Notas iniciais
Oie! Bom, eu realmente não sei o que escrever aqui já que me sinto um pouco envergonhada por demorar tanto a postar, mas bloqueio de criatividade é normal...eu acho. De qualquer forma, me desculpem ;u;. Enfim, eu fiquei semanas escrevendo esse capítulo minúsculo, e ainda chorei escrevendo ele, mas de qualquer forma espero que vocês gostem *u*. Boa leitura.

Obeservei minha médica andando de um lado pro outro no quarto que eu espero nunca mais ver na minha vida a partir de hoje. Doutora Yukki estava praticamente desesperada atrás de alguns exames meus que ela, no desespero que juntar todos para entregar tudo certo a minha mãe, acabou perdendo.

– Tem certeza que não quer ajuda? — perguntei, me reencostando no travesseiro fofinho da cama, aflita.

– Absoluta, com certeza esses exames estão por aqui, eles não podem criar pernas e...ACHEI!

Dei um salto, me sentando novamente na cama, levando um susto com o grito repentino e animado da médica, que balançava dois envelopes azuis no ar.

– Graças a Deus, agora assim, todos prontos! — ela disse, animada, caminhando em direção a mesa branca onde ela havia deixado os outros exames e colocando os recém encontrados junto a eles.

Assim que Yukki se virou para mim, sorri amarelo, recebendo um sorriso confiante em resposta, a doutora caminhou até mim, e assim que se aproximou, não demorou muito a fazer uma espécie de carinho no meu cabelo.

– Ansiosa? — me perguntou, com uma voz acolhedora, não a habitual voz afetada.

Suspirei, desviando o olhar e apertando uma mão contra a outra, uma mania minha de quando me sinto nervosa.

– Um pouco, apesar de que me sinto mais nervosa do que ansiosa. — declarei, voltando a encará-la.

– E por que seria? É sua família. — ela afirmou, se sentando na beirada da cama.

Respirei fundo. Sim, era a minha família, e é exatamente por isso que eu estou nervosa. Se passaram seis anos desde que os vi pela última vez, o fato de que talvez meus irmãos não sejam mais os mesmos me assusta, se até eu mudei nesses seis anos, com toda certeza eles também. Talvez doutor Akihiko estivesse certo, talvez eu não esteja preparada para lidar com isso, mas eu quero lidar com isso custe o que custar, afinal, eu nunca senti tanta falta de alguém como sinto da minha família.

–...não sei,talvez seja apenas coisa da minha cabeça. — respondi a Yukki, mordendo o lábio inferior.

A médica me encarou por um tempo, acabando por apenas suspirar no final, sorrindo amarelo novamente e afagando uma última vez meus cabelos.

– Entendo...Lore, me desculpe, mas vou ter que ir agora. — ela se afastou abrindo a porta
e se virando para mim uma última vez. — não se preocupe, eu ainda venho me despedir direito antes de você ir embora.

Forcei um último sorriso para a médica, que piscou e finalmente fechou a porta. Me joguei na cama, respirando fundo, eu só queria que mamãe viesse me buscar logo, e ao mesmo tempo tinha medo disso. Talvez eu realmente esteja mais confusa do que eu pensei que estaria.

– Estamos entrando. — ouvi uma voz feminina bastante conhecida por mim exclamar atrás na porta.

Foi o tempo em que eu, novamente, me endireitei na cama, que duas pessoas entraram no meu quarto, meu psicólogo e minha assistente social sorriam pra mim, apesar de que eu tinha quase certeza de que eles estavam tão ansiosos para que eu fosse embora quanto eu.

– Oi. — falei, sorrindo amarelo.

– Passamos aqui para darmos algumas instruções. — disse Midori, se sentando ao meu lado na cama.

Suspirei, dando de ombros.

– Vão em frente.

Midori encarou o psicólogo parado perto da porta, que suspirou e focou o olhar firme em mim.

– Bom, você está voltando para a sua casa, mas todas as quinta-feiras Midori-san irá ver se você está se adaptando bem, essas visitas durarão até decidirmos que você está completamente adaptada. — assenti, apesar de não concordar muito com isso. — e uma vez ao mês, em um dia que eu decidirei, você deverá vir se consultar aqui novamente, devemos acompanhar sua saúde de perto durante cerca de seis meses. Algum problema com isso?

– Nenhum. — suspirei, apesar de ter vários problemas com isso, mas não é como se eu tivesse muita escolha.

– Certo. Bom, conversamos com a sua mãe e achamos melhor que você tivesse aulas particulares com alguém do critério da escola que você irá estudar e também terá cursinho mais tarde. Você acha que ficará sobrecarregada demais?

– De maneira alguma, eu aprendo rápido, doutor. — forcei um sorriso, apesar de que isso é realmente verdade.

– Isso é bom. — disse Midori, que até agora apenas sorria de forma acolhedora para mim.

– Só isso? — perguntei, vendo que ele não disse mais nada.

O doutor suspirou, anotando algo naquela prancheta que ele nunca solta, para logo depois, me lançar um sorriso tão forçado quanto o meu.

– O resto iremos tratar com a sua mãe, que já deve estar chegando, então, com licença.

E com essas palavras, o psicólogo saiu do quarto, fazendo Midori suspirar e se aproximar mais de mim, segurando minhas mãos entre as suas, como ela sempre faz, talvez seja algum modo de tentar fazer com que eu me sinta reconfortada ou acolhida.

– Desculpe por ele, Akihiko as vezes pode ser bem frio. — ela riu um pouco.

Dei de ombros, e me virei para ela, calma.

– Tudo bem, eu acho que já me acostumei.

