Dear Sophia
43 XLII
Notas iniciais
A fic está chegando no fim, ok?
E eu demorei porque não sabia que Ensino Médio seria tão foda assim E tava comemorando meu aniversário de um ano de namoro com meu Nathaniel :$
Espero que gostem²
Jonathan Bemol, dedicado à você, amor. Obrigada por me aguentar por tanto tempo ♥
Beijos
♥
12 de fevereiro
Finalmente.
É o que Nathaniel falou assim que Glenn passou pela porta à caminho do aeroporto.
Isso já fazia uma semana. Nath não tinha gostado mesmo dele. Ainda não entendi por que.
Estava no pátio, sozinha, lendo um livro (“O Príncipe”). Onde estava, dava para saber se o próximo professor, que era de biologia, estava indo para a sala. Acontece que, desde um infeliz incidente, assim que a sala fica vazia, trancam a porta e ninguém entra para pegar nada. Por motivos de segurança e blá-blá-blá. Como o intervalo havia acabado de terminar, sentei ali para esperar o professor passar com a chave.
Continuei lendo meu livro tranquilamente. Eu chegava a devorar as páginas, de tão bom que estava. Fui folheando e passando os olhos por aquelas palavras tão bem colocadas.
Estava tão imersa na história que só me desliguei quando tocaram meu ombro.
— Que? – Perguntei, olhando para a pessoa. Era a tia da limpeza.
— Filha, a escola já vai fechar. – Ela falou, com uma sobrancelha levantada.
— Oi? – Perguntei, arregalando os olhos. – Que horas são?
— 17:15. – Ela respondeu, confusa. – Faz 15 minutos que o portão tá aberto.
Levantei do banco correndo. Fui até a sala e consegui pegar o professor de Educação Física à tempo.
— Cabulando aula, srta. Phelps? – Ele me olhou feio. Fui até minha cadeira ao lado da janela, no fundo, e peguei a mochila.
— Desculpa, professor. – Falei, passando por ele rapidamente.
— Tudo bem, né? Não ia participar da aula mesmo. – Ouvi ele resmungar, enquanto eu andava depressa até o portão.
Saí em disparada e encontrei Nathaniel sentado na moto, mexendo no celular. Ele estava absolutamente lindo. Seus cabelos negros apontando para os lados, um leve sorriso no rosto e seus olhos verdes refletindo a luz do aparelho.
Ao longe, vi um grupinho de meninas olhando para ele e dando risada.
Fiz uma careta e fui até ele.
— Hey. – Sorri, chegando perto.
— Oi meu amor. – Ele também sorriu e me deu um selinho.
— Desculpa a demora, perdi a noção do horário. – Falei, colocando o capacete.
— Tudo bem, tudo bem.
Subi na garupa e segurei em sua cintura. Inalei seu perfume e fechei os olhos, com um sorrisinho bobo no rosto.
— Vou te deixar em casa e ir direto para o restaurante, ta? – Ele perguntou, dando partida. Olhei para o lado e o grupo de meninas nos olhavam, pasmas. Sorri com isso.
— Mas e seu uniforme? – Perguntei, me focando na conversa.
— Deixei lá. – Ele respondeu, dando de ombros.
— Mas amor, hoje não é seu dia de folga? – Perguntei, confusa.
— To fazendo hora extra. – Ele pareceu desanimado. – Precisamos do dinheiro, Dee.
— Desculpa. – Murmurei.
— Oi?
— Nada não. – Falei, ainda mais desanimada que ele.
— Não fica assim não. – Ele pediu, enquanto parava em um farol.
— Não devia ter ido atrás de você. – Falei.
— Como assim? Para, Delilah. Você acha que eu estaria contigo, se não quisesse?
Não respondi.
Continuamos a viajem em silêncio.
Desci da moto assim que ele estacionou na frente de nossa porta. Tirei o capacete e peguei a chave com ele.
— Tchau. – Falei, dando-lhe um selinho.
— Hey. – Ele pegou em meu braço e me aproximou dele.
— Que foi? – Perguntei, enquanto ele tirava o capacete e me fitava com sua imensidão verde.
— Não fica assim. Eu gosto de você. Amo você. – Ele murmurou. – Quero passar minha vida contigo, Delilah. E não, meu amor por você não vai diminuir por questões financeiras. Estamos em tempos difíceis? Estamos. Mas não te culpo por não arranjar emprego. Calma, meu amor, tudo dará certo. – Ele sorriu e eu aproximei meu rosto do seu. Nos beijamos calmamente. – Te amo.
— Te amo. – Respondi, sorrindo. Dei um último beijo e entrei em casa.
Joguei a mochila no sofá e fui tomar um banho.
