—AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!

—Que isso ? –Perguntou Nickel polindo uma taça.

—Eu estou...vivo... –Murmurou Leon.

—Está.

—Mas você me decapitou.

Nickel colocou a taça sobre a mesa, o lugar onde estavam parecia um bar e Leon estava deitado no banco de espera caso o local estivesse lotado. Ele não parecia muito feliz então antes de responder soltou um suspiro longo e pesado.

—Sim. –Começou e antes de Leon dizer algo continuou: -Mas sua regeneração estava em nível maior.

—Então irá me escutar? –Perguntou Leon sério.

—Irei. –Sussurrou Nickel pegando um talher voltando a polir. –Diga-me mais sobre seu aprendiz, precisaremos saber tudo.

—Isso é verdade né?! –Gritou Leon animado. –Os outros irão aceitar?

—Fale você com a ganância. Daquele cara... eu não chego perto.

—Certo!

—O quê?

—Eu disse que topo. –Leon sorria.

—Esse sorriso... –Nickel parou de polir o talher e fechou os olhos. –Ter uma mestre lhe fez bem, não é mesmo?

—Hum? Do que está falando?

—Nada, me diga tudo.

Desde que me recordo, Élice sempre amou desafios nada que viesse contra o vencia. Mesmo quase derrotado, totalmente ferido ele nunca abaixou a cabeça e tenho certeza que naquele dia que enfrentou sua única filha de sangue sentiu uma forte pressão de não querer matá-la... Mesmo fazendo-a odiá-lo ele lançou uma maldição de “Nunca morrerás, se acontecer três dias depois retornará em outro corpo, mas com os conhecimentos antigos e atuais daquele mundo, espaço-tempo e família que renascer”, era uma segunda chance de se encontrar com ela para apenas afaga-la e dizer: “Estou orgulhoso de você”. Quando comecei a treiná-lo ele não parecia aceitar meus ensinamentos até mostra-lo que estava errado, passando a seguir tudo o que eu sabia então concluímos que:

Élice é destro, apenas utiliza armas curta distância como espadas porém elas são tão grandes que podem entrar na categoria de longa, como assim ? Montantes. Seu animal protetor é próprio da Ira sendo ela a serpente recebida de seu pai, Elclar, nome tanto de sua lâmina como do guardião. Como sabem meu nome é Sombra nos tempos antigos então o ensinei a manipula-las ao seu favor e fazer todos os seres se curvarem diante dele com a ilusão de ótica próprio de nossa raça.

—Complicado... –Sussurrou Nickel. –Assim você ferra conosco.

—Um brilhante aprendiz...

—Que seguiu o caminho do ódio.

—Infelizmente...

—Vá atrás de ganância, se os outros não concordarem teremos um pequeno debate.

—Ótimo!

—Agora saia daqui antes que meu bar abra, não quero dar explicações aos meus clientes.

—Deve ser difícil, haha. –Dizia Leon, caminhando até a porta em passos apressados. –Outra coisa... Se encontrar com Élice...

—O que tem?

—Foge. –Leon se virava para encarar o irmão por um momento, fazendo-o engolir em seco com uma expressão de fúria. –E sinalize. –Terminou de falar até sair do local.

—Esse cara... –Murmurou irritado.

—~-

—É MEU REINO, EU SOU O DEUS, HAHAHAHAHAHAHAHAHA –Gritava uma voz.

Leon não precisou andar muito para criar um portal para adentrar ao submundo sem que fosse visto, o único problema era o calor com a roupa que usava. Detestava a ganância por nunca sentir calor e sim sempre o frio, além de manipular os humanos com marionetes como uma peça de teatro sempre desejando por mais e mais para criar a melhor das melhores histórias ao seu gosto.

—Quer parar de brincar de palhaço e vir me enfrentar de cara?! –Gritou Leon, colocando as mãos dentro dos bolsos.

Não passou meio segundo para um garoto surgir em frente dele. Seus cabelos loiros tão brilhantes quanto o sol lhe davam nostalgia dela, mas seus olhos verdes cheios de observação sobre o irmão estragavam aquele charme.

—O que você disse, insolente?

—Parar de brincar de...

