Eu sinto náuseas, febres, dores musculares. Eu acordo assustada no meio da noite. É como se o medo fosse a lua e o sol, sempre estaria lá. Eu choro à toa, às vezes por muitos motivos. Eu não gosto de falar com pessoas, prefiro ficar quieta no meu canto lendo um livro ou me xingando em meus pensamentos.

Ouço pessoas falando no meu ouvido, as vezes grito com elas, elas gritam comigo, uma eterna batalha de vozes.

Posso ser estranha — na verdade não me considero uma -, quando falo com pessoas é sussurrando e olhando-a como se fosse a matar, eu sou assim. Não, a “vida” não me fez assim, apenas estou tentando proteger as pessoas de mim.

Acho estranho o fato que elas ficam rindo de mim, não tenho cara de “palhaça” — só se eu for uma palhaça que não tem nem um pouco de graça. -, não me considero fria, não sou daquelas “Antes eu sofria, agora sou fria”, ao contrário, O que irá mudar você sendo fria e ignorando as pessoas? Olha onde eu estou, o que irá mudar? Nada.

Mas, falar de mim é como falar de ninguém, literalmente.

Aqui estou eu na sala de aula, escrevendo um texto falando sobre a importância da água. Mas claro, como eu não faço nada, estou apenas olhando o texto, um parágrafo.

Estamos tão habituados à presença da água que só damos conta da sua importância quando ela nos faz falta. Note que a maior parte das células de nosso corpo possui água, sendo que os vegetais e animais precisam dela para viver.

— Srt. Bittencourt? Terminou seu texto sobre a importância da água em nossas vidas? — Bom, um parágrafo já está ótimo, não é?

— Quantos parágrafos são necessários? — arqueei a sobrancelha desejando que necessariamente pode ser apenas um e belo parágrafo.

— Mais ou menos, uns cincos parágrafos a mais.

— Oh, então não terminei, professor Shell. — digo calmamente enquanto poucos alunos me observavam. Alguns faziam suas tarefas, outros apenas brincavam com seus lápis e cadernos, mascavam seus chicletes ou conversam, como qualquer sala cheia de adolescentes cheios de hormônios.

— Seja rápida, quero os cadernos na minha mesa até — ele pausa olhando seu relógio preto, bem caro, e suspira — meia hora. — reviro os olhos. Todas as salas têm relógios de parede e qualquer corredor, sinceramente não entendo por que ele usa um relógio bem caro pra vir a este lugar.

Arqueio a sobrancelha quando vejo um nerd apanhando de um Bad Boy, o mesmo batia no garoto quebrando os óculos do mesmo. Aquele momento em que a gente torce pro vilão matar o mocinho, de tão burro que ele é.

— PAREM OS DOIS. — O burro do matemático não tá fazendo nada, então tecnicamente o único que devia parar é o garoto que está batendo no pobre menino.

— BRIGA! — uma garota berrou e todos fizeram o mesmo. Um coro de “Briga, briga” começou e o professor berrando para eles calarem a boca. Nada.

Suspiro e olho ao redor, todos levantados berrando, um garoto apanhando e o outro batendo no mesmo. Professor sem saber o que fazer e diretor chegando.

Sou particularmente irônica e raramente as pessoas enxergam as entrelinhas, preferem ver o óbvio. Assim, não precisam pensar. Estão acostumadas ao popularismo das fofocas e dos bisbilhoteiros, onde tirar conclusões precipitadas, tornam-se a realidade.

Gente, o aplicativo "Cérebro" é maravilhoso, vocês deveriam usar.

— JÁ CHEGA CARAMBA. — Não, não foi o diretor e nem o professor. Foi eu, explodi. — Primariamente, calem a boca. — Caminho calmamente e empurro o garoto que antes estava em cima do matemático, indo pro chão. — As pessoas são extremamente burras ao ponto de pensar que uma coisa que elas usam vai mudar quem elas são. Você não é o seu óculos — olho o matemático e o ajudo a ficar de pé. — você não é seu celular, você não é sua pulseira, muito menos uma blusa, você é um bando de bosta! — aponto pro garoto que antes estava batendo no pobre nerd. Reviro os olhos e ajudo o garoto que não sabia o nome a ir até a enfermaria.

Não, não sou do tipo que defende o ingênuo, apenas falei a verdade que ninguém falou, simples. O garoto — vulgo que batia no Nerd — é apenas um burro. Ele não é um “homem frio”, ao contrário, o mesmo é apenas um bosta que tenta chamar atenção machucando alguém. Isso não é ser frio, é ser babaca.

— Obrigada.

— Cala a boca, você deveria revidar e não revidou. Pare de ser burro e mete soco nele também caramba. — bufo irritada com tanta burrice desse garoto, pensei que fosse o Nerd inteligente.

— Se eu fosse burro, eu estaria no chiqueiro. — Seguro a gargalhada. — Eu não sei lutar… — o garoto falou corando me fazendo arquear a sobrancelha.

— Cara, se liga, você acha que aquele ser sabia bater? Ele não é um lutador de boxe não, ele apenas pega o punho e PUM! Bate. — falo como se fosse óbvio, e é. — Queria saber o motivo de você ser burro desse jeito.

— Não é tão fácil. — Suspiro e conto de um até dez.

— Não é tão fácil? Você responde matemática como um verdadeiro cientista, e diz que bater não é fácil?! — Olho o garoto que antes estava corado, agora estava com uma expressão de dor. — Você é tão burro que fala burridamente. — Percebi nesse momento que estávamos parados na frente da enfermaria. Não falo absolutamente nada, apenas abri a porta e o ajudei a se sentar. O olho pela última vez e saio batendo aquela maldita porta.

Se quer se ferrar, que se ferre. Não tô afim de ser a protetora.

Fico pensando no garoto, apanha todos os dias e ainda estuda bastante, por mim ninguém fica doido de tanto estudar, é mais fácil ficar doido de tanto ser burro, literalmente.

Tenho problemas graves, ajudo um garoto e começo a xingá-lo depois.

Calculando tudo: Um burro batendo em um burro, é totalmente burro -q

Burrice completa. Aposto que quando terminaram e foram colocar os cérebros neles estavam sem estoque, então colocaram merda de burro mesmo.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.