Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto
20 Capítulo XIX: O Discurso Profano
Notas iniciais
Dead World Assembly
“No banco da frente, Nick puxa a perna para dentro do utilitário, bate a porta e abaixa o trinco. Ele observa tudo com os olhos em chamas e a arma aninhada nas mãos”.
KIRKMAN, Robert. A Ascenção do Governador (pag. 69).
Capítulo IXI:
O Discurso Profano
O sol baixava lentamente sobre as silhuetas dos prédios; silenciosos monólitos cinzentos que absorviam o calor e a luz do meio-dia.
O céu cinzento de setembro, riscado de nuvens, revelou paulatinamente o fulgor sutil de meados do outono. Rajadas de vento úmidas sopravam do oeste, trazendo o odor da morte e da destruição: corpos em decomposição e as cinzas do ontem. O mesmo sol pálido brilhava sobre os para-brisas dos automóveis abandonados e se derramava sobre os meios-fios oleosos.
Sasuke decidiu apertar o passo depois de alguns minutos de caminhada, em parte porque queria voltar ao condomínio o mais depressa possível e constatar que tudo estava bem, em parte porque estava há minutos excruciantes esquivando-se das perguntas impertinentes de Karin.
A ruiva o seguia mais atrás, ajeitando a armação dos óculos nervosamente e olhando em derredor a intervalos metódicos. Ela estremecia sob o vento úmido e parecia particularmente desconfortável com o silêncio ranzinza que Sasuke lhe oferecia como resposta.
— Eu realmente pensei que você tivesse saído da cidade — comentou casualmente enquanto eles cruzavam uma viela deserta, margeada por vitrines empoeiradas e vazias; em uma das lojas, um errante batia contra o vidro reforçado da porta, gemendo incessantemente. — Com Itachi em Yokohama e tudo mais... Pensei que você só quisesse ir atrás do seu irmão. — E ergueu as sobrancelhas sugestivamente.
Sasuke lhe lançou um olhar penetrante, mas de sua boca nenhum som se ouviu.
— E... quanto aos seus pais? — ela perguntou com receio, temendo detonar uma mina que causasse danos irreparáveis. Sasuke não lhe parecia estável o bastante para estender a conversação.
Ao invés de respondê-la, ele simplesmente abaixou a cabeça e a abanou com uma resignação dolorosa. Karin mordeu o lábio para se impedir de murmurar as suas condolências e Sasuke estacou repentinamente.
— E-eu... Eu nem sei o que dizer, Sasuke — ela admitiu num sussurro e encolheu os ombros magros e frágeis que tremiam sob a ventania.
Ele acolheu as palavras dela sem se ater ao real significado delas e deu de ombros, o vento agora soprava mechas de cabelo negro nos seus olhos.
— Faz muito tempo que eles...?
— Sim — ele por fim a respondeu, o tom inesperadamente monocórdio.
Karin olhou adiante e viu que eles haviam alcançado uma larga avenida. O sol agora incidia sobre os paralelepípedos e o asfalto frio. Havia vitrines de lojas de eletrodomésticos destruídas, muros foram vandalizados e corpos estavam distendidos, próximos a um carro prata que se chocara contra um muro de tijolos, a lataria completamente amassada.
Sasuke apanhou uma machadinha, que até então ela tinha falhado em notar, e a manuseou com habilidade. Na rua larga, um errante devorava distraidamente um pedaço de carne indiscernível, sangue pingava de suas mãos oleosas.
Sem preâmbulos, ele espreitou o morto-vivo, aproximando-se com passadas largas e determinadas. A coisa, uma mulher sem uma das orelhas e com fiapos desidratados saindo do couro cabeludo exposto, levantou o olhar para fitar seu carrasco e rosnar um pouco antes de Sasuke brandir a machadinha e quebrar o crânio ao meio com um único golpe.
Quando desprendeu a lâmina, ela estava suja de sangue coagulado e tecido cerebral.
