Deadly Games

7 Você é estranho


Notas iniciais
Hey cerejinhas, capítulo novo espero que gostem. Boa leitura!

POV- Thalia

Puxei o Nico até a biblioteca, quase ninguém entrava naquele lugar, a biblioteca se resumia em um monte de estantes, alguns computadores e ela tinha ao todo dois andares, o levei até o segundo andar antes que a mulherzinha que fica na biblioteca aparecesse, o levei no canto que costumava matar aula e me sentei no chão entre duas prateleiras, ninguém conseguia me vê ali a não ser que soubesse aonde procurar.

Nico se sentou ao meu lado, tão escondido quanto eu e pegou o celular e ficou mexendo, como se não se importasse comigo ali, peguei a adaga e a analisei, ela estava intacta, perfeitamente polida, comecei a arranhar a prateleira do lado e ele parou de mexer no celular para me analisar.

— Não achou nenhum pouco estranho eu quase ter te acertado com uma adaga?- Perguntei sem o encarar.

— Não, eu sei da caçada, minha irmã é da equipe rival a sua não?- sua voz estava baixa e tão próxima do meu ouvido que me causou arrepio.

— Sim ela é.- disse parando para encara-lo, ele estava a poucos centímetros de distância de mim, eu conseguia sentir sua respiração bater contra o meu rosto.

— O que quer perguntar? — Ele disse quase em um sussurro.

— E você, qual sua relação com a caçada?

— Nenhuma.- Ele disse sério e seus olhos desceram pelo meu rosto, pescoço, braço até por fim chegar na adaga na qual ele pegou passando a palma da mão sobre ela o que fez um corte não muito fundo nela.

— Porque fez isso? — Perguntei olhando para o sangue que agora pingava na sua calça.

— Você queria conferir não queria? — Ele perguntou e me esticou a mão cortada para o caso de eu ainda ter dúvidas- Não sou seu inimigo.

Assenti e peguei um pano e enrolei na mão dele para estancar o sangue, ele apenas observou eu o fazer depois disso ficamos em silêncio, eu voltei a girar minha adaga e ele ficou apenas me observando fazer.

POV- Nico

Ela tinha os olhos fixos na adaga, mas as vezes ela os desviava para mim. Ela não parecia se incomodar com eu a observando, ela na verdade nem parecia se importar, eu poderia a matar agora, não precisaria de muito, era só eu pensar e ela morreria, sem ar quem sabe? Engasgada? Mas porque meu pai não conseguiu fazer isso? Não parece ser tão difícil.

— Nico- ela me chamou sem tirar os olhos da adaga.

— Hum?- perguntei com preguiça de falar uma frase completa.

— Você é estranho! — Ela disse e eu revirei os olhos meio surpreso.

— Você também é estranha Grace! — Disse e ela riu.

— Eu sei.

Tirei os olhos da adaga e os levei para seu rosto, sua pela branca era perfeita mesmo com as lutas e inúmeras mortes, seus olhos azuis elétricos eram intensos, mas quase pareciam mortos.

— O que te atormenta? — Perguntei e ela me encarou, mudando a expressão de confusa, para triste e confusa de novo.

— Porque acha que algo me atormenta?

— Seus olhos, parecem triste, quase sem vida.- Ela sorriu de leve.

— Eu não me sinto viva, sinto como se tivesse morta a anos.

— E o que te impede de mudar de estado?

— Para se morrer tem que estar viva, então matar meu corpo se torna mais difícil.

— Porque se importa? — Perguntei logo pensando na família dela.

— Porque quero me importar.

O sinal bateu e ela deu um pulo e guardou a adaga, ela passou por mim e eu não a impedi, aquilo fazia sentido, como eu poderia matar alguém que está morto? Acho que terei que torná-la viva para cumprir minha tarefa.

POV- Thalia

Porque eu disse aquilo para aquele garoto? Eu nunca falei aquilo para ninguém e me abri com o primeiro garoto que notou que eu não deveria ser assim? E como ele notou? Ele mal me conhece.

Fui para a sala de matemática e não me preocupei de passar no meu armário para pegar o material antes, apenas me sentei na minha cadeira e esperei a sala se encher aos poucos. Anne sentou na minha frente como toda aula e depois se virou para mim.

— Não foi para secretaria né? — Ela disse colocando os cabelos loiros para trais da orelha.

Anne só tinha corpo de quem lutava, mas ela se vestia e agia como uma típica nerd que se vê em filmes, a não ser claro que você entregue uma arma ou uma espada para ela, ai sim ela se torna a mulher que ela é.

