Dear Life
4 Uma semana!
Notas iniciais
Acordei e Davi não estava no quarto. Olhei em seu criado mudo ao lado da cama e vi que eram 9:25. Suspiro profundamente e vou ao banheiro. Lavo o rosto, escovo os dentes (sim eu tenho uma escova de dente na casa dele), penteio o cabelo e desço. Davi está sentado na mesa conversando com seus pais. Me sento ao seu lado.
–Bom dia.
–Bom dia. –Eles respondem.
Me sirvo de suco e observo os três conversarem. Eles estão falando sobre a viajem. Os pais de Davi parecem tão animados quanto ele para essa viajem. Termino o café da manhã e me levanto.
–Obrigada por deixarem dormir aqui. Tenho que ir. Tchau.
–Tchau pequena.
Os pais de Davi dizem e ele se levanta e me leva até a porta. Antes que eu saia ele estende meu celular, o pego e abraço Davi forte.
–Obrigada.
Ele sorri e retribui o abraço. Soltamos-nos e eu saio. Ando devagar até a minha casa, sem pressa para chegar.
Entro, dou uma olhada na sala de jantar, na sala de TV e nada. Meus pais não estão em casa. Imagino que eles ainda estão dormindo então vou de fininho até meu quarto. Abro a porta e dou de cara com meus pais sentados no tapete do meu quarto com uma caixa colorida a frente deles e varias fotos espalhadas em sua volta.
Os dois levantam os olhos para mim e sorriem. Meu pai tem um brilho no olhar que eu nunca tinha visto, felicidade misturada com saudade. E minha mãe está com os olhos e bochechas vermelhas, sinal de que estava chorando. Devo estar com expressão de desespero e medo pois os dois se levantam rapidamente e dizem:
–Esta tudo bem. Não aconteceu nada, só estávamos vendo as fotos de quando você era pequena.
Minha mãe me abraça forte e me puxa para que eu sente perto deles. Observo as fotos no chão. Eu estou em todas elas. Eu no balanço do parquinho, eu no escorregador, eu andando de bicicleta, eu na piscina de casa, eu com meus pais na nossa foto do cartão de Natal e tinha uma escondida em baixo de todas que me chamou atenção.
A peguei e senti meu coração se encher de alegria e saudade também. Na foto estou no meu aniversário de 7 anos, com uma tiara de princesa e com um vestido rosa, mas o mais importante na foto são as pessoas que estão ao meu lado. Rodrigo e Davi. Eles estão cada um com um braço envolto de mim sorrindo como se aquele fosse o dia mais feliz da vida deles. O brilho no nosso olhar me faz querer voltar no tempo. Voltar a ser aquela garotinha, tão indefesa e inocente que não se importava com mais nada além de saber se podia dormir na casa dos melhores amigos. A garotinha que sentia que estava segura o tempo todo desde que eles estivessem por perto.
Lembro que naquela época as brigas dos meus pais eram mais frequentes e eu tinha medo disso. Tinha medo que eles se machucassem, e que me machucassem também. Mas eu deixei de ter esse medo quando ganhei dos meus tios um walk talk e dei um para Rodrigo e um para Davi, ai toda vez que meus pais brigavam eu pegava o walk talk e ficava horas e horas falando com os meninos.
Aquilo foi tão bom, fez com que eu me sentisse segura, simplesmente por saber que se fosse preciso os dois viriam correndo para minha casa e me protegeriam, de qualquer coisa que me assustasse.
Olho para minha mãe com os olhos cheios de lágrimas e pergunto:
–Posso ficar com essa foto?
–Claro que pode querida. –Ela me abraça forte e sinto meu pai se juntar a nós no abraço. –Desculpe por ontem, não queríamos te assustar.
–Tudo bem.
–Onde passou a noite? –Meu pai pergunta.
–No Davi.
Eles se levantam e dizem:
–Precisamos nos arrumar para o trabalho. Se quiser pode ficar vendo as fotos. Pode pegara a que quiser tá?!
–Obrigada.
Eles saem no quarto. Corro até meu criado mudo e pego o walktalk na gaveta e chamo os meninos:
(Alice) -Meninos? Estão ai?
(Rodrigo) — Nossa, há quanto tempo não usamos essa coisa?.
(Davi) — Achei que tinha jogado isso fora.
(Alice) — Você não é louco de fazer isso Davi.
(Davi) — Okay, prometo que não farei.
(Rodrigo) — O que foi? Por que nos chamou?
(Davi) – Seus pais brigaram de novo?
(Rodrigo) – De novo? Eles brigaram ontem? Por que não contou?
(Alice) – Foi Mac, mas não consegui pensar em nada. Fui direto para a casa do Davi.
(Rodrigo) – Por que a dele? Você dormiu lá?
(Alice) – Por que a casa dele é mais perto. Sim, eu dormi lá.
(Davi) – Então, antes que Rodrigo tenha um ataque de ciúmes, diga por que nos chamou.
(Alice) – Ah é. Encontrei uma foto nossa no meu aniversário de 7 anos.
(Rodrigo) – E o que que tem demais? Temos bilhões de fotos juntos nos nossos aniversários.
(Alice) – Mas é que eu nunca tinha visto aquela foto. Não me lembrava dela.
(Rodrigo) – Vou dar uma olhada nos meus álbuns de fotos, ver se encontro mais alguma foto nossa juntos.
(Davi) – Vou fazer a mesma coisa. Depois levamos ai para vermos juntos.
(Alice) – Fechado, vou procurar mais algumas também.
Peguei a caixa e comecei a revira-la. Encontrei varias fotos de nós três, algumas eu me lembrava e já tinha visto e outras não.
Deixo as fotos separadas e vou tomar banho. Quando saio do banheiro ouço a campainha tocar. Penteio o cabelo e logo em seguida os meninos entram no meu quarto. Sento-me na cama e os dois fazem o mesmo. Colocamos as fotos na cama e as espalhamos.
Ficamos um bom tempo ali, mexendo nas fotos e lembrando daqueles dias. Me surpreendi com a quantidade de fotos que temos juntos. Mas também não é por menos, nos conhecemos desde que nascemos, não tem uma festa de aniversário um do outro que não tenhamos ido.
Quando já tínhamos visto todas as fotos descemos para a sala de TV e ficamos lá pelo resto da tarde. Só conversando e assistindo TV como sempre fazíamos de domingo.
–Não estou com ânimo para ir para a escola amanhã. –Eu digo.
–Quem está? –Rodrigo diz.
Olhamos para Davi que finge não entender. Jogo uma almofada nele.
–Só mais uma semana. Só isso e estamos livres. –Digo.
–Livres do prédio da escola, porque ainda tem essa viaje. Que, caso não tenham notado no comunicado, não vai muito diferente da escola. Vamos ter aula lá também. –Rodrigo diz.
–Eu vi. Mas vai ser legal, não vão ser tão entediantes, e vamos ter varias outras atividades por lá. –Davi diz.
–Precisamos ir embora. –Rodrigo diz enquanto olha no relógio. Nos levantamos e vou até a porta com eles.
–Vou com você Ro.
–Por que? –Davi retruca.
–Por que eu tenho que falar com meu padrinho sobre a viajem, para que ele deixe Rodrigo ir.
–Ata. –Davi diz.
Vou com Rodrigo até a casa dele e quando chegamos seu pai ainda não está lá.
–Ele ainda não chegou. –Rodrigo diz.
–O que acha de me ensinar a jogar vídeo game enquanto ele não chega.
Rodrigo ri e diz com cara de deboche:
–Ta ai uma missão impossível.
–Deixa de ser chato. Eu aprendo rápido.
–Aham, ta bom.
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