Notas iniciais
Eu disse que eu ia voltar logo dessa vez!!! Uhuuuu, estou de volta com mais um capítulo! Espero que gostem!

Pov. May

Foi estranho acordar em um quarto totalmente branco, que não tinha semelhança nenhuma com o que eu costumava acordar. Demorou um pouco até que eu tomasse consciência de onde estava, em seguida todas as informações do dia anterior vieram à tona de uma vez. Olhei para meu braço engessado, tinha me esquecido como era horrível quebrar algum osso e, principalmente, como era entediante. Não tinha NADA pra fazer naquele quarto de hospital e mesmo que tivesse, eu não conseguiria fazer por estar imobilizada. Usei meu braço direito (que por sorte não teve nenhum osso quebrado) pra apertar o botão que chamava a enfermeira. Assim que ela chegou, pedi pra que ela trouxesse o controle da Tv, se possível. Alguns minutos depois ela trouxe e eu resolvi navegar entre os canais numa tentativa de acabar com o meu tédio. Não adiantou, nada do que estava passando era interessante.

Chegou a hora do café da manhã, tentei levar a colher de sopa até minha boca com a mão direita, mas por ironia do destino eu sou canhota, ou seja, derramei sopa na minha roupa. A enfermeira logo veio me ajudar. Passei o resto da manhã pensando como era chato estar imobilizada e como eu queria que o Dean chegasse logo.

Falando nele, acho que se eu não estivesse sob efeito de anestesia no dia anterior, dormir teria sido um desafio. Ele foi tão fofo e atencioso! Sei que grande parte disso se deve ao meu acidente, mas meu coração é perito em se iludir por qualquer coisa, então não pude evitar. Ele chegou tão aflito, com aqueles olhinhos inchados de tanto chorar. Fechei os olhos assim que percebi que ele estava entrando e usei a melhor das minhas atuações pra fingir que estava dormindo. Nem acredito que ele ficou todos aqueles minutos lá parado me olhando, tive que abrir os olhos pra ver se ele relaxava um pouco.

Assim que disse a ele que estava bem, percebi que era como se um peso tivesse saído das costas dele. E saber que ele tinha ficado bem, também me deixava tranquila. Certamente, a anestesia também serviu para me fazer agir como se eu não estivesse morrendo de amores por qualquer coisa que ele dizia, porque se eu estivesse reagindo por fora como estava reagindo na minha cabeça, eu me entregaria e ele descobriria que gosto dele em segredo (ou não, levando em conta que ele é mais lerdo que uma porta)

Quando comecei a repassar pela 18ª vez tudo que tinha acontecido no outro dia, o protagonista dos meus pensamentos entrou no quarto, trazendo alguma coisa escondida atrás das costas.

— Bom diaaa, senhorita. – ele disse sorrindo, não pude deixar de sorrir também.

— Acho que agora já deve ser boa tarde, pelo visto você demorou mais do que geralmente demora na prova de português. – falei, fingindo um olhar desconfiado.

— Digamos que não tive como estudar – ele disse e eu gargalhei.

— Ah tá, os meses que antecederam as provas não foram o bastante pra que você tivesse tempo de estudar, né – falei entre risadas e ele desconversou.

— Tá, tá, não vim aqui pra gente falar de mim. Como você tá? Um pouco melhor? Já pode voltar pra casa hoje? – ele me bombardeou com uma pergunta atrás da outra.

— Quem dera, acho que estou um pouco melhor, mas o processo pra curar ossos quebrados é lento. – eu disse, desapontada. – Mas a enfermeira disse que amanhã já vou ter alta.

— Uhuuuu! Que bom, a casa não é a mesma sem você! O Johnny tá com saudade, não quer nem comer – ele disse, fazendo cara de tristeza.

— Só o Johnny sente falta de mim, né? Então tá bom, talvez eu diga pra enfermeira que quero ficar mais um tempo aqui – brinquei e ele riu.

