DeadLine - O começo
6 Treino
Notas iniciais
Depois do treino vamos almoçar, “Como é que já vamos almoçar se ainda nem tomamos o pequeno almoço?” penso. Encontro Tori no meio da multidão e ela pergunta-me:
–Então, o que é que o Dois te disse hoje? Ficas-te bué corada! — diz ela nom tom um pouco atrevido.
–Nada de especial!!! — digo no tom mais normal possível.
–Diz lá! — insiste Tori.
–Ok, ele disse que me aconselhava a não me apaixonar por ele — digo num tom envergonhado.
–Desculpa, a culpa foi minha.
–Não faz mal.
Vagiamos pela cantina à procura de dois lugares vazios, mas o único que encontramos é ao lado do Dois, por isso, dirigo-me para lá e sento-me ao lado dele na forma mais normal possível, ou seja, fingo que ele não está lá, assim pode ser que ele não me veja.
–Olá Dois! — diz Tori num tom alegre.
“ Ó boa, estragas-te tudo Tori!!” penso.
–Olá TA... — diz ele tentando-se lembrar do nome de Tori — Tânia.
–Tori ... será que nunca acertas!
–Nem por isso! Olá Empata, pronta para logo? — diz ele num sorriso muito aberto e amígavel que o torna mais jovem e giro.
“Ó boa!! Já foste Shai!!” penso.
–Se não queres que eu me apaixone por ti então para de ser assim ...
–Primeiro; eu não disse que não queria eu só disse que não devias — diz ele interrompendo — e segundo; assim como??
–Não te faças de desentendido, que eu sei que tu sabes do que eu estou a falar.
–Até eu sei — diz Tori num tom divertido.
–Imagina que por momentos que eu não sei do que é que tu estás a falar.
–Aiiiii ... tu pões-me com os nervos Dois — digo num tom irritado.
–Ficas tão engraçada quando estás irritada! — diz ele provocando-me.
–Aiii!! — digo levantando-me e levando o meu tabuleiro para o arrumar.
–Agora a sério, Shai não te atrases — diz Dois num tom sexy e piscando-me o olho.
Viro-me e suspiro e vou pousar o tabuleiro e Tori vem atrás de mim. Depois de pousar-mos os tabuleiros Tori diz rindo:
–Devia ter filmado aquilo — diz ela rindo muito — foi tão engraçado.
–Não te rias, ele estava a provocar-me!! — digo.
–Pois da maneira mais querida que já vi! — diz ela agora num tom sério.
–Não gozes!
–Mas é verdade!! Eu acho que vocês ainda vão dar coisa.
–Daqui a bocado irrito-me, outra vez!
–Pronto, mudando de assunto — diz ela levantando as mãos como se rende-se — o que é que vais fazer neste tempo até pronto... tu sabes...
–Acho que vou para o dormitório, pensar, podes ir fazer o que quiseres.
–Ok, então até logo — diz Tori acenando-me e indo-se embora.
Dirigo-me para o dormitório com os pensamentos presos na minha cabeça “ Será que Tori tem razão” penso, “Quem te dera que isso te acontecesse, para de sonhar, Shalline Water, um rapaz como o Dois nunca se apaixonaria por uma rapariga baixa, magra e fraca como tu!” diz a outra parte de mim, não sei em que parte acreditar se na primeira ou na segunda, mas estou mais inclinada para a segunda.
Assim que chego ao dormitório vejo que não está ninguém, por isso, vou para a minha cama e acabo por adormecer.
Começo a sentir um bafo doce e calmante no meu ouvido:
–Acorda, Shai, acorda! — sussura-me alguém contra o meu cabelo.
Depois de dizer isto sinto uma pele quente contra os meus braços nus e sinto-me a ser transportada. Ainda tenho sono apesar de estar acordada, mas não me apetece acordar. Encosto a cabeça a algum lado forte e quente, e sinto o seu cheiro, cheira a vento e a segurança. Abro os olhos, ligeiramente, para ver quem é, e vejo que se trata de Dois, olho-o perplexa, mas ele parece não me ver, então distraio-me com os olhos dele, tem uma expressão de irritação mas ao mesmo tempo de doçura.
–O que é que aconteceu? — pergunto.
