Notas iniciais
Oi gente, capítulo novinho pra vocês, mas... Primeiro os agradecimentos! Agradecimento mais que especiais a Clara Avelino, Mirella Everton, Aniinha Melo, Anily Spark e Katherine Petrova Cipriano por favoritarem minha história, obrigada meeeesmo meninas! Agora segurem ai mais um capitulo, Lets'go! - Capítulo passado Benson se irrita por terem destruído o vestido que iria usar para representar Julieta e põe a culpa do desastre em Anne. Nikola discute com Cat e termina o namoro. Família de Anne vem ver a peça e uma surpresa a deixa completamente confusa.

O que dizer? O que pensar, quando tudo o que você quer e tudo o que você não pode ter esta bem na sua frente? O que fazer quando você quer fazer uma coisa que não pode fazer?... Quem é você? Os pensamentos passeavam desorganizadamente em minha mente, James estava ali na minha frente e a poucos centímetros de mim, em seu rosto existia um sorriso tímido se formando, aquele sorriso que eu tanto amei... o meu sorriso. Em seu semblante não existia remorso por ter me ignorado por semanas me deixando sem solo firme para caminhar e sem pensamentos concretos, pelo contrario, ele parecia estar feliz em me ver, mas para mim, aquilo não tinha muito sentido, eu merecia uma explicação por sua ausência... Explicações, explicações! Sabe o que eu queria mesmo? Eu queria abraça-lo, sentir aquele cheiro que me tranquilizava. Envolver meus braços naquele ser e sentir que estava abraçando o mundo. Eu sabia que por míseros minutos eu seria feliz, mesmo que depois ele sumisse e me deixasse novamente a mingua... mas o que diabos eu estou pensando? James é meu irmão, porque eu não consigo aceitar isso como eu sempre aceitei? Anne, com ele que você sempre brincou a vida inteira e dividia o ultimo pedaço de bolo de fubá que sua mãe fazia. Ah meu Deus, será que eu enlouqueci?

– Você não me vai da um abraço? – Bastou ouvir aquela voz para que todos os sons gritantes me abandonassem, e lá estava eu, sozinha, sem vozes, sem lágrimas, sem sorrisos, sem nada! Todos os meus sentidos me abandonaram. Eu não conseguia, nem que quisesse, dizer nenhuma palavra, fracamente nem sei como ainda permanecia ali, de pé. Ainda abri a boca na intenção de dizer algo, mas eu estava muda, o que estava acontecendo comigo? Não sei se sentia raiva ou felicidade por ele estar ali. Não sei se dizia “o que esta fazendo aqui?” ou “que bom te ver aqui!”, precisava que alguém me ajudasse a fugir... fugir de mim.

– Vejo que já se encontraram. – salva pelo gongo, era Em — Esqueci-me de te dizer que James veio junto com seus pais para ver a peça. – disse ela entrando na cozinha e pegando pratos para James e eu. Mas como assim ver a peça? Quando olhei para a plateia (no final da apresentação) só vi meus pais e a tia Em, James não estava lá. – ficou um silêncio tão grande aqui que resolvi vim ver o que estava acontecendo, achei que fosse ouvir gritinhos de felicidades, afinal, você perguntava por James todos os dias. – Ele sorriu, e, não sei por que, mas aquele comentário fez minhas bochechas corarem e eu já não achava que estava mesmo sendo “salva”.

– Então você perguntou por mim todos os dias Anne? – ele sorria de canto e seus olhos procuravam os meus que fugiam feito criminoso da policia do jeito que podiam.

– Então nossos pais não te deram meus recados? – retruquei, uma brisa de raiva balançou meu alto controle (ou meu nervosismo cômico, como quiser chamar o que senti) devolvendo minha voz. Ele levantou as sobrancelhas franzindo a testa e pareceu que minha pergunta o surpreendeu.

– Achei que fosse melhor pra nós. – disse isso retirando seus olhos dos meus e sentando à mesa, Em o serviu. – Sei que esta se divertindo bastante.

– Achou que fosse melhor para nós? – disse isso dando uma volta de 90° graus ao redor da mesa ficando de frente para ele, as palavras saiam quase que cuspidas de minha boca – Eu estava me divertindo? Você enlouqueceu James? Você não sabe o quanto eu cho... – mordi o lábio inferior interrompendo a fala. “O que eu estou fazendo?” eu me perguntava mentalmente. Eu ia mesmo dizer para meu irmão que eu estava chorando feito uma menininha apaixonada esse tempo todo? Acho que quem enlouqueceu na verdade fui eu! -... é... James, você não podia ter feito isso! – uma calma repentina me invadiu, talvez vergonha por ser tão boba. Não sei exatamente. James me fitou com os olhos e mais uma vez parecia querer ouvir algo de mim, assim como naquele dia da confusão com o Mauri. Dessa vez eu sustentei seu olhar.