— Eu detesto essa parte — Karin disse enquanto se aproximava e, intrigada, viu Sasuke se afastar em direção ao Toyota prius prateado, enfiado no que restara de um muro de tijolos.
Ele não lhe disse nada, mesmo quando observou o seu interior, abriu a porta de trás e retirou de lá uma caixa de papelão e uma sacola pesada de lona. Depois, empurrou os objetos para ela sem a menor cerimônia.
— Carregue isso para mim — ele pediu e Karin acatou sem pensar, pesando o conteúdo da caixa de papelão e da sacola com um vago sentimento de conforto. Havia latas de comida nos fundos da caixa, garrafas de água, pó de café e barras de cereais. Já o conteúdo da sacola mais pareciam roupas e alguns cobertores.
Depois, eles fizeram um longo e cuidadoso trajeto de volta ao condomínio — que Karin lembrava-se de ter frequentado uma ou duas vezes em companhia do primo Naruto quando este ia visitar Sasuke, o melhor amigo.
Ela não era tão íntima de Sasuke quanto havia ansiado com uma devoção toda infantil no passado. Karin havia nascido na região agrícola de Sendai, num lugarejo qualquer que foi devastado pelo cataclismo do tsunami há dois anos.
Karin perdeu os pais e a avó materna naquele dia e todo o restante. Quem a acolheu foi uma prima distante de sua mãe, Uzumaki Kushina, e seu adorável esposo chefe de polícia Namikaze Minato. E foi então que ela veio parar em uma cidadezinha pacata no interior da província de Tokushima e foi nesse mesmo ano que ela conheceu o primo de segundo grau, Naruto.
Ela foi apresentada a Sasuke um tempo depois e se apaixonou pelo garoto à primeira vista, embora ele claramente não retribuísse o interesse romântico. Karin sempre soube que ele tinha divergências com o pai e a família dele não era tão perfeita quanto aparentava, mas Karin não conseguiu evitar o florescer ébrio de um amor totalmente desesperançado.
No entanto, rever Sasuke naquele supermercado destruído há pouco mais de uma hora reacendeu uma antiga centelha em seu peito que até então estivera latente.
Karin sempre soube que Sasuke era praticamente moldado para esse novo mundo. Ele parecia simplesmente perfeito para sobreviver.
— Você ainda está no condomínio? — ela perguntou quando eles alcançaram uma rua vagamente familiar que serpenteava por entre os arvoredos, folhas secas estalavam no asfalto. — Não sei por que não me passou pela cabeça que você poderia ter ficado... Me parece mais sensato agora ter feito o que você fez, ter se escondido por trás daqueles muros altos e tudo o mais.
— Hn. — Foi o resmungo dele em resposta e ela anuiu.
— Eu tentei sair da cidade, sabe? Tentei pegar um carro, reunir alguns suprimentos. Mas não tive coragem no fim. Talvez eu não soubesse o que me encontraria nas estradas ou nas cidades vizinhas. No dia em que o Naruto partiu, eu me recusei a ir. Estava com medo... Na verdade, estava apavorada — ela suspirou. — É, eu sei. Sou uma cagona, não sou? Nunca lidei com um deles. Eu... simplesmente não consigo. Eu travo como uma perfeita idiota.
Karin levantou o olhar para fitar Sasuke, percebendo que o ritmo de suas passadas não havia se alterado nem um pouco. Os ombros dele estavam rijos, se de tensão ou devido ao peso da mochila e das sacolas que ele carregava ela não saberia dizer.
— Eu posso fazer qualquer coisa para ficar com você, Sasuke — admitiu sem desembaraços, empertigando os ombros e crispando as sobrancelhas. — Posso não ser muito útil com uma arma, mas eu posso aprender. Eu juro que posso. Só não... — Outro suspiro demorado. — Só não deixe que aqueles monstros me encontrem de novo, por favor.
— Hn. Eles não vão — ele garantiu e ela relaxou.
Logo, ela avistou os altos muros brancos que volteavam todo o condomínio. Havia errantes se arrastando pela entrada principal, gemendo e rosnando aqueles típicos sons aquosos e densos; os olhos brilhavam como grandes bolas de gude cobertas de muco.
