Dear Butler

1 Capítulo I


Notas iniciais
Então, pessoal, aqui está a nova fanfic Gale. Espero que gostem e comentem. ♥ Tem a música de abertura, então, espero que escutem, também. *-* Boa leitura. ♥

“O amor e o ódio são irmãos. Mas o ódio é um irmão bastardo.” – Vergílio Ferreira

PRÓLOGO

Fiore, Magnólia – Mansão da família McGarden

2010

–

EM UMA ÁREA nobre de Magnólia, por assim dizer, um pequeno corpo feminino se movia entre os grandes lençóis da enorme cama. Por sorte, tinha tido uma ótima e longa noite de sono para repor as péssimas dormidas que estava tendo nos últimos dias. Com o balanço suave de suas pernas e quadris torneados, Levy apareceu debaixo das cobertas, usando um conjunto de dormir de cor turquesa.

Esfregou os olhos, sonolenta e ainda deitada, e olhou rapidamente para o relógio de mesa ao seu lado: 7 horas da manhã, a hora que ela sempre acordava para comer o delicioso café da manhã preparado por Poluchka – a cozinheira de anos daquela mansão –. Àquela hora, seu pai, Louis, já estaria no trabalho a quilômetros de distância dela, assinando contratos e mais contratos. Algum dia ele teria um tempo para passar com ela? Suspirando, ela levantou-se lentamente.

Ao se espreguiçar demoradamente, Levy olhou para o porta-retratos de sua mãe que ficava na mesinha cor de creme de seu quarto. Estava com muitas saudades dela, imaginado que poderia estar sendo mais feliz ao seu lado novamente. Era estranho, até porque não se lembrava muito detalhadamente de suas feições por perdê-la jovem demais, mas sabia que a amaria incondicionalmente.

Ela era japonesa, diferente do pai, que era francês. Por aquele motivo, era uma mesclagem muito bonita e de um rosto angelical para alguns rapazes. Nunca havia tido uma relação com algum garoto que via na escola, apenas alguns beijos às escondidas. Louis era muito ciumento e não queria que ela se envolvesse com “qualquer um” na escola.

E lá estava ela. Com seus 19 anos e ainda na dúvida do que cursar na faculdade. A verdade era que Levy queria ser escritora, assim como uma grande amiga, que partilhava do mesmo sonho, Lucy. Gostava de escrever de vez em quando, mas era óbvio que seu pai nunca deixaria aquilo acontecer. No máximo, ele a mandaria para uma enorme faculdade, querendo que ela escolhesse um grande curso, como medicina ou engenharia.

Estava com os olhos praticamente se fechando de tanto sono. Espreguiçou-se com um longo gemido e andou lentamente até a janela de seu quarto. Ela estava ansiosa para saber a tão esperada “surpresa” dita pelo seu pai que chegaria exatamente naquele dia. E pelo o que ele havia dito, ela já o tinha visto e conhecia bem. Não era fã de surpresas, e estava curiosa demais para esperar.

Esfregou os olhos e bocejou, indo até o banheiro que ficava no mesmo cômodo. Tomou um belo banho e passou longos minutos escolhendo uma roupa para vestir. Seja lá o que ela ganhasse, iria se vestir adequadamente sempre.

Escolheu um vestido preto com babados nas pontas e um casaquinho creme, combinando com uma bela sapatilha de veludo. Os curtos cabelos pintados de azuis estavam soltos e presos na parte de cima com uma tiara preta. Passou uma leve maquiagem nos olhos e no rosto, para não parecer uma morta àquela manhã.

Suspirando, ela saiu de seu quarto com uma ansiedade incrível. Não costumava sair muito de casa, por aquele motivo, adorava alguma mudança. Quando estava descendo as escadas, conseguiu inalar o forte cheiro de café fresco. Levy sorriu e desceu mais rapidamente os largos degraus lisos.

– Bom dia, Poluchka – deu um abraço na idosa de cabelos pintados ao chegar à cozinha. – Waffles!

– Bom dia, Levy – sorriu, vendo a felicidade dela ao ver sua mais preferida comida. – Pensei em fazer já que gosta tanto.

– Eu amo – riu e sentou-se à grande mesa próxima à cozinha, mordendo os lábios. – Agora você poderia me falar sobre a surpresa que receberei hoje, não é?

A senhora riu, balançando a cabeça negativamente. Levy era muito curiosa e sempre conseguia tirar dicas de qualquer um que guardava uma surpresa.

– Não. – voltou a terminar o café da manhã. – Para falar a verdade, até eu estou curiosa.

Ela fez beicinho: – Todos sabem, menos eu.

– Eu sei o que é, mas não sei como está agora. – riu de costas, colocando o mel sobre os Waffles.

– Como assim? É alguém que virá me visitar? – franziu o cenho, tentando pensar em alguém em especial.