–Adormeces-te, e eu tentei acordar-te, mas ... não acordas-te, por isso, decidi levar-te — diz ele com um ligeiro sorriso.
–Ohhhh, desculpa Dois. Acho que já me podes pousar no chão.
–Ok, também já chegámos — diz pondo-me no chão com delicadeza.
–O que é que vamos fazer hoje? — pergunto.
–Vou te ensinar técnicas de ataque — diz Dois.
–Ou seja, vais me ensinar a dar murros... — digo na brincadeira.
–E pontapés ... — diz rindo — primeiro; vais praticar no saco de boxe e eu vou corrigir-te de vez em quando e depois vamos praticar os dois.
–O quê? Tu e eu? — digo com um ar preocupado.
–Não te preocupes, eu não te mago-o — diz ele sorrindo.
Dirigimo-nos para ao pé de um saco de boxe e Dois faz um gesto para avançar. Lembro-me das dicas que Tori me tinha dado no treino de hoje.Chego-me ao pé do saco e dou uma cotevelada na parte de cima do saco e começo a dar murros na parte do meio do saco, onde se situaria o estômago, paro um pouco na pose de proteção e depois recomeço o ataque com os joelhos.
–Não espera — diz Dois interrompendo-me — não começes assim ... tu podes ser pequena e pouco musculada, mas por seres pequena és bastante rapída, por isso, ataca com os cotovelos, e não te esqueças de fazer força aqui — diz pondo a mão na minha barriaga onde se situaria os abdominais, se eu os tivesse.
Afasto-me da mão dele.
–Agora deita-te — diz ele apontando para o chão — de barriga para cima.
Fico a olhar para ele preplexa.
–Anda lá eu não te mordo — diz ele.
Deito-me de barriga para cima, tal como ele disse, e ele põem-se em cima de mim de joelhos no chão com as pernas abertas comigo no meio.
–Agora vou-te mostrar o que deves fazer se o teu adeversário cair. Pões-te como eu estou e dás um murrono queixo de baixo para cima — diz ele dando um murro em camâra lenta no meu queixo e começo a rir — não te rias, senão mando-te um murro a sério — ameaça ele.
–Pois claro — digo ainda rindo.
–O quê? Não acreditas, Empata! — diz ele debruçando-se sobre mim, e as nossas caras ficam a milímetros uma da outra.
–Ok, agora tenho medo — digo.
–Bem me parecia — diz Dois num sorriso.
–Pensava que estavam a treinar!! — diz uma familiar — E não a namorar!! — era Robert.
Dois saí de cima de mim, e por momentos fico triste mas aliviada, e depois estende-me a mão para me ajudar a levantar e vejo que está ligeiramente corado e também me sinto corada.
–Cala-te Robert! — diz Dois.
–Deixa que eu falo com ele — sussuro a Dois e dirigo-me a Robert — é assim, nós estávamos a treinar e tu vai-te embora para outro lado armar-te em irmão mais velho, porque aqui não tens sorte, porque já não te considero meu irmão, por isso, para de me proteger como se fosses o meu irmão mais velho — digo virando-lhe as costas, e começo a sentir lágrimas a virem-me aos olhos e obrigo-as a voltarem para dentro, dirigo-me a Dois e ele pergunta-me:
–Estás bem?
–Sim, continuamos — digo.
–Não, por hoje está bem — diz ele pousando a mão no meu ombro.
–De certeza? — pergunto olhando-o nos olhos e ele também me olha.
–Sim, vai para o dormitório — diz ele com um olhar calmo e doce.
Ao sairmos pasamos por Robert que paralisou com aquilo que lhe disse, ao passar por ele fingo que ele não está lá, mas Dois passa por ele com olhar de odio e bate-lhe com o mbro no ombro de Robert como se o quisesse deitar ao chão.Depois vem ter comigo e vamos os dois para o refeitório apesar de serem só 18h e 30.
–Estás bem? — pergunta-me Dois.
–Sim claro, porque é que havia de estar mal.
–Eu ouvi-te a falares com o teu irmão e ... achei que podias estar triste — diz ele olhando-me nos olhos.
–Então pensas-te mal! — digo num tom desnecessário.
–Desculpa, eu vou indo, até amanhã de manhã! — diz roubando-me um bocado do meu queque e sorrindo-me abertamente.
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