Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

39 Capítulo XXXVIII: O Adeus Irremessível


Notas iniciais
Perdão pela demora, mas por fim... Trigésimo oitavo capítulo. Boa leitura!

Dead World Assembly

“Naquele microssegundo de terror — aquele minúsculo soluço na quietude —, Philip percebe que o sol provavelmente não vai mais nascer no dia seguinte e que os órfãos vão continuar sendo órfãos e os Braves nunca mais serão campões de coisa nenhuma”.

KIRMAN, Robert; A Ascensão do Governador (pag. 102).

Capítulo XXXVIII:

O Adeus Irremissível

A alvorada recai paulatina sobre a região de Kansai, nas redondezas da Via-expressa Meishin e sobre o acampamento de Shikamaru, situado em um descampado a mais ou menos um quilômetro e meio floresta adentro.

Na madrugada anterior, uma geada fina voltou a cobrir o gramado e empalideceu os outeiros, sufocando os botões amarelos de canolas que florescem aos seus pés. Os sobreviventes despertam para encarar mais um dia frio e cinzento que precede o inverno, com rajadas intermitentes de um vento glacial que uiva faminto e furioso.

Sakura soçobrou na quietude da manhã, apreciando a rara calmaria enquanto se aconchegava ao calor de Sasuke junto a si. Seu estômago se agitava em mais uma crise de enjoo matinal, mas ela se sentia confortável demais até mesmo para se permitir registrar o leve incômodo estomacal.

Ainda enrolada no casulo de cobertas, levou a mão até o ventre, afagando-o com leves movimentos circulares. Flutuava entre um estado de torpor e semiconsciência, e o ritmo imperturbável da respiração de Sasuke em sua nuca a embalava com uma estranha e doce sensação.

Talvez, se fechasse os olhos, conseguiria visualizar um ambiente completamente diferente daquele. Uma cama macia em um apartamento em Shibuya. Sim, talvez com uma vista para o Parque Yoyogi e perto o suficiente da estação de Harajuku. Toda uma vida pela frente e preocupações que não envolvessem nada mais do que futilidades, um lugar onde as engrenagens que moviam o mundo ainda fossem as mesmas.

Um mundo mais seguro e menos doente para o seu bebê e para Sasuke — agora ela tinha certeza de que o queria em sua vida, independente da circunstância. Aquela quentura em seu peito só podia significar uma única coisa e, não obstante, Sakura percebeu que não temia mais nada, não temia mais aqueles sentimentos.

Se ao menos o mundo ainda pudesse ser consertado (àquela altura, ela duvidava).

Sasuke se remexeu às suas costas de repente, a ponta gelada do nariz esfregando-se na pele do seu pescoço em busca de calor humano, o ritmo de sua respiração aprofundando-se, para logo normalizar-se.

— Acordada? — ouviu-o sussurrar, os lábios se movendo contra o seu pescoço.

— Sim, há um tempinho.

— Eu também — ele confessou, a voz grave e arrastada pela sonolência, pela letargia persistente. — Mas estava pensando... Você tinha razão — ele hesitou por um segundo, relutante. — Quando disse que ainda não deveríamos desistir. Eu não sei se essa cura realmente existe, se esse cara está dizendo a verdade ou é só um filho da puta mentiroso... Mas eu preciso tentar — admitiu com um tom sôfrego, rouco, um que levou Sakura a se apertar contra ele em busca de proteção.

— Todos nós precisamos, Sasuke — Sakura murmurou complacente, o polegar traçando círculos suaves nas costas das mãos de Sasuke, encerradas sobre o ventre dela.

Inesperadamente, ele se inclinou na direção dela, a boca roçando a bochecha gelada num gesto carinhoso.

— Eu vou tentar... Por nós dois e pelo bebê, Sakura — ele sussurrou com a voz embargada, a boca ainda pressionada contra a pele dela. — Vou continuar tentando, por nós três.

— Sempre soube que você tentaria, Sasuke — disse, estendendo a mão para o rosto dele, afagando-o enquanto ele a puxava para mais perto, a boca descendo sobre a dela, suave e lenta.

Prendeu o rosto delicado de Sakura entre as mãos, afastou os cabelos dos olhos cerrados dela e rezou. Rezou para que aquela jornada à Kyoto valesse a pena no fim.

