreditei em tais coisas, mas realmente o ditado é verdadeiro. Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. De qualquer forma depois disso acabei vindo parar aqui do mesmo jeito.
— Que inveja. – ri. – Que seja então. Estamos de volta à ação. – estendi minha mão para ele.
— É. Os dois Ms. – ele aceitou meu aperto de mão. – A melhor dupla da Wammy’s. Como costumavam nos titular... Os irmãos bastardos.
— Bom, então enquanto me ensina todas essas maracutaias conte-me mais sobre o que descobriu do Lawliet, Beyond e Misora.
— Ah! Sim... O Caso dos assassinatos de Los Angeles. Por enquanto são só uns boatos. Muito bem, vamos lá.
E assim se seguiu por um tempo que não posso determinar exatamente quanto foi já que a concepção do tempo varia para cada mundo. Eu apenas fiquei aperfeiçoando minhas habilidades sobre a orientação de Mello, que não é lá um professor muito paciente, enquanto ouvia suas histórias. Ele realmente andou ocupado. Descobriu coisas que nunca sonharia que existiam.
E isso me fez querer investigar também. Então quando tudo acabou me pus a procurar e descobrir os mínimos detalhes da luta entre Maisy e Sophie. Até porque sou um grande espião, fiquei responsável por investigar Misa Amane para descobrir se ela era mesmo o segundo Kira. Consegui colocar câmeras e escutas na casa dela mesmo com um policial de plantão. Eu era o melhor no que fazia.
Muito prazer, meu nome é Mail Jeevas, também conhecido como Matt, o terceiro na linha de sucessão do L e eu sou o seu narrador.
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