Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

38 Capítulo XXXVII: O Auspício Ludibriador


Notas iniciais
Trigésimo sétimo capítulo dedicado à Daay Chan pela linda recomendação. Obrigada mesmo! *-* ... Boa leitura!

Dead World Assembly

“Philip abaixa o vidro da janela e começa a escutar. O vento assobia. Tem um cheiro esquisito — uma mistura de borracha queimada, fios derretidos e alguma coisa oleosa difícil de identificar, como sebo apodrecido — e algo faz um barulho repetido à distância, fazendo o ar vibrar como se fosse um imenso motor”.

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 99).

Capítulo XXXVII:

O Auspício Ludibriador

Quando a faca de Sakura cortou a carne do pequeno cervo, ela viu-se forçada a desviar o rosto para evitar que a náusea a assaltasse outra vez; Temari não pareceu ter problemas com isso, por outro lado, a julgar pela firmeza em suas mãos conforme removia a pele e a pelagem, separando as vísceras e o coração.

— Você está perdendo toda a parte divertida — ela fez troça, soltando uma risada pelo nariz que levou Sakura a revirar os olhos.

— As suas noções de diversão são tão deturpadas quanto as do Sasuke.

O cervo havia sido abatido com uma única flechada no pescoço. Temari não se fartava de afirmar o quanto elas haviam dado sorte por haver encontrado o pequeno cervídeo. Ele não parecia doente e nem mesmo ferido, estivera apenas pastando despreocupadamente.

Temari desembrulhou algumas sacolas plásticas pretas e rapidamente envolveu os pedaços de carne e alguns órgãos nelas, fechando bem para que o sangue não vertesse para o restante do conteúdo em sua mochila. A loura rapidamente limpou as mãos ensanguentadas com um pouco de água e em seguida se levantou, encaixando a aljava num ombro e o arco no outro.

— Vamos embora agora; já temos o suficiente.

Sakura olhou de relance para a carcaça do bicho e assentiu, não levaria muito tempo para que o cheiro do sangue fresco atraísse todos os errantes das redondezas, elas precisavam estar bem longe quando isso acontecesse.

Assim, partiram, no encalço de um poente pálido e espectral enquanto a temperatura baixava com a proximidade da noite e dedos de bruma já envolviam o bosque, encobrindo as formas silenciosas dos bordos e dos pinheiros. Pararam o percurso apenas para colher algumas amoras pretas de um arbusto rasteiro, saciando a fome e dividindo o restante da água do cantil.

Tiveram o dobro de cuidado ao refazerem o trajeto para o acampamento, uma vez que a noite caía. Tão logo avistaram as tochas que ladeavam o grande portão vermelho, sorriram cúmplices.

Um homem com um boné desbotado que vigiava a entrada principal do acampamento piscou para Temari:

— Hei, Temari, já era hora de voltar.

Ela soergueu as sobrancelhas, mas não o respondeu. Cruzaram o portão lado a lado e se dirigiram para a velha van onde mulheres atarefadas já cuidavam do jantar. Elas sorriram ao verem Temari.

— Hei, meninas, trouxe algumas coisinhas para vocês. — E dizendo isso, abriu sua mochila e tirou de lá todo o fruto de sua caça, cuidadosamente embrulhado.

Panelas já fumegavam sobre um fogão a lenha improvisado e algumas pessoas já aguardavam ansiosas pela última refeição que seria servida. Entre elas, Konohamaru e seus amigos que tão logo reconheceram Temari, acenaram com entusiasmo.

— Bem, você está dispensada, novata — ela brincou com Sakura e em seguida lhe deu uma piscadela: — E parabéns por sobreviver ao meu teste. Você passou.

— Disponha — ela adentrou à brincadeira, devolvendo-lhe a piscadela antes de se virar para ir procurar por Sasuke.

Caminho apenas alguns metros antes de avistá-lo, quase todo vestido de negro. Encontrou-o sozinho, como pensara, recostado a um velho tronco que servira de alicerce possivelmente para algum tipo de tenda. A luz das tochas refletia em seu rosto compenetrado e ranzinza, iluminando o negro dos seus olhos com flâmulas líquidas cor de âmbar.

Assim que a viu, ele relaxou a postura antes tensa. O alívio em seu rosto era quase imperceptível, mas estava lá. Ele desencostou do tronco e caminhou até ao encontro dela.

— Hei — Sakura o cumprimentou contida com um pequeno sorriso, mas relaxou assim que a mão dele pousou em sua nuca, puxando-a para o seu peito.

— Como foi? — ouviu-o perguntar, a voz abafada contra o seu cabelo.

— Eu disse que tudo daria certo — deu de ombros, passando os braços em torno da cintura dele para apertar-se contra o seu calor.

O cheiro do couro da jaqueta de Sasuke era o seu ponto de referência, percebeu, um odor característico que ela aprendera a associar à segurança e ao bem-estar, de forma que foi impossível não se aconchegar ao corpo dele. Sasuke plantou um beijo no seu cabelo e desvencilhou-se do abraço em seguida, puxando-a pela mão em direção ao lugar onde a barraca fora armada.

Ao chegarem lá, não conseguiu deixar de notar a forma cuidadosa, quase calculada que Sasuke se movia ao redor dela; trocaram poucas palavras e ele lhe pareceu agitado, inquieto. Observou-a enquanto ela umedecia uma tira de pano com um pouco de água e limpava o rosto e o pescoço para se livrar da sujeira e do suor, mesmo enquanto desembaraçou os nós em seu cabelo com os dedos e voltou a prendê-los em um rabo de cavalo.

Ela estava a ponto de perguntá-lo o que estava havendo quando mais uma vez ele lhe pegou pela mão e decidiu guiá-la até o local onde o jantar seria servido. Sakura ficou surpresa por Sasuke — uma vez que foram servidos do guisado de carne com algumas leguminosas em tigelas de plástico — ter se encaminhado para um grupo de pessoas que conversavam bobagens enquanto se aqueciam na noite fria com a comida e o calor da fogueira. No meio do grupo, ela reconheceu, encontrava-se Shikamaru e os dois irmãos de Temari, mas nenhum sinal da loira.

— Olha só quem nos deu o ar da graça — Kankuro brincou com um tom levemente malicioso que Sