Dear Sun
25 Capítulo 25
Capítulo 25
– Fiz minha parte! – Aiba anunciou, largando o telefone e sentando-se novamente ao lado de Nino, que organizava alguns papéis.
– Muito bem! – Jun disse, sorrindo.
De fato, o dia seguinte seria decisivo e tudo o que ele queria era que tudo desse certo. As lágrimas que escorreram por sua face, de manhã, deram lugar a um sorriso confiante depois da conversa que tivera com Nino.
– Temos um problema. – Aiba disse, sentindo todos os olhares se voltando para ele.
– Que tipo de problema? – Jun disse, sem conseguir evitar uma nota de pânico em sua voz.
– Amanhã é aniversário da Ise-chan. – Aiba contou.
– E provavelmente o pai da Haru não vai desgrudar dela. – Ohno completou, prevendo o que aconteceria.
– Fiquem calmos, porque com um pouquinho de sorte, tudo dará certo. – Nino acalmou-os.
– O fator “aniversário” era algo previsto, ela já tinha comentado comigo. – Jun falou, voltando a sorrir confiante.
– Você não se sente culpado por isso? – Aiba falou diretamente para Jun.
– Por que me sentiria? É minha ultima oportunidade. – Jun respondeu e todos perceberam o quanto ele desejava lutar por aquela mulher.
– Vamos continuar com isso aqui. O Sho-chan já deve estar chegando. – Nino falou, tentando aliviar a tensão e prosseguir com os preparativos.
~~
A noite caíra rapidamente, e entre preparativos e discussões, todos acabaram por passar a noite em claro. Aiba pensava em Jéssika durante todo tempo.
– Amanhã vocês se viram, eu vou passar o dia com a Jessie. – Aiba anunciou, acordando Ohno que havia adormecido em uma poltrona. – Ou melhor, hoje.
– Tudo bem, Masaki. – Jun disse, levantando-se do chão, onde havia sentado há alguns minutos – Ela vai estar com a Haru, então, seja legal com a pequena, tá?
– Ei! Quem tem fama aqui de que não gosta de crianças é você! – Aiba caçoou de Jun – Pode deixar, vou ser legal.
– Vou tomar banho. – Jun anunciou, levantando-se e seguindo para o banheiro. Tirou a camisa e jogou para trás, caindo sobre a cabeça de Sho.
– Na boa, por que não tira a roupa no banheiro? – Sho reclamou.
– Porque te incomodar é mais legal. – Jun disse, fechando a porta do banheiro atrás de si.
~ ~
Eloise despertou com o celular tocando alto. Ao ver que era Kenji quem ligava, atendeu imediatamente.
– Feliz aniversário, meu amor! – Kenji disse, antes que Eloise pudesse falar algo.
– Hm, obrigada. – Eloise falou, bocejando em seguida.
– Te acordei? – ele disse, percebendo que Eloise parecia sonolenta.
– Ah... sim, mas não tem problema. – ela respondeu, finalmente despertando por completo e levantando-se – Como foi a viagem? Dormiu bem?
– Dormi nada. Cheguei aqui de madrugada e corri para empresa. – ele reclamou – Parei só agora, para te ligar, mas já tenho que voltar ao trabalho.
– Não se esforce demais!
– Vou fazer tudo que eu posso aqui pra poder voltar logo.
– Hum, estaremos te esperando. – Eloise disse, abrindo o chuveiro e observando a água escorrer.
– Tenho que desligar, meu amor. Te ligo mais tarde.
– Tudo bem! Eu te amo.
– Te amo mais! – Kenji disse, rindo e desligando em seguida.
Eloise despiu-se e enfiou a cabeça sob a água gelada. Era impossível não pensar que era o ultimo dia do Arashi no Brasil, e também que fora dura demais com Jun.
Com os cabelos enrolados em uma toalha e envolta por um roupão, Eloise deparou-se com Jéssika na cozinha. O cheiro de pão fresco enchia o cômodo.
– Ohayou! – Jéssika disse quando a viu, colocando xícaras à mesa enquanto o café terminava de passar.
– Ohayou gozaimasu! – Eloise respondeu, sentando-se – Que surpresa!
– Imagina que eu iria deixar passar em branco. – Jéssika sentou-se ao seu lado – Fiquei com o pé atrás em vir aqui com o Kenji em casa, mas, por fim, resolvi vir.
– Ele não está.
– Vai me dizer que mandou ele dormir no hotel? – Jéssika perguntou, confusa. Colocou o café à mesa, e Eloise só então percebeu que havia três xícaras.
– Não, não! Ligaram para ele ontem de noite e teve que voltar pra São Paulo.
– Ah, mas logo no seu aniversário?
– Pois é, mas não tem problema, ele volta logo. – Eloise serviu-se de café e partiu um pãozinho ao meio. – Ele já me ligou hoje.
