Dear Boss
8 Re-start.
Notas iniciais
Completamente. Totalmente. Absolutamente.
Ferrada.
Ferrada, ferrada e ferrada de novo. Ferrada mais um pouco.
Dica número um de sobrevivência em um emprego: NÃO se apaixone, sob hipótese alguma, pelo seu chefe. Nunca.
Caso acontecer esse infortúnio com você, fale comigo. Então poderíamos conversar sobre como estamos ferradas. E eu não estaria tão solitária.
Uma batida na porta me tirou dos meus devaneios. Imediatamente, o meu coração descompassou, e eu me sentir ondular por um momento. Outra batida. Sem respiração. Mais uma. Eu ia desmaiar.
-Bella! – Emmett gritou – Bella, é o seu chefe. Venha aqui.
Claro que eu sabia que era o meu chefe. Era por isso que eu estava quase tendo um ataque cardíaco. Ninguém mais me causava esse tipo de reação. Me xinguei mentalmente dez vezes, até me sentir um pouco satisfeita. Então saí do quarto.
Só para desejar voltar para ele.
Edward estava estonteante. Vestia um terno, e pela primeira vez desde que o conhecia, tinha os cabelos cuidadosamente arrumados. Parecia inquieto e desconfortável. O que poderia ser por três razões.
1.Ele iria conduzir a irmã ao altar hoje. 2.Eu estava encarando-o descaradamente, sem conseguir desviar o olhar. 3. Emmett parecia prestes a estrangulá-lo a qualquer momento.O caso era, o fato de ele estar ridiculamente lindo não estava me ajudando no exercício de permanecer tranqüila. Em nada.
-Isabella – ele me olhou então, desde os pés até o cabelo. Desceu, até a altura do busto. Depois subiu novamente, até olhar nos meus olhos. E sorriu – Você está linda.
Sorri, corando imediatamente. Na verdade, eu tinha investido bastante tempo em mim. Duas horas num salão, exatamente. Para escovar o cabelo, e deixá-lo cuidadosamente arrumado, mas solto. Vestia um vestido longo, azul claro, que tinha uma fenda nas pernas. Me custou metade do meu salário.
Mas, ultimamente, eu andava exageradamente preocupada com a aparência. Ótimo para o Edward, horrível para o meu bolso.
-Isabella? – Edward perguntou outra vez.
Assenti, andando até ele. Quando cheguei perto, virei para o Emmett.
-Não vou demorar. Não se preocupe – sorri, tranqüilizando-o.
O olhar dele dizia-me que iria se preocupar. Ele nunca gostou do Edward, mas quando descobriu que eu estava apaixonada por ele,passou a odeia-lo. Assim, do nada. Segundo ele, Edward não me tratava como eu merecia.
Como se eu não soubesse disso.
Edward chamou a minha atenção outra vez e saímos do meu apartamento. Como eu estava inquieta demais, decidi ficar calada. O silêncio estava incômodo, mas eu não iria quebrá-lo. Era melhor do que eu abrir a boca e soltar algo como “me beije agora”
-Por que está tão calada? – Edward perguntou quando entramos no carro.
Evitei olhar para ele enquanto respondia.
-Só estou pensativa.
Silêncio.
-Bem? – a voz dele apareceu.
-Hein?
-Sobre o que está pensando?
-Nada demais – que eu não deveria estar apaixonada por você.
-Me fale, Isabella.
-Não é nada.
Ele se mexeu, então. Segurou-me pelo queixo, e olhou nos meus olhos, a expressão queimando. Não com raiva, mas com curiosidade. Ele queria saber, e eu não tinha forças para dizer não. Não com ele tão perto.
-Me conte.
Abri a boca, mas a fechei rapidamente. O que eu ia falar? Ia...Me declarar? Não, não ia ser tão ridícula. Mas também não iria não falar. Aquele era o Edward. Olhando nos meus olhos. Muito perto. Droga.
-Estou perdendo a paciência, Isabella – ele falou,a voz um tanto dura.
-Eu..Eu estava pensando o quanto é ruim perceber as coisas – soltei então.
Graças a deus não falei muita idiotice. O alívio percorreu meus órgãos, me fazendo relaxar.
-O que?- ele parecia muito confuso.
Me soltei do seu aperto, para conseguir pensar com clareza.
