Death Note: Os Sucessores - 2 Temporada
43 Bônus: Reload
Notas iniciais

P.O.V. Holmes
— Tudo pronto. – ouvi a voz feminina pelo meu comunicador.
— Ótimo estou recebendo as imagens, agora se apresse e saia daí. – respondi.
— Sim senhor. – minha fiel agente saiu rápido do prédio da empresa que investigávamos por desfalque e sonegação. Pelo seu rastreador vi que ela já estava nas ruas de Washington. – O que faremos agora Holmes?
— Esperamos. Alguma câmera e escuta vai captar algo. Além disso, consegui invadir certa parte do sistema deles.
— Isso não acarretará em problemas? Afinal não temos permissão judicial para nada disso, senhor.
— Ora, minha cara Watson não é como se a policia fosse capaz de nos pegar. E eu sempre tenho um às na manga. – olhei para o monitor do outro notebook que iniciou uma chamada. – Volte para seu hotel, entro em contato mais tarde.
— Entendido. – fui até o outro aparelho e coloquei o fone.
— Alô, Grissom.
— Você enlouqueceu Harry. – a voz esbravejou comigo. – Olha só seu idiota, eu não vou mais limpar sua barra, não vou mais ajudá-lo em nada Holmes. E pare de se meter nas minhas investigações!
— Entendo. – suspirei. – Neste caso eu também farei o mesmo Jhonny.
— Que seja, como se eu precisasse de você. – ficamos em silêncio por um momento, eu ainda conhecia muito bem meu irmãozinho.
— Estou no Hotel Prado. Quarto 56. Quer jogar uma partida? – ouvi ele respirar fundo e limpar a garganta. Estava se esforçando para não gritar ou chorar?
— Certo, qual a aposta?
— Se eu ganhar continua me acobertando enquanto resolvo os casos. Se eu perder pode me levar algemado daqui.
— Estou empolgado. – sorri.
— Não foi sua culpa, acidentes acontecem, não dá pra salvar todo mundo. – falei e ele se calou, quando voltou a falar seu tom era mais calmo.
— Tá. Chego em 20 minutos, peça comida. – e desligou na minha cara. Me dirige até o notebook anterior e peguei o comunicador, logo ela atendeu.
— Sim?
— Alicia, se tiver tempo venha ao hotel.
— Algum problema? – não costumávamos usar nossos nomes então ela já poderia prever que se tratava de algo.
— Dos grandes. Tenho que vencer uma partida de poker.
— Me perdoe, mas o senhor não é ótimo nesse jogo? E consegue trapacear com facilidade?
— É verdade, mas Jhonny conhece cada um dos meus truques. Preciso de você aqui.
— Entendido, senhor. Posso perguntar o que aconteceu? Não é do feitio do seu irmão socializar com você. Tem a ver com o tiroteio de Miami?
— Provavelmente. Até breve.
Jhonny... Meu querido irmão. Você é sempre como uma bomba prestes a explodir, um vulcão prestes a entrar em erupção. Por isso espero que nunca saiba mesmo porque tive que atirar, que nunca saiba a verdade sobre a mamãe e de como ela te temia e te odiava. Não serei o L, sei disso, não consigo salvar muitas pessoas e ainda por cima desafio a Lei. Mas com toda certeza irei me certificar de que você seja sempre o meu irmãozinho caçula chorão, mimado, agitado e carente.
P.O.V Sophie
Querido diário há muito tempo não escrevo. Creio que o principal motivo seja que agora eu não esteja mais com tanto medo de acabar perdendo a memória de novo. Mas de qualquer forma é bom se prevenir então venho aqui narrar minha nova vida, minha vida no Japão.
Tem sido incrível, há tantas coisas diferentes e interessantes aqui. Mas por alguma razão eu começo a ter problemas com a língua. Não que eu seja ruim de japonês, apenas há momentos como os que aconteciam no Brasil, onde eu me distraia e começava a falar em inglês. Começo a pensar que talvez essa seja minha língua materna.
De qualquer forma a faculdade é bem divertida, embora eu não tenha feito muitos amigos. Alguns colegas parecem legais e me apresentaram a pessoas de outros cursos. Sinceramente já estou pensado em fazer uma segunda faculdade. Há muita coisa pra aprender por aqui, aliás, no mundo inteiro.