– Não pode esperar um pouco, querida?

– Claro que não! Fico curiosa para saber.

Poluchka não respondeu, apenas entregou sua comida – o que a fez se calar bem rápido. Ninguém daquela casa sabia como ele estava depois de tanto tempo, e nem qual seria a reação de Levy ao vê-lo. O motorista e a copeira tinham várias dúvidas em relação a sua aparência. Desde criança, era muito bonito e todos o adoravam, inclusive Louis, que aceitou a proposta de imediato.

Enquanto ela comia, Poluchka conferia o relógio, marcando quase 8h. Ele chegaria a qualquer momento, talvez 9h, para já começar seu trabalho logo que batesse na porta de entrada. Provavelmente chegaria de táxi ou ônibus, dependeriam muito de como estava vivendo.

Com toda a sinceridade do mundo, ninguém daquela casa saberia como Levy reagiria a aquilo. Louis simplesmente disse: “Não há dúvidas de que eu aceito! Levy irá amar.”, mas Poluchka tinha sérias dúvidas em sua última afirmação.

Quando ela terminou seu café da manhã, foi assistir um pouco de televisão para relaxar naquela manhã. Lucy não poderia estar em casa naquela hora – provavelmente com o namorado, caminhando pela praça da cidade.

Às 10h, vendo que o sol estava tranquilo e brando, foi tomar um banho de piscina e tentar se livrar daquele tédio. Colocou um biquíni rosa com listras brancas, o seu preferido, e tirou a tiara de seus cabelos, pondo um roupão sobre o corpo, colocando uma chinela simples e óculos de sol.

Saiu de casa e foi até a área que havia a piscina – que por sinal, tinha uma bela vista já que sua casa ficava acima da cidade. Retirou o roupão, que deslizou pelo seu corpo, Levy se espreguiçou em seguida. O tempo estava de um jeito ótimo: sem chuva, sem sol escaldante. Aproveitou para descansar em uma das espreguiçadeiras e pensar na faculdade que deveria se preocupar logo, mesmo não gostando da ideia.

Estava quase adormecendo quando ouviu um barulho de algum objeto sólido desabar no chão em uma parte escondida dali, sentando-se na espreguiçadeira rapidamente. Suspirou, já pensando que era um gato ou qualquer outro bicho que passeava pela enorme área verde da mansão.

Levantou-se e olhou para a piscina muito azul, pensando se pulava ou não e testando seu dedo mindinho na água e sentindo que estava um pouco fria. Arrepiou-se ao sentir a irritabilidade de seu corpo com o toque.

Quando se preparou para pular, sentiu grandes mãos empurrarem suas costas em uma rapidez incrível. Levy soltou um gritinho e tentou se virar a tempo para segurar-se no dito cujo que a empurrara, porém, só o ouviu dizer:

– Quanto tempo, Baixinha.

Sua voz rouca a revirou por dentro. Ela mal não conseguia se lembrar daquele apelido, mas esquecer também tinha sido impossível. E com o susto, caiu na água imediatamente, com o coração a mil por hora. Subiu até a superfície e se deparou com o rosto quase irreconhecível dele.

– Mas o que... – ela tentou falar algo, boiando na piscina e calando-se. – Você...

– Não ficou com saudades de mim? – sorriu, dando uma risada que a fez lembrar-se de praticamente tudo.

(...)

“A saudade é a inconfortável esperança de um reencontro.” – Desconhecido

–

Capítulo 1

–

Levy sempre fora daquelas pessoas que gostavam de tudo certo – ou uma perfeccionista, como todos preferiam dizer. Nada podia dar errado nas coisas que ela planejava ou ajeitava. E era óbvio que sempre tinha que aparecer, da onde fosse, alguém para atrapalhar. Porém não qualquer alguém, e sim, um alguém em especial.

Provavelmente era esquecida demais, ou então realmente fazia um longo tempo para não recordar de coisas que marcaram sua infância. Mas mesmo assim, escutar a risada tão cheia de malícia de alguém que tinha 12 anos, novamente, era um pouco assustador.

Talvez tivesse abstinência dos pais, pois Louis era extremamente ocupado no trabalho e pouco tinha tempo para ficar com a filha, que já era quase uma adulta completa. Todas as noites pensava como seria sua vida se pudesse contar com o pai sempre que pudesse, assim como as amigas que tinha.

O frio da piscina a acordou daquelas lembranças e pensamentos esquisitos. Tremendo, seu olhar passou pelas pernas longas e torneadas do rapaz que usava uma calça jeans rasgada e desbotada, incrivelmente sexy. O olhar subiu mais até o abdômen marcado pela camisa branca meio apertada, junta de uma jaqueta preta. Quando finalmente chegou ao seu rosto, arregalou os olhos.