-Você sabe, quando você desconfia de algo, mas não tem certeza, e pode seguir a vida normalmente. Então, você descobre e simplesmente não consegue esconder e nem disfarçar. É ridículo.
Edward franziu a testa, obviamente tentando entender a que me referia. Mal sabia ele que era sobre o próprio. Depois, surpreendendo-me, as rugas que se formavam quando ele estava pensativo desapareceram, e ele pareceu ter uma revelação.
Enrijeci imediatamente, o medo espalhando-se pelo meu corpo como fogo e gasolina.
-Isso me parece papo de apaixonado, Isabella – ele constatou, na mosca.
Presa! Você está presa em flagrante. E agora? O que eu iria fazer? Se mentisse, ele iria descobrir na hora. Sou péssima mentirosa.
-O silêncio nesse momento é revelador – a voz dele estava tão fria, que virei-me para olhá-lo. Tinha os olhos duros e a posição tensa. Ele estava com raiva – Quem é ele? É o seu colega de quarto?
-O Emmett? Claro que não! – respondi automaticamente.
Então o Edward endureceu o olhar de verdade, e descobri o que eu tinha feito. Claro, eu tinha revelado que estava apaixonada, mas não pelo Emmett. Por que nasci tão burra?
Será que foi erro de fabricação?
-Quem é? – Edward perguntou, a voz ordenando. Gritando. Marcando. Mas baixa e controlada.
Não respondi, e fechei os olhos tentando me controlar. Eu não iria falar nada. Não iria.
-Eu estou sem paciência, Isabella.
-Quando você está? – POR QUE eu tinha falado? Que droga.
-Não teste meus limites agora. Pode custar seu emprego.
Me virei para ele, sem medo de revelar nada, porque estava com raiva. De derretida á enfurecida. Aonde esse homem me levava.
-A vida é minha. A paixão também. Você não tem nada a ver com isso.
-Me fale – ele estava impassível.
Que pena. Eu também.
-Não.
-Conte – os seus dentes estavam rangendo.
-Por que quer saber tanto?
-Você não respondeu a minha pergunta. – ele rebateu, os olhos semicerrados.
-Era uma pergunta? Pensei que era uma ordem.
Então ele se descontrolou. Tirou o cinto de segurança, segurou o meu braço e me puxou para perto, até que nossos narizes estivessem encostados. Os olhos brilhavam em pura fúria, embora eu não soubesse o que causou tamanho ódio. Seu aperto era tão forte, que eu tinha certeza que ficaria vermelho depois. Não me importei. Não fiz nada. Continuei encarando-o, firme, incrivelmente calma, dada á nossa situação.
-Estou no meu limite- ele então falou, e seu hálito me atingiu como um tiro. Quase me inclinei mais para senti-lo melhor. Não o fiz. Por que se fizesse, provavelmente iríamos nos beijar. E eu seria a descontrolada.
-Por que se interessa tanto?
-Porque irei esmagá-lo, em todos os sentidos, assim que descobrir de quem se trata. – e sem falar mais nada, saiu do carro.
Eu estava desorienta. Ele iria fazer o que? Esmagar o pobre coitado? Esmagar a si próprio? Por que?
A porta do carro já estava aberta. Saí, ainda confusa, e Edward estava com os braços cruzados, a expressão severa. O lugar....Uau.
A igreja estava cuidadosamente arrumada, desde a fachada dela, até o interior. Flores enfeitavam todo o lugar, e o cheiro era maravilhoso. Eu nunca tinha visto nada tão lindo. Estava tudo exatamente a definição de perfeição. Inclusive as pessoas.
Bem, exceto uma.
-Edward. Edward, não pode ficar mal humorado no casamento da sua irmã – falei, tentando apaziguar a situação.
Ele olhou para mim apenas por um momento.
-Vou buscar a Alice. Sinta-se a vontade na festa – falou, e saiu. De novo.
Respirei fundo, tentando recuperar minha tranqüilidade. Eu não podia conhecer a família dele no estado em que estava. Obriguei-me a parecer remotamente normal e andei para a igreja, mais uma vez maravilhada com como tudo estava maravilhoso. Ser rico deveria ser uma maravilha.
-Isabella! – alguém me chamou e quando me virei na direção, vi Esme, a mãe do Edward, acenando para mim.