Um fato curioso que aconteceu exatamente há quatro semanas atrás enquanto eu estava em Aoyama. O lugar é grande e estava muito movimentado então eu andava meio sem rumo tentando acompanhar e olhar tudo. Foi quando esbarrei numa moça. Ainda me lembro com foi, cada palavra.
— Oh! I’m so sorry... Gomen!. – eu comecei a pedir desculpas, mas na língua errada. Foi aí que começaram as surpresas.
— It’s ok. Don’t worry. – a mulher de cabelos loiros médios, roupas coloridas e óculos de sol respondeu e eu comecei a pensar que talvez fosse uma turista, mas ela voltou a falar em japonês sem sotaque. – Acho que deixo cair alguma coisa. – ela disse apontando para minha agenda.
— Ah! Obrigada. – me abaixei e peguei.
— Você parece uma turista empolgada. – comentou ao ver minha bolsa grande, meu boné que na verdade era uma tentativa de acalmar meu cabelo rebelde e um mapa do local.
— Na verdade sou uma estudante de intercâmbio que só agora conseguiu tempo para fazer um tour pela cidade.
— Interessante. – ela sorriu. – Neste caso deixe-me levá-la ao meu lugar preferido de Ayoama, aliás de Tóquio inteira. O Blue Note.
E assim nós andamos e entramos no mais caro estabelecimentos do lugar, já era possível ouvir o som de jazz.
— Puxa, é incrível. – cometei. – Um pouco caro, mas incrível.
— Tem razão, mas o serviço é ótimo, vale cada iene.
Eu observava o lugar, cada detalhes das paredes, móveis e até funcionários como se tivesse que captar tudo antes da imagem se apagar. Quando os cardápios foram levados, nossos pedidos estavam feitos eu reparei que a mulher também me observava.
Reparei que usava luvas mesmo estando quente e tendo uma jaqueta amarrada na cintura, vi também que prendia um pouco do cabelo para trás formando um pequeno rabo de cabelo e deixando duas franjas, uma de cada lado do rosto.
— Então... – ela começou. – De onde você veio Marine?
— Hã? – cerrei a sobrancelha. – Como sabe meu nome?
— Estava na agenda, li quando caiu. – ela colocou os cotovelos na mesa apoiando com as mãos o queixo. Parecia me olhar interessada, já eu não gostava do rumo das coisas e estava desconfiada. Sem falar que ela não tirou o óculos mesmo agora que já estávamos acomodadas.
— Bem, eu vim do Brasil.
— Hum... Climas tropicais, sempre me atraíram, mas nunca tive a chance de conhecer. De que cidade exatamente?
— Rio de Janeiro.
— Dizem que tem belas paisagens e praia. – nossos pedidos chegaram, mas a mulher nem pareceu perceber. Eu tomei um gole do meu capuccino.
— Não exatamente. As paisagens podem ser bonitas, mas em questão de praia as do nordeste levam o prêmio. – falei meio de boca cheia.
— Está na lista então das coisas que tenho que fazer antes de morrer. – ela ajustou os óculos. – E o que está estudando?
— Desing gráfico.
— Puxa, que legal. Eu sou péssima em desenhar.
— Então o que você faz? – me irritei, afinal só ela estava fazendo as perguntas e por alguma razão uma antipatia sobre ela crescia dentro de mim sem razão alguma.
— Ah! Não estou na faculdade. Eu tenho um pequeno negócio.
— Que tipo? – comecei a comer a torta de chocolate.
— De fotografia, tiro bastantes já que não sei desenhar. – ela pareceu finalmente se dar conta do seu Dorayaki. – Em qual universidade está?
— Zokei. – falei meio irritada, algo nela... Eu sempre tinha conversas assim com estranhos, afinal é assim que se deixa de ser desconhecido, mas por alguma razão contar a ela era desconfortante.
— Conheço bem aquele lugar, comecei alguns cursos, mas nunca encontrei algo que realmente me identificasse ou que conseguisse concluir. Por fim resolvi abrir meu próprio negócio e estou me saindo bem.