Leon era impedido de falar algo ao receber um soco na mandíbula fazendo-o erguer do chão.

—Repita seu lixo! –Gritou ele.

—Irei repetir então! –Gritou Leon.

Ambos se curvaram um contra o outros e afastaram os punhos que antes mesmo de se chocarem transformou o calor no completo frio graças a pressão do choque de poderes tão idênticos... Se Leon era chamado de Death, morte, seu irmão seria uma parte de sua sombra.

Quando os punhos focaram tocados ainda de leve, cada um fora empurrado para trás... Se repetissem sempre aquilo então nunca acabaria e assim ele não conseguiria chegar e fazer seu pedido..

—Hayato. –Sussurrou Leon tocando no cabo da katana.

“Sim mestre!”

—Yoki. –Sussurrava ele enquanto uma pequena garota espectral surgia em sua frente até se tornar em correntes brancas que o rodeavam. –Sabe irmão, não queria enfrenta-lo... sabe como é a morte é fria e maldosa...

—Eu sei. –Sussurrou Leon. –Eu sei bem como é isso, Katsuo.

—Depois de milênios você diz meu nome! –Gritou Katsuo, sorrindo alegre.

Leon retirou sua lâmina que fora presa pelas correntes do outro e então forçada a se afastar de suas mãos sendo jogada o mais distante possível.

—Um dono que não cria uma imagem espectral para sua arma não merece falar comigo. –Dizia Katsuo com arrogância.

—E se eu mostrar que posso te vencer? –Leon afastou as pernas e os punhos.

—Sem uma arma duvido, hahahaha!

—Pode vir. –Seus olhos se tornavam dourados. –Ajude-me, mestra, por favor...

—Vai pedir ajuda a mestrinha morta? Hahahahahaha, inútil mesmo!

—“Mestrinha”? –Leon abriu e fechou os punhos.

“Não o deixe lhe irritar, mestre! Não caia nesse truque barato!!”

Katsuo mexia os dedos e controlava as correntes para prender suas pernas para retirá-lo do chão, girando-o antes de jogá-lo contra o chão, isso se ele conseguisse fazê-lo sair do lugar.

—Como? Por que?!

Leon fechou os olhos e voltou a ligar o fone de ouvido no volume máximo como se esperasse o momento correto para agir...

“Mestre”...

Quando essa parte chegou sua sombra tomou a forma da morte, um sobretudo segurando uma foice então cadê a sua katana?

—Impo...

—Eu sou a morte, por que minha querida arma não pode ser também ? –Perguntava Leon com um sorriso maléfico. –Se não deseja me ouvir, irei ceifá-lo.

—Nós somos mais fortes que isso...!!

—Venha então. –Ele cruzava os braços e abria os olhos. –Sabes que me tornei na ira, não sabe?

—Ira... de novo?! Então isso quer diz... –Katsuo olhava para trás e encarava uma cobra dourada de mais de dez metros. –Não... brinca comigo. –Se ajoelhando segurou forte a corrente. –Tá, tá desisto! Mas terá volta!

—Me escutará?

—Irei!

—Ótimo. Quero ajuda...

—Foi rápido. Nem pra sentir pena de mim.

—Élice está voltando.

—Ei, está ouvindo o que digo?

—E você?

—Desculpe.

—Élice está retornando para terminar o que começou.

—Isso não é problema meu.

—O que você disse? –Leon perguntou friamente enquanto sua sombra junto da cobra se aproximavam de Katsuo. –Repete.

—Continue. –Disse ele sorrindo.

—Quero ajuda.

—Sem a preguiça fica difícil.

—Eu encontrarei um jeito... –Sussurrou. –Até lá, fique com o Nickel.

—Eu não, ele é orgulhoso demais.

—Pedi sua opinião?

—Não...

—Então, só vá.

—Tá né. Mas por que você mesmo não faz?

—Não posso impedir sozinho e... Ia pedir mais uma coisa...

—O que?

—Ajuda a vocês a como... se virar nesse mundo... –Sussurrava baixo.

—O que?

—Isso mesmo... Queria uma ajuda para me virar aqui...

—Ajuda, por quê?

—Porque quero me acostumar com... essa nova era...