Tinha acabado de sair do consultório do Doutor Harris, e ainda me sentia com os pensamentos meio turbulentos demais para enfrentar uma sala de aula. Seria a primeira vez que mataria aula aqui, mas por um bom motivo, não iria conseguir prestar atenção nas falações de um professor qualquer.

Tenho certeza que entenderiam.

Ou não.

Sai do Reformatório por atrás e andei pelo pátio a fora, deixei que a brisa leve tocasse em meu rosto e levasse todos os pensamentos que me pesavam naquele momento.

Era certo que o trauma de ter perco meu pai ainda era grande, mas, me levar a matar um homem. Está certo, não era um bom homem. Fechei meus olhos e deixei-me levar ao passado, á algum momento que ele me deixou com muita fúria e ódio.

Era uma madrugada qualquer de insônia, eu tinha me erguido da cama para beber um pouco de água na cozinha. No momento em que estava virada de costas para o balcão, sinto dedos entrelaçarem o meu cabelo e me puxarem para trás. Viro-me imediatamente, me afastando com medo.

"- O que está tentando fazer?"

Ele me olha, devorando-me com os olhos, enchi-me de nojo imediatamente. Era um velho, casado com a minha mãe, tinha feito de tudo para roubar o que era de mais precioso para mim e ainda queria-me? Ergui minha mão e transfiro um bofetada em seu rosto velho e enrugado. "você me enoja" , digo e subo as escadas para meu quarto, fechando a porta e correndo para cama, desejando que esse pesadelo acabasse.

Desde esse dia eu fazia de tudo para não cruzar o caminho dele. Mudei meus horários para não topar com ele pelos corredores, o que não era muito difícil, já que ele vivia em seu escritório. Quando toquei no assunto com minha mãe, ela simplesmente virou o rosto e me mandou fechar a boca. Que tipo de figura materna ela tinha se transformado?! Eu me perguntava todos os dias, depois daquele episódio, passei noites na casa de Flor, minha melhor amiga na época.

Eu queria lembrar de mais coisas, mas simplesmente havia um bloqueio em minha mente. Iria doer demais, uma dor insuportável que, naquele momento, eu não iria aguentar.

– O que a Srta está fazendo aqui? — Pergunta uma voz masculina, limpo uma lágrima que havia escorrido do meu rosto subitamente.

Era August.

– Estou pensando, não há nada melhor do que sair aqui para fora. — Olho-o, ele estava com um ar de adolescente, apesar de ter seus 21, usava um moletom qualquer junto com uma calça jeans. — E pode me dizer por que está aqui?

– Estou aqui para pensar também, já que posso usar essa desculpa para matar aula. — Ele sorri e eu insuportavelmente derreti por aquele sorriso. — Mas já que está aqui, quero lhe avisar, não caia nas garras de Robert, você está na mira dele.

– Por que está me falando isso?

Ele fica sem saber o que falar por um momento, vira a cabeça para outro lado e olha para mim novamente.

– Porque não quero ver você nas garras dele... — Ele olha confuso — Digo, ele é extremamente panaca e cafajeste, mas eu não preciso falar isso, você já deve ter notado.

Aquiesço.

– É, já notei sim, tipo de caras assim eu consigo ver de longe. — Olho nos olhos dele e me aproximo subitamente, pegando em seu braço — Vamos dar uma volta?

– Vem comigo, eu conheço um lugar. — Aquilo me fez sorrir, e ele olhou. — Vamos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.