— Não, claro que eu também to com saudade, mas eu to aqui te vendo né, o Johnny não coitado. Acho que ele gosta mais de você do que de mim – Rimos.

— Eu concordo – falei fazendo uma carinha vitoriosa que foi seguida de uma careta dele.

— Desde que cheguei só levei patada, acho que não vou entregar o que tinha trazido pra você. Você não tá merecendo. – que dramático!

— Nãaao, nada disso. Você já tá me fazendo surtar de curiosidade desde que chegou! Mostra logo, por favooor – implorei, gesticulando o máximo que podia com minha mão direita.

— Okay, espero que goste – ele tirou um pequeno vaso com flores dentro, pra ser mais específica uma muda de margaridas. Eu não podia ficar mais feliz, pois era um dos meus tipos favoritos de flores.

— Deaaaan! Que lindo! Muito obrigada. – agradeci e ele trouxe a muda pra mais perto de mim.

— Sei que, por enquanto, você não vai estar em condições de cuidar, mas pode deixar que por enquanto eu me encarrego disso, até você se recuperar. – ele disse, sorrindo. – Em breve, ela vai fazer parte do seu jardim.

— Obrigada mesmo, você sabe que eu não poderia receber presente melhor! Já alegrou meu dia – falei, sorrindo de orelha a orelha. Era incrível como ele sempre conseguia melhorar meu astral, mesmo nas piores situações.

— Fico feliz que tenha gostado, foi difícil encontrar alguma que você não tivesse no seu jardim – ele riu e eu fiquei bobinha em perceber como ele tinha se esforçado pra dar o melhor presente possível. – Bom, o Rich tá aqui também, quando eu entrei ele foi barrado porque, segundo a enfermeira, não é bom que mais de uma pessoa te visite por vez. Então, vou lá pra que ele possa vir te ver, tá? – eu assenti e ele saiu. Pouco depois o Rich entrou no quarto.

— May-May, que susto você nos deu!!! – ele disse, um pouco aflito, enquanto me cumprimentava com um high-five na minha mão direita.

— Riich, que bom te ver! – eu disse, sorrindo.

— Como é que você tá? Todo mundo na escola tá dizendo que você quebrou todos os ossos, se eu não tivesse o Dean pra me contar o que tinha acontecido mesmo, eu iria ficar desesperado. – ele falou, com o jeitinho hiperativo de sempre. Eu ri.

— Nossa, o pessoal da escola aumenta muito. Eu só quebrei alguns, no fim só meu braço esquerdo e minha perna direita estão engessados, como pode ver. – eu disse apontando pra minha perna. – Mas, apesar disso, estou bem. Só não vou poder me mover por algum tempo.

— Caraca, que tenso – ele disse, com uma expressão de pena – Bom, se eu fosse você, quando voltasse pra escola diria que tudo o que falarem é verdade, vai que assim eles te tratam melhor por ser uma sobrevivente. – esse menino é uma figura, gargalhei com a ideia dele.

— Ah tá, vou sim – disse ironicamente – Nunca é bom alimentar essas fofocas da escola, se a gente não confirma nada eles já aumentam, imagina se eu digo que é verdade.

— Ih é, lembrei que você já estava sendo bastante comentada na escola, mas por outro motivo que você já deve saber, inclusive. – ele disse com uma expressão curiosa.

— Nem me fale nisso, a parte boa desse acidente é que talvez as pessoas fiquem tão focadas no que realmente aconteceu, que vão parar de inventar boatos sem nenhum fundamento. – disse, exausta de tanta mentira envolvendo meu nome.

— Esperamos! Mas sabe, como bom fofoqueiro que sou, descobri por fontes seguras quem começou todo esse boato sobre você e o Dean. – ele falou, se segurando para não falar tudo de uma vez. E eu arregalei os olhos – Quer saber quem foi?

— Claro que quero, né! – disse, ansiosa.

— Acredite se quiser, mas foi a Susan. – ele disse e parte de mim não acreditava, a outra acreditava, mas não entendia porquê. – E a fonte segura foi ela mesma, porque eu ouvi ela espalhando isso pra as amigas.

