Jack


“As autoridades recomendam que os habitantes de Sacramento permaneçam em casa para sua segurança. ”
Então o caos começou, os corpos cobertos por lonas brancas atrás da repórter começaram a se erguer, o policial mais próximo se assustou e atirou no corpo. Porem o corpo continuou a se erguer junto com os outros. O choque se dissipou quando o mais próximo atacou o policial e o mordeu no ombro. Ai acabava a transmissão.


–Então é assim que começa?- Se perguntou levantando.


–Durante um apocalipse viral? –Disse desligando a televisão. –Fique você.


Ele já havia imaginado que isso aconteceria. Em todas as historias e quadrinhos de zumbis era assim que começava. E como um bom nerd, ele estava preparado.


–Se eles admitiram é por que a situação esta pior do que parece.


Com isso pegou uma mochila e começou a colocar seus pertences. Algumas roupas, pertences preciosos. Pegou seu melhor facão, aquele que pertencera a seu pai, seu arco e algumas flechas.


–Não acho que apenas isso vai me garantir sobrevivência... –Disse pensativo. Foi em sua mesa e abriu um mapa da cidade. –Acho que preciso de armas de verdade. –Disse colocando o dedo em cima de uma loja no meio do mapa. Dobrou o mapa colocou em sua mochila e se dirigiu para a porta.


Jackson Carter morava em uma casa com a mãe, perto do centro da cidade. Seu pai a muito desapareceu, apenas deixou seu facão e um par de botas. Naquele dia especifico sua mãe havia deixado a cidade para cuidar de sua avó.


–Pelo menos ela estará segura. –Disse pensando em todas as pessoas que o chamavam de Nerd e paranoico. Assoviou com força, e então apareceu uma figura esguia e feroz, o husky siberiano que seu pai deu a ele quando ainda era criança.


–Pois é Lobo, estamos indo embora. –Disse fitando os enormes olhos azuis do cão.


A cidade estava um caos de carros e pessoas com medo, todos pegando seus carros e tentando sair da cidade. As ruas começavam a esvaziar, por isso pode caminhar em paz, foi quando Lobo parou e eriçou as orelhas.


– O que foi amigo?-Disse sacando o facão. –E algum infectado? – O cão começou a rosnar.


–N-não. -Disse uma voz vindo da escuridão. –Eu só quis fugir. –Disse um rapaz negro, de peso elevado com aspecto de terror.


– Você viu o noticiário, não?


–Vi, então sai correndo para tentar sair da cidade...


–Bom, eu e o Lobo, –Disse apontando para o cão sentado nos quartos traseiros. –Estamos saindo da cidade, se quiser pode vir conosco.


Os três caminharam juntos no meio da rua deserta, sem falar muito. Depois de alguns momentos o rapaz falou:


–Aé! Meu nome é... –Ele foi interrompido por uma picape azul desbotada que estava voando para cima deles. Os dois pularam para o lado, enquanto o cão pulou para o outro, a picape estremeceu e freou, e de lá saiu uma bela moça de longos cabelos pretos e pele branca.


–Ai meu deus! -Disse estendendo a mão para mim. –Vocês estão bem?!


–Sim.. –Disse segurando a mão da moça. –Foram só alguns arranhões. –Disse se pondo de pé.


–Ai, graças a Deus! –Falando com um belo sorriso. Logo depois me deu um chute na canela e me empurrou. –SEU MALUCO! COMO VOCÊ ANDA NO MEIO DA RUA ASSIM!


Uma menininha saiu correndo da picape berrando.


–Moça! Moça! Meu pai está estranho! Ele esta piorando! Por favor nos leve ao hospital!
Foi quando o tal pai caiu com o rosto no asfalto, e com o corpo aranhado e ensanguentado tentou se levantar com os membros regidos e sem jeito. Quando o corpo se levantou tivemos um vislumbre dele. Rosto intocado e seu braço uma ruína do que já fora. E seus olhos, brancos como leite, brancos e com a expressão vazia.


–Papai! –Disse a menina. – Você levantou! –Indo abraçar o pai.


–Segure a menina!Ele esta infectado! –Disse se colocando entre eles. – Lobo, pega!


O animal se atirou com violência contra o homem, quando os dois caíram no asfalto o cão correu para mim com o olhar agressivo. Corri para pegar o homem, e quando peguei o facão e me preparei para atacar, se ouviu o grito.


–NÃÃÃÃÃÃÃO! –A menininha estava tentando se desprender da moça de cabelos longos.
O facão desceu com força e cravou-se no pescoço do homem. Porem não a arrancou, a mão arruinada do homem se prendeu a meu tornozelo. Lobo investiu e arrancou a mão dele com uma mordida. A outra facada conseguiu desprender a cabeça dos ombros. E depois lá estava eu e o Lobo, chocados e sendo surrado por uma garotinha agora órfã.


–Eii, a onde está indo? Perguntei quando a garota levantou e se dirigiu para a picape.
Ela me olhou com olhos cansados e deu de ombros.


– E a menina?-Perguntei apontando para a menina que ainda me surrava.


– Ela não é mais minha responsabilidade! Preciso achar o meu irmão!-Respondeu fechando a porta do carro.


–Claro que é sua responsabilidade!Ela não tem mais pai!-Disse na janela.


–Você o matou. Boa sorte com a pequena. –Disse ligando o carro.


Com um sentimento de raiva coloquei o braço por dentro da janela e arranquei a chave da ignição.


–Se o matei foi para salvar isso que você chama de vida. Querendo ou não estamos juntos agora. –E com isso segurei a garota com um braço e a joguei para dentro do carro., e fiz sinal para que o gordo subisse na caçamba. –Lobo, para cima. – Quando finalmente subi no outro lado do carro, dei a garota as chaves do carro, ela com cara de raiva pegou e ligou o carro.
–Agora vamos. Temos que achar seu irmão. -Prazer, Jack Carter. -Disse estendendo a mão.
-Lavinia Agnel. -Disse com olhar de raiva.