Dear Survivor
3 Safe
Notas iniciais
Quando ela era apenas uma garota
Ela tinha expectativas com o mundo
Mas isso voou além de seu alcance
Então ela fugiu em seu sono
E sonhou com o paraíso
Coldplay
Pov Clarisse
Um ano e meio depois
–Que tal essa aqui?
–Em ótimo estado! Vamos revista-la. Você = comida, eu = zumbis.
–Oui!
Eu e minha mãe estamos nos dando muito bem nesses últimos meses. Ela aprendeu a atirar e a se defender sozinha, e eu posso afirmar que ela é muito boa no que faz. Ela agora tem um coração de pedra igual a mim, brinco dizendo que somos a dupla das carrancudas.
Estivemos em um grupo, muito fraco que logo cedeu, apenas eu e ela sobrevivemos e sinceramente nos saímos melhor sem o grupo, mas ultimamente estou sentindo muita falta de outras pessoas, pessoas que tenham assunto pra falar, coisas que eu ainda não sabia, pois sobre a minha mãe eu já sei tudo. Passamos muito tempo na estrada e isso rendeu muito conhecimento de nós duas, por exemplo as minhas notas da escola, de como eu era uma má aluna, eu não era uma aluna exemplar, mas enfim...
Eu estava vendo a comida na geladeira quando ouço um puxar de gatilho bem atrás da minha cabeça.
–Já não basta os zumbis, tem que ter os bandidos de sempre!
–Quem é você?
–Minha mãe disse que não posso dizer meu nome para estranhos.
Me virei para encarar o homem que falava comigo.
Ele era muito bonito, me lembrava o meu pai, as rugas de sorriso, olhos azuis intensos, e a expressão curiosa no rosto quando vê que eu possuo uma metralhadora na minha mão.
–Pois é, eu acho que essa simples pistola não vai fazer muita diferença contra a minha Daisy.
–Daisy?
–É, minha bebê, minha metralhadora.
–Hum...
–Tá, você vai me matar ou o que?
–RICK!- ouvimos um grito lá de cima, e não era minha mãe.-Eu achei uma mulher aqui!- a mesma voz diz descendo a escada com a minha mãe a sua frente e uma...espera, aquilo era uma besta? UMA BESTA! Eu era apaixonada por bestas, meu pai possuía várias, mas quando o outro acampamento foi atacado tivemos que fugir e não conseguimos pegar a sacola de armas, só a de munição e as armas que estavam conosco. Continuando, ele tinha uma besta apontada para a cabeça da minha mãe enquanto minha mãe tinha as mãos pro alto com a arma ainda na bainha.
–LARGA ELA SEU IMBECIL!- falei para o cara(que mais parecia um brutamontes) que estava com a minha mãe.
–Ei ei ei. Não queremos desentendimentos não é?
Olhei com a minha melhor cara de “vai se ferrar” para ele que continuou:
–Nós temos um grupo, numa prisão. É seguro lá, se vocês quiserem vir...
–Não queremos um grupo- falei curta e grossa.
–Será que dá para tirar essas armas da nossa cabeça? Agradeceria se pudessem.- minha mãe pediu.
–Me desculpe- o tal de Rick disse para mim tirando a arma da minha cabeça.
–Clair, vem aqui um minutinho?
Eu e minha mãe fomos para o canto da sala e eu já comecei:
–Não mãe, você se lembra do que aconteceu no último grupo? Grupos não são confiáveis!
–E o que é confiável filha? Nossa comida está acabando e a cada dia fica mais difícil de encontrar algo para comer, não conseguimos uma caça sequer em três meses. Essa é nossa chance!
–Mãe! Nós vamos conseguir! Eu sei que...
–Você sabe que não. Por favor, eu estou te pedindo uma chance de ter mais pessoas ao meu lado, pessoas que não são você! Não quero dizer que você é uma má companhia mas estamos sozinhas a mais ou menos um ano! Por favor. Nos dê essa chance.
–AFE! Tá.
–Obrigada anjo.
–E ai? Já se decidiram?
–Na verdade, sim. Nós queremos nos juntar ao grupo de vocês.
–Tudo bem, mas temos que fazer três perguntas a vocês.
–Vá em frente.
–Ok. Primeira, quantos zumbis já mataram?
–Olha, só nesse mês, mais de cinquenta. Eles tão crescendo cada vez mais.
–E você pequena?
–Pequena é o seu...
–Clarisse!
–Parei de contar depois dos duzentos.
O brutamontes me olhou com uma cara de taxo.
–Que que foi? Perdeu alguma coisa meu amigo?- perguntei olhando para ele.
–Não, é que você tem uns treze anos e já matou mais de duzentos. Eu acho que nem eu matei tantos assim.
–Eu precisava nos proteger! Aquelas coisas mataram todos que eu amava!
–Chega Clair!- minha mãe gritou.
Rick colocou sua mão sobre o meu ombro.
–Todos nós tivemos grandes perdas.
–Tá. Quais são as outras duas perguntas?
–Hum, a segunda é: Quantas pessoas já mataram?
–Nenhuma- minha mãe respondeu.
–E você?
–Acho que um eu matei uma.
–Terceira e última, porque você “acha que sim”?
–Ele batia na minha mãe. Nos ameaçava de morte, uma vez tentou me estuprar mas eu me tranquei no quarto e fiquei até ele ir trabalhar no outro dia, e a qualquer momento ele iria nos matar. Sem falar que foi sem querer. Eu queria que ele apenas desmaiasse para nós conseguirmos fugir, mas ele caiu e parou de respirar. Nem cuidei para ver se ele realmente tinha morrido, apenas fugi com a minha mãe.
Eles estavam chocados com a minha resposta e minha mãe também.
–Eu não sabia que ele tinha tentado te estuprar!
–Não queria que se preocupasse!
–Me preocupar? Pelo amo de Deus, você é minha filha, eu tinha que saber daquilo!
–Hey moças, sem brigas ok? Peguem suas coisas que nós vamos leva-las para a prisão.
–Tudo bem.
Pegamos nossas mochilas com comida, munição e roupas e colocamos na Tucson cinza deles. Os nomes deles eram Daryl, o brutamontes, que era um caçador, e Rick, que era um xerife, e era o líder do grupo deles. Ele acabou de perder a esposa, mas tem um filho chamado Carl e uma bebê chamada Judith. Contamos também nossas histórias, de como o nosso grupo foi invadido por zumbis e como nossas vidas eram antes, com o meu padrasto. Aquele Daryl até que era legal, ele disse que ia me ajudar a aprimorar minhas técnicas na caça, e eu aceitei na hora.
–Você vai se dar bem com o Carl.- Rick disse.- Ele se tornou frio desde quando o apocalipse começou, e depois que ele teve que...matar sua mãe ficou muito mais frio. Vocês dois tem a mesma idade, acho que se tornarão grandes amigos.
–Pera lá, eu nem o conheço ainda. Mal conheço vocês.- rimos.
–Mas você vai conhecer, e vai gostar. Tem a Elizabeth(Beth), a Anabelle, a Sophia e várias outras crianças lá. Você vai se encaixar lá, tenho certeza disso.
–Pois eu tenho certeza que não.- sussurrei de um modo que só eu ouvisse.
Avistamos duas torres e logo a prisão inteira. Ela era enorme e tinha um pátio gigante. Não creio que terei todo aquele espaço seguro para correr, jogar futebol(eu jogava na escola, e também era muito boa), vôlei, entre outras coisas. Fazia muito tempo que não me sentia segura assim.
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