Dear Hacker - Duskwood Continuation (Em Revisão)
61 O Desconhecido
Notas iniciais
Através daquele capuz, o homem sem rosto encarava Adie friamente, enquanto ela tentava se soltar. Depois de alguns segundos, ele pegou uma cadeira que estava próxima à mesa ao lado, a colocou de frente para ela e se sentou.
(Homem Sem Rosto) — Eu poderia ficar aqui a noite toda assistindo suas tentativas fracassadas de se soltar.
Adie parou de se sacudir e o olhou.
(Homem Sem Rosto) — Que tal fazermos um acordo? – Ele se inclinou para frente, escorando os cotovelos nas coxas e ficando mais próximo do rosto dela. — Digamos que… eu estou louco para ouvir sua voz, e se me prometer que vai se comportar, eu tiro a mordaça da sua boca. Mas, caso me prometa e tente bancar a esperta, insistindo em gritar, saiba que… – Ele tirou do bolso direito de sua calça uma arma. — Eu usarei um jeito diferente para te calar.
Adie arregalou os olhos.
(Homem sem rosto) — Então… – Ele endireitou o corpo, se recostando na cadeira. — Vamos lá… Se aceita minha proposta, concorde com a cabeça. Mas, se não, continue me divertindo com suas tentativas fracassadas de se soltar.
Adie respirava pesadamente e depois de alguns segundos, apesar do medo que sentia, assentiu com a cabeça.
(Homem sem rosto) — Ótimo. – Ele se levantou, guardou a arma no bolso de sua calça, desfez o nó da mordaça e a tirou da boca dela.
Estando livre da mordaça e com uma expressão de dor, Adie abriu e fechou a boca algumas vezes, alongando a mandíbula.
(Homem sem rosto) — É importante ressaltar que, se em algum momento você decidir gritar, estamos isolados o suficiente para que ninguém te escute e nem mesmo escute o som dos tiros que eu possa vir a disparar, ou seja, ninguém vai encontrar você aqui, estando viva ou morta.
(Adie) — E você deve estar muito feliz, não é mesmo? Depois de meses se divertindo enquanto fazia da minha vida um inferno, você finalmente conseguiu.
(Homem sem rosto) — Hum… – Ele voltou a se sentar. — Felicidade é uma palavra muito forte. Mas posso dizer que, finalmente, estou muito perto de conseguir o que quero.
(Adie) — E será que pelo menos você pode me dizer o que tanto quer de mim?!
(Homem sem rosto) — Ah, não se faça de inocente! Assim como eu sei muito bem quem você é, você sabe exatamente o que eu quero.
Ela franziu o cenho.
(Adie) — Não. Eu não sei do que você está falando.
Ele deu risada.
(Homem sem rosto) — Você pode até ser um gênio do mal e ter enganado o grupo por todo esse tempo, incluindo a polícia e aquele seu namoradinho estúpido, mas, comigo, não há porque fingir.
(Adie) — Eu não estou fingindo nada!
(Homem sem rosto) — Já parou para pensar como seu namorado vai ficar quando souber a verdade? Ele confia tanto em você, assim como todos do grupo, mas isso não foi o suficiente para você ser honesta com eles.
(Adie) — Ah, e quem é você para me julgar por alguma coisa?! Você é um idiota que cometeu um crime para fugir das consequências de outro!
(Homem sem rosto) — Diga o que quiser. Nada do que eu fiz se compara ao que você fez.
(Adie) — Eu não matei ninguém!
Ele deu risada.
(Homem sem rosto) — Você que pensa.
Adie bufou e desviou o olhar por um breve momento.
(Adie) — E então, era esse o plano? Me sequestrar e ficar aqui falando esse monte de merda?
(Homem sem rosto) — Claro que não! Você será a chave para a minha liberdade. Há uma pessoa disposta a pagar muito bem por sua cabeça.
Ela se surpreendeu, pois logo compreendeu de quem ele estava falando.
