Notas iniciais
Não vou mentir.
Tinha perdido a vontade de escrever. É como uma crise de meia-idade, só que eu ainda nem saí da adolescência '-'
Enfim... Também fiquei muito desanimada com alguns leitores.
Mas aqui está mais um capítulo.
Espero que gostem, e faço de tudo para não atrasar novamente...
Sophia tem entrado em meus sonhos faz um tempo, então devo isso à ela >< k
Beijos.
♥

Saí de casa para ir à escola, mas meus pensamentos não estavam me acompanhando. Minha cabeça parecia estar em um conflito eterno com meu coração.

Eu ficava pensando em como dei uma má impressão para a família do Nath, pensei no Cusfofo, que completaria quatro meses na próxima semana, pensei nas provas finais, que estavam acontecendo naquele período, pensei na formatura do Nath e do meu irmão, pensei... No meu pai.

No caminho até a escola, fiquei imaginando como ele seria.

Rebelde? Talvez. Com certeza não puxei minha mãe quanto à mente.

Legal? Tomara. Devia estar bem bêbado no dia que ficou com minha mãe.
Ok, ela era muito bonita, admito, mas... Monique? Só tendo muita coragem mesmo... George Phelps, que valente você é... Merecia um prêmio.

E aparência...

Isso é o que eu mais pensava.

Se – SE – eu conseguisse alguma informação sobre meu pai biológico, e fosse procurá-lo... Como o reconheceria?

Às vezes penso se eu teria algo como aquele estalo na cabeça, e pensaria “OLHA SÓ! AQUELE É MEU PAI!’... Não, pouco provável. Mesmo.

É difícil imaginá-lo. Sou muito parecida com minha mãe, a não ser os olhos. Meus olhos são castanhos como... Como os de George...

Acho que por isso foi tão fácil me encobrir, não é mesmo? Meus olhos não são verdes como o de Monique, mas também não são azuis e nem castanho-claros... Muito pelo contrário, bem escuros.

Minha linha de pensamentos foi interrompida pelo sinal que havia tocado assim que encostei os pés no colégio. Corri para o armário e peguei meu livro de história.

Assim que entrei na sala de aula, senti todos os olhares em mim. Tinha escolhido uma camiseta larga, para minha barriga (que agora estava bem mais saliente) não aparecer. Mas isso não impedia que as pessoas ficassem olhando-a fixamente.

– Sente-se, senhorita Phelps, e assim começaremos a prova. – A professora disse, enquanto eu ia de cabeça baixa até o fim da sala.

Prova.

Tinha esquecido que hoje era dia de prova de história. E eu nem tinha estudado... Será que já havia passado de ano? Ou ainda faltavam alguns pontos?

Socorro...

~♥~

– JJ? – Sorri, quando vi o carro de meu irmão estacionar ao meu lado.

– Vamos que eu te dou carona. – Ele sorriu. – Esqueceu que tem que passar lá em casa hoje? Te convidei a três dias atrás, e nada de você aparecer.

Senti as bochechas corarem e dei um sorriso amarelo.

– Ah é... D-Desculpa, eu... Esqueci. – Disse, corando ainda mais.

Ele revirou os olhos e sorriu.

– Entra.

Obedeci e logo dei falta de algo. Algo importante.

– Cadê Samantha? – Perguntei, olhando para trás como se ela estivesse ali desde o começo e eu não tivesse visto ainda.

– Não foi na escola hoje. Nem ontem. Nem segunda-feira. – Ele encolheu os ombros, me fazendo ficar preocupada.

– Mas... Ela tá bem? – Perguntei.

– Tá sim. – Ele deu de ombros. – Na medida do possível, né?

– Por quê? – Perguntei, pasma. – Que aconteceu?

– Acho melhor ela te contar. – Ele fez uma careta saindo do estacionamento da escola. – Não sou bom com essas coisas.

Ia perguntar “Que coisas?!”, mas respirei fundo e fiquei em silêncio.

– Dee... – JJ quebrou o silencio, depois de dois minutos.

– Oi?

– Aquela sua amiga... Que te ajudou...

– Alicia? – Perguntei, abrindo um sorriso torto.

– É... – Ele corou, balançando os cabelos negros e um pouquinho compridos, para que escondessem seu rosto.

– O que tem? – Perguntei, levantando uma sobrancelha e achando graça.

– Você sabe se... Er... Ela... Vai sair? Digo... Está saindo... Com... Alguém? – Ele perguntou, se atrapalhando todo.

Sorri largamente.

– Por que a pergunta?

– Por que... Eu meio que queria... É... Convidá-la... Sabe? Prasermeuparnaformatura... – Ele disse essa última frase mais rápido do que deveria.

– Pra ser o que?

– Meu par... Na... Formatura. – Ele disse finalmente, virando na rua de minha antiga casa.

– QUE LINDO! – Exclamei, pulando no estofado do carro. – Ah que coisa mais fofa, Jason Joey!

– Não me chama assim. – Ele estreitou os olhos. – E não é nada lindo. É... Um pedido normal.

– Mas você ficou muito tempo para escolher para quem iria fazê-lo. – Sorri. – Não é mesmo?

Ele não respondeu, mas eu sabia que sim pela intensidade de vermelho que seu rosto ficou.

– Vamos. – Ele disse, estacionando o carro na frente da mansão.

– Não sei se ela vai gostar de me ver assim. – Disse, olhando para minha camiseta preta extremamente larga e minha calça jeans.

Detalhe, Alley tinha colocado um elástico na cintura da minha calça, ou seja, eu estava usando roupa de grávida.

Que horror.

– Deixa disso, Dee. – Ele fez uma careta. – Entra e seja você mesma. Sabe que já superou coisa muito pior que ser julgada pela aparência.

Suspirei e tive que concordar.

– Espero que seja algo extremamente importante. – Disse, de cara feia.

– E é. – Ele respondeu, cabisbaixo.

Abriu a porta e entramos.

Cumprimentei Jill e segui JJ até a sala.

Estava imaginando a mesma cena que vi na última vez que pisei naquele lugar; Minha irmã acariciando Puskas na poltrona, meu pai lendo jornal e minha mãe folheando uma revista.

Mas meu pai ainda não tinha chegado do trabalho, minha irmã não estava na sala, muito menos na poltrona com Puskas, e minha mãe provavelmente também não estava por ali. Ou já teria ido ver quem eram os recém-chegados.

– Cadê todo mundo? – Perguntei.

– Papai não chegou ainda, como você já deve saber, mamãe foi no salão de beleza e Samantha... Não sei. Deve estar no quarto. – JJ respondeu, me puxando escadas a cima.

– E porque me chamou? – Perguntei.

– Porque tem algo muito importante que eu tenho que te mostrar. – Ele disse, aumentando a velocidade ao subir os degraus. Subi junto, mas mais devagar que ele, e só paramos quando chegamos na porta de onde costumava ser meu antigo quarto.

Estava ainda mais sujo do que a última vez que o vi.

– Que aconteceu aqui? – Perguntei, enquanto Jason encostava a porta.

– Pap... George, não deixa Jill vir limpar aqui em cima. Ele não deixa nem mamãe entrar. Muito menos eu e Samantha, mas eu entrei aqui no dia em que te liguei e descobri uma coisa.

– O que? — Perguntei, olhando as paredes, antes rosas, todas sujas e cinzentas.

– Algo que vai te interessar e ajudar. – Ele disse em tom misterioso, abrindo uma gaveta da escrivaninha que tinha ali e revirando um monte de papéis.

– E o que seria? – Perguntei, levando a mão direita à barriga distraidamente.

– Uma pista sobre seu pai... Biológico. – Ele disse, diminuindo o ritmo de procura. – Está aqui em algum lugar...

Fui até a janela e vi o céu nublado. Logo, logo começaria a nevar. Não dava uma semana e meia para isso acontecer.

Isso me fez pensar... Quarto mês de gravidez em dezembro... Então Cusfofo nasceria em...

– ACHEI! – A exclamação de meu irmão me fez dar um pulo.

– Que é isso? – Perguntei, chegando mais perto dele.

– Uma passagem. – Ele respondeu, satisfeito.

Juro que não entendi porque aquilo me ajudaria.

Ele pareceu notar minha cara de paisagem e sorriu levemente.

– Mamãe não disse que você tinha sido... Er... Concebida... Numa viagem que ela e meu pai fizeram? – JJ perguntou, fazendo minha mente clarear.

– Sim...

– Olha a data de ida dessa passagem.

“Data de partida: 15/08/1979”

– E o que tem? – Perguntei.

– Faz as contas, Dee. Você nasceu em maio de 1980. Nove meses antes disso, é agosto de setenta e nove. – Ele sorriu, vitorioso. – Foi o único indício dessa viagem que eu consegui achar.

Peguei a passagem de sua mão e fixei meus olhos no destino.

Dublin, Irlanda.

Ótimo, meu pai era um Leprechaun.

Aquele duende verde com um trevo de quatro folhas e um pote de ouro.

Notas finais
Alguém aí acha que a fic tá ficando comprida demais?
Beijos.
♥