– Eu não podia ter feito isso, né? – seu tom de voz saiu meio que irônico e se fosse um desenho animado, certamente que um grande ponto de interrogação surgiria em cima de minha cabeça. – Anne, por favor, né? Tenho certeza que você nem sentiu minha falta! – ele levantou o tom de voz, e como eu o conhecia bem, mesmo aparentemente controlado eu sabia que ele estava com raiva. Tia Em olhou para nós com o semblante assustado.

– É bom vocês se controlarem. – Em interrompeu – estão parecendo crianças. Comam calados que eu vou até a sala fazer companhia a Esme e Dion, espero não ouvir nenhuma briguinha de vocês da sala. – Em saiu da cozinha e eu puxei a cadeira que estava a minha frente sentando de frente para James, ele jantava sem levantar o olhar e eu mexia na comida com o garfo, à fome sumiu. Dificilmente James ficava com raiva, e quando ele se silenciava é porque a maldita raiva estava nele. Eu amava o sorriso de James e não queria ser a causa da raiva ou de qualquer outro sentimento que arrancasse aquele sorriso. O meu sorriso. As horas se passaram arrumei as coisas na cozinha e James foi para onde meus pais quando terminou sua refeição. Quando terminei fui para sala, eles estavam lá conversando e James fingia sorri, eu sabia quando aquele sorriso não era sincero. Era o mesmo sorriso da ultima manhã que passei na fazenda.

–... Estava acabando de dizer aos seus pais que você tem futuro como atriz mocinha. – minha tia falava e sorria ao mesmo tempo, era contagiosa aquela felicidade. Eu sorri com o comentário e sentei no braço do sofá perto da Em.

– James, você saiu quase no fim da peça, nem viu sua irmã finalizar a apresentação. – James se desconcertou com o comentário de minha mãe, e passava a mão no pescoço como costumava a fazer quando estava nervoso.

– Tenho certeza que foi por causa daquele beijo. – meu pai disse e James arregalou os olhos – também não gostei meu filho. Achei aquilo muito devasso para uma menininha fazer no meio de tanta gente. – resmungou meu pai e eu revirei os olhos.

– Claro que não foi isso pai! – James falou na defensiva e todos da sala (inclusive eu) nos surpreendemos com seu tom de voz. Ele pareceu notar, então tratou de concertar a voz – quer dizer... eu senti cede e, é... Eu não achei um bebedouro e resolvi vim tomar água aqui e fiquei logo para esperar vocês. A peça já estava no fim mesmo. – não sei por que, mas aquele discurso não me desceu a garganta. Meus pais e minha tia pareceram convencidos e logo continuaram a conversa. James permaneceu calado olhando para o nada. Um pensamento tolo passou pela minha cabeça fazendo-me esquecer de todos da sala e eu já não prestava atenção no que falavam. Eu não consegui conter o sorriso que se formava nos lábios, será que James estava com ciúmes? Sai do “transe” quando o senhor Roberts dirigiu uma pergunta a mim.

– Anne! Você não vai responder quem é aquele garoto? – ele falava como se estivesse repetindo aquela mesma pergunta pela milésima vez. Olhei para ele com cara de boba tentando saber do que ele falava – perguntei quem era aquele menino que estava com você no palco! – Ah pai, aquele era Nikola, o menino de sorriso doce e extremamente carismático. O menino que me entendia, compreendia, fazia esquecer-me dos problemas e das mágoas que nem ele próprio tinha conhecimento. Aquele era o garoto de olhos azuis que por pouco eu não beijei. Aquele era meu melhor amigo. – Você não vai responder Anne? – meu pai repetiu a pergunta em um tom mais alto e a paciência dele parecia ter voado igual a mim que estava levitando novamente nos meus devaneios.

– Ah... É... Era Nikola, pai. – falei vagarosamente. Minha mãe, que estava ao lado do meu pai, sorriu. Aquele sorriso de “minha filha vai desencalhar” e eu não pude deixar de sorrir em resposta, mas logo desfiz a ação quando notei o semblante nada satisfeito dos dois homens ao lado de minha mãe. James revirou os olhos quando ouviu o nome “Nikola” e meu pai insatisfeito cruzou os braços. Minha mãe notou o clima que surgiu no ar e tratou logo de dizer algo. Olhando para o relógio disse que já estava tarde e meu pai assentiu que ela estava certa. Na casa de minha tia tinham apenas dois quartos, minha mãe e meu pai dormiram em um colchão no quarto de Em e James dormiu no sofá cama da sala e eu, bom, eu fiquei no meu quarto mesmo.