(Adie) — E-Está falando do…
(Homem sem rosto) — Sim! Ele mesmo.
(Adie) — Como você o conheceu?
(Homem sem rosto) — Isso não é da sua conta.
Ela desviou o olhar por um breve momento, inconformada, balançando a cabeça em negação.
(Adie) — Eu não entendo… O que eu fiz para você?! Eu só contei aos outros sobre seus crimes porque foi você mesmo que me pediu isso! E além do mais, eu acreditei que você tinha morrido naquela explosão. Eu… Eu sofri pela sua morte.
(Homem sem rosto) — Ah, pobrezinha. – Ele debochou.
Ela se irritou.
(Adie) — Sinceramente! Como eu pude me apegar a sua amizade?! Você é totalmente diferente do Richy que eu conheci! Você é um monstro e eu sou mesmo uma estúpida por acreditar no seu teatro! – Ela disse com raiva.
Ele deu risada.
(Homem sem rosto) — Eu sabia que em algum momento você diria isso, mas está na hora de entender uma coisa… – Ele se inclinou novamente para frente, escorando os cotovelos nas coxas e olhando-a bem de perto. — Nós nunca fomos amigos.
(Adie) — Ah, que novidade, Richard! Eu não tinha me dado conta. – Ela ironizou.
(Homem sem rosto) — Hum… – Ele deu uma leve risada. — Quanta coragem de debochar de mim, estando totalmente vulnerável.
Ela continuou encarando-o com raiva, sem intimidação.
(Homem sem rosto) — Quer saber? Me cansei de ficar aqui. – Ele se levantou. — Essa cadeira é extremamente desconfortável, não acha?
Ela revirou os olhos e desviou o olhar.
(Homem sem rosto) — Está uma noite linda e estrelada lá fora, e ainda bem que eu posso me levantar e sair para apreciá-la. – Ele se virou, seguiu até a porta e saiu.
Adie o seguiu com os olhos e quando ele fechou a porta, ela bufou e voltou a tentar soltar as mãos, fazendo uma expressão de dor.
A madrugada havia chegado e, na casa dos amigos, Jake continuava sentado em frente ao seu computador, encarando a medalha de Adie, que segurava com sua mão direita. Pela primeira vez, mesmo possuindo uma inteligência superior a maioria, ele não sabia o que fazer. A ausência dela lhe tirou todas as perspectivas e lhe trouxe uma sensação de vazio inquietante. Adie era seu ponto fraco, o ponto que tinha a capacidade de fazê-lo se encontrar, assim como se perder completamente. Em certo momento, os pensamentos inquietantes de Jake foram interrompidos pelo som de batidas na porta e ele logo olhou em direção, mas, depois de alguns segundos, voltou a olhar para a medalha que segurava. Ele simplesmente não se permitiu iludir e acreditar novamente que pudesse ser ela, embora isso fosse o seu maior desejo. Depois de alguns segundos, a pessoa bateu quatro vezes na porta novamente e uma voz soou de fora:
(Hannah) — Jake, abre, por favor. Eu tenho que te contar algo sobre a Adie.
Jake logo olhou em direção a porta novamente e se levantou. Ao abrir a porta, a expressão de Hannah era de tristeza e mesmo que sendo frio para detectar emoções, ele se preocupou.
(Jake) — Onde ela está? Diga que… que ela voltou com vocês.
Hannah suspirou e ficou cabisbaixa por um breve momento.
(Hannah) — Bem… Nós… nós encontramos o carro dela no estacionamento da delegacia e, por uns instantes, ficamos tão aliviados. Mas quando entramos na delegacia e perguntamos por ela, eles disseram que ela não estava.
Jake suspirou e desviou o olhar.
(Hannah) — Apesar dessa informação, insistimos em falar com o delegado e… – Ela ficou cabisbaixa.
Jake voltou a olhá-la.
(Jake) — E o que ele disse?
Hannah respirou fundo e voltou a olhá-lo.
(Hannah) — Que ela sequer apareceu hoje para acompanhá-lo ao interrogatório.