Andei até ela um pouco hesitante.
-Venha, guardei um lugar na frente para você – ela era toda sorrisos. Tão diferente do filho.
A verdade era que Edward não parecia em nada com ninguém da sua família. Esme era uma das pessoas mais simpáticas que já conheci, e me acompanhou durante toda a festa. Assim como Carlisle. Ele era afável demais, e, se não parecesse tanto com o Edward, me perguntaria se não houve uma adoção envolvida. Porque não era possível eles serem tão maravilhoso e Edward ser tão grosseiro.
Uma música começou a soar, e interrompeu a minha conversa tranqüila com Carlisle e Esme. Todos levantaram, e Alice apareceu no altar, com o Edward levando-a. Fiquei confusa por um instante, porque normalmente o pai era quem levava a noiva.
A confusão foi só por um instante.
Depois veio a admiração. O vestido da Alice era maravilhoso. Assim como ela, a festa, a igreja e a sua família. E o seu irmão. Os seus olhos brilhavam, como eu nunca tinha visto antes, e usava um sorriso que escondia toda a sua estupidez de antes. Apesar de todas as atenções estarem na Alice, não pude desviar meus olhos do Edward. Nem por um momento.
Nem por um momento durante toda a cerimônia. O que foi totalmente patético.
Quando os votos acabaram, Carlisle me chamou para outro salão, o de festas, e ele e Esme me acompanharam durante todo o trajeto. Ainda bem, porque deslocada era pouco para o que eu estava me sentindo. Todas as pessoas ali tinham tatuado na testa “sou milionário. Cuidado” Não literalmente, mas as roupas e o porte denunciavam descaradamente. Não era uma situação confortável para mim.
O salão de festas era igualmente sofisticado. As cadeiras tinham nomes, e fiquei surpresa quando vi o meu no da família.
Esme notou minha surpresa.
-Edward pediu que não nos esquecêssemos de você. Como se pudéssemos. Seu nome é dito com freqüência demais para esquecermos – então ela piscou o olho para mim.
Tudo bem...O que estava acontecendo ali?
Um curto circuito no meu cérebro? Ou ela tinha mesmo dito que Edward dizia meu nome com freqüência para sua família?
-Ele reclama demais de mim? – brinquei, sorrindo um pouco constrangida.
-Na verdade, não – Carlisle respondeu, e eu fiquei envergonhada demais para responder alguma coisa.
O resto da festa seguiu com naturalidade, e descobri que Alice era tão maravilhosa quanto os pais do Edward. Ela passou um bom tempo conversando comigo, e me senti imediatamente bem perto dela. Até marcamos uma saída assim que ela voltasse da lua de mel. O meu bom humor tinha voltado com tudo, e agi bastante naturalmente na frente dos que eu estava á vontade. Que se resumiu á três pessoas.
Edward não era uma delas.
Ele não ficou conosco. Na verdade, não o vi boa parte da festa. Pelo jeito, ainda estava nervoso.
-Vou ao banheiro, com licença – falei ao Carlisle e a Esme, indo para o banheiro.
Quando comecei a andar, quase comecei a me bater. Eu não sabia aonde era o banheiro. E só fui perceber quando já estava no meio do salão. Que tipo de idiota eu era?
-Perdida? – uma voz familiar chamou, e me virei imediatamente.
-Eric! – gritei e me lancei contra ele, logo depois sentindo seus braços se fechando sobre mim.
Tinha ficado com saudades dele sem perceber. Fazia um tempo que não o via, por causa do trabalho.
-E aí, sumidinha – ele falou, sem me soltar.
-Como você está? – perguntei, sorrindo de orelha á orelha – O que faz aqui?
Ele riu.
-Qual das duas perguntas quer que eu responda primeiro?
-A segunda.
-Estou trabalhando aqui, mas tive uma folga de 20 minutos para ver como os ricos se divertem.
Balancei a cabeça. Era bem a cara do Eric fugir do trabalho para aproveitar a festa. Então ele me afastou um pouco, me dando uma checada. Uma boa checada. Estava boquiaberto.
-Decepcionado? – brinquei, colocando as mãos na cintura e dando uma voltinha para que ele tivesse uma visão melhor.
-Sim. – falou, e eu entrei em choque. Depois ele riu, e acrescentou – Porque bem que o decote podia ser maior. E você poderia estar aqui como minha acompanhante.
