Dear Sophia
13 XII
Notas iniciais
Capítulo dedicado à todas as lindas leitoras que adicionaram a Delilah, o JJ e a Sammy no msn!
Beijos!
Confirmado. A sorte não está nem aí pra minha vida.
– Desculpe. – Nathaniel disse, se afastando de mim subitamente. – Preciso resolver uma coisa. Desculpa mesmo, Delilah, mas é urgente. – E, descendo do palco com pressa, foi embora.
Fiquei paralisada.
Como assim? Pensei. Acontece todo esse momento romântico, com direito à serenata e tudo mais... E ele simplesmente vai embora?
Desci de lá, peguei minha bolsa e saí do bar/karaokê.
~♥~
Dez dias depois
Três de setembro.
Nenhum telefonema, nenhuma notícia, nenhuma satisfação... Nem vi o Nathaniel desde aquele dia.
Suspirei,
– Que acha? – Brendon perguntou, tirando-me de meus devaneios, enquanto jogava alguns anúncios recortados de jornais e revistas em cima da minha carteira.
– Que eu acho? – Repeti, olhando o moreno. – De que?
– Olha os recortes. – Ele disse, me espremendo na parede, enquanto sentava ao meu lado na cadeira.
Peguei um dos papéis e reparei que havia a foto de uma casa. Uma linda casa.
– O que é isso? – Perguntei embora já soubesse a resposta, virando o rosto pra ele.
Brendon sorriu e me beijou.
– Nossa futura casa.
– Sério? – Levantei as sobrancelhas, olhando os papéis novamente. – São muito caras...
– E daí? – Ele deu de ombros?
– E daí que não temos dinheiro. – Fechei a cara.
– Quem disse? – Ele riu.
– Vai roubar um banco, por acaso? – Arqueei uma sobrancelha.
– Por acaso, não. De propósito. – Ele respondeu, me abraçando.
– Brendon! – Repreendi, enquanto ele ria.
– Eu to brincando, guria.
Revirei os olhos.
– Escolheu?
– Queria algo menor... – Encolhi os ombros. – Essas casas mais parecem pensões, de tão grandes.
– Ah... – Ele murmurou. – Ok. Se é o que você quer... Daqui uma semana eu te mostro outros.
– Você levou uma semana pra juntar esses anúncios? – Perguntei, pasma.
– Fazer o que? – Ele deu um sorriso amarelo.
Recebi um beijo e o observei indo embora.
Suspirei.
Sim. Ainda gosto dele, mas... Nathaniel não sai da minha cabeça. E agora a música Hey There Delilah não sai dos meus pensamentos...
A aula começou e eu nem prestei atenção. Minha cabeça girava com tantas coisas, e meu coração parecia tão confuso quanto um cachorro cego que caiu do carro de mudança no meio de um tiroteio.
Ok. Vamos ignorar meu momento Samantha, ok?
Quando o sinal finalmente bateu, levantei da cadeira e fui até o estacionamento. JJ havia me prometido uma carona até o apartamento.
Desconfio que uma ruiva esteja envolvida nessa gentileza também.
– Qual o seu problema? – Ouvi dizerem, enquanto uma garota me empurrava. Senti uma dor aguda no meio das costas. Na certa, havia batido na fechadura de algum armário.
– Qual o meu problema? – Repeti, a visão meio embaçada. – Eu não saio por aí batendo em quem eu vejo.
– Você acha que eu não sei do seu joguinho, Phelps?
Demorei um pouco pra registrar o que ela falou, estava tonta e minhas costas doíam horrores.
– Que você quer com ele? – Ela perguntou novamente, enquanto eu tentava fazer minha visão voltar ao normal. – Responde! – A tal garota agarrou minha cabeleira loira e me fez levantar à força. Tenho a impressão que ela come mais feijões que o necessário no almoço. – Que você quer com ele?
– Ele quem? – Perguntei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.
– Não se finja de ingênua. – Ela disse, enquanto eu olhava pela primeira vez para a garota.
Ela tinha a pele morena, os olhos amendoados, castanhos, e o cabelo encaracolado, também castanho. Eu a conhecia. Aliás, a escola inteira a conhecia.
– Não deveria estar ensaiando para o jogo de hoje à noite? – Perguntei, enquanto ela puxava ainda mais meus cabelos.
– Não mude de assunto. – A líder de torcida fechou a cara, chegando mais perto. – O que você quer com o Brendon?
– Brendon? – Repeti, revirando os olhos na medida do possível. – Nada.
– Ele terminou nosso namoro. – Ela disse, com raiva visível na voz. – E eu sei que você está atrás disso.
– Eu não mandei aquele idiota parar de te namorar, Sarah. – Retruquei, tentando tirar seus dedos de cima dos meus cabelos.
– Ah é? E porque vocês estavam tão juntinhos lá na sala de aula? – Ela levantou uma sobrancelha bem definida.
– Não é da sua conta. – Fechei a cara, empurrando a morena.
– Você pode se achar esperta, Phelps, mas eu sou mais. – Ela disse, com os dentes trincados.
– Sério? – Dei um meio sorriso de escárnio. – E como consegue essa proeza? Sendo tiete de futebol?
Senhoras e senhores, Delilah Lilith Phelps e seus comentários inúteis!
– Que disse?! – Ela cerrou os punhos.
– Ah, me desculpe... Você é surda? Ah... Eu não sabia. – Coloquei a mão no coração. – Eu disse t-i-e-t-e. Conhece essa palavra, ou seu vocabulário não chega a ser tão inteligível?
– Retire imediatamente o que disse! – Ela disse, acho que se preparando pra me bater.
– Vai querer me enfrentar? – Perguntei, ainda com voz de quem fala com um demente. – Cuidado para não quebrar as unhas.
Ela nem se deu ao trabalho de responder, veio direto para cima de mim.
Fechei os olhos e esperei, mas não fui atingida. Muito pelo contrário, ouvi um barulho longe de mim.
Desgrudei os olhos lentamente e vi a morena estatelada contra os armários.
– Mas o que...? – Ia perguntar, mas fui pega pelo braço.
– Anda logo. – A voz da minha irmã soou, fazendo meu coração se acalmar. – Não acredito que fiz isso... Certo, sempre odiei a Sarah, mas empurrá-la e deixar a bichinha desacordada? Olha, acho que só fiz isso porque sou sua irmã... Aliás, porque fez aquilo Delilah? Não sabe o quanto aquele garoto é idiota? Ah, se o JJ não tivesse me segurado, você já estaria igual à Sarah...
Sorri, enquanto palavras saíam de sua boca sem parar.
Paramos na frente do carro do JJ, ela me largou e olhou no fundo dos meus olhos.
– ...E não venha me fazer essa carinha de cachorro abandonado, Lilah, eu...
– Você me chamou de Lilah. – Sorri.
– E daí?
Não respondi, abracei Samantha e impedi que ela começasse a falar novamente.
– Te amo tanto, Sammy. – Disse, enquanto ela me abraçava de volta.
– Eu sei. – Ela riu. – Mas você me decepciona bastante...
– Eu sei.
– Aliás – Ela disse, me encarando. – que aquela coisinha queria com você?
– Falar sobre o Brendon. – Dei de ombros, mordendo o lábio inferior.
– Mas que coisa! – Ela bufou, fechando a cara. – Sempre que acontece algo de ruim, esse idiota tá metido no meio?
– Acho melhor você começar a chamá-lo de cunhado... – Sorri, irritando-a.
– Nem. Morta. – Ela retrucou, enquanto eu sorria mais ainda. – Ah é... Soube que você saiu com um amigo da Alícia... Como foi?
– Um fracasso. – Respondi, encostando no carro.
– Sério?
– Juro. – Dei de ombros. – Mas a noite foi salva... Encontrei com o Nathaniel lá.
– Oh... – Ela sorriu, esquecendo que estava com raiva de mim. – E como foi?
– Cada um cantou uma música no karaokê... – E contei, resumidamente, tudo o que acontecera no encontro.
– Estou falando que ele está perdido por ti. – Ela fechou os olhos, com ar de convencimento.
– Mas já faz dez dias que não tenho notícias... – Olhei para o céu azul de verão.
– E você queria o que? Mil e uma cartas de amor com perfume e tudo? – Ela riu. – Espera um tempo, Lilah...
– Vamos? – JJ se fez ouvir, enquanto eu abria a porta do carro e entrava. – Aliás, vi a Sarah, aquela líder de torcida morena, sentada no chão do corredor. Alguma de vocês sabe o que aconteceu?
Olhei para Samantha e ela fez o mesmo.
Essa é a melhor parte de ter uma melhor amiga que também é sua irmã. Só com um olhar você consegue entrar em um acordo.
– Não sabemos de nada. – Respondi.
– Nadinha. – Ela ecoou, enquanto ele dava partida no carro.
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