Jake franziu o cenho, intrigado.
(Hannah) — E por conta da ausência dela, o delegado Blommgate decidiu vir até aqui, mas no meio do caminho, ele encontrou o carro dela, estando com a porta aberta, com a chave e com… uma mala.
Ele ficou surpreso.
(Jake) — O-O quê?!
(Hannah) — E além da mala, havia uma passagem aérea, com destino a Washington, Estados Unidos.
Estando com os olhos arregalados, a respiração de Jake ficou acelerada e ele desviou o olhar, estando completamente chocado.
(Jake) — E-Ela ia embora… sozinha?
(Hannah) — Eu estou tão confusa! Eu simplesmente não sei o que pensar sobre isso. Porque ela iria embora sem nos dizer nada?
Ele voltou a olhá-la.
(Jake) — Isso não importa! Se o carro e os pertences dela foram encontrados, o que aconteceu com ela?! E-Eu só preciso saber onde ela está. – Ele passou as mãos no rosto, aflito.
(Hannah) — Infelizmente, nada se sabe sobre isso, mas o delegado, juntamente com o policial Brandon estão investigando.
(Jake) — Eu não posso ficar aqui parado, esperando por eles! – Ele se virou, entrou no quarto e tentou fechar a porta, mas Hannah impediu.
(Hannah) — Ei!
Ele a olhou.
(Hannah) — Eu entendo que esteja desesperado por respostas, mas não aja por impulso.
(Jake) — Eu preciso fazer alguma coisa!
(Hannah) — Todos nós gostaríamos de fazer algo, mas estamos de mãos atadas. Portanto, tudo que nos resta, é esperar que a polícia trabalhe.
(Jake) — Não! É impossível esperar! Você não entende que ela pode estar em perigo?!
Ela o segurou pelos ombros.
(Hannah) — É claro que eu entendo! Mas você ainda é procurado pelo governo e é exatamente por isso que não vou permitir que você perca a cabeça e aja sem pensar! Apenas tenha em mente que quando ela voltar, ela precisa que você esteja aqui.
Estando com a respiração acelerada, os olhos de Jake marejaram e Hannah o abraçou.
(Hannah) — Você não está sozinho, Jake. Nós vamos encontrá-la, juntos.
De início, ele permaneceu com o olhar distante e resistiu ao abraço de Hannah por alguns instantes, até que fechou os olhos e a correspondeu, mesmo que não fosse na mesma intensidade.
(Jake) — Por favor… – Ele a soltou e se afastou. — Me deixe sozinho.
Ela o olhou com pesar.
(Hannah) — Tudo bem. Mas se precisar de algo, me mande uma mensagem.
Ele assentiu com a cabeça e em seguida, Hannah se virou e saiu do quarto. Após a porta ter sido fechada por ela, Jake se aproximou da cadeira em frente ao seu computador, se sentou, escorou os cotovelos na mesa e tapou o rosto com as mãos. Naquele momento, muitas perguntas surgiram e ele não sabia o que fazer para encontrar respostas. Depois de alguns instantes, ele destapou o rosto e pegou a medalha de Adie, que estava sobre a mesa, voltando a encará-la.
(Jake) — Porque você decidiu partir sem mim? Porque… – Os olhos dele marejaram. — Sinceramente… Não me importam as razões. Eu só preciso que você apareça… Por favor. – Ele suspirou.
Enquanto estava perdido naquele turbilhão de questionamentos e emoções, um breve som familiar surgiu em seu computador. Era o som de um novo email sendo recebido, o que o fez olhar imediatamente para a tela. Em seguida, ele deixou a medalha sobre a mesa e clicou na aba de seu email. Ao ver que o email se tratava de um arquivo de vídeo enviado por um contato anônimo, ele se intrigou. Porém, o título, que era 3.K.1., lhe chamou a atenção e, mesmo receoso, ele clicou naquele vídeo, que logo iniciou a reprodução. Estando completamente intrigado, Jake assistiu a contagem de 3 a 1, a imagem da cadeira e o aparecimento daquela pessoa encapuzada e mascarada, até que a mesma começou a falar e logo se apresentou.