— Por aqui — indicou Sasuke para uma passagem adjacente, na lateral de um pequeno e charmoso prédio no estilo veneziano com paredes cor de terracota e sacadas com balaustradas esmeraldas.
Sasuke e Karin cruzaram o quintal atulhado de detritos e cortaram caminho por uma rua paralela e estreita que fedia à morte. Minutos depois, eles irromperam na rua dos fundos do condomínio. O pequeno portão gradeado havia sido reforçado com chapas de aço e Sasuke bateu os nós dos dedos de leve para anunciar sua chegada.
— Sakura?
Uma fresta abriu-se primeiro, depois o portão escancarou-se e Sasuke irrompeu no gramado, seguido por uma hesitante Karin. Ela piscou, olhando curiosamente para a garota que abrira o portão, trancando-o no segundo posterior. Tinha exóticos cabelos cor-de-rosa amarrados em um rabo de cavalo, um porte atlético por baixo da camiseta surrada e da calça jeans, uma pele muito clara e bonitos olhos verde-oliva. Pendurado no ombro dela por uma alça de couro desgastado havia um rifle de caça.
Ela fitou Karin de volta por um tempo, depois voltou a sua atenção para Sasuke.
— Como foi lá? Encontrou alguma coisa?
Sasuke quase não escondeu o sorriso quando a olhou.
— Vamos subir e eu te conto tudo.
Karin os seguiu sem questionamentos, ainda segurando a caixa de papelão com comida e a sacola de lona com roupas. A recepção do prédio havia sido mais ou menos limpa, embora ainda houvesse sinais de confrontos em um passado não muito distante; o piso de cerâmica estava coberto por uma camada de pó e por tiras de papel trazidas pelo vento. A escuridão imperava e o cheiro do abandono impregnava nas paredes claras.
Eles subiram até o quinto andar e depois irromperam no apartamento que já pertenceu à família de Sasuke. Ele logo colocou a mochila e as sacolas abarrotadas de comida no chão, aliviando o desconforto em suas costas e ombros. A garota de cabelos cor-de-rosa entregou o rifle a ele com um olhar cúmplice que Karin não deixou de notar.
Por fim, ela própria pôs a caixa e a sacola de lona no chão também.
— Sakura — disse Sasuke, acenando em direção à Karin —, essa é a Karin.
Surpreendentemente, ela lhe abriu um sorriso hospitaleiro e genuíno.
— Olá, Karin — murmurou e a garota ruiva anuiu, sem saber ao certo o que dizer.
— Encontrei-a no supermercado — continuou ele, abaixando-se até as bolsas e começando a revirar o seu conteúdo. — E ela não estava sozinha — acrescentou taciturno.
— Você está bem? — Sakura indagou com um tom que denotava intimidade; Sasuke assentiu.
— Consegui ferir um dos filhos da puta, mas não gravemente. — Em seguida, ele virou-se para Karin, perscrutando-a com o olhar e fazendo-a se encolher. — Quem eram aqueles caras, Karin? Por que estava com eles?
Mordendo o lábio, os olhos dela vaguearam através do cômodo parcamente iluminado, para a mobília que lentamente ajuntava poeira, para as paredes debotadas. Suspirou então.
— O nome do líder deles é Hidan — disse por fim com um tom de resignação. — E eles significam problemas, Sasuke. Eu estava com eles porque não tinha para onde ir e não sabia mais o que fazer. E-eu estava sozinha e...
Lágrimas brotaram em seus olhos rubros, por trás das grossas lentes dos óculos e seu lábio inferior tremeu.
— E-eu não queria ter de ficar com eles, Sasuke. Eles são... pessoas horríveis e... O que eles fizeram... — ela abanou a cabeça, sua voz alquebrava. — Não, o que eles ainda fazem com as outras pessoas... M-mas eu...