Sorri, aliviada.
-Não estou exatamente acompanhada. É o casamento da irmã do meu chefe e fui convidada. Só isso – dei de ombros.
Os olhos de Eric brilharam,e ele abriu um sorriso enorme.
-Então isso quer dizer que tenho direito a uma dança?
Antes que tivesse a chance de aceitar, Edward saiu de lugar nenhum, se interpondo entre mim e Eric, nos afastando e se ajeitando de forma que eu ficasse atrás dele.
-Não. Ela está trabalhando. Assim como você, presumo. – ele respondeu por mim, e, a julgar pelo seu tom, estava usando o olhar saia-daqui-agora.
Eric titubeou, abalado, e se afastou dois bons passos. Depois virou-se, tentando olhar para mim, mas ao ver que o Edward continuava na mesma posição, virou-se e foi embora.
Com raiva, empurrei o Edward, que continuava na minha frente.
-O que você está fazendo?- perguntei, furiosa.
-Me diga você – ele virou para mim,e também estava irritado.
Aqui vamos nós novamente.
-Você só pode ter perdido a razão.
Ele parou, então. Olhou para mim por uns instantes, ponderando sobre algo.
-Vai me ver perdendo a razão de verdade- depois me segurou pelo braço e me arrastou pelo salão.
Sim, arrastou.
-Edward! Edward me solte! – tentei me soltar, mas o aperto estava forte demais. Ele continuou me levando.
Passamos por todo o salão, até chegarmos a um corredor. Depois um jardim, que estava vazio. Então ele me largou.
-Por que faz isso comigo? – ele perguntou, o rosto distorcido pelo ódio.
-Eu faço com você? – agora eu estava gritando mesmo. – Do que está falando?
-Diz que está apaixonada. Esconde-me isso.Depois fica flertando com os meus funcionários. Pretende me deixar louco?
-Ele não é o seu funcionário! – cuspi, farta do jeito dele de achar que todos eram sua propriedade.
-Então admite?
-Admito o que?
-Que estava flertando com ele?
-Ah, pelo amor de Deus! – exclamei, me virando para ir embora.
Ele estava louco. Louco. Mais louco ainda. Precisava de um psiquiatra, não de mim.
Não dei nem dois passos. Edward me alcançou, e me puxou. E....
E me beijou.
Eu fiquei tão surpresa que tentei me desvencilhar. Lutei, me debati. Não adiantou. Mas isso foi só por uma fração de tempo. Depois, quando percebi o que estava fazendo, com quem estava fazendo, parei. E parei de lutar.
Aquilo era diferente de todos os beijos que tinha dado na vida. Talvez porque agora envolvia um sentimento mais profundo, um algo a mais. Ou talvez não. Talvez fosse porque o beijo era dele. E ele se entregava a ele com a mesma paixão com que fazia todas as outras coisas. Intenso, completo. Pleno. Dando tudo de si, exigindo tudo de mim.
O puxei para mais perto, ainda mais, me entregando totalmente. Seu hálito me invadia, e o senti em todas as partes do meu corpo. Meu mundo girou uma, duas, três vezes. E não parou de girar. Até que me senti tonta, trôpega, e só não caí porque o Edward sustentava o meu corpo. Quando senti que ficava mais branca, mais confusa, vi que estava daquele jeito porque prendia a respiração e não porque o meu mundo girava.
Eu tinha que respirar.
-O...que...foi....isso? – perguntei, assim que me afastei para respirar, ainda perigosamente perto.
-Um beijo – ele sorria largamente. Bipolar.
-Um....Beijo – repeti, ofegante.
-Exato.
-Um...Beijo.
-Quantas vezes vai repetir isso? – ele perguntou, e estava prestes a cair na risada.
-Até que você volte a me beijar – respondi, e ele sorriu ainda mais, voltando a colar nossos lábios.
Aquela situação era maluca. Nunca, nem em mil anos, eu imaginaria que a noite acabaria daquele jeito. Tinha sonhado com ela, mas a realidade era muito melhor....Infinitamente melhor. O Edward do meu sonho tinha lábios familiares, mas não eram tão parecidos assim. Estes pareciam o mais refinado das sedas. Se movendo em sincronia comigo, como se os nossos lábios tivessem sido feitos para estarem unidos.