— Que... cobra! – eu disse e Rich arregalou os olhos, surpreso.

— Nossa, acho que esse foi o único insulto que já ouvi você dizer – ele riu, mas eu ainda continuava séria tentando entender qual o sentido de ela ter começado essa fofoca.

— Mas eu não consigo entender, por que ela faria isso? – perguntei, ainda confusa.

— Bom, talvez porque ela quisesse te afetar – Rich disse como se isso fosse óbvio (e meio que percebi que era quando ele falou)

— Tá, faz sentido, ela provavelmente queria que o “ruivinho” dela ficasse o dia todo atrás dela e pensou que espalhar essa fofoca o faria se afastar de mim – falei, irritada. Como ela era ardilosa, pelo menos o plano tinha dado errado.

— É, acho que foi isso mesmo. Ou ela poderia estar com ciúmes de vocês dois e queria eliminar a concorrência – Rich disse com um sorrisinho. E eu fiquei vermelha no mesmo instante.

— P-porque ela teria ciúmes da gente?! Isso nem faz sentido, só se ela não tiver batendo bem da cabeça, eu e o Dean somos melhores amigos – disse, rindo de nervoso. Rich me olhou desconfiado.

— É, eu também achava isso, mas pela sua reação talvez ela esteja certa no palpite – Rich falou, cerrando um pouco os olhos e depois rindo.

— N-nada a ver, Rich! Eu só fico nervosa quando falam nisso, só isso. Porque não consigo nem imaginar, eu e o Dean?! Tipo, como assim? – eu disse, tentando ser o mais convincente possível e torcendo pra que ele acreditasse.

— É, realmente, seria estranho – ele disse, parecendo ter acreditado. – Enfim, mudando de assunto. O aniversário de vocês tá chegando né? – Agradeci aos céus pela mudança de assunto e sorri.

— Simmm, é daqui a 20 dias, mais ou menos o período em que vou tirar o gesso. Mas ainda não vou poder me locomover normalmente.

— Nossa, que barra. Mas pelo menos vai poder ter tirado isso, né – ele disse apontando pro gesso no meu braço. – Ei, será que eu posso assinar?

— Claro que pode! Só precisa escolher entre o braço e a perna. – Eu disse, essa era uma das únicas partes legais de usar gesso. Ele escolheu assinar no pé e logo disse que precisava ir pra casa almoçar e que eu precisava descansar. Nos despedimos e, então, voltei ao meu tédio hospitalar.

15 dias depois...

Pov. Dean

A May já estava em casa há alguns dias, me sentia por ela não poder sair da cama, mas ficava feliz em saber que ela estava se recuperando mais rápido por causa do repouso absoluto. Enquanto isso, fazia questão de entretê-la, escolhendo filmes legais pra gente assistir todos os dias, músicas pra ela escutar enquanto eu ia pra escola ou só ficar conversando besteira por horas. O nosso aniversário seria em 5 dias e eu pretendia fazer uma festa surpresa pra ela, só com o pessoal mais próximo mesmo, pra ver se consigo fazer desse aniversário engessado mais legal.

— E se o tema da festa fosse Star Wars? – Rich sugeriu com os olhos brilhando. Enquanto voltávamos da escola.

— Rich, o tema tem que ser algo que ela goste, não que você goste. – eu disse, rindo.

— Ah, eu tinha que tentar, né? – ele disse e eu voltei a pensar em algum tema.

— Já sei! Bob esponja! É o tema perfeito! A gente podia arranjar até umas fantasias pra ficar mais engraçado. – eu disse, empolgado.

— Caraca, gostei! Eu quero ser o Patrick, porque é o melhor personagem – ele disse e eu discordei.

— Nada a ver! Se ele fosse o melhor personagem o nome do programa seria Patrick e não Bob Esponja! E por isso, eu vou me fantasiar de Bob. Agora vamos ter que improvisar essas fantasias, porque não to a fim de ficar dentro daquelas fantasias enormes. – eu disse, já imaginando o calor dentro daquelas roupas.

