Dear Diary - Anne Roberts
11 Guerra Fria
Notas iniciais

Eu certamente nunca me senti daquela maneira antes, era como se eu estivesse mais leve, as coisas perdiam a forma vagarosamente. Enquanto eu ouvia alguém chamar pelo meu nome.
– Anne! Você está bem?
Nikola parecia repetir aquela mesma frase há tempos. Seu semblante preocupado não negava que minha tontura estava nítida em meu rosto. Piscava os olhos constantemente, afim de que a imagem do loiro tomasse forma, aos poucos eu voltava a mim enquanto ele me arrancava do meio de tanta gente com certa pressa agarrando firme meu braço.
As luzes continuavam piscando e o som alto atrapalhava meu raciocínio, quando dei por mim já estávamos indo em direção as mesas onde as pessoas desanimadas e cansadas ficavam, não demoramos notar Jullie com uma amiga de classe, sentadas beliscando alguns petiscos, a garota tinha longos cabelos negros e seus olhos eram grandes e azuis, sua pele pálida tinha contrate perfeito com os fios.
– Anne, você está bem? – Jullie perguntou preocupada quando notou Nick praticamente arrastando-me pelo braço.
– Uma tontura. Apenas.
– Espero que seja apenas isso mesmo. – falou Nick
Ele passava a mão pelos meus fios de cabelo, eu já não me sentia tão aérea. Deitei minha cabeça em seu peitoral recebendo o carinho. O gesto dele, a maneira como ele falava, eu me sentia segura. Suspirei fundo dando-me de conta de onde eu estava, passei a vista pela mesa e percebi que faltava alguém, também notei grandes olhos azuis fitando-me, observando cada gesto recebido por mim, senti-me “ameaçada” pela estranha que tinha aparência familiar, afastei-me de Nick.
– Onde está James? – perguntei.
Jullie olhou para Nikola desconfortável, colocando algumas mechas de cabelo para trás da orelha, ela receou responder, a principio eu não entendi o porquê.
– Está com minha irmã. – a estranha disse com tom de superioridade – estavam se dando muito bem, nos deixaram aqui há algum tempo. Você tem um belo irmão querida.
Querida? E o que James está fazendo com a irmã dessa garota? Eu estava me controlando para não marcar o rosto dessa desconhecida, porém meus pensamentos praguejavam o dia de seu nascimento, o que essa garota quer com meu James?
– O que estão fazendo? – a raiva do loiro transparecia sem teatro, confesso que aquilo me incomodou. Certamente a irmã da estranha era Cat, matei a xarada sem muito esforço.
– Nikola...
– Jullie, onde eles estão? – o garoto repetiu nada satisfeito.
– Nikola, não vai fazer besteira... – a garota de cabelos escuros parecia preocupada.
Nikola fitou a irmã como se quisesse arrancar a resposta da garota, enquanto ela tentava explicar sem descontrolar o loiro, e aquilo só fazia com que minha raiva ficasse maior. Nikola não fingiu em nenhum estante não estar se importando, muito pelo contrario, ou seja, Cat ainda mexia com ele, é claro, e agora ela esta com James. Os piores pensamentos invadiam a minha mente, mas eu não podia vacilar. Todos acham que sou irmã de James, ninguém além de Nikola sabe de nosso caso, eu não era tão idiota para por tudo a perder, mas aquilo estava me matando. Dei as costas para eles para não olharem as lágrimas que escorregavam minha face, eu não queria explicar de onde vinha tanto ódio.
Eu encarava a areia pisada por toda aquela gente, pessoas levando pouco de seus grãos em seus calçados sem nem perceber. Meu coração estava sendo pisoteado daquela mesma maneira, e James esta levando migalhas dele sem perceber, e o pior, Nikola também estava contribuindo.
Levantei a vista e suspirei fundo, poucos segundos antes de meu mundo desabar. Meus piores pensamentos estavam bem na minha frente, a poucos metros de mim. Tudo de pior que eu imaginei estava ali, era real. James agarrava a loira, apalpava seu corpo como se não houvesse ninguém mais, além deles no ambiente. Mais sacana ainda era a idiota de voz aguda que retribuía todos os seus amassos. O chão sumiu e, depois daquele “refrigerante” eu parecia mais frágil.