(Voz modificada por VoiceMod) — Antes que eu conte o que fiz por vocês, devo me apresentar. – Aquela pessoa suspirou. — Aqui quem vos fala é Kalih e... – Aquela pessoa abaixou a cabeça por um breve momento, abaixou o capuz e começou a tirar a máscara de seu rosto. — E esse é o meu rosto.
Ao ver aquele rosto, os olhos azuis de Jake ficaram esbugalhados e sua respiração ficou acelerada. Sua expressão era totalmente abismada, desacreditada, perplexa e, no vídeo, Kalih começou a apresentar provas irrefutáveis de sua responsabilidade no plano dos hackers. Naquele momento, Jake começou a tremer e a cada palavra que ouvia, uma sensação de enjoo começou a tomar conta de seu estômago, o que o fez tapar a boca imediatamente, se levantar e seguir apressadamente até o banheiro. Ao chegar lá, ele abriu a tampa do vaso e vomitou e em seguida, tossiu algumas vezes, respirando pesadamente e apoiou as mãos na caixa de descarga, estando atordoado.
Enquanto isso, naquela madrugada, Adie fechou os olhos e respirou fundo, tentando suportar toda dor e incômodo que lhe acometia. Naquele momento, seus pensamentos foram direcionados a Jake, como se ela conseguisse sentir que ele estava passando por alguma situação extremamente difícil.
(Adie) — Jake… Eu preciso tanto de você! Será que algum dia nos veremos novamente? – Ela abriu os olhos, que estavam cheios de lágrimas.
Naquele momento, depois de alguns minutos do lado de fora, o homem sem rosto retornou para dentro da cabana e ela logo o olhou.
(Homem sem rosto) — Pelo visto, você já se conformou com sua nova realidade.
Ela desviou o olhar e suspirou.
(Homem sem rosto) — Você faz bem, porque, a partir de agora, é impossível mudá-la. – Ele caminhou em direção ao cômodo do lado.
(Adie) — Ei, será que você poderia me dar um pouco de água?
Ele parou e pensou por alguns segundos, até que voltou a caminhar em direção ao outro cômodo. Acreditando que teria seu pedido ignorado, Adie suspirou e fechou os olhos, mas depois de alguns segundos o homem sem rosto retornou, segurando uma garrafa de água mineral. Ela logo o olhou, levemente surpresa, e ele abriu a garrafa e a aproximou, para dar água na boca dela, mas Adie hesitou beber.
(Adie) — Será que você pode pelo menos me desamarrar para que eu possa beber sozinha?
(Homem sem rosto) — E você pensa que eu sou idiota para fazer isso?
(Adie) — Qual é?! Eu juro que não vou tentar fugir.
(Homem sem rosto) — Sem chance. Ou bebe assim ou ficará com sede.
Ela o encarou por alguns segundos, até que bufou.
(Adie) — Tudo bem.
Ele colocou o bico da garrafa na boca dela e depois de ela ter bebido metade da água e demonstrado estar satisfeita, o homem sem rosto afastou a garrafa e a tampou.
(Homem sem rosto) — É… Você estava mesmo com sede. – Ele foi até o cômodo ao lado.
Mesmo depois de ter matado sua sede, Adie continuava com uma expressão que indicava extremo incômodo. Depois de alguns segundos, o homem sem rosto retornou, olhando-a.
(Adie) — Por favor… Afrouxe as cordas que estão prendendo minhas mãos. Elas estão me machucando.
(Homem sem rosto) — Ah, pobrezinha! – Ele debochou. — Sabe… – Ele se sentou de frente para ela. — É intrigante como que pessoas que fazem o mal sem olhar a quem, sejam tão intolerantes à dor. Não seria isso hipocrisia?
Ela o observou por alguns segundos, com raiva.
(Adie) — Você pode responder sua própria pergunta.