* * *

Shikamaru francamente não tinha um bom pressentimento sobre tudo aquilo e, por mais quisesse, não conseguia disfarçar o seu aparente descontentamento. Temari, por outro lado, lhe pareceu excitada e animada naquela manhã gélida de início de Novembro como se se tratasse de qualquer outra incursão.

O fato é que não era; não sairiam em busca de suprimentos ou de munição, procurariam pela cura — isso se ela, de fato, existisse. Ele ainda tinha uma certa dificuldade em digerir o assunto, de forma que se conformou em seu silêncio consternado.

Naquela mesma manhã cinzenta, Kankuro fez contato com o estranho pela segunda vez naquela semana:

QAP. Alguém na escuta? — ele murmurou, o bocal transmitia um leve chiado estático ao fundo, que cessou assim que a voz do homem se pronunciou.

QRV. Estou... na escuta.

— Chegamos a uma conclusão sobre o seu caso, doutor — Kankuro não fez rodeios, de modo que foi direto ao assunto.

Sério? Sinto-me... quase lisonjeado. Isso... significa que me farão... uma visitinha? — A voz por trás do bocal estava cingida por um cinismo enervante.

— Diga que queremos a sua posição — Shikamaru se manifestou, tendo dificuldades em se manter em pé por muito tempo, apoiado em suas muletas; suas juntas doíam pela noite mal dormida e pelo frio opressor do inverno.

— Estamos nos perguntando a sua localização nesse exato momento — Kankuro informou ao estranho e ouviu-se um risinho abafado em resposta.

Não pensem que poderão... me fazer de idiota; informarei a minha posição no... momento que julgar... mais oportuno. Manterei contato. QRT. Câmbio e desligo.

Depois disso, ouviu-se apenas o leve ruído da estática findando enquanto o estranho encerrava a transmissão. Kankuro inclinou-se para trás, pressionando os dedos entrelaçados na nuca.

— Temos que admitir que ele é espertinho, ao menos — brincou com um sorriso sacana que logo se desfez ante a carranca de Shikamaru.

— Ele teme que nós tiraremos o pacote dele e o deixaremos para trás na primeira oportunidade, isso se o tal pacote realmente existir — ele ponderou, esfregando as pontas dos dedos nos pelos curtos de sua barba.

— Eu sei que faria isso — Kankuro completou, tornando a abrir aquele sorriso cínico.

— Não, ele sabe jogar — Shikamaru concluiu com um suspiro resignado. — Vai informar sua posição só quando tiver certeza de que de fato pretendemos resgatá-lo. Isso significa que ele estará em algum ponto alto da cidade, de onde poderá observar quem entra e quem sai.

— No topo de um edifício perto do acesso principal? — Kankuro conjeturou num palpite arriscado, mas Shikamaru balançou a cabeça.

— Kyoto não é uma metrópole como Osaka; possui, em sua maioria, prédios baixos comerciais, hotéis e templos antigos, com um terreno de acesso difícil: muitas ladeiras e ruas estreitas. Mas certifique-se de ficar de olhos bem abertos — enfatizou com uma seriedade obscura, taciturna. — Não se descuide e não avance de forma imprudente; Gaara, Temari e Sasuke irão com você.

— Oh, claro, o Mister Simpatia — Kankuro suspirou e correu as mãos pelo cabelo castanho despenteado. — Reze para que eu retorne dessa incursão sem matá-lo.

Shikamaru soltou um muxoxo, para o que o outro homem lhe fez uma careta:

— Do que você está gozando? O cara tem tanto senso de humor quanto a porra de um bicho morto. Talvez ele e o Gaara devessem competir para descobrir quem teve o pau enfiado com mais força no rabo. Se bem que o caso do Gaara é realmente falta de boceta...

— Céus, como você é obsceno — Shikamaru revirou os olhos e se apressou até a saída da tenda com suas muletas, mas não sem antes lançar um olhar de relance para o outro: — Fique atento para o caso do doutor fazer contato outra vez.

— Sim, senhor — ele respondeu alegre, imitando de forma exagerada um gesto de continência, para o qual Shikamaru não conseguiu evitar revirar os olhos mais uma vez.

* * *

Mais tarde, Sasuke e Sakura se reuniram com os demais para ajudar nos preparativos da jornada para Kyoto. Eles carregavam o Army-M939, o monstruoso caminhão militar no qual chegaram ao acampamento, com alguns equipamentos e suprimentos quando Shikamaru os abordou com uma expressão pouco amigável.

— Diga-me, já deu uma boa olhada em Kyoto? — ele perguntou a Sasuke que meneou a cabeça com relutância.