Definitivamente, ele não deveria ser seu tipo, de jeito nenhum. Ela conseguia ver – o que era pouco, pois sua miopia estragava as coisas – que o homem tinha alguns piercings: brincos nas orelhas e na cartilagem, um na base da sobrancelha outro no nariz. O pior de tudo era que o dava um certo charme. A mandíbula era quadrada e masculina, o nariz afilado e bonito, com um sorriso encantador. Seus cabelos eram longos e estavam amarrados em um rabo de cavalo, que batiam quase na cintura, negros e repicados, como um tremendo playboy.

Mas por que diabos ele estava na sua casa e a empurrara na piscina? Só poderia ser brincadeira.

Com aquelas pergunta, ela saiu do transe e sabia que já o tinha visto em algum lugar, só não sabia onde.

– Quem você pensa que é pra me chamar assim? – reclamou, indo até a escada de saída da água. – E quem é você, para começo de conversa?

Ele demonstrou, pela reação facial, que tinha ficado explicitamente apavorado com o que Levy havia dito. Como se fosse uma notícia de morte ou algo parecido.

– Ah... Você não está me reconhecendo? – foi a única coisa que ele conseguiu dizer, com os olhos meio arregalados.

– Por que eu deveria? – saiu da piscina com os olhos quase fumegantes.

Lembrando-se que estava apenas de biquíni, corou e correu para pegar o roupão. Qualquer vontade de voltar a relaxar, havia ido por água abaixo com todas as certezas do mundo.

– Bem, achei que não se esqueceria de mim, Baixinha – seu olhar suavizou, ficando um tanto desinteressado. – Mas tudo bem, isso não importa agora. Já se passaram tantos anos... Quantos mesmo? Onze?

Ela parou no mesmo momento, virando-se com o roupão envolto de seu corpo e lançando um olhar desconfiado, de tal confuso.

– O que quer dizer com isso?

– Meu Jesus, você continua uma lerda desde que tinha oito anos. – suspirou, arrumando a mochila que estava em suas costas.

Arregalando os olhos, espantada, ela pensou em protestar, mas uma onda de pensamentos cruzou sua cabeça. Oito anos. O único rapaz que ela conheceu ao ter oito anos...

Antes que Levy pudesse processar tudo aquilo, Poluchka apareceu na fresta da porta que dava a piscina, parecendo intrigada. Assustou-se rapidamente quando percebeu que ambos estavam perto um do outro.

– Oh, Levy. Vejo que vocês já se reencontraram. – ela deu uma risada amarela e olhou para o homem, que implicitamente, balançou a cabeça negativamente com os olhos meio assustados.

– O quê? – ela perguntou para os dois, pondo as mãos nas ancas.

– Ah, nada. Mas temos que ir – ela tentou parecer a mais normal possível, não conseguindo. Olhou para o rapaz em seguida – Venha comigo logo que puder, tudo bem?

Poluchka praticamente correu para voltar sua trajetória. Entretanto, Levy não estava entendendo nada. Reencontraram. Poderia estar sendo idiota demais para não conseguir se lembrar.

– Espera – ela exclamou ao vê-lo sair até a porta em que Poluchka estava. – Você vai trabalhar aqui?

Ele parou de costas, parecendo cansado daquela conversa.

– Já chega – ele bufou, virando-se e indo até estar de frente para ela. O pequeno corpo tentou não se deixar intimidar – Eu sou o Gajeel. Gajeel Redfox. Eu trabalhei aqui anos atrás por causa da minha mãe. Porra, eu pensei que você fosse lembrar.

Levy arregalou os olhos, franzindo o cenho em seguida. Não, não poderia ser quem ela estava pensando, de jeito nenhum! O nome era o mesmo, impossível. Gajeel continuou encarando-a com os olhos semicerrados, esperando uma resposta plausível.

– O gato comeu sua língua?

Ela engoliu em seco, lembrando-se que era ele, com toda certeza. A única pessoa que conseguia mexer tanto com ela, era ele.

– Eu não acredito que é... você. – murmurou.

– Ah, então finalmente você me reconheceu – sorriu. – Parece que fui fácil de esquecer.

Voltando a encará-lo, ela disse:

– Não é isso, idiota! Você mudou muito. Como acha que eu iria reconhecê-lo?

– Não sei. Talvez pelo meu charme de anos. – piscou um olho, extremamente sensual.

Ótimo. Além de estar revendo um dos garotos que mais mexeu com ela – de todas as formas –, ele voltaria a trabalhar lá, lindo de morrer. Não tinha a memória muito boa, porém conseguia lembrar-se das coisas que ele fazia com ela.

– E por que resolveu voltar? – ela parecia indiferente por causa do constrangimento.

– Seu pai me chamou. E estou com alguns problemas em relação a minha mãe, então estou sozinho nessa.