Deitei na cama, estava exausta, mas meus pensamentos não tinham piedade de mim, eles adoravam me fazer companhia antes de dormir. Eu não fui para a janela conversar com Nick, imaginei que ele já estivesse dormindo, porém, em minha mente ele estava bem presente. Que loucura quase beijar Nikola Mion. Nikola Mion! O cara mais popular e mais lindo da escola, meu melhor amigo, meu vizinho, meu... Meu Nick! Eu sorria sozinha enquanto relembrava aquele menino vestido de príncipe e os lábios macios tocando os meus. Sem notar eu tocava meus lábios com as pontas dos dedos e não parava de sorrir sozinha até, claro, lembrar-me de James. James, James, James! Será que ele sentiu ciúmes de mim?... “Anne! Você esta surtando? Ele é quase seu irmão!” A porta faz barulho me trazendo para a realidade, virei o rosto para o lado oposto da porta (para o lado da janela) e fingi estar dormindo. Ouvi passos lentos e senti a cama abaixar pouco. Alguém havia sentado. Senti a mão de alguém passar pelos meus cabelos delicadamente. Era James, eu tenho certeza! Virei o rosto e abri os olhos bocejando fingindo ter acabado de acordar, ele tirou a mão de meu cabelo e ficou lá sentado me observando. Sentei na cama me ajeitando.

– Te acordei? – Não James, eu estava aqui acordada me alto fuzilando pensando em você como em todas as noites das ultimas semanas. Nem me pergunte o porquê, porque na verdade eu não sei!

– Relaxa tá tudo bem. – sorri e ele me sorriu em resposta – porque não esta dormindo? – perguntei enquanto ele passava os dedos de leve nos cobertores da cama.

– Não tenho dormido bem esses dias... – olhou para mim, exatamente para meus olhos e eu sentia que ele podia invadir minha alma só do fato de me fitar com aqueles olhos negros penetrantes. Como ele era lindo! – Senti muito sua falta Anne. – sentiu minha falta e porque não ligou pra mim? Porque não me mandou noticias? James, porque você resolveu complicar tanto as coisas nesses últimos dias? Era tudo tão simples, eu gostava quando tudo era simples entre nós. Mas eu não podia quebrar aquele clima tão bom pedindo mais satisfações, eu sabia que ele não iria me responder e eu só acabaria com o resto da noite.

– Também senti sua falta. – falei com a voz mais doce que consegui e ele sorriu. Pôs a mão em cima da minha, e ficou olhando para elas, quando vi aquelas mãos juntas lembrei-me de quando eu estava na lanchonete com Nick, e por alguns segundos achei que estar com James era uma traição minha para com Nikola. Mas que bobagem! Ai Anne, você consegue viu? James é seu irmão e Nick seu amigo, ninguém esta traindo ninguém aqui!

– A palheta que te dei... – ele sorriu ao ver o objeto feito de pulseira em meu pulso – você usa no braço. Criativo. – sorrimos juntos.

– James... – ele me olhou – vão ficar quanto tempo?

– Só viemos ver essa peça mesmo. – franziu o cenho e revirou os olhos.

– Você não gostou da apresentação? – ele abaixou a cabeça e encarou nossas mãos novamente.

– Gostei. – mentiu, tenho certeza. Foi o “gostei” mais seco que já ouvi em toda minha vida. Com a mão que estava livre passei a mão em seu rosto, eu sempre fazia isso, mas naquele dia foi diferente. Ele levantou a vista e olhou para mim. Por impulso olhei para seus lábios, eles estavam entreabertos e tentadores, mordi o lábio inferior reprimindo a vontade de agarra-lo. Eu deveria estar muito carente ou sei lá, só queria que alguém me ajudasse naquele dia, eu estava muito confusa. Levantei a vista até seus olhos antes que eu não pudesse mais me conter. Nossos olhos estavam sincronizados agora, um se via no outro e aquilo mesmo parecendo um absurdo era... Normal. Eu estava achando normal, e achar normal era anormal! — O que você faria se eu te beijasse? – Não, não, não! Ele não podia ter perguntado isso, agora sim eu sumi por completo de mim! Eu sentia como se estivesse sendo arrastada em um beco escuro e jogada em um rio de correnteza forte. Perdi completamente os sentidos de mim mesma e em minha mente só estava ele. Ele parecia tão seguro do que falava... tão calmo, sereno. Ele me passava uma segurança absurda, uma segurança que eu não sentia com ninguém. Era como se com ele ninguém pudesse atrapalhar ou interromper, diferente de Mauri e Nick, quando na realidade era com ele que estava completamente errado, era com ele que não podia ser, era ele que era o perigo, era ele que era meu irmão! Sim, era ele. Mas, meu Deus a boca dele estava tão... tão... Jesus o que eu faço?

Notas finais
E aí gente, o que acharam? Sério, comentem mesmo, qualquer coisa, eu preciso saber o que estão achando senão não dá pra continuar :( Vamo lá! Beijocas e Feliz Natal e um Próspero Ano Novo! YAAAAAA