Dear Thomas
2 Capítulo 2
Querida Elisa,
Pemberley continua linda e sente a sua falta, eu pude ouvir as reclamações assim que passei pela porta. Ela só não sente mais falta do que eu. Vinte dias longe de você e eu já nem sei mais como gosto do meu café todas as manhãs. Eles sequer sabem fazer café de verdade aqui!
Por favor me diga que Thomas não não falou nenhuma palavra nova durante minha ausência. Eu estou com tanta saudade da vozinha infantil dele! Eu tenho saído para resolver uns negócios pendentes por aqui e um vazio toma conta de mim toda vez que chego em casa e não o vejo correndo para um abraço. Mas a imagem de você recostada na porta da cozinha nos olhando com o sorriso mais lindo do mundo no rosto preenche minha mente todas as vezes. E eu desejo mais que tudo que você se materialize na minha frente e caminhe em minha direção para me dar um beijo e tirar meu paletó.
É engraçado como sempre me senti em casa aqui, mas lugar nenhum sem você faz mais sentido. Quando penso em lar eu penso em vocês. Em São Paulo, no Vale ou em Pemberley, minha casa é onde vocês estão. E no momento eu me sinto um sem teto.
Charlotte está mandando um grande beijo. Ela morre de saudade de Thomas. Tem comprado tantos presentes para ele que será preciso um navio inteiro só para transportá-los. Mas ela está tão cansada, Elisa. Eu queria poder ajudá-la mais, mas com tantas coisas nos negócios para resolver não tenho podido fazer muito em casa.
Papai está cada dia mais fraco. Tem evitado falar, então ele passa horas me ouvindo contar sobre vocês. Me deixa triste o fato de que ele não conhece Thomas. Então eu conto detalhadamente sobre as travessuras e descobertas dele, e o quanto ele puxou de você, e o quanto ele me enche de orgulho todos os dias. Lorde Williamson me pediu que lhe mandasse lembranças. E agradece por você ter me dado uma família e uma continuidade a linhagem dos Williamson. Eu prometi a ele que continuaríamos com esse trabalho. Pelo menos mais três filhos, foi o que falei. Assim que eu voltar providenciaremos um irmão para Thomas. Já está na idade, lembro que conversamos sobre isso não tem muito tempo. Alguém para ele brincar em casa, já que Ian está cada dia mais maravilhado com a ideia de cuidar do irmão.
Meu amor, por favor mande notícias de todos. Agradeça a seu Felisberto e Dona Ofélia por cuidarem da minha vida enquanto estou aqui. Como está a gravidez de Mariana? Espero que tudo em paz. Sinto muito não estar presente para o aniversário de Mário, mas prometo levar um presente incrível daqui. Cecília iria a loucura se eu o presenteasse com uma roupinha do Sherlock Holmes? Sei que ela gosta de Sir Conan Doyle.
Você já terminou de ler para Thomas a história do Peter Pan? Qual o próximo livro? Quero ler daqui, um capítulo por dia, e sentir que estou lendo junto com vocês. Aliás, estou esperando a lista de livros que você quer que eu leve daqui. A biblioteca de Pemberley é a que mais reclama de saudades de você. Depois de mim, é claro.
Tenho pensado em escrever para Thomas, o que você acha? Você leria para ele? Seria uma forma de me sentir mais perto dele, apesar da distância. Ele provavelmente não se lembrará dessa temporada que passei fora, mas não quero correr o risco de que ele esqueça de mim nem por um dia sequer. As vezes tenho medo de esquecer os detalhes do rostinho dele. Aposto que já está diferente. E maior. Meu Deus, eles crescem tão rápido!
Penso em você todas as noites antes de dormir e todas as manhãs ao acordar.
Seu saudoso e apaixonado marido,
Darcy Williamson
Elisa estava sentada no tapete da sala brincando com Thomas quando a carta chegou. Ela estava ansiosa por notícias de Darcy. Viagens de navio eram tão demoradas. E perigosas! Ficou aliviada em saber que ele está bem e que, mesmo com tanto trabalho, ainda tem encontrado um tempo para ficar com o pai. Elisabeta foi a pessoa que mais insistiu para que Darcy retomasse o contato com o pai após o episódio lamentável das cartas. Pouco tempo depois de visitarem Pemberley e Darcy voltar a se relacionar bem com o pai descobriram da doença. Foi mesmo um baque gigantesco. Darcy chorou por dias, quase sempre escondido, porque não queria que sua tristeza e preocupação nublassem a alegria da gravidez.
— Olha só, meu amor, papai lha mandou um super beijo.
Ao ouvir a palavra papai os olhinhos do pequeno Thomas se dirigiram à porta. Elisa enxugou a lágrima solitária que caiu e puxou o filho para seu colo. Darcy e Tom eram tão próximos, desde sempre. E ela sabia o quanto o filho estava sofrendo com a distância. Nos dois primeiros dias ela cogitou de verdade subir no primeiro navio para a Europa com Thomas e irem ficar com Darcy, mas Cecília a fez desistir. Ter o pequeno Felisberto e os gêmeos de Ema por perto fez com que Tom se distraísse durante os dias, mas as noites eram sempre cheias de muito choro, mesmo com a historinha. Eles tinham uma rotina em São Paulo e Thomas sentia falta do pai o colocando para dormir.
Elisabeta sorriu carinhosa ao ler sobre as cartas de Darcy a Tom. Era uma ideia muito bonita, e Elisa teve a certeza de que guardaria todas, como um presente para o filho. Muito em breve Darcy estaria de volta, mas as palavras dele destinadas ao filho sempre estariam ali, numa lembrança bonita do amor dos dois.
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