— O que houve em Kyoto? — Sasuke devolveu a questão com outra, crispando as sobrancelhas escuras.

— A porra de um incêndio há algumas semanas; não chegamos muito perto, mas as colunas de fumaça podiam ser vistas a quilômetros de distância na estrada. Não temos ideia do quanto da cidade afetou, então tenham o dobro de cautela.

Kankuro passou por eles, carregando uma caixa de papelão cheia de galões com gasolina, ele repassou a caixa desajeitadamente para Gaara que se encontrava em pé sobre a caçamba do caminhão. Na noite passada, eles a haviam coberto com uma lona camuflada.

— É, nada como algumas cabeças podres torradas para animar o dia de qualquer um — ele murmurou com um falso tom alegre, os lábios grossos repuxados em um sorriso zombeteiro.

Shikamaru o ignorou conforme repassava as próximas instruções para Sasuke:

— Vocês vão entrar na cidade pelo leste, pela Estação de Kyoto. Depois, seguirão em direção ao oeste até o Hotel Okura. Permaneçam na rota que eu tracei para vocês — ele apoiou-se em apenas uma das muletas e, com a mão livre, tirou um mapa cuidadosamente dobrado de dentro do casaco, entregando-o para Sasuke. — Certifique-se de que os dois babacas não cometam nenhuma besteira, Temari costuma ser a mais sensata nesses aspectos, e evitem as ruas estreitas ou íngremes demais; forçar o motor dessa belezinha — ele encarou o caminhão pensativo — seria abusar da sorte a essa altura.

— Entendi — Sasuke concordou com certa relutância, o que levou Shikamaru a sorrir.

— O doutorzinho fará contato com vocês a qualquer momento para revelar sua posição. Descubra quem ele é primeiro e se está nos dizendo a verdade, só depois... —ele pausou, incerto de repente. — Eu repito, só depois de interrogá-lo, vocês devem vendá-lo e trazê-lo para cá.

— E se ele estiver mentindo? — Sasuke supôs com uma calma gélida e um sorriso malfazejo e Shikamaru soltou uma risada nervosa.

— Bem, neste caso eu deixo a seu critério.

Sasuke olhou em derredor visivelmente preocupado. Estava nevando, ele percebeu; delicados flocos de neve decaíam da massa fervilhante e cinzenta de nuvens que cobria todo o firmamento. O vento assobiava de uma forma quase cruel, como um coiote solitário e desesperadamente faminto no encalço da sua presa.

— Vocês deveriam se apressar — Shikamaru recomendou, também observando o tempo, o céu que escurecia gradativamente, como cortinas se encerrando sobre uma janela alumiada pelo sol pálido de inverno. — Em Nara, onde eu cresci, quando o tempo fechava assim... Bom, era sinal de uma nevasca violenta a caminho.

— Nós já estamos partindo — Sasuke assegurou taciturno; notou pela visão periférica que os três irmãos já haviam acabado de abastecer o caminhão, assim como Sakura se aproximava dele para que pudessem se despedir.

Porém, ficou imensamente surpreso quando Shikamaru, num gesto cordial e solidário, estendeu a mão livre para ele. Sasuke apertou-a algum tempo depois de ter processado a atitude do homem.

— Boa sorte e tome cuidado.

— Cuide de tudo aqui, até voltarmos — ele acrescentou sem necessidade, sabia que Shikamaru defenderia o acampamento em qualquer circunstância.

— Humpf, eu cuidarei — ele garantiu com um sorriso de canto cúmplice. Shikamaru compreendera o significado implícito em seu pedido: cuide de Sakura até eu voltar. E ele faria isso.

Shikamaru se afastou para ir se despedir de Temari ao mesmo tempo em que Sakura abordou Sasuke. Sem cerimônias, ela estendeu os braços e os passou ao redor do corpo dele, pressionando a bochecha contra o tecido de seu casaco. Sasuke levou uma única mão até a nuca dela, mantendo-a por perto.

— Tenha cuidado — ela disse com genuína preocupação embargando o tom de sua voz.

— Hn, você é quem deve se cuidar — ele devolveu, abrindo um pequeno sorriso. — Não faça nada imprudente até eu voltar e confie no Shikamaru, ele me parece ser uma boa pessoa.