(Homem sem rosto) — Mas eu quero ouvir a sua resposta.
(Adie) — Hum… Acho que acabo de compreender uma coisa. Essa hipocrisia foi o que fez você ser tão covarde e evitar a todo custo pagar por seus erros, não é? Afinal, machucar quem te ama, é mais fácil do que suportar as consequências de suas ações mal pensadas.
O homem sem rosto a encarou por alguns segundos.
(Homem sem rosto) — Não mude o foco para mim. Nós não somos iguais.
(Adie) — É óbvio que não somos. Eu posso até ser covarde por nunca ter contado a verdade para as pessoas à minha volta, mas, pelo menos, eu parei de errar e tentei consertar as coisas, mesmo que tenha sido de uma forma ineficaz.
(Homem sem rosto) — E olha onde você está agora. Valeu a pena?
(Adie) — Ah, como se você estivesse no topo! Você sequer pode encarar as pessoas que te amavam e vive escondido.
(Homem sem rosto) — Já chega! Acho bom você não continuar falando dessa maneira com alguém que pode estourar seus miolos a qualquer momento.
(Adie) — Hum… – Ela esboçou um sutil sorriso. — Isso quer dizer que eu toquei em um ponto fraco.
(Homem sem rosto) — Isso quer dizer que se você não calar a boca, eu vou acabar com você. – Ele tirou a arma do bolso.
(Adie) — Sinceramente, na situação em que eu estou, você estaria me fazendo um grande favor. Me manter presa, ter uma arma e me ameaçar com ela, não te faz superior. Na verdade, isso só mostra que, mesmo sendo um homem, você continua agindo como um menino. Um menino que não tem a mínima capacidade de assumir suas responsabilidades. E o que destaca ainda mais a sua covardia, é o fato de ter feito apenas vítimas mulheres. Hum… – Ela deu uma leve risada, balançando a cabeça em negação. — Há quem ainda insiste que as mulheres são o sexo frágil, mas você é a prova de que nem sempre isso é verdade, pois entre eu e você, adivinha quem é um bunda mole?
(Homem sem rosto) — CALA A BOCA! – Ele se levantou de forma abrupta e deu um tapa no rosto de Adie.
Ao receber o golpe, ela ficou com o rosto virado por alguns segundos, até que voltou a olhá-lo, estando com sangue saindo pelo canto de sua boca.
(Homem sem rosto) — Já chega! Que se dane essa merda toda! – Ele destravou a arma e apontou para a cabeça de Adie.
Estando prestes a apertar o gatilho, o homem sem rosto parou ao ouvir a porta da cabana sendo aberta.
(Desconhecido) — Ei! O que pensa que está fazendo?! – Ele, que também usava os trajes do homem sem rosto, caminhou apressadamente até eles, mesmo que tivesse uma certa dificuldade para andar. — Abaixe essa arma!
Naquele momento, Adie ficou extremamente surpresa.
(Desconhecido) — Eu disse para abaixar essa arma!
Respirando pesadamente, o homem sem rosto abaixou a arma e o desconhecido olhou para Adie por um breve momento, notando o sangue que saía da boca dela.
(Desconhecido) — Porque machucou ela?! Eu disse para não encostar nela! – Ele empurrou o homem sem rosto, que o olhou furioso.
(Homem sem rosto) — Acontece que ela fala demais!
(Desconhecido) — Você estava prestes a atirar nela, ignorando as ordens que recebemos! – Ele o pegou pelo colarinho. — Você é mesmo um imbecil!
(Homem sem rosto) — Me solta! – Ele empurrou o desconhecido. — Se queria gentileza, porque não ficou aqui com ela?
(Desconhecido) — De agora em diante será assim! Você vai ficar do lado de fora, vigiando as redondezas.
(Homem sem rosto) — Olha só! Finalmente chegou o momento de você ser útil para alguma coisa, já que, até agora, apenas eu fiz o trabalho sujo!
