Dear Devil - The Last Hope
9 Chapter Fifteen - Delicious Evil - Ø
Notas iniciais
- Pesadelos? – a voz que me acordou me parecia surpreendentemente preocupada.
Levantei o tronco apenas, esfregando os olhos, atordoado. A luz da lua que estava durante seis meses brilhando me deixava levemente zonzo, pois seu reflexo no gelo era o bastante para iluminar toda a sala. Foi demorado o tempo que levei até que minhas pupilas se adaptassem à iluminação. Mas fora apenas para causar-me mais surpresa.
Pois Cassie estava logo ao meu lado, os cabelos sujos continuavam belos e presos em um coque froixo, a camisola branca encardida, o olhar preocupado. As barras da cela derretidas, abrindo espaço o bastante para que ela pudesse alcançar o lugar onde estava agora, ao meu lado, as mãos sobre minhas costas.
- Como... – murmurei, incrédulo. – Como vo...
Ela sorriu, apesar de meu gaguejo, ela me entendera. Deu de ombros.
- Você acha mesmo que estava me mantendo presa? – perguntou com uma risadinha. – Está. Mas não do jeito que pensa. Já tenho força o bastante para destruir toda a sua colônia, se quer saber.
Senti meus olhos se arregalarem. Como pude ser tão estúpido?
- Calma, garotão. – ela soltou uma gargalhada. – Ainda tenho que te obedecer!
Fiz mais algum esforço, sentando-me.
- Agora, me conta. – implorou, juntando as mãos. – O que é que aconteceu?
Suspirei. Seus olhos escuros me encaravam fortemente, eles já sabiam o que era, apenas esperavam ouvir por minha boca. Ela não podia me fazer mal, podia?
- Pesadelos. – respondi, finalmente me entregando. – Alec, mais uma vez. O incêndio. A morte de meus amigos e de minha família, mais uma vez.
- Mais uma vez? – indagou, franzindo o cenho.
- Sonho com eles toda noite.
Foi sua vez de suspirar. Ela sentou-se ao meu lado.
- Você sabe... – hesitou. – Eu posso te ajudar...
Desci meus olhos até os seus.
- Mesmo? – perguntei e ela se levantou, estendendo a mão.
- Posso? – assenti e ela me tocou. Nenhuma palavra foi dita. Ambos os pares de olhos se fecharam antes que a cena voltasse.
O incêndio. A dor. As queimaduras. Alec. Mãe. Pai.
À medida em que eu relembrava, uma parte de minha dor me era tirada. Mas eu sentia a mão sobre meu rosto se enrijecendo e tornando-se mais tensa. Até que finalmente eu enxerguei seus corpos carbonizados e ela me soltou, obrigando-me a abrir os olhos.
- Você está bem? – perguntei, a voz mais uma vez vinha carregada de preocupação.
Ela assentiu, tossindo e eu me levantei, aproximando-me cada vez meai e envolvendo-a em um abraço.
- Obrigado. – agradeci.
“Sua resposta foi apenas um sorriso, mas, para ambos, foi mais do que ela jamais poderia ter dito.”
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