— Está tudo bem. — Surpreendentemente foi Sakura a dizer-lhe isso, aproximando-se comedidamente e pousando a mão sobre o ombro frágil da garota. — Está tudo bem, Karin, eles não podem mais te fazer mal.
Ela fitou Sasuke em busca do mesmo consolo, mas sabia que era um esforço em vão.
— Onde eles costumam ficar? — ele perguntou ao cruzar os braços sobre o peito.
Karin fungou e enxugou o nariz com a manga da blusa.
— Em um prédio do outro lado da cidade. Eles fizeram do lugar uma espécie de base.
— Eles possuem mais armas? Se sim, poderia me descrevê-las.
Karin apertou os olhos com força e torceu a bainha da blusa nervosamente.
— A-acho que só o Hidan tem acesso às armas de verdade, que não são muitas. A munição também é escassa. Muitos deles nunca lidaram com uma arma antes e se armam com o que encontram. Eles são só um bando de valentões desgraçados e Hidan é o mais insano de todos eles — ela acrescentou com um ressentimento profundo claramente dirigido àquele homem. — Um porco chauvinista imundo que sente prazer em foder com outras pessoas.
— Eles sabem sobre nós? Sabem que estamos aqui? — continuou Sasuke, descruzando os braços e empedernindo o olhar escuro, a garota Sakura ainda afagava seu ombro.
— Não, eu tenho certeza que não sabem — Karin afirmou com convicção. — Se eles soubessem sobre vocês já teriam encontrado uma forma de roubarem o que têm e de matarem vocês.
Karin notou com sua visão periférica que Sasuke e a garota Sakura trocaram um longo e significativo olhar.
— Então não foram eles — Sasuke rosnou entre os dentes trincados e cerrou os punhos às laterais do corpo, tão tenso quanto a corda de um arco prestes a ser disparado.
Sakura, notando a expressão confusa de Karin, afagou seu ombro e lhe ofereceu um sorriso condescendente.
— Karin, nós ainda temos água encanada. Por que não toma banho enquanto Sasuke e eu preparamos algo para comer?
A garota ruiva pressentia quando lhe estava sendo dada a deixa para escapulir e decidiu agarrar a oportunidade sem questionamentos.
— Eu tenho algumas peças de roupa que podem servir em você — emendou Sakura, ainda sorrindo gentil e prestativamente. Karin não queria parecer arisca ou ressabiada quando ela estava sendo tão generosa, portanto sorriu.
— Obrigada.
— Eu vou deixar uma toalha e roupas limpas na porta do banheiro para você dentro de alguns minutos, tudo bem?
Karin assentiu antes de desaparecer no corredor, deixando Sasuke e Sakura sozinhos na sala para discutirem as novas e escassas informações que haviam obtido. Ele abaixou-se até as bolsas outra vez e as carregou até a cozinha, esvaziando-as e guardando a comida nos armários.
— O que você acha? — ele ouviu Sakura perguntar às suas costas enquanto equilibrava algumas latas nos fundos do armário.
— Karin é uma boa pessoa. Ela não mentiria — ele assentiu consigo mesmo e ouviu Sakura suspirar.
— De onde você a conhece?
Sasuke preferiu manter as mãos ocupadas enquanto a respondia.
— Ela é prima do meu amigo de infância. Fomos apresentados por intermédio dele. Ela é órfã, portanto não teve ninguém para ampará-la quando toda essa merda aconteceu.
Sakura deu um risinho e Sasuke bufou.
— Ela gosta de você e não me diga que nunca notou isso.
Com as bolsas esvaziadas, Sasuke voltou à sala, passando por Sakura, recostada ao limiar da cozinha, para apanhar a última caixa de papelão e voltou com passadas largas, fugindo do contato visual.
— Não sabia que isso era um assunto delicado para você — ela o provocou, mordiscando o lábio e Sasuke revirou os olhos teatralmente em resposta.
— E não é. Fim de conversa.
— Tudo bem — concordou ela, rendendo-se, mas ainda com um sorriso provocativo nos lábios rosados.
