Death

3 O corte.


—Ah qual é... –Murmurou Death enquanto ficava dentro da camisa da garota. –Sério?

—Ninguém pode vê-lo.

—Gostava mais quando você estava chorando...

—Cala a boca.

—Fuh.

A garota pelo visto andava pelo campo sem rumo, parecia perdida, mas ele tinha medo de dizer algo. Foram mais de dois dias com ela andando, o fazendo perceber que havia algo estranho ocorrendo com o corpo dela, parecia diminuir aos poucos até chegar a idade dos sete anos novamente, quando caiu no chão, a mesma murmurava uma língua diferente, um latim meio diferenciado.

—O quê? Fome? Ahn?!

—Oh. –Gritou um rapaz ao longe, um ruivo de olhos verdes que corria em direção à ela, ajudando-a. –Coitada.... Vou cuidar dela. –E assim... levou-a até a própria casa.

Cuidar dela foi difícil, Death não podia se dar o luxo de aparecer e ver a situação somente ouvir, o que o deixava com tédio e a perturbava em sua mente, até quando completou novamente quinze anos.

—Você está preso, Ovatsuky.

—Preso? –Sussurrou ele, calmo.

—Ninguém vai levar meu pai! –Gritou ela, chorando novamente.

Ah cara... Essa guria é azarada ou o que? Tsc...

—Está preso e acusado de abusar do poder sobre a garota aos seus cuidados.

—Do que está falando?

—Da família Devil.

—Devil não é minha família mais! –Gritou ela.

Vou ajuda-la...?

—Não importa, seu pai a deseja de volta. –Dizia uma mulher entre os homens, havia quanto ali? Três? Ou será que... –Virá por bem ou mal?

—Nunca voltarei para aquele lugar! –Gritou ela.

—Pois bem.

Death abriu os olhos e por um momento enxergava o mesmo que ela, três encapuzados estavam a sua frente e seu pai adotivo atrás de tal, suas pernas tremiam junto das mãos enquanto podia ouvi-la murmurar na própria mente, “eu sou fraca, não consigo, se são seguidores de meu pai, não tenho chance!”.

Não conseguirá?!, Death gritou na mente dela e a fez arregalar os olhos, Me diga qual seu sentimento contra seu pai?!

“Ódio!”

“Repita!”

“Ódio!!”

“De novo!!!”

—Ódio!! –Gritou ela.

—O quê? –se perguntou a menina enquanto puxava algo do ar, se jogando contra mesma. –Morra então, menina má criada!

—Hoje não. –Murmurou a garota séria girando os dedos fazendo surgir um bastão e em seguida a lâmina formando uma foice de dois metros e meio. –Não deixarei que toque-a. –Death estava no controle do corpo dela por um momento e somente girando a arma revidava vários golpes de espada da outra. –Ela é minha mestra!

Death fez um movimento brusco para desarma-la, com sucesso e antes que pudesse escapar cravou a lâmina no pescoço, matando-a. O cheiro de sangue empesteou a sala de estar da casa enquanto aqueles dois vinham a tona contra ele, porém antes que pudesse reagir pôde sentir a garota na qual defendia desfazer a foice e invocar novamente aquela lâmina retomando o controle do corpo para lutar contra eles, totalmente errada...

Ela era impulsiva demais, sempre enxergando somente a sua frente e não os movimentos futuros do inimigo, chegando a preocupa-lo por sinal... Mas quando pensou em reagir viu os demais caídos no chão, derrotados miseravelmente.

—Você é a filha da Ira! –Gritou um rapaz por trás de Ovatsuky.

Quando a garota foi se virar para encará-lo foi empurrada para adentrar num portal dimensional criado por Ova, sorrindo de canto.

—...Não...! –Tentou gritar antes de sumir.

—Ache os seus “eu’s” e traga com você... é sua única saída.

—Eu’s?

Quando o portal se fechou, a garota passou a cair numa velocidade grande até o que deveria ser o chão, as acabou por ser um vazio. Ela se encolheu e começou a murmurar algo a si mesma, voltando a chorar.

—Você chora demais pirralha.

—Death?

Ele não havia percebido que estava na sua forma humana perante ela naquele mundo, em pé ao lado dela, encarava a sua frente, quando decidiu olhá-la de canto.

—Se você é filha da minha outra metade... Se você é a Ira quebre esse mundo com seu grito. –Murmurou Death, sério. –Você tem muita raiva ai, de três futuras gerações em suas costas que eu sei.

—Eu não sei...

—Se quiser eu ajudo-a. –Engoliu em seco antes de encará-la, erguendo a mão na direção dela. –Você foi a única que acertou meu nome verdadeiro, assim como soube o nome de meu irmão que é a espada de seu pai que carrega.

—Nós já brincamos antes...

—Já?

—Já, nós três.

—Não me recordo, mas tudo bem. –Ele pegou a mão dela e forçou-a se levantar, apertando de leve. –Libere esse ódio, minha dona.

—Naomi.

—...Libere esse ódio, Naomi.

—Aa... –começou ela como uma música calma, angelical, até apertar a mão dele. –AAAAA!!! –Aumentou a voz e sentiu um incomodo na cabeça.

—AAAAAAAA! –Começou Death, fazendo-a parar e encará-lo surpresa, mas algo nela a fez gritar mais alto e algo que deveria ser para ajudar se tornou uma competição.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.

O céu abriu uma breve rachadura e então Death pegou Naomi no colo e flexou os joelhos e os libertou num salto alto, algo que parecia tão longe e distante foi se aproximando, ela havia parado de gritar, mas ele continuou, ganhando asas negras até quebrar a rachadura com a própria cabeça...

Quando ambos abriram os olhos, Naomi estava sentada no chão de uma cidade grande, bem no centro de Tókyo e Death em seu colo em sua forma de cobra novamente, porém ileso, apenas dormia. Ela abriu um leve sorriso e lhe fez um breve carinho, sussurrando:

—Obrigada, Death.