Dear Friend
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Se já viram essa one-shot no Social Spirit: é minha. Só estou postando aqui agora.
Estava frio. Um frio congelante, acompanhado de uma chuva forte. Era uma noite assustadora para aquele pequeno ser. Mal conseguia andar, então decidiu se encostar em uma pedra. Encolheu-se e se enrolou com sua cauda na tentativa de se esquentar. Sem sucesso. Era apenas um pequeno exceed, afinal.
Sua coloração verde, os olhos grandes e o fato de andar com apenas duas patas foram motivos para os garotos da rua "brincarem" com ele de uma maneira exagerada. Apertavam suas bochechas e orelhas com força, tentavam arrancar seu pelo à todo custo apenas para mostrar aos outros depois... E agora, lá estava ele, sofrendo em silêncio.
Aos poucos a chuva foi cessando, mas o frio continuou. E estava ainda pior, uma vez que ele ficara completamente ensopado. Queria estar em algum lugar quente, com comida e água. E, principalmente, com alguém que não o visse como brinquedo.
- O que está fazendo aí?
A voz vinha claramente de um garoto. Estava perto, mas o pequeno não conseguia enxergá-lo. Não demorou muito para um menino de cabelos negros chegar perto dele com um guarda-chuva.
- É melhor sair daqui — disse ele.
Ah, claro... Não seria tratado como um brinquedo. Seria expulso. Provavelmente entrou em um terreno sem perceber. Estava escuro demais para ver. Seus olhos estavam cansados. Seu corpinho gritava por conforto. E quando seu único conforto é uma pedra molhada, é expulso de lá.
-... Sente muito...
- Quem sente muito?
- Não tem nome...
Só então o garoto percebe que o gato estava falando de si mesmo. Achou graça e deu uma leve risadinha.
- Vem comigo. Você não pode ficar sozinho aqui.
O exceed levantou seus olhos grandes e levemente avermelhadospara finalmente encará-o. Tinha cabelos negros e olhos vermelhos. No rosto, o sorriso mais gentil que já vira. Os únicos sorrisos que havia visto até então eram repletos de maldade. Foi pego no colo com muito cuidado e levado para uma pequena casinha muito aconchegante. Ficou deitado em uma almofada a frente de uma fogueira, aproveitando o calor.
- Aqui — o garoto voltou com uma toalha para secá-lo. Assim que terminou, continuou: — Eu tenho uma roupinha aqui. Acho que serve em você. Espera aí.
Adentrou um quarto e logo voltou com uma pequena fantasia de sapo rosa. Contou que ele e seu irmão haviam costurado para outro exceed, mas o mesmo não gostou da roupa e resolveram guardar. Ao contrário dele, o gato verde aceitou.
- Ficou fofo — riu mais um pouco. — Meu nome é Rogue. Rogue Cheney. Quer ficar aqui, comigo?
- Quer!!
- Então vou te chamar de... Frosch! Pra combinar com sua roupa! Gostou do nome, Fro?
- Fro gostou!
Não hesitou em pular no colo de Rogue para um abraço.Finalmente! Alguém que o tratasse como um ser vivo e não um objeto! Alguém que com certeza não tentaria arrancar amostras de seu pêlo para mostrar aos outros, nem puxaria suas orelhas, nem cutucasse seus grandes olhos apenas por "diversão".
------
Tinha que ser rápido. Precisava evitar que o pior acontecesse. Não teria medo de entrar no cenário da luta para defendê-lo. Ele, que salvou sua vida. Era sua hora de salvar a vida dele.
"É verdade. Fro é meu amigo."
- Fro é amigo de Rogue... — Murmurava enquanto corria até o local. — Fro não pode deixar Rogue morrer...
Era o último dia dos Grandes Jogos Mágicos. As equipes se espalharam pela arena. O confronto de seu amigo foi justamente com seu alvo: Gajeel Redfox. O Dragon Slayer de Ferro se tranformou em Dragon Slayer de Ferro e de Sombras e pareceu perder o controle por um momento. O mago da Sabertooth poderia morrer se ele não tivesse finalizado ali.
- Pare!! — O pequeno chegou no final da luta e se pôs a frente do amigo. — Assim o Rogue vai morrer! Pare!!
- A luta já acabou. Não vou fazer mais nada.
Frosch agradeceu mentalmente e se virou ao rapaz.
- Rogue!! Rogue!!
- Frosch... Por que está aqui?
- Fro ficou preocupado — o gato de pelagem esverdeada não conseguia segurar suas lágrimas. — Você podia ter morrido, Rogue!
- Você se arriscou muito vindo até aqui — deu um singelo sorriso. Provavelmente era a boca era um dos únicos músculos que podia mover naquele estado. — E se fosse atingido?
- Frosch ainda te protegeria — afirmou, para a surpresa do Dragon Slayer das Sombras. — Porque você salvou Frosch antes... Iria te salvar também.
- Não precisa se arriscar tanto para isso, Fro...
- Não!! Fro não quer te perder de jeito algum!!
Foi a vez de Rogue deixar algumas lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Levantou seu braço lentamente até ele e o puxou mais mais perto de si. O exceed, por sua vez, afundou sua cabeça no corpo do amigo. De seu salvador. Do motivo de ele ainda estar vivo.
- Eu nunca vou te deixar sozinho, ouviu? É uma promessa.
- Fro também promete que nunca vai sair do lado deRogue!
Fale com o autor