De novo, aquilo era a mais louca das loucuras.
Ainda bem que sempre fui do tipo aloprada.
Edward separou os nossos lábios, e gemi em protesto. Ele deu uma risada gostosa, e segurou a minha mão.
-Vamos dar uma volta – ele falou, sem me dar tempo de negar.
-Por que não poderíamos continuar beijando?- resmunguei, baixinho
Ele riu mais um vez.
-Que tal darmos uma volta e beijarmos? – ele propôs, com olhar maroto.
Sorri largamente.
-Fechado.
Andamos por mais um momento em silêncio, mas era um silêncio bom. Tranqüilo. Naquele momento, tudo estava no lugar certo. Principalmente as mãos que agora estavam juntas.
Edward parou em certo momento, e sentou-se, me puxando para baixo, aninhando-me em seus braços. E, como num passe de mágica, uma fonte começou a expulsar água, fazendo um barulho gostoso. Fechei os olhos, anestesiada com os braços do Edward e o som da água caindo. Como a noite tinha saído de regular para perfeita?
-Foi tomado pelo espírito do casamento e resolveu ser bonzinho? – perguntei, de repente.
Porque eu estava realmente confusa. Edward tinha chegado ali furioso. Não tinha olhado para mim durante toda a cerimônia e apenas por alguns momentos na festa. Por que agora me beijava e aninhava? Só não fazia sentido.
E por mais que eu estivesse amando tudo aquilo, tinha que entender.
-Na verdade, não. – ele respondeu, a boca no meu ouvido. Estremeci.
-Então o que? – me virei, de forma que olhasse em seus profundos olhos verdes.
-Quer mesmo saber? – perguntou, cauteloso.
-Sim.
-Por quê?
-Porque eu não consigo te entender. Uma hora está duro, grosso. Outra está simpático e fofo. Não consigo acompanhar suas mudanças de humor. Sinto que estou ficando louca com elas. Preciso entendê-las...preciso te entender.
Ele sustentou meu olhar por um longo momento. Depois, virou a cabeça para o lado.
-Não sou uma pessoa fácil, Isabella. Não sou acostumado ao que você me proporciona. No mundo aonde vivo, nos negócios, confiança não faz parte do pacote. Preciso ser duro, para impor respeito. É uma necessidade. Consegue entender isso?
-Consigo. Mas nunca fiz nada a você. Por que me odiava tanto no início?
-Porque você era diferente. Não estou acostumado ao diferente. Você dizia o que pensava, o que queria, num mundo aonde eu só ouvia o que eu queria. Isso foi um choque. Mas, de alguma forma, te queria por perto. Precisava de você por perto.
Uma chama de esperança se acendeu dentro de mim, e me movi, inquieta.
-Por que?
Ele deu de ombros.
-Eu não sei.
Assenti, balançando a cabeça.
-Mas por que me beijou agora? Parecia com raiva de mim no começo da festa.
-Não é o que o ciúme faz? Vi você com aquele garçom, e algo me atingiu, então me vi andando até ele. Só isso. Quando você disse que eu tinha perdido a razão, estava certa. Mas em partes. Na verdade, eu estava perdendo a razão enquanto tentava esconder que não te queria a cada instante do dia. – ele parou, e franziu a testa – Sabe o que me disse sobre o lance da revelação? Sobre você saber algo e não ter mais como esconder?
Só balancei a cabeça em concordância, porque agora que ele admitira que me queria, eu não cabia mais em mim. Eu queria beijá-lo agora mesmo, mas também queria que ele continuasse a falar. Em especial repetir a parte em que ele admitia que me queria. De novo e de novo.
-Acho que tinha razão. Eu não sabia que te queria tanto, mas desconfiava. Quando me disse que estava apaixonada, quando quase dançou com aquele cretino garçom, tive a revelação. Porque não pude suportar a idéia de te ver com outro. Só comigo. Mais ninguém.
Não permiti que ele falasse mais nada. Pulei para ele, beijando-o com fervor renovado, porque agora eu sabia a verdade. Ele me queria. Nunca uma revelação tinha me deixado tão feliz. Naquele momento, quis gritar “eu te amo, Edward, te amo”. Gritar até que perdesse a voz. Até que cada convidado daquela festa entendesse aquilo, mas principalmente ele. Porque ele era tudo o que importava. Todo o meu esforço, todo o meu amor...Era dele.