— Uma fotógrafa pode ajudar muito, quem sabe não apareço no seu estúdio ou entre em contato.
— Seria ótimo. É atrás do Blue Note, mas só iremos abrir mais tarde. Se quiser esperar.
— Lamento, ainda pretendo visitar Shibuya.
— Um bom lugar. Lugar de diversos acontecimentos. – ela mergulhou em pensamentos.
— O que quer dizer? – perguntei.
— Ora, você nunca ouviu falar do alquimista?
Busquei na memória algo relacionado, apenas sabia do que se tratava alquimia, se fosse um evento que aconteceu por ali mesmo que tenha sido noticiado eu não era capaz de me lembrar.
— Acho que não.
— Foi divulgado no mundo inteiro, onde você estava há uns 5 ou 6 anos atrás? – ela parecia empolgada. – Havia um serial killer em Tóquio, diversas adolescentes foram assassinadas. Ele ganhou o apelido de alquimista porque decompunha ou deformava as vítimas de uma maneira inovadora e macabra. – ela falou tudo com ar sombrio e ao mesmo tempo inspirado. Eu apesar de achar algo grotesco não conseguia, como inúmeras vezes, demonstrar algum espanto ou expressão.
— Parece que essa cidade tem bastantes histórias assim. – comentei. – Assassinos em série parecem ser uma marca do Japão. – me lembrei das mortes em massa de presidiários que alguns colegas me contaram, sobre um tal de Kira.
A mulher se calou por um momento e eu fiquei sem reação também.
— Me desculpe, não era minha intenção ofender seu país. – eu sabia como o povo daqui é patriota e mesmo assim falei sem medir as palavras, um hábito que eu sempre tinha que controlar.
— Não ofendeu, é só que... – ela olhou pela vidraça. – Faz muito tempo que ninguém menciona isso. Eu quase me esqueci. – seu tom mudou completamente. Parecia até melancólica.
— Bom, tenho que ir. – pedi a conta. – Ainda há muito para se ver nesse país. – paguei e me levantei.
— Com certeza. – ela fez o mesmo e com um sinal eu entendi que deveria ser posto na conta dela. Parecia que a história do estúdio fotográfico era real. – Espero nos encontrarmos de novo. – ela falou enquanto saíamos pela porta. – Você é uma pessoa curiosa.
— Como assim?
— Ora, uma moça brasileira do Rio de Janeiro com a pele clara, o físico esquio e a estatura um tanto mais baixa... – franzi a testa. – Não me parece muito convincente.
Era um fato que eu detestava praia, pelo menos durante o dia. Sol então estava fora de questão.
— De qualquer foram... Bem vinda a minha cidade Tóquio, conheço cada tijolo desse lugar se precisar de alguma ajuda. – ela se virou colocando as mãos nos bolsos da calça e começou a caminhar.
— Wait a minute! – gritei. Ela entendeu já que parecia falar bem o inglês. – Você não me disse o seu nome.
— Larine. – achei estranho, não parecia um sobrenome e ela também não falou mais nada. Os japoneses sempre falam o sobrenome e depois o nome. Mas ela nem se apresentou direito.
Estiquei a mão.
— Marine Dalstrin. Prazer em conhecê-la, Larine-san. – ela tirou os óculos e apertou minha mão. Foi quando reparei que a sua, mesmo com a luva, parecia ter um peso e jeito diferente, era rígida.
— É um prazer vê-la também. – ela me encarou com um sorriso e eu fiquei estática, mergulhada em seus olhos puxados e verdes. De um verde tão cintilante que para uma japonesa eu poderia jurar que eram lentes... Mas a expressão dela, a impressão que transmitia também era cativante. Tão diferentes, tão belos, tão misteriosos, tão estranhos, assustadores e ao mesmo tempo gentis, confortáveis e alegres... Tão familiares!
Escrevo sobre isso porque mesmo sem saber explicar naquele momento que ela me olhou depois soltou minha mão e partiu foi quando eu senti aquela minha insistente tristeza, que nunca vai embora, amenizar. Como se eu tivesse conseguido encontrar algo que eu havia perdido. Só que isso também me fez sentir mal, desconfortável e ansiosa. Ela foi simpática e não disse nada demais, nem ficou chateada quando eu insultei seu país e ainda sim ela me dá arrepios.