Lágrimas e mais lágrimas, a dor era incontrolável. Aquela foi a primeira vez que eu havia sentido aquilo. Eu não queria acreditar que era mesmo verdade, se alguém me contasse juro que faria de tudo para não acreditar que tudo o que James disse sempre foi mentira. Juro que se eu pudesse apagar isso e continuar em minha confusão, eu apagaria. Juro que preferiria não saber ao certo se o queria ou não do que ter certeza que o quero, mas não podemos ficar juntos. Porque a gente só aprende quando perde? Mas, o que eu perdi se na verdade eu nunca o tive? Na verdade eu nunca o conheci, pois o James que eu achava que amava não seria capaz de causar tamanho sofrimento em mim. Ele quebrou sua promessa, ele disse que cuidaria de mim.
Eu corri o mais rápido que pude para a praia, para longe de todos, não esperei ninguém me ver cair. O vento forte levava meus cabelos, meu vestido, minhas lágrimas, mas o vento não podia levar minha dor. Naquele momento eu não conseguia pensar em nada concreto, porque parecia que tudo tinha sido mentira. Parte de minha vida tinha sido uma ilusão. Nunca imaginei que logo James mentiria tanto para mim.
Quando eu já havia tomado uma boa distancia, ajoelhei-me na areia húmida levando minhas mãos até o chão apoiando minha cabeça nelas. Chorar não estava sendo suficiente para cessar, eu só queria que tudo acabasse. Eu só queria que parasse de doer à ferida invisível. Gritos finos eram emitidos por mim como se eles pudessem aliviar algo, mas não, essa ideia também era ilusão. Eu não queria mais ir embora dali, na verdade eu desejava ir com as ondas, eu não queria mais voltar. Se ele pudesse ao menos dizer “Esqueça tudo, estou arrependido. Eu vou lutar por nós”, mas ele não pode, ele não deve.
P. D. V. James
Monstro, você merece!
Nikola socava meu rosto, e eu descontava toda a raiva que eu sentia de mim agredindo o Mauricinho de meia tigela.
As garotas gritavam para que a briga acabasse, elas estavam apavoradas, e não estavam erradas, com toda a raiva que eu estava sentindo com certeza eu era capaz de mandar Nikola para o inferno.
Não demorou até que seguranças da festa nos afastassem, mas mesmo assim deixei o rosto do loiro cheio de hematomas, confesso que eu já queria ter feito isso há algum tempo.
– Quer dizer que ainda ama a ex? – provoquei ainda sendo agarrado por dois homens de estatura forte, pareciam lutadores de boxe.
– Idiota!
Nikola gritava, cheguei a sentir pena do imbecil, racionalmente ele não merecia tudo o que eu estava fazendo. Para livrar Anne de dores maiores acabei machucando gente demais. Ela deve estar me odiando, mas foi necessário. Pior ainda quando ela souber que... Não, há pouco tempo eu queria que ela soubesse, hoje é melhor não. A loira de olhos azuis gritava implorando perdão, mas o loiro estava com a atenção toda para mim fazendo, assim como eu, um esforço tolo de se livrar dos seguranças para continuarmos nos agredindo.
– Acho bom os dois se controlarem ou vamos retira-los da festa! – um deles disse com voz ameaçadora.
Fiz um esforço colossal para relaxar os músculos, e o loiro aos poucos parecia mais controlado enquanto os homens nos soltavam.
– Agora não banquem mais os engraçadinhos! – disse um deles afastando-se de nós com olhares de malfeitores.
O povo todo encarava, e eu nem havia notado em alguns tiravam fotos. Aquilo me irritou.
– Nikola, por favor, me perdoa!
Cat dizia chorosa, praticamente se arrastando aos pés do idiota. Ele a encarava confuso, não sei se estou tendo ilusões, mas acredito que ele chorava.
– Sério Nick, eu só queria chamar sua atenção, eu só queria que você voltasse. Eu tenho sofrido muito, você me conhece, sabe da minha vida, não pode me abandonar.
– Para com isso Cat! – disse Bonnie Benson, puxando a garota pelo braço – homem nenhum merece o que você está fazendo!
A loira continuou a encarar o mauricinho, mas agora com outra postura enxugando as lágrimas com força.
– Você está certa, Bonn. Homem nenhum merece essa humilhação. — disse a garota saindo com irmã gloriosamente balançando os cabelos compridos ignorando o resto das pessoas, inclusive eu.
Nikola abaixou a cabeça e sua irmã se aproximou devagar lhe abraçando delicadamente. O garoto hesitou pouco, mas retribuiu a abraçando forte. Ele se entregou ao choro sem se preocupar com as pessoas que ainda assistiam a cena. Eu me senti um lixo, eu precisava ir para casa de Emm, eu precisava descarregar.
Monstro, você é um monstro!
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