Dear Life

6 I Will Stay With You


Notas iniciais
Tradução do titulo: Eu vou ficar com você. Não estou com criatividade para titulo nem nada. Mas tive que postar pq não postei nada essa semana. Me desculpem. Sei que esta meio parada, mas já já as coisas mudam.

Fecho a porta do quarto de Rodrigo e olho para Davi.

–Ele finalmente dormiu.

Davi esta com a expressão de horror e pena. Eu o abraço e sinto as lágrimas inundarem meus olhos novamente.

–Ele te falou o que aconteceu desta vez? –Pergunto e vejo o olhar de Davi ficar sem vida.

–Seu padrinho fez isso por que acha que Rodrigo é um covarde.

–Por que?

–Porque ele não teve coragem o suficiente para pedir para ir na viagem.

Sinto meu sangue ferver. Davi segura minha mão e diz:

–Não adianta nada ficarmos bravos agora. Não podemos fazer nada. Já tentamos antes e você se lembra o que aconteceu.

–É lógico que me lembro. Ainda tenho a cicatriz.

–Então, melhor deixar quieto. Só vamos tomar as devidas precauções para que não aconteça de novo.

Faço que sim com a cabeça. Fico imaginando como tudo aconteceu. Eles discutindo, ai meu padrinho perde a cabeça e... Meu Deus como um pai pode fazer isso com o próprio filho?

–Vou para casa. –Davi diz.

–Vou ficar. Quero ter certeza que ele vai ficar bem.

–Com isso você quer dizer, ter certeza que seu padrinho não o machuque de novo.

Faço que sim com a cabeça. Davi beija minha bochecha e vai embora.

Volto para o quarto e Rodrigo ainda esta dormindo profundamente, de barriga para baixo. Percebo que o pano úmido em cima de suas costas já está cheio de sangue devido aos ferimentos. Tiro o pano lentamente, o lavo, pego outro pano, limpo os ferimentos e depois os cubro de novo. Arrumo uma cama no chão ao lado de Rodrigo, me deito e espero o sono chegar.

Acordo com sons no corredor, olho no celular e vejo que são 2:30 da manhã. A porta do quarto se abre e vejo por debaixo da cama os sapatos de marca de meu padrinho. Me levanto em um pulo, e me coloco entre ele e Rodrigo.

Ele me olha com desprezo. Vejo seu punho se fechar lentamente. Um medo cresce dentro de mim, mas não me deixo levar. Ele suspira forte e sinto o cheiro de bebida. Torço o nariz e ele ri de deboche. Sem mais nem menos ele sai do quarto e fecha a porta.

Volto a respirar e meu coração relaxa. Ainda bem que ele foi embora, posso ter mostrado que defenderia Rodrigo até no fim do mundo, mas não sei o que eu faria se meu padrinho realmente fosse para cima de mim. Volto a me deitar e durmo.

Meu celular desperta e eu me levanto rapidamente. Rodrigo se assusta com o despertador e se senta rapidamente. Ele volta a deitar. Dou um beijo em sua bochecha e sussurro em seu ouvido.

–Tenho que ir para casa. Depois da aula eu volto. Vou trancar a porta com minha chave tá?!

Ele grui e eu rio. Saio tranco a porta e vou para minha casa. Me troco correndo, escovo os dentes, pego uma maça e desço. Vou para a escola com o coração a mil. Pensando o tempo todo como Rodrigo está.

Faço a prova rapidamente mesmo com a cabeça em outro lugar. Quando termino peço para ir ao banheiro. Ao chegar lá mando uma mensagem para Rodrigo.

“Já acordou? Como você está? Mais tarde vou ai.”

Em segundos ele me responde.

“Oi. Estou me sentindo melhor, estou terminando de tomar meu café da manhã. (dentro do quarto). Vou ficar te esperando ansiosamente.”

Relaxo um pouco e volto para a sala. Na hora do intervalo mal toco na comida, fico o tempo todo falando com Rodrigo no telefone. Davi tenta me forçar a comer alguma coisa, mas me recuso.

Voltamos para a aula e fico contando os segundos. O sinal finalmente toca e sou a primeira a sair da sala. Passo no armário, deixo minhas coisas e puxo Davi para ponto de ônibus. Quando entramos no condomínio apostamos corrida até a casa de Rodrigo, Davi ganha de mim.

Entramos no quarto e Rodrigo está no banho. Vamos em silêncio até o lado da porta do banheiro e esperamos até ele sair. Assim que ele abre a porta gritamos e o assustamos, o que o faz largar a toalha. Davi tampa meus olhos antes que eu veja qualquer coisa.

Enquanto nos xinga de tudo quanto é coisa, Rodrigo veste a roupa. Depois que ele já esta pronto Davi tira as mãos de meus olhos o que faz com que eu tenha um ataque de risos. Ficamos rindo por um bom tempo. As empregadas trazem almoço para mim e para Davi. Comemos enquanto atualizamos Rodrigo sobre as matérias do dia, e as lições de casa.

Me sinto tão envolvida nesse momento que quase me esqueço o que acontecera noite passada. Meu sorriso diminui e Rodrigo percebi.

–O que foi? –Ele pergunta.

–Como está suas costas? –Digo cautelosa. Ele sorri levemente para mim e vejo seus olhos brilharem.

–Esta ótima. Não precisa se preocupar, de verdade. Estou bem. Já passei por coisa pior, e você sabe disso.

–Mas ainda assim fico preocupada. Não quer ir ao médico?

–E arriscar ganhar mais dessas, não obrigada.

O abraço forte e sussurro em seu ouvido.

–Sinto muito, é minha culpa.

–Não é não.

–Eu te amo.

–Também te amo.

Volto para casa quando já é quase noite. Tomo banho arrumo minhas coisas, faço minha lição de casa, janto e vou dormir.

Tenho um sonho estranho. Sonho que meu pai está me levando até o altar e que o noivo, na verdade os noivos são Davi e Rodrigo. Meu pai me entrega para os dois e nós três nos casamos. Todos agem naturalmente, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo. Todos nossos amigos da escola estão aqui, nossos familiares e a vizinhança. Lyla me puxa de canto e sussurra.

–E ai já descobriu quem é?

–Não ainda não. O resultado sai amanhã. –Digo para ela.

–Mas você tem quase certeza de que é...

–Do Rodrigo. Mas lembra, eles não podem saber de nada. Tem que achar que foi aquela doença doida que inventamos.

Ela faz que sim com a cabeça e nós voltamos para a festa. Acordo com o despertador e antes que eu desligue, meu pai entra no quarto.

–Pode ficar na cama. Temos planos para hoje. Os meninos também vão.

Assinto com a cabeça e volto a dormir. Acordo tomo meu banho, me arrumo e vejo um bilhete do meu pai na escrivaninha.

“Querida, faça uma malinha. Vamos passar o dia na casa de praia da sua tia. Fui resolver umas coisas no escritório com sua mãe, mas já voltamos.

Te amo.

Pai.”

Sorrio com o bilhete e faço minha mala. Mando mensagem para os meninos que vem para minha casa tomar café da manhã comigo. Ficamos assistindo TV até meu pai chegar. Depois entramos no carro e vamos para a casa da minha tia.

Notas finais
Obrigada por lerem. Espero que tenham gostado. Posto outro amanhã. Bjuus!