Deadly Games
70 Como deixamos chegar a esse ponto?
Notas iniciais
POV — Thalia
— Então... acha que isso vai dar certo? — tinha meus olhos em Atena, que suspirou e deu de ombros.
— Quando Poseidon me disse do veneno na água eu tentei o extrair e analisar, ao dar isso para Anne ela ficou bem melhor — a mulher respondeu, olhando a filha que sorriu simpática, tendo os dedos entrelaçados ao de Thalia sentada no sofá — e eu consegui neutralizar pelo filtro de água aqui de casa, então acredito que iremos conseguir se colocarmos isso no abastecimento d’água da cidade.
Era incrível como o caos havia diminuído, Poseidon tinha feito um bom trabalho em conseguir se comunicar com Zeus, Percy também os levou para a nossa cede improvisada que não havia sido hackeada e mostrava a real situação da cidade, nenhuma, exatas nenhuma criatura.
O que tinha feito finalmente as pessoas começarem a diminuir a guarda e conseguirem tentar voltar à normalidade. A escola estava sendo reintegrada e reorganizada para tentar recuperar o tempo perdido por todos, andando na rua era claro que muitos não sabiam o porquê o caos e o pânico haviam se instaurado na cidade, o que facilitava muito a história de que humanos eram os causadores de tudo, não monstros fictícios.
Mas apesar de finalmente algumas coisas começarem a tomar um rumo, um rumo melhor do que estava tomando eu só conseguia pensar em Nico. Haviam se passado três dias desde que ele morrerá. Bianca tinha ido no mundo dos mortos e não voltou com respostas maiores de que, talvez Cronos tenha ganhado, não Nico.
Suspirei pesado apertando a mão de Annabeth com mais força, a fazendo sorrir acolhedora em minha direção. Percy estava trancafiado como um monstro em uma jaula da prisão do pai, ele mal conseguia respirar perto de uma criatura sem os impulsos o dominarem e a cada dia que passava ele estava pior, por este motivo ele havia escolhido ficar trancafiado.
— Acha que eu vou ficar igual o Percy? — indaguei baixo, dizer que isso estava me assustando era pouco, faltavam dias para eu fazer dezoito anos, pensar em me tornar um monstro assassino sendo preenchido por um desejo de sangue e extermínio me assustava.
— Eu espero que não — sua voz saiu chorosa — não sei se aguentaria perder você também.
POV- Annabeth
Fechei os olhos tentando não chorar, era basicamente isso que eu havia feito todos os dias, eu me sentia uma inútil. Mas ver o Percy do estado que eu o tinha visto me agoniou de uma maneira, me fez mal de uma maneira...
Lembrava perfeitamente do dia em que eu finalmente conseguia me locomover completamente sozinha, e é claro que Poseidon não se surpreendeu quando eu pedi autorização para ver o filho dele. Então conseguiu que eu fosse as celas escondida.
O silêncio era aterrorizante, lá era frio e escuro demais, as celas eram fechadas por grandes portas de metal, impossibilitando a visão do que tinha dentro, bem parecido com o que eram as de Zeus, entretanto pensar no Jackson trancafiado em uma delas deixava tudo mais aterrorizante.
Meus passos ecoavam pelo enorme corredor de metal, fundo demais para eu conseguir visualizar o fim, até com as luzes acessas clareando a visão para tudo aquilo. Suspirei pesado parando na frente da cela indicada anteriormente por Poseidon, o número 5T em relevo no exato meio da porta, na parte superior, começando a enferrujar devido a humidade e o calor que ali embaixo fazia, além de ser possível perfeitamente de sentir o cheiro da maresia entrando pela tubulação de ar.
Puxei o ar para dentro dos meus pulmões, apertando o botão do controle, vendo a porta começar a subir lentamente, o barulho das engrenagens velhas se esforçando para fazer com que funcionasse, as correntes batendo contra o metal me agoniando, começando a revelar a grade e consequentemente o que tinha dentro da cela.
A cela parecia ser melhor do que a maioria, uma cama encostada ao canto completamente bagunçada, o chão estava repleto de folhas rabiscadas, o teto tinha uma barra de metal nova, que parecia uma barra de exercícios, mas não foi nada daquilo que chamou minha atenção.
Meus olhos caíram de imediato em Percy, ele estava sentado ao chão, vestindo apenas uma calça jeans azul escura rasgada, seu cabelo estava bagunçado e a barba necessitando ser feita, os olhos verdes-mar focaram em mim, eles não pareciam ter vida, nem sentimento nenhum e de alguma maneira eu soube que eu o havia perdido.
Mas nenhum de nós se mexeu, apenas a pesada porta continuou a subir, revelando mais da visão da cela, o que me fez notar uma pequena janela, gradeada no topo das paredes, uma das barras estava torta e pelo sangue seco na parede não foi difícil de deduzir que o causador daquilo tinha sido o Jackson.
O baque do metal contra metal, foi que fez as coisas acontecerem tão rápido, em um segundo Percy estava sentado, uma das pernas esticadas de modo largado, enquanto a outra estava dobrada, mantendo o pé firme ao chão e usando o joelho dobrado como apoio para o braço, em outro uma das grades da cama estava voando em minha direção.
Desviei em um último segundo, vendo a grade bater contra a porta da cela da frente e cair no chão, mostrando as pontas dobadas de modo que ficasse pontudo e mais letal.
— Sai daqui — um grunhido de dor foi expelido dos lábios do moreno e eu pude vê-lo encravando as unhas no chão de pedra, começando a sair sangue dali por elas estarem querendo sair de sua pele.
— Per... — não tive tempo de falar, outra grade voou em minha direção e essa eu precisei usar meus poderes para desvia-la.
O moreno se levantou em um movimento subido e eu dei dois passos para trás ao ver deu olhar de ódio em minha direção. Deixei que uma lágrima escorre pelos meus olhos e apertei o botam da porta, que começou a despencar com brutalidade, batendo contra o chão e me fazendo fechar os olhos em plena agonia.
Puxei Thalia pelos ombros, respirando pesado. Ela estava ficando alguns dias por ali, afinal ela tinha sido dada como morta e todos que sabia que isso não era completamente verdade acharam que seria melhor ela permanecer com esse título por enquanto, até pelo menos as coisas esfriarem por completo.
— Pronto — minha mãe declarou, vendo o líquido estranho que ela mexia se transformar em um pó branco.
Poseidon se levantou e estendeu o pote que eles tinham separado anteriormente para por o pó, logo o homem estava saindo da casa de indo a sua missão de desinfetar a água da cidade.
— Como deixamos as coisas chegarem a esse ponto? — Thalia questionou baixo, a voz manhosa indicando que ela estava falando de bem mais coisa do que a batalha entre humanos e não humanos.
Minha mãe olhou pesarosa para a morena, e suspirou, pegando um pouco d’água e estendendo para ela, que sorriu agradecida, pegando o copo e suspirando pesado antes de usufruir do líquido.
Não demorou muito para que ela estivesse dormindo com a cabeça encostada em minha perna, fazendo com que minha mãe pegasse o copo e levasse para a pia.
— Ela precisava descansar um pouco — admitiu triste, sabia que Thalia mal dormia desde de que Nico havia sido dado como morto.
Fale com o autor