— Sim, a gente pode usar roupas parecidas com as deles. Como o Patrick nem usa camisa, eu vou vestir uma camisa rosa, com um calção parecido com o dele. E pronto, tá feita minha fantasia. – Rich disse.

— Isso e eu vou procurar uma roupa parecida com a do Bob, serei a versão humana dele – falei rindo – Ah! E a gente pode até achar um capacete de astronauta com uma florzinha pra May, assim ela vai ser a Sandy. – Conclui e o Rich concordou.

Estranhamente, quando estávamos perto de casa, vimos a Sue falando com a minha mãe. Assim que nos aproximamos ela veio em nossa direção.

— Ruivinhoooo! Que bom ver você! – ela disse me dando um selinho. Depois percebeu que o Rich estava lá também. – Ah e oi Rick. – o Rich só sorriu bobo, tava na cara que ele tinha uma quedinha por ela. Mas o que podia fazer se a Sue só tinha olhos pra mim.

— Sue? O que você tá fazendo aqui? – perguntei, um pouco confuso, pois ela raramente falava com minha mãe.

— Ah, eu só estava entregando pra ela um livro que você deixou na minha casa, no dia que você foi estudar lá, lembra? – Não, eu não lembrava, mas como não sou a pessoa mais ligada do mundo, era bem possível que eu tivesse esquecido mesmo.

— Ah sim, entendi. – eu disse e ela se apressou em se despedir, porque o motorista dela já tava esperando e ela teria aula de balé em poucas horas. Logo voltamos a ser só eu e o Rich de novo, continuamos a falar da festa, até que resolvemos a maior parte das coisas e subimos pra falar com a May.

Pov. May

Os dias se passavam e eu já não aguentava mais ficar presa a uma cama. Faltavam dois dias para que eu fizesse 13 anos e meus últimos dias com 12 anos seriam passados assim. Bom, pelo menos o gesso do meu braço já tinha sido tirado, o que já aliviava um pouco, porque podia passar meu tempo lendo. Mas ler deitada na cama sempre é uma armadilha, quando o sono vem, nem o melhor livro do mundo consegue nos manter acordados. Resolvi cochilar por um tempo.

Acordei do cochilo da tarde, ainda um pouco sonolenta. Percebi que tinha um som alto vindo do andar de baixo. Fiquei curiosa pra ver o que estava acontecendo, então peguei as muletas que estavam do lado da cama e sai do quarto. Depois de alguma dificuldade para descer as escadas, percebi que a música alta estava vindo da área da piscina que, para minha surpresa, estava cheia de gente.

Curiosa para saber o que estava acontecendo, fui pra área da piscina, tentando reconhecer pelo menos uma das pessoas na multidão. Percebi que tinham várias pessoas que já tinha visto vagamente na escola e outras que nunca tinha visto. Andei um pouco mais pra o centro do local, tentando encontrar o Dean ou a Tia Lucy, sem sucesso. Quando ia virar para voltar para dentro, senti uma mão me empurrar, me desequilibrei com as muletas e, incapaz de colocar a perna direita no chão pra amparar a queda, caí dentro da piscina. A última coisa que vi antes de afundar foi uma loira com um sorriso sinistro, acenando para mim. Eu podia jurar que dentre tantos desconhecidos, eu sabia bem quem ela era.

Mal pude pensar nisso, pois no mesmo instante que cai na piscina afundei, meu gesso pesado me impossibilitava de nadar para a superfície. Quando já estava prestes a perder o ar, senti alguém me segurar e me tirar de dentro da piscina. Esse alguém era ruivo e eu também sabia bem quem ele era, muito bem.

Notas finais
Ihhhhh! Essa May só se lasca hehehe E aí? O que acharam do cap. novo? Como sempre digo, se puderem deixar nos comentários o feedback de vocês, eu sou muuuito grata, porque me motiva sempre a continuar escrevendo. Bjss e até a próxima!