Levy se apavorou. Lembrava-se de sua mãe. Ela era uma ótima empregada e trabalhava sempre como pediam. Gajeel podia brincar muito com a cara dela, mas também ajudava em muitas coisas da casa em que nem ela conseguiria naquele presente.

– Quero saber o que aconteceu com ela assim que possível... Eu não me lembro muito do seu rosto, mas sei que ela adorava seu trabalho – relaxou os braços, mudando o campo de visão. – Eu vou entrar. Seja... bem-vindo.

Quando finalmente deu um passo para sair, Gajeel segurou seu braço.

– Eu sei o que você sente, Levy – sorriu, fitando-a desesperada. – Quando eu fui embora, deve ter sentido muitas saudades.

– Como é que é? – ela interrogou.

A verdade era que, sim, havia sentido muitas saudades dele. Não sabia o porquê na época, mas nem sequer fora se despedir no dia em que eles saíram da casa por contas que ela não sabia.

E com o passar dos dias, lembrava-se das brincadeiras sem graça de Gajeel, e do modo que ria todas as vezes em que conseguia fazê-la sorrir, também. Ele poderia ser um imbecil, mas tinha um bom coração, às vezes.

– Você não se despediu de mim, pelo que me lembro.

– É claro. Eu te detestava... – sussurrou, puxando sem braço.

– E depois, Baixinha? Quando eu fui embora, o que você fez? – ele sorriu, vendo que ela se afastava.

– Eu continuei vivendo! – aumentou o tom de voz. – Agora você quer dizer que tivemos uma “história” quando tínhamos oito anos?

Ele suspirou, parecendo cansado.

– Tá. Então vamos imaginar que você se esqueceu de mim, Baixinha.

– Para de me chamar assim! – bufou, ainda segurando o maldito roupão. – E eu não me esqueci de você. Eu apenas não fico muito à vontade com um cara que conheci, sei lá, dez anos atrás.

– Vai me dizer que tudo aquilo que vivemos ficou para trás? – ele fingiu estar chateado.

Levy o olhou com ironia. Não ia admitir que sentira bastante falta dele. Se pudesse, o abraçaria e pediria para voltarem a fazer aquelas brincadeiras ridículas. Mesmo tendo 19, e ele, provavelmente, uns 23.

Aproveitou e olhou rapidamente pelo seu corpo, mas com outros olhos. Gajeel estava perfeito. Perguntou-se a si mesma como ele seria sem nenhuma roupa e se censurou no mesmo momento.

– Está olhando o equipamento? – ele sorriu, tocando o abdômen definido.

Corando, ela se afastou brutamente.

– Claro que não! E eu tenho que entrar. Vejo que morar com você por aqui vai ser... – suspirou. – Duro.

E andou até a porta, destemida a não olhar para trás.

– Não se preocupe, Baixinha, vou fazer você perceber o que sempre sentiu por mim. – ele falou um tanto alto demais, fazendo Levy travar por alguns segundos e arregalar os olhos.

Virou-se uma última vez para ele, com o rosto em extrema combustão.

– Nos seus sonhos, Gajeel! – e correu até a porta, fechando-a em seguida.

Do lado de fora, ele mudava a expressão de seu rosto, pensando como faria aquilo.

(...)

Com o roupão enrolado em seu corpo, ela chegou até as escadas com o coração batendo rapidamente. Nunca imaginou que Gajeel, depois de tantos anos, fosse chegar a trabalhar em sua casa novamente. Estava muito bonito, deveria admitir, porém aquela sensação de felicidade não saía de dentro dela.

Perguntou-se quem o teria chamado até lá. Talvez ele tenha ido atrás de seu pai, ou Louis simplesmente poderia ter procurado Gajeel para voltar ao trabalho na mansão. Mas por que estaria sentindo aquela sensação de Déjà vu – e alegria –, que passava por ela?

... Vou fazer você descobrir o que sempre sentiu por mim. Que merda era aquela? Parecia que ele estava lá para mudar sua vida por inteiro. Lá no fundo, Levy queria que eles dois ficassem amigos, conversassem como antigamente, e até brigassem como os velhos tempos.

Porém percebeu que ele era um homem, e ela, uma mulher. E ainda mais com aquelas palavras ridículas que ele havia proferido sobre “sentimentos”, que nem ela mesma sabia. Então como seriam os seus dias? Provavelmente não conseguiria agir normalmente sabendo que um amigo de infância poderia estar espionando seus movimentos. Aquele seu sorriso pervertido revelou todo o homem que ele se transformara.

Chegou até seu quarto e trancou a porta, correndo até o banheiro para limpar o cloro de seu corpo. No banho, tentou imaginar que seus dias seriam normais, como qualquer outro.

Mas não imaginava como estava totalmente errada.