Sasuke a sentiu chacoalhar minimamente em seus braços quando soltou uma risada deliciada. Se pressionasse o rosto no cabelo dela, por baixo do odor onipresente de terra e cinzas, ele sentiria o seu perfume natural: baunilha com um toque delicado de lavanda. A tonalidade coral tornara a desbotar próximo à raiz do cabelo dela, revelando o louro-prateado original dos fios.

— Quem diria, você já está até mesmo fazendo novas amizades — ela brincou, a voz abafada pelo tecido grosseiro do casaco dele.

— Não estou fazendo amizades — ele esclareceu, consternado, sentindo os primeiros sinais de um embaraço inevitável, o que só fez alargar o sorriso de Sakura. — Ele só me parece um homem de palavra.

— E ele é — ela suspirou nos braços dele; o vento fugaz chicoteava mechas de cabelo no seu rosto e espiralava brutalmente os flocos delicados de neve que já começavam a pintar a paisagem com uma tonalidade cinzenta.

— Fique a salvo — Sasuke murmurou de repente, de forma inesperada, a voz enrouquecida por um sentimento que Sakura não soube identificar.

— Você também — ela respondeu quando o nó em sua garganta arrefeceu. — Eu...

Meneou a cabeça e se interrompeu. Queria rir de si mesma por se permitir ser sentimental em uma despedida provisória, mas a verdade irrefragável é que não conseguia evitar. Portanto, apertou o rosto no casaco dele e inspirou o cheiro reconfortante da lã, o cheiro de Sasuke também estava presente, característico, distinto, chuva e almíscar equilibrados, o que a acalmou.

— Nós vamos sair dessa, juntos — Sasuke sussurrou ao pé de se ouvido, curvando o tronco para conseguir abraçá-la completamente.

— Eu não quereria de nenhum outro modo, Sasuke. — Outro suspiro abatido e Sakura percebeu que seus olhos embaçavam com uma umidade indesejável, ardendo fracamente.

Ela se afastou num movimento involuntário do corpo a fim de secar a umidade incômoda com as mangas de sua blusa. Sasuke pareceu compreendê-la com um único olhar, de modo que a tocou na bochecha, o polegar afagando levemente a pele macia.

O ruído do motor potente do caminhão arrancou-os de seu breve devaneio compartilhado, arrastando-os de volta para a realidade que teriam de encarar nos próximos e definitivos minutos. Sasuke lhe ofereceu um sorriso de conforto e em seguida passou por ela, subindo na caçamba do Army-M939, protegido do vento e da neve pela lona verde-escura.

Temari fez o mesmo pouco tempo depois, escalando graciosamente a traseira do caminhão. Ela acenou para Sakura com um entusiasmo beligerante, ela não era a única a sofrer com as malditas despedidas, notou, e se sentiu solidária e empática pela primeira vez pela mulher.

Kankuro e Gaara dividiam a cabine do caminhão, com o mais velho dos irmãos ocupando o assento do motorista. Shikamaru se aproximou de Sakura, à traseira do veículo militar, apoiado em suas muletas para olhar para a mulher que amava até o último instante.

O caminhão se encaminhou até o único acesso ao acampamento, riscando o gramado orvalhado; cruzou o portão vermelho de ferro enferrujado enquanto este se escancarava para deixá-los passar. Quando eles desapareceram na trilha estreita do bosque de abetos, folhas secas avultadas lentamente baixando na estrada de terra, Sakura deixou escapar o suspiro derrotado que até então estivera prendendo.

— Eles vão ficar bem — Shikamaru murmurou ao seu lado, os olhos pregados ao caminho pelo qual haviam seguido apenas minutos atrás. — Sei que vão... — E, no entanto, soava como se ele estivesse apenas tentando convencer a si mesmo e mais ninguém.

Imersa em pensamentos, Sakura dobrou os braços à frente do peito. Seu corpo tremia dentro do suéter de lã, o frio inescapável do inverno penetrara-a até os ossos e as temperaturas continuavam abaixando com uma gradação mortífera.

Quando o imenso portão avermelhado encerrou-os novamente, Shikamaru olhou-a com uma expressão um pouco mais tranquila, embora seus olhos escuros parecessem ser atraídos para a estrada de terra.

— Será que você poderia me ajudar em uma coisa?

Sakura abriu um pequeno sorriso em resposta, sentindo um súbito rompante de entusiasmo em poder auxiliá-lo:

— Conte comigo para o que precisar.

* * *

O ronco constante do motor portentoso do Army-M939 era a trilha sonora definitiva que marcava o percurso até Kyoto. Certamente também se tornara a sinfonia ordenada ao fundo dos pensamentos distantes de Sasuke.