– Fico tão feliz que sua vida esteja se ajeitando! – Jéssika disse, pegando um pão de queijo de um dos sacos que trouxera da padaria.
– Demorou, né? – Eloise sorriu, levemente ruborizada.
– Sua teimosa! – Jéssika sorriu – Come logo e vai se vestir. Vou arrumar seu cabelo.
– Mas eu nem vou sair!
– Não importa, é seu aniversário e tem que estar bonita. Não é sempre que se faz 23 anos!
– Nem 22, nem 24, nem 25... – Eloise reclamou.
– Para de reclamar e anda logo. Vou fazer uma trança linda! – Jéssika estralou os dedos, como se estivesse se preparando para começar uma luta.
– Tá bom. – Eloise deu-se por vencida.
Alguns minutos depois, Eloise vestia um vestido de malha florido, os cabelos longos trançados, e Jéssika lavava a louça do café, recusando-se a deixar Eloise fazer qualquer coisa.
– Amanhã o Arashi vai embora né? – Eloise falou, depois de muito pestanejar em tocar no assunto.
– É, vou sentir falta do Masaki. – Jéssika disse, sua voz assumindo um tom mais sombrio.
– Não pensou na probabilidade de ir morar lá? – Eloise sentia seu coração palpitar. Sempre fora ciumenta com suas amigas, mas não era hora de egoísmo: tinha que ver o que era melhor para ela e não para si mesma.
– Pensei, mas não tenho como. – Jéssika assustou-se com o rumo que a conversa havia tomado. – Não tenho um emprego, e não posso ir pra morar. Não tenho descendência, tampouco um marido que possa garantir que eu fique por lá... você sabe como funciona.
– Mas, e o Aiba-chan?
– É cedo demais pra falar de qualquer coisa desse tipo.
– Entendo...
Harumi correu até a cozinha, com um largo sorriso no rosto e duas caixas em mãos.
– Okaasan, otanjyoubi omedetou! – a pequena gritou, entregando-lhe as caixas: uma grande e uma pequena.
– Oh, meu anjinho! Arigatou! – Eloise abraçou a filha.
– Abre, abre logo! – Harumi pulava pela cozinha.
Eloise abriu com cuidado a caixa maior, onde encontrou uma camiseta dobrada. Ao abri-la deparou-se com uma foto sua com Harumi, e os dizeres 私はお母ちゃんが好き (Eu amo a mamãe), que ocupavam toda a parte da frente da camiseta. Na parte de trás, em letras pretas, 私たちは嵐が好き (Nós gostamos de Arashi). Nem bem terminou de ler, e virou-se para Jéssika, sorrindo.
– Eu tenho culpa nisso. – Jéssika defendeu-se – Mas a ideia foi da pequena.
– Né, mama, ali tá escrito que a gente gosta de Arashi e do outro lado que eu te amo. – Harumi tomou a camiseta das mãos de Eloise e mostrou pra ela.
– Lindo, meu anjo. Obrigada.
– Veste! – Harumi insistiu, Eloise vestiu-a sobre o vestido, sorrindo. Com certeza, o melhor presente que poderia receber era ver o sorriso largo de sua filha.
– E esse? – Eloise balançou a caixinha, olhando para Jéssika. A caixinha era longa e baixa.
– Abre! Abre! – Haru incentivou-a.
Rasgou o pacotinho que envolvia a caixa, curiosa, e deparou-se com uma daquelas embalagens de joalheria. Novamente olhou para Jéssika, que parecia tão confusa quando ela em relação ao presente. Abriu a caixa. Dentro dela havia um colar de ouro branco, fininho. O pingente era em formato de coração, cravado de pedrinhas e o símbolo do infinito atrás. Admirou-o, seus olhos marejados.
– Okaasan, não fica triste! Olha, tem um bilhetinho. – Harumi apontou debaixo do colar, dentro da caixinha.
Eloise tirou-o com cuidado e ao abrir, reconheceu a caligrafia de Kenji:
“A intenção era te entregar pessoalmente, e eu mesmo colocá-lo em seu pescoço, mas nem tudo é como queremos. Estou te dando meu coração, e espero que cuide dele para sempre.
Te amo.
Feliz aniversário,
Kenji.”
Jéssika, que chegara perto para ler junto com ela, ficou admirada.
– Viu okaasan, nada de ficar triste! Foi o tio Kenji que deu! – Haru sorriu – Deixa a Haru colocar?
– Claro. – Eloise respondeu, um sorriso largo em seu rosto, e algumas lágrimas escorrendo por sua face.
Abaixou-se para que Harumi colocasse para ela, com a ajuda de Jéssika.
Nem bem Jéssika fechara o colar, a campainha tocou. Eloise levantou-se e correu até a porta. Abriu-a sem nem ver quem era, e só se arrependeu disso quando percebeu que quem estava à sua frente era Sakurai Sho, aparentemente nervoso.
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