— Claro que não, porque?

— Minha mãe assumiu a diretoria essa manhã, logo você falaria com ela.

Eu quase tive vontade de rir, com a mãe da Anne na escola seria quase como ganhar na loteria, ela nunca puniria a gente, ou pelo menos faria o máximo possível para não o fazer.

— O garoto novo, ele sabe da caçada, mas de acordo com ele não tem nenhum envolvimento.- disse e ela me olhou desconfiada.

— Confia nele?

— Não. – Menti. — Mas também não tive motivos para duvidar.

Ela deu de ombros, todos mereciam o direito da dúvida, mas eu achava estranho o fato dele ser ótimo lutador e não ter nenhum envolvimento com a caçada e também achava estranho o fato dele ter notado coisas que ninguém nunca notou.

Anne se virou para frente assim que a professora entrou e começou a explicar a matéria, minha adrenalina já tinha abaixado então optei por dormir a aula de matemática e física, sim notaram como meu dia é ótimo.

Era hora do intervalo e eu fui caminhando com a Clarisse até o refeitório, tínhamos aula de física juntas, assim que chegamos vimos Nico e Hazel conversando e eles estavam indo para a mesa do Jackson. Lado escolhido.

POV- Nico

Hazel me chamou para sentar com ela então foi o que eu fiz, não escolheria um lado, eu tinha uma missão e a cumpriria, mas eu tenho uma irmã.

Senti um peso sobre minhas costas, mas como não tinha nada olhei na direção que o sentia e logo vi os olhos eletrizantes da Grace me fitando, sorri para ela, mas a mesma me ignorou e continuou andando com a Clarisse.

— Sinto te dizer, mas vai ser bem impossível você ser de ambos os lados- Um menino branco de olhos verdes disse com um olhar quase como se sentisse culpa por isso.

— Não tenho um lado- Disse dando de ombros.

— É sempre assim, mas uma hora você vai ter que escolher, ou vão fazer para você- Uma garota disse se sentando na nossa mesa.

— Como assim?

— Tá vendo aquela de calça vermelha e blusa branca? — Ela perguntou apontando para o outro lado do refeitório, a mesa dos Grace.

— Sim.

— Ela é minha irmã, não nos falamos desde que escolhemos nossos lados, mesma coisa o Frank e a irmã dele.

— Mas no meu caso escolheram o lado para mim-. Frank disse, ele falava engraçado porque tinha um adesivo no nariz dele que parecia dificultar para ele respirar.

— Porque? — Perguntei.

— Eu namorava a Hazel e eu e minha irmã perdemos a nossa mãe para a caçada, nós dois tínhamos o mesmo objetivo, vingança, mas ela tinha os amigos dela e eu tinha os meus, quando resolvemos entrar achamos que podíamos ficar neutros, sem um lado fixo, mas a Clarisse fez a escolha dela e deixou claro se eu não fosse com ela não seria mais seu irmão e eu não conhecia aquele grupo, não tinha nenhum contato lá, então continuei com a sua irmã e eles escolheram meu lado.

— Mas vocês têm os mesmos objetivos, nunca trabalharam juntos?

— Antes de eu convencer meu pai a fazer o acordo de paz com os Grace mal podíamos nos ver, eu e o Grace não tínhamos nenhuma aula juntos porque sempre que nos esbarrávamos era luta na certa, então o acordo de paz foi o melhor jeito de pararmos com isso e focarmos no que é importante, e nenhuma criatura chega no território neutro por ser afastado demais das saídas da cidade.

— Vulgo floresta- os dois gêmeos loiros falaram juntos.

— Logo depois do acordo quase nunca tivemos brigas.

— Quase nunca? — Perguntei curioso, aquela história estava bastante interessante.

— Sim, já tivemos alguns problemas. — Um garoto magrelo que mexia em umas peças disse. — Mas nada que envolvesse os grandes.

— Geralmente o Percy resolve. — Hazel disse.

— Ou um dos Grace. — Frank disse.

— Percy é você? — Perguntei apontando para o garoto que tinha falado do pai.

— Sim eu mesmo, e também não sei seu nome.

— Nico Di Ângelo.

— Na verdade você deveria saber o nome dele, a Hazel gritou para o mundo inteiro ontem.- o menino das peças disse.

Todos riram menos minha irmã e o Frank e assim passou os intervalos, por fim eu descobri o nome de cada um e eu fui para a aula depois.

Notas finais
O que acharam? Beijos