Um celular começou a tocar, mas o Edward não atendeu. Ignorou, assim como eu. Iria liquidar qualquer um que tentasse interromper aquele momento. O meu momento. O nosso momento.
Mas quando o celular continuou a tocar, sem parar, tive que dar voz á razão. Podia ser algo importante. Edward pensou o mesmo que eu, no mesmo momento. Então se afastou de mim, apenas para atender o celular. Mas estava tão perto, que pude ouvir tudo.
-O que é? – Edward estava azedo, principalmente tão irritado quanto eu pela interrupção
-Senhor Edward, gostaria de confirmar a sua presença na festa de 5 anos do seu restaurante – não reconheci a voz do outro lado, mas Edward sim.
Gritou uma maldição.
-Sim, irei. – e desligou. Sem nem dizer tchau.
Ele não pareceu feliz com o convite á festa.
-Por que não quer ir? – perguntei, acariciando sua bochecha.
Olhou para mim, mas os olhos estavam errados. Cautelosos.
-Estas festas exigem acompanhantes, Isabella.
Quase comecei a rir ali mesmo. Ele estava com vergonha de me chamar para sair? Pelo amor de deus! Claro que eu iria. Se ele me chamasse, iria para qualquer lugar. Até para uma festa chata que não conhecia nada sobre. Com ele, eu iria.
-Bom, então arranje uma – brinquei, revirando os olhos.
-É complicado. – ele continuava cauteloso.
Quem diria que ele seria tão medroso.
Dei uma risadinha.
-Edward, não precisa ter medo de me chamar – revirei os olhos novamente – É só falar.
Os olhos dele ficaram ainda mais cautelosos. A boca formou uma fina linha. Ele abriu a boca, e fechou de novo.
O que estava acontecendo?
-Isabella, essas festas não são.....Particulares. Sabe, tem imprensa, holofotes, essas coisas... – mas não falou mais nada.
Olhei para ele, ainda sem entender, e quando desviou o olhar, entendi tudo, num átimo de segundo.
Era uma festa de gala, é claro. Com imprensa, óbvio. E ele, Edward Masen Cullen, multimilionário, não iria com a sua secretária. Claro que não.
Meu deus, como sou idiota.
O silêncio, antes tranqüilo, agora estava carregado. Eu estava carregada.Um peso caía sobre o meu peito, porque denunciava que aquela relação não tinha futuro algum. Um rico e uma secretária? Aonde isso iria parar? No fim. Na verdade, não deveria nem começar.
Burra, burra, burra. Isso que eu era.
-Isabella, você tem que entender que se eu pudesse, te levaria. Mas você ficaria exposta demais e ...
-Tem vergonha de mim? – o interrompi, porque essa era uma coisa que estava me matando. Será que ele tinha? Que viveríamos um relacionamento escondido, porque ele tinha vergonha de me mostrar para os amigos? Relacionamento? Será que ele queria um?
Comigo?
-Claro que não! Nãos seja ridícula! – a voz dele saiu alta com a incredulidade.
Me encolhi, um pouco aliviada, mais ainda devastada. Nós não iríamos a nenhum lugar. Aquilo não levaria a nenhum lugar. Era só um sonho....E como todo bom sonho, na melhor parte, simplesmente é interrompido. Para a vida real.
Edward sentia a minha resignação, e segurou os dois lados da minha cabeça, obrigando-me a olhá-lo nos olhos.
-Não tenho vergonha de você. Quero ter algo com você, Isabella. De verdade. Como nunca quis. Apenas não quero que você seja exposta a toda a merda que é a minha vida. Jornais, revistas de fofoca, tudo isso. Não agora, no começo. Quem sabe com o tempo...
Assenti, ainda sem acreditar. Mas gostei da idéia do tempo.
-Por que estamos falando disso? Estava tão bom antes... – o olhar sapeca voltou – O que estávamos fazendo de tão bom, aliás?
Entrei na brincadeira imediatamente. Precisava de uma válvula de escape dos pensamentos dolorosos de antes, e ali estava. Tudo o que eu que queria na minha frente, tudo o que eu precisava também.
-Ah, não sei dizer. Só mostrar – e, ainda sorrindo, colei os nossos lábios novamente.
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