Cheirava a mudanças. Não só de vida mas da sua mudança residual. Robin não chorava por ir estar separada dos seus amigos, mas sim do seu pai. Já era um pouco reservada muito antes disto acontecer e agora tornara-se pior o seu sofrimento. O destino colocou-se muito bem interiorizado no seu meio social.
Saíra de Londres para se manter no Canadá. Familiares lá existiam e faltava apenas ela e a sua mãe para completarem o meio familiar.
Não sorria e não saltava de alegria. Apenas se conseguia ver o seu cabelo loiro a esconder os seus olhos castanhos, a sua face redonda e branca. Robin era agora uma criança ainda mais isolada e afastada.
A sua mãe era linda. Os seus olhos azuis eram brilhantes e demonstravam todos os seus sentimentos. Porém, ela era como a filha. Demasiado sentimental e acabou por vir na viagem toda a chorar.
Culpara-se pela traição que o pai de Robin cometera. Claro que se ela fosse mais bonita e o corpo bem mais definido ele nunca a enganaria. Pensamento estúpido, mas normal nestes tempos. Seu nome era, simplesmente, Margarida. Portuguesa da parte da mãe, o que a confundira tanto na sua infância e adolescência. Tentara aprender mas achará difícil decorar as palavras que as pessoas transmitiam nos seus dias a dias.
Falemos agora do Traidor. Se fosse feio ninguém lhe iria escolher nos velhos jogos de poker que fazia com os seus colegas de trabalho. Mulheres nos bares acompanhavam sempre as jogatinas e pretendiam sempre ir mais além do que vigiar as batotas dos ignorantes. Rafael era um vigarista, mulherengo e trapaceiro. Nada do que ele dizia fazia sentido, mas as pessoas deixavam passar. Claro que Margarida como mulher, não ignorava o amor que sentia por ele e deixava que ele se apodera-se do seu corpo e que as suas mãos lhe tocassem mais do que deviam. Não falo de sexo em tudo que disse, digo apenas um objeto. Chicotes.
O velho recentemente chicoteava-a sempre que pudesse. Quer por bom comportamento quer por mau comportamento. Apenas isso o divertia.

Robin chorava e esperava que a mãe se acalmasse. Passando umas horas à frente poderemos não reparar mas sim imaginar a roupa de Margarida molhada, sendo agarrada pela filha no interior do veículo. Haviam chegado ao local onde se encontrava o objetivo que ambas procuravam. Felicidade e claro à casa dos Famons. Sua "linda" família

A porta abriu-se. Idosos, adultos, jovens e crianças desciam as escadas já um pouco gastas e vinham até elas. Os braços dos idosos estavam abertos procurando encaixar os seus nos delas. Era pelo menos umas quinze pessoas ali. "Morrera uma pessoa o ano passado" dissera o avô Jock.
Isso magoava cada pessoa que lá se encontrava. Especialmente a mulher do adulto Fernando que se deixara ir nas escadas da morte. Uns diziam que se encontrava no céu, mas Robin achava uma loucura isso se suceder, já que ele havia sido agressivo, abusando demasiado das palavras com ela. Uma simples criança a ouvir todas críticas que ele falara.

Ela era apenas um espelho partido e as suas falhas não caiam no chão. Mantinham-se nas suas memórias e lembranças que teria que reservar para sempre com ódio e amor.
Sua mãe era um animal. Não doméstico, mas sim selvagem. Procurava a sua comida matinal e escondia-se dos seus predadores. Sabia que tinha presas, garras e dentes que poderiam julgar imediatamente alguém. Se o fizesse o sangue das vítimas iria servir de "leite" para as suas crias. Mas era de novo uma pessoa que não sabia exatamente o momento que um dia pudesse sacrificar alguém.

Sorrisos anteriormente expressos na face dos que lá viviam, fechou-se. Digo apenas que uns quantos olhos vermelhos lá apareciam. Estranho. Não deveriam ser eles a derramar as suas gotas de água. Talvez o fizeram por compaixão, mas não era motivo para tal acontecer. Elas é que tinham que sofrer, que demonstrar o sofrimento envolvido não eles. Que raiva.
Mostravam a sua vontade de querer atenção e a sua pele branca desaparecia no meio da neve. Digamos que não interessava qualquer atenção vinda deles. Apenas os quartos que elas precisavam.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.