Quando voltaram à sala, Sasuke casualmente apanhou a sacola de lona e com um olhar lascivo a estendeu para Sakura, que o fitou embasbacada.
— Eu não acredito que...
— Achei que você gostaria de reaver os seus pertences — interrompeu-a, ainda lhe oferecendo a sacola.
Sakura a apanhou das mãos dele com um entusiasmo quase pueril. Abriu-a para verificar se todos os seus pertences se encontravam ali dentro e sorriu aliviada por constatar que a maior parte deles estava.
— Obrigada, Sasuke, eu nem mesmo sei como agradecer! — comentou, sentando-se no chão e ainda revirando o conteúdo da sacola.
De repente, as mãos dela esbarraram em algo que ela não se recordava de ter posto ali. Intrigada, Sakura apanhou a caixinha e a tirou de dentro da sacola, inspecionando-a com uma expressão curiosa.
— Mas o quê...
Ela fitou Sasuke sem compreender e em resposta ele apenas deu de ombros.
— Por que você... — ela interrompeu-se, o sorriso em sua boca alargando enquanto suas mãos giravam a caixinha de um lado a outro. — Isso é tinta para cabelo?
Não havia engano; Sasuke havia apanhado tinta para cabelo para ela e da exata tonalidade do seu cabelo.
— Espera um pouco... — disse ela, levantando-se e manuseando a caixinha entre as mãos. — Quer que eu me preocupe com o meu cabelo mesmo que o mundo tenha acabado?
Sasuke tornou a dar de ombros displicentemente, evitando olhá-la nos olhos. Sakura não soube dizer por que, mas riu e riu como há muito tempo não se lembrava de fazê-lo.
— Eu não gosto de louras. — Foi a resposta resmungada de Sasuke, e, no entanto, o som de um sorriso não podia ser ocultado em sua voz.
— Cretino — murmurou Sakura com um tom de divertimento, abanando a cabeça enquanto Sasuke retirava sua jaqueta e deixava-a no encosto da cadeira, voltando à cozinha.
Sakura distraidamente levou a sacola até o quarto que compartilhava com Sasuke e lá separou algumas peças de roupas limpas para Karin. Dobrou-as e deixou-as à porta do banheiro, voltando à cozinha logo em seguida onde Sasuke já colocara uma chaleira com água para ferver no fogão improvisado. O armário recentemente abastecido enchia seus peitos com um calorzinho agradável e reconfortante.
Sem pedir licença, ela juntou-se a ele para ajudá-lo a preparar a comida, mas o sorriso em seus olhos emurcheceu quando notou o humor sombrio de seu parceiro.
— Aconteceu alguma coisa, Sasuke? — ela perguntou receosa e viu-o crispar seu olhar.
— Fico me perguntando se agi certo em trazê-la para cá — sussurrou cauteloso.
— O que quer dizer?
— Sakura, eu cutuquei um vespeiro. Deixei um cara perigoso muito puto. E se eu tiver nos exposto à toa?
— Você a salvou, Sasuke — ela rebateu convictamente. — Você fez o que é certo. Não podia tê-la deixado nas mãos daqueles homens...
— Eles a humilharam e a agrediram bem na minha frente — disse ele com ar taciturno, sacudindo a cabeça.
— Relaxe um pouco, tudo bem? — pediu ela, afagando o braço dele. — Karin garantiu que esse Hidan não sabe sobre nós. Se nos mantivermos quietos por um tempo...
— Mas eles ainda estão na cidade — retrucou, cerrando os dentes. — E se for só uma questão de tempo para que nos confrontemos? Eles não têm escrúpulos, Sakura, e não vão hesitar em acabar conosco.
— Nesse caso — disse ela, serenamente, e aproximou-se para beijar a bochecha dele —, vamos nos manter vigilantes, Sasuke, e nada de ruim vai acontecer.
Quando ela se afastou, sorria confiantemente, inabalavelmente.
* * *
Escondido no meu canto
Eu sei que ficarei vivo.
Trapt — Trecho de Stay Alive.
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