Rimos um pouco, até eu notar que a assistente social me encarava serena, ela parecia feliz, o que de certa forma, me alegrava. Midori era uma ótima pessoa, apesar de as vezes eu sentir como se fosse ela me mantendo presa aqui dentro, ao mesmo tempo é ela que faz eu me sentir acolhida e compreendida, eu sou grata a ela por fazer com que eu me sinta assim. As vezes, mesmo que pequenos, sentimentos bons no meio dos ruins fazem uma enorme diferença.

– Suas coisas já estão prontas? Sua mãe realmente já deve estar chegando. — ela perguntou, olhando em volta a procura da minha bolsa.

– Sim, são poucas coisas, a bolsa está no banheiro. — respondi, dando de ombros.

– Entendo...

A mulher me encarou mais um pouco, e ao encara-la melhor, notei que ela parecia chateada com algo. Mas antes que eu pudesse ao menos pensar direito sobre isso, senti os braços finos dela me envolverem em um abraço apertado, me pegando de surpresa.

– Desculpe. — ouvi sua voz leve sussurrar. — é que...eu acho que me apeguei a você, quase como uma irmãzinha mais nova...e agora, você vai embora. Desculpe pelo egoísmo.

Arfei, surpresa, mas ainda assim, abracei Midori de volta, a apertando também.

– Tudo bem...Midori-san. — falei, calma. — não é nem um pouco egoísta...se preocupar com alguém.

Após essa afirmação, ela apenas me esmagou ainda mais. Como eu disse, acolhedora.

~***~

– Respira pelo nariz, inspira pela boca. Respira pelo nariz, inspira pela boca. — eu sussurrava desesperadamente para mim mesma fazendo o exercício sem desviar o olhar em momento nenhum da porta do meu quarto e quase congelada na cama, parada como uma estátua.

Eu já estava sozinha no quarto a longos e esmagadores dez minutos, Midori havia saído as pressas após uma enfermeira apressada entrar feito um furacão e avisar que a minha mãe já havia chegado. Desde então, eu mal consigo respirar direito.
Eu suava de nervoso e as minhas pernas e mãos tremiam como se eu estivesse em um lugar frio demais, como se o meu coração acelerado já não fosse o bastante.
E se a minha mãe não se lembrar de mim?
E se ela desistir de mim quando me ver?
E se ela não for mais a mesma?
Talvez as perguntas que tomassem conta dos meus pensamentos fossem ridículas, mas era impossível expulsá-las de lá.

Respirei fundo mais algumas vezes tentando me acalmar ao menos um pouco, só para quase ter um troço quando ouvi três batidas leves na porta.
Arregalei os olhos,tentando puxar o ar com a minha boca e agarrando o lençol branco da cama do hospital como se minha vida dependesse disso.

– Com licença. — uma voz gentil e um tanto quanto embargada soou, quase fazendo carinho na minha audição.

Ao menos a voz de mamãe não havia mudado, continuava gentil e doce, sempre conseguindo me acalmar. Se eu não estivesse tão nervosa e ansiosa, talvez sorrisse com as lembranças de quando eu chorava por qualquer machucado ou briga, e ela me pegava no colo fazendo carinho no meu cabelo e me acalmava como só ela sabia fazer.

Não demorou para a porta se abrir completamente, fazendo meu corpo inteiro gelar.
A mulher a minha frente era uma moça alta e bonita com cabelos curtos e repicados loiros, sedosos que só eles, os olhos azuis normalmente brilhantes e alegres estavam repletos de lágrimas e emoção, ela estava tão bem vestida que parecia que estava pronta para ir a uma festa.
Minha mãe não havia mudado muita coisa, as únicas diferenças eram seu rosto pálido e cansado, assim como seu corpo, um tanto magro demais. E isso era culpa minha.

– Ma-mamãe? — gaguejei forçando a minha voz a passar pelo nó que se formou na minha garganta, sentindo uma lágrima teimosa escapar.

– Filha! — Miwa exclamou, quase em um soluço desesperado em meio a várias lágrimas que já tomavam conta de seu rosto.

Assim que senti seus braços um tanto fracos me envolverem desabei no colo da minha mãe, o lugar mais seguro que eu conhecia. Apertei ela contra mim com força, ensopando seu vestido lindo com minhas lágrimas desesperadas.
Era a primeira vez em anos que eu realmente me sentia segura, como se enquanto minha mãe estivesse me abraçando nada pudesse acontecer comigo.

– Eu senti tanto a sua falta, eu te amo tanto. — ouvi sua voz desesperada repetir essa frase várias vezes no meu ouvido, e era a melhor frase que eu poderia ter escutado, me enchendo completamente de alegria e fazendo mais algumas lágrimas espertinhas aparecerem.

– Eu também te amo mamãe. — declarei, em meio a alguns soluços.

Apesar de estar realmente feliz em rever minha mãe, ve-la chorar tão desesperadamente por minha causa despedaçava meu coração mesmo que seja de felicidade, por que eu nunca tinha visto em toda a minha vida Miwa Asahina chorar.
Isso me quebrava por dentro, o pior sentimento é o que você tem quando vê a pessoa que mais te ama e cuida de você, chorando por sua culpa.

Mas o que realmente importava, é que eu estava novamente com a minha mãe, e pra nunca mais ir embora.

Notas finais
... Mano ;-; eu chorei bastante escrevendo esse capítulo ;-; Enfim, eu sei que não ficou tão grande a ponto de compensar a minha demora, mas eu prometo que o próximo vai ser maior, e cheio de família Asahina. Antes de eu terminar o capítulo, queria agradecer as pessoas que comentaram no capítulo anterior, vocês alegraram os meus dias, suas divas! Novamente, desculpem pelo capítulo pequeno e pela demora, prometo que vou compensar isso mais tarde. É isso. Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.