Embatucado em seu canto e de sobrecenhos franzidos, ele deixava o seu olhar perdido vagar pelo cenário desolador que agora gradativamente ia entrajando-se em neve. O céu cinza metálico lembrava-lhe o teto claustrofóbico de uma gaiola, baixo sobre as montanhas envoltas em véus densos de bruma.

O vento ainda rugia em seus ouvidos, soprando para longe os flocos de neve que caíam com mais vigor àquela altura. As pontas de seus dedos estavam dormentes e endurecidas, de modo que ele precisou escondê-las nos bolsos de seu casaco na tentativa vã de aquecê-las e recuperar a sensibilidade perdida.

Temari, intrigada por sua postura emburrada e compenetrada, deslizou até estar alinhada com o seu corpo, defronte para ele. Ela riu baixinho quando ele, em resposta, tencionou se afastar.

— A Sakura me contou sobre a gravidez — despejou de uma vez, antevendo a reação do rapaz, mas, para a sua surpresa, ele apenas a encarou por um certo tempo antes de tornar a desviar o rosto, resoluto. — Ela é uma garota e tanto — continuou, como se não tivesse acabado de ter sido ignorada e o seu sorriso aumentou quando Sasuke se remexeu em seu lugar, movendo os ombros.

— Você tem muita sorte por tê-la — ela concluiu com outro sorriso, mas sem qualquer traço de malícia; um sorriso genuíno, sincero.

Dessa vez, Sasuke a encarou sem reservas, e a olhou durante um bom tempo, porém ainda em silêncio. Temari imaginou como Sakura conseguia arrancar reações ou palavras daquele homem e, discretamente, sorriu com o pensamento.

Eles não trocaram mais palavra alguma, de forma que os ruídos do motor e do vento continuaram a ser a única melodia a reger a jornada. Estavam se aproximando de Kyoto quando, na cabine, no rádio recém-instalado que Kankuro acoplou ao painel, um leve chiado se fez audível.

Imediatamente o homem desacelerou e manobrou o veículo até o acostamento.

Sasuke e Temari entreolharam-se em silêncio, questionando um ao outro a razão de haverem parado. Revelaram-se atônitos quando, minutos depois, Kankuro surgiu na traseira do caminhão, tendo a escalado agilmente. Ele tinha um sorriso enorme no rosto e os olhos castanhos pareciam excitados, injetados.

— O doutorzinho acabou de fazer contato conosco — ele informou à irmã, deliberadamente ignorando a presença de Sasuke na caçamba.

— E então? — incitou Temari sem conseguir se conter.

— Nós seguiremos o plano e a rota que Shikamaru traçou no mapa. E encontraremos o nosso prêmio no terraço do Hotel Okura em duas horas no máximo.

Ditas essas palavras, um silêncio sepulcral recaiu sobre os ocupantes do veículo. Encerrado na cabine, Gaara olhava pelo retrovisor, ansioso. Os outros dois irmãos trocaram olhares cúmplices e cheios de esperanças de um novo amanhã, um recomeço.

Quanto a Sasuke, ele só conseguia pensar em Sakura e em seu filho e em como ele estava dando um passo importante para assegurar o futuro de ambos. Ainda que a perspectiva do porvir tivesse um prospecto sombrio e incerto.

Tal qual a nevasca violenta que se aproximava da região de Kansai neste exato momento.

* * *

A última coisa no mundo

Que estou pronto para dizer

É adeus.

Slipknot — Trecho de Goodbye.

Notas finais
Acabou Naruto, The Walking Dead só retorna ano que vem... Ando bem no tédio Hehehehe Mas e aí? Será que o plano deles vai dar certo? Será que eles colocarão as mãos nessa cura? E esse homem misterioso, quem será? ... Alguém mais ficou chocado com o mid-season finale de TWD?! Beth, sua anta, como você me apronta uma daquelas, Mds?! Nem pra mirar na jugular ainda, essa menina HUEHUEHUEHUEHUE Pelo menos o Daryl meteu chumbo naquela Dawn HAHAHAHA ... E eu enfim comprei meu exemplar de A Queda do Governador - Parte II, último livro do Governador e (possivelmente) de TWD =( ... Enfim, nos vemos nos reviews e se preparem... A matança está prestes a começar! Façam as suas apostas em quem vive e quem morre! Até.