(Desconhecido) — Pelo visto, além de imbecil, você tem a memória muito fraca. Já se esqueceu que se não fosse por mim, você ainda estaria na cadeia? Além disso, você está tendo uma chance única de conseguir dinheiro para desaparecer do mapa.
Adie intercalava seu olhar entre os dois, estando completamente abismada.
(Homem sem rosto) — Mas eu estou cansado de obedecer suas ordens!
(Desconhecido) — Ah, tudo bem. Sendo assim, basta apenas uma denúncia anônima para que você volte para a prisão. E não se esqueça que, com a cópia dos documentos do seu carro e com as peças sujas de sangue que eu guardei do mesmo, posso incluir na sua ficha criminal o assassinato de Jeniffer Hanson.
Estando furioso, o homem sem rosto permaneceu encarando o desconhecido, até que bufou.
(Homem sem rosto) — É melhor que essa merda acabe logo, antes que eu perca minha paciência. – Ele caminhou em direção a porta e saiu da cabana.
Após ele fechar a porta de forma brusca, o desconhecido voltou seu olhar para Adie.
(Desconhecido) — Oi… Eu lamento muito por ele ter feito isso com você.
Ela o encarava estando assustada e, ao mesmo tempo, intrigada.
(Desconhecido) — Eu sei que você tem motivos de sobra para me odiar, mas não precisa ter medo de mim.
(Adie) — Primeiramente, quem é você?
O desconhecido a observou por alguns segundos, parecendo se intrigar.
(Desconhecido) — Ah, que distraído eu sou. Eu me esqueci que você não me reconheceria de máscara. – Ele deu uma leve risada. — Só um segundo. – Ele começou a tirar a máscara, até que revelou o seu rosto.
Ao ver aquele rosto, Adie arregalou os olhos.
(Adie) — R-Richy?!
(Richy) — Sim… – Ele esboçou aquele doce sorriso. — Sou eu.
Adie ficou boquiaberta e seus olhos marejaram.
Na casa dos amigos, Jake estava sentado em sua cama, com o olhar distante. Por tanto tempo, ele procurou saber quem era o principal responsável por sua vida limitada, mas agora que soube, a sensação era de que o mundo havia desabado sobre sua cabeça. Ele se sentia perdido, completamente paralisado diante daquela verdade que, por mais complexa que fosse, precisava ser aceita. Enquanto perdido dentro de si mesmo, uma mensagem chegou no chat de seu celular, que estava sobre a cama e, ao notar a tela acender, ele olhou em direção, vendo que quem o contatava era Private. Ele encarou o celular por alguns segundos, pensativo, até que o pegou e abriu o chat.
CHAT:
Private
(Private) — Jacob…
(Private) — Precisamos conversar.
(Private) — Eu também recebi o vídeo.
(Private) — Assim como também já soube que ela desapareceu.
Jake apenas olhava as mensagens chegando e sequer conseguia digitar uma resposta.
CHAT:
Private
(Private) — Eu sei que está aí. Por favor, responda!
Jake digitou e apagou mensagens algumas vezes.
(Private) — Tem algo que você precisa saber e que pode mudar o seu conceito sobre o que você acabou de descobrir.
(Jake) — Apenas me diga uma coisa…
(Jake) — Você sabia de tudo desde o princípio?
Private digitou e apagou mensagens algumas vezes.
(Private) — Sim…
(Private) — Mas existe uma razão muito específica para que eu não tenha lhe contado nada.
Jake bufou.
(Jake) — As suas razões não me interessam!
(Jake) — Pelo visto, eu fui o único dessa história que foi feito de idiota.
(Private) — Jacob, antes que você pense qualquer coisa, permita que eu lhe conte o que há por trás de toda essa história.
(Private) — Obviamente, eu não falarei disso por aqui, portanto, peço que me encontre em alguns minutos.
Jake se intrigou.
(Jake) — Isso quer dizer que você está em Duskwood?
(Private) — Sim, estou. A muito mais tempo do que você imagina.
Jake ficou surpreso, boquiaberto.
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