Larine... Quem é você? Por que dias depois eu não encontrei o tal estúdio atrás do Blue Note, ninguém nunca ouviu falar de algo assim em Ayoama, não encontrei nada sobre ela e não voltei a revê-la até então. Por isso continuo indo ao menos uma vez por semana àquele lugar.
P.O.V. Maisy
Deixei Sophie na porta do Blue Note e comecei a andar a esmo por Ayoama. Mantive a calma o quanto foi possível, mas ainda estava em choque. Ela estava mesmo viva, estava bem, sem memórias e agora no Japão. O destino é mesmo irônico.
Atravessei ruas, andei mais um pouco, esbarrei em várias pessoas e então resolvi me sentar no banco do parque onde me encontrava. Enquanto respirava fundo e me acalmava reparei ao redor. As pessoas sentavam em grupos nas mesas de madeira para jogar e eu não pude deixar de sorrir ao ver vários tabuleiros de xadrez.
— Não deve ser muito divertido apenas assistir as partidas. – eu ouvi a voz atrás de mim e levei um susto.
— Depois de tudo xadrez se tornou um jogo bastante entediante para mim. – disse calmamente, o homem se sentou no banco a minha frente. – O que faz aqui?
— Ora, o grande Kira não pode deduzir isso?
— Não foi isso que eu quis dizer. Agora sei que está aqui porque ainda protege a Sophie, o que quero saber é porque veio até aqui falar comigo já que eu nem tinha mesmo certeza de que ela ainda tinha seu anjo da guarda. O que quer comigo Watari?
— Exatamente isso. Que você saiba que estou aqui. – o homem já devia ser idoso, mas tinha uma ótima forma e um jeito de falar paternal. – Sei que não tenho mais idade para isso, nem estou à altura de travar grandes batalhas com pessoas como você, mas saiba que não importa como irei proteger Sophie de você até meu último suspiro... – ele se levantou e me encarou sério. – Aliás, até a minha última batida do coração. – ele se dirigiu para o caminho de onde veio e quando já estava atrás de mim perguntei sem me virar.
— Por que Watari? – senti seus olhos me encararem mesmo de costas. – Por que não se revelou para ela? Não contou nada? – me virei irritada. – Por que não diz quem ela é? – o homem sorriu para mim.
— Por que não? Por que não deixar tudo em segredo? – me espantei ao ouvir aquilo. – Além do mais eu poderia te fazer a mesma pergunta... Maisy.
— Não é mais divertido. E eu não estou a fim de jogar de novo. – voltei a me virar. – Não se preocupe Watari não é minha intenção ferir sua querida L, ainda mais que nem isso ela é já que não se lembra de nada mesmo depois de falar comigo...
— Continue com a peruca e lentes de contato e tudo correrá bem, poderemos manter o jogo terminado.
— Claro. – cruzei os braços. – Você irá contar a eles?
— Se você se refere ao seu irmão e a Annie.. – ouvi ele suspirar. – Meu dever é apenas proteger o L e cuidar de seus interesses mais nada.
— Mas e quanto a mim? Contará?
— Não sei ao que se refere Shiori Hajimoto, é apenas mais uma moça no parque.
— Neste caso não teremos mesmo nenhum problema, passar bem Washu-sensei. – me referi ao fato dele ter se infiltrado na faculdade como professor.
— Você também Larine-san.
Sophie... Não, você não é ela Marine. Mas será que consegue ser interessante como ela foi? Será que devo voltar a procurá-la? Achei que queria revê-la, talvez contar a verdade ou mesmo influenciá-la e controlá-la de algum modo, só que agora que vi como você está... Prefiro continuar com minhas vidas duplas, meus disfarces e meu trabalho. Pelo menos por enquanto, afinal a vida ainda é muito longa para declarar tudo dito e feito, se tem um coisa que eu aprendi é a nunca subestimar o futuro. Então dessa vez vou deixar ele acontecer. Dessa vez o jogo termina... E termina empatado.
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