Fiz um trabalho de química e umas lições que estavam atrasadas. Jantei e lavei a louça. Na verdade, estava enrolando.
Pensei em gravar, mas nada de muito interesse havia acontecido, a não ser a volta de Glenn para a Irlanda.
Estava cochilando no sofá, com a TV ligada em qualquer canal, quando o telefone toca, me dando um susto.
Tateio às cegas o criado mudo ao lado do sofá, procurando o objeto.
— Alô? – Digo, com voz rouca e arrastada.
— Delilah? – Uma voz com forte sotaque soa.
— Eu. – Respondo, bocejando.
— Te acordei? – A pessoa perguntou.
— Hn? Não... Quem é?
— Glenn. – Ele respondeu.
— Ah. Oi.
— Você tava dormindo, né?
— Não, só cochilando.
— É a mesma coisa.
— O que é, Glenn? – Perguntei, um tanto irritada.
— Tem alguém que quer falar com você. – Ele falou.
— Ah, é? Quem? – Digo, após um longo bocejo.
— Damian. – Ele responde, me fazendo ter um estalo. De um pulo, fico sentada no sofá.
— M-Meu pai? – Pergunto, arregalando os olhos.
— Aham. Perai que já passo para ele.
Silêncio absoluto. Tão absoluto que eu conseguia ouvir meus batimentos cardíacos.
— Alô? – Uma voz grossa e extremamente rouca, com um sotaque forte, soou.
— O-Oi. – Gaguejei.
— Danielle, é? – Ele perguntou.
— Delilah. – Corrigi.
— Certo... Então... Como vai sua mãe? – Ele perguntou, me fazendo franzir o cenho.
— Bem. Eu acho.
— Me diga, qual o nome dela mesmo?
— Monique... – Murmuro.
— Monique? Moniq... AH SIM! – Ele exclamou, me dando um susto. – Claro, claro. Uma mulher extremamente bonita ela. – Ele pareceu falar consigo mesmo. – Alta, loira, nariz empinado, parecendo ser bastante arrogante, dos olhos azuis, né?
— Verdes. – Corrigi novamente.
— Certo, certo. Me lembro muito bem dela. Ela apareceu em um bar que eu trabalhava, em uma das praias daqui. – Ele falou com voz divertida, como se sorrisse ao dizer.
— Aham. – Murmurei.
— Mas então... Serei avô? É isso mesmo?
— Sim, senhor. – Corei.
— Como é o nome da cria?
— Thiago e Sophia. – Respondi.
— Que nome grande. – Ele pareceu confuso. – Mas vai chamar de Thiago ou Sophia?
— Mas é que... O Glenn não te contou? – Perguntei, achando estranho.
— Ah, esse idiota não me conta nada. – Ele falou com voz debochada. – Descobri no dia do casamento, que ele estava noivo.
— Você chamou seu filho de idiota?
— Sim, por quê?
— Nada. – Sorri, acho que sei de quem puxei o gênio. – É que... Bom, são gêmeos.
Silêncio.
— D-Damian?
— Gêmeos, é?
— Sim.
— Um par.
— Sim.
— Casal.
— Exatamente.
— Certo, certo... E o que sua mãe pensa sobre isso?
— Ela não opina sobre.
— Certo... – Ele repetiu.
— Você não sabia que tinha uma filha? – Perguntei, afundando no sofá.
— Não. – Ele respondeu prontamente. – Ninguém nunca me falou nada.
— Eu também não sabia que era filha de outro pai. – Admiti.
— Tudo bem. Agora sabemos. – Imaginei que ele sorriu ao dizer isso. – Não vamos perder contato justo agora, ok?
— Claro. – Sorri.
— Certo. Hey, Delilah, tenho que ir. Um cliente chegou aqui na loja. Tchau.
— Tchau. – E então desliguei.
Coloquei o telefone de lado e deitei novamente, olhando para o teto azul.
Que estranho...
— Que foi? – Ouvi uma voz vinda da porta. Olhei e Nath acabava de entrar, com os cabelos já não mais tão arrumados e, ao invés da roupa simples, o uniforme do restaurante.
— Acabei de falar com meu pai. – Abri um sorriso, enquanto ele levantava minhas pernas e sentava no sofá, colocando-as em seu colo.
— E aí?
Contei sobre a conversa inteira. Nathaniel apenas assentia vez ou outra.
— Não sei não... – Ele encolheu os ombros, deitando ao meu lado.
Me arrumei em seu abraço e olhei em seus olhos.
— Que foi, meu amor?
— Estava pensando... – Ele murmurou. – Pensando em fazer uma coisa.
— Em quem?
— Nos bebês. – Ele falou, me analisando. Continuei com o rosto impassível.
— O que?
— Um exame de DNA.
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