Death
1 O inferno chamado realidade
Uma gota, duas gotas, infinitas gotas.
A faca deslizava-se lentamente pela pele daquele assassino a sangue frio. Não me importou em nada. Talvez eu também fosse igual que a ele, uma assassina.
Cortei um dos seus dedos, ele gritou como um bebé chorão, eu gostava da sua voz, quis que ele gritasse mais, assim que cortei mais dedos para completar a minha coleção com os dez em total. Foi divertido, bem divertido.
— Desgraçada!— ele gritou em meio a lágrimas, com a cara cheia de meleca escorrendo pelo nariz. Uma cena enternecedora.
— Ninguém vai sentir a sua falta. — Falei passando a faca pela sua perna esquerda, logo a cravei com força no seu joelho. CRACK! O seu joelho ficou feito papinha.
— POR FAVOR! — ele implorou depois de um tempo. — Pelo amor de deus! Mata-me!
— Por que a pressa? — saquei lentamente a ponta da faca da sua pele. A mistura de ossos, sangue e músculos parecia uma geleia diabólica, quase quis prová-la, talvez para saber como era estar no inferno, e assim prepara-me para quando eu vaia para lá.
— Pai nosso que estás no céu...— ele rezou, eu gargalhei do engraçado que parecia.
Joguei a faca para um lado e sem pensar duas vezes o desatei. Ele parecia chocado, eu ri mais forte.
— Você....não vai me matar?— Ele perguntou, ainda que não tivesse os dez dedos que faltavam da sua mão, mas, pelo menos ainda restava os dos seus pés.
— Eu? — Abri a porta do galpão, o sol me brindou com alegria. — Não, eu nunca sequer tive essa intenção. — Respondi firme. — Carl O'brien, assassino estuprador de mulheres. Você matou a mais de dez, mas sabe de uma coisa? Isso não tem nada a ver comigo. — Acaricie minha própria face por um momento.— Porque eu fiz isso? Fácil, quis ver como seria se um assassino fosse torturado do mesmo modo que ele fizera com os seus reféns. — Gargalhei sem poder me conter. — Que graça! MEU DEUS DO CÉU, É HILÁRIO! — agarrei meu estomago que começava a doer de tanto rir. — E...E sabe o que é o melhor? Que eu vou deixar ao assassino vivo!— o encarei. — Aleijado e sem uns quantos dedos, mas vivo. — Fechei o galpão atrás de mim sem dar ouvidos ao grito de auxilio daquele homem.
Quinze minutos depois chamei ao hospital e dei o endereço para encontrar esse lugar. Logo peguei a minha bolsa e fui para o ponto de ônibus como qualquer outra pessoa normal.
" Não existem as casualidades, o destino, a esperança, ou incluso Deus. Só o ser humano. Pessoas boas sofrem, as malas também, e as duas juntas destroem o mundo que dizemos amar. Assim que aqui vem a minha pergunta: Quanto vale uma vida humana? Talvez a infinitésima de um centavo"
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