Dear Life
8 The Dress!
Notas iniciais
Após a aula vou para casa o mais rápido que consigo. Rodrigo vai comigo e Davi vai para a casa dele. Subimos para o meu quarto e peço para Nora trazer nosso almoço no quarto. Pego minhas malas e começo a separar as roupas para colocar lá.
Rodrigo me ajuda a escolher as roupas e organiza tudo dentro da mala. (Cá entre nós, ele é bem mais organizado do que eu.). Pego minha nécessaire e separo meus perfumes, cremes e maquiagem.
Depois de tudo pronto, tomo banho e nós vamos para a casa de Davi. O quarto dele está uma zona. Tem roupa jogada por toda parte.
–Um furacão passou por aqui?
–Não consigo achar minha camiseta favorita.
–Qual?
–A que eu uso para dormir. Preta e branca que parece de jogador de futebol americano.
–Ops. –Digo e ele me olha com curiosidade. –Está comigo.
–Porque?
–Amo aquela camiseta. E quero ter uma coisa de cada um de vocês. Já tenho uma toca do Rodrigo e um skate dele. Tenho um par de brincos da Lyla. Só faltava você.
Ele revira os olhos e faz cara feia para mim. Bufando ele começa a arrumar a bagunça.
–Você quer ela de volta? –Ele suspira e sorri.
–Não. Você pode ficar com ela.
Sorrio e o abraço. O ajudamos a arrumar o quarto e terminar a mala. Depois vamos para a casa de Rodrigo. Entramos fazendo o máximo de silêncio que podemos.
Fazemos as malas de Rodrigo e uma mochila separada para ele passar a noite na minha casa. Pegamos as coisas dele e caminhamos para fora da casa. Mas quando passamos pela sala de jantar meu padrinho nos chama.
–Onde vão?
Vejo os músculos de Rodrigo ficarem tensos e seus punhos se cerrarem. Entro em sua frente e digo:
–Para minha casa. Ele vai dormir lá para irmos para a viagem amanhã.
–Quem deu autorização para que ele possa dormir lá.
–Meus pais. –Digo. Ele limpa os cantos da boca com o guardanapo e ainda sem olhar para a gente ele diz:
–E que autoridade eles tem sobre meu filho.
–E que autoridade você tem de fazer o que você faz com o seu próprio filho. –Cuspo as palavras. Ele levanta os olhos devagar para mim. Sinto uma mão de Rodrigo em meu braço. A sala está em completo silêncio. Percebo que os meninos estão em posição de defesa, qualquer passo em falso de meu padrinho e os dois voariam nele e me tirariam dali.
Ele se levanta e diz.
–Muito obrigada, vocês acabaram com o meu apetite. Boa noite.
Ele sai da sala. Deixo meu maxilar e meus punhos relaxarem. Sinto Rodrigo fazer a mesma coisa e Davi suspira alto. Saímos o mais rápido possível e vamos para a minha casa.
Ficamos de bobeira no meu quarto e quando já está trade Davi vai para a casa dele. Eu e Rodrigo o acompanhamos até o portão de minha casa e ficamos olhando ele indo para a casa dele no final da rua. Entramos e ficamos conversando sobre o que aconteceu.
–Não devia te-lo desafiado daquele jeito.
–E ele não devia fazer o que faz com você.
Rodrigo suspira.
–Porque você deixa? Porque ele faz isso?
–Ele faz isso para me tornar mais forte.
–Isso não esta fazendo de você mais forte. Ou te fazendo respeita-lo. Só te faz temê-lo, e isso é errado.
–Eu deixo porque se eu não deixar algum dia ele vai acabar explodindo com outra pessoa. Tipo as empregadas, o Davi ou até mesmo você. E eu não perdoaria se isso acontecesse.
Sorrio e sinto algumas lágrimas se formarem.
–Não me importaria de tirar algumas delas de você e pegar para mim, desde que tirasse pelo menos um pouco da sua dor.
Ele limpa uma lágrima que escorre de meu rosto e me abraça.
–Obrigada por tudo.
Arrumamos as coisas e vamos dormir. Pego no sono rápido. Sonho que estou na pista de skate, ta toda a galera aqui. Me distraio e acabo caindo do skate Rodrigo vem correndo e me ajuda a levantar. Ele me leva até um banco e cuida do ralado no meu joelho. Depois disso viro para ele e digo:
–Obrigada amor.
–De nada minha linda.
E nos beijamos. Dá para acreditar? Eu beijando o Rodrigo? Eca. Ele é como um irmão para mim. Jamais pensaria nele desse jeito. E tenho certeza que ele também não pensa assim de mim. Nem ele nem Davi.
Acordo com o despertador e vou me arrumar. Me troco no banheiro enquanto Rodrigo faz o mesmo no quarto. Bato na porta do banheiro e digo:
–Já posso sair.
–Sim.
Ele grita de volta. Organizamos nossas coisas e descemos para tomar café. Conto para ele sobre o sonho.
–Não é estranho? Pensar um no outro dessa maneira. Chega até a ser nojento. –Começo a rir e digo. –Já imaginou eu e você namorando? Ia ser um desastre.
Ele não ri comigo. Na verdade ele parece meio chateado.
–O que tem de errado nisso? Porque é tão nojento?
–Você é quase meu irmão.
–E não seriamos tão ruins juntos.
–Sim seriamos. Em questão de relacionamento eu sou bem melosa e você não gosta disso.
–Eu podia me acostumar.
–Você é muito ciumento e eu também. E você tem muitas amiga e exs. E eu tenho muitos amigos.
O silêncio domina a sala. Davi entra e se senta conosco.
–Eai?
Ficamos em silêncio. Rodrigo parece um pouco bravo pelo o que falei.
–O que aconteceu?
Conto a ele sobre o sonho e sobre nossa conversa de agora a pouco. Davi parece ficar um pouco abalado com isso também.
–Você sonha muito em namorar o Rodrigo?
–O que? Não. Mas o que há de errado com vocês hoje?
Ficamos quietos e vamos para o carro. Quando chegamos na escola nos separamos, cada um foi para um grupo de amigos diferente. Entramos no ônibus e ficamos esperando ele dar partida. Eu me sento com Lyla e eles dois se sentam juntos e nos bancos atrás de nós.
Fico ouvindo musica em boa parte da viagem e na outra parte eu durmo. Paramos algumas vezes para comer e ir ao banheiro. Fico o tempo toda grudada em Lyla, os meninos só chegam perto e falam comigo algumas poucas vezes.
Ao chegarmos me surpreendo. Achei que seria bem menor e mais rústica. Mas não. É ainda mais bonita. Os instrutores nos levam para dar uma volta pela cidade. Entramos em algumas lojas e conhecemos mais sobre a história daqui.
Em uma das lojas encontro um vestido lindo. Pego ele para comprar e Rodrigo vem correndo em minha direção.
–Vamos? O grupo já está saindo.
–Quero comprar esse vestido.
–Esse? Credo, você já teve gosto melhor. Anda vamos logo.
Ele me puxa para fora da loja, deixando meu vestido para trás. Fico brava com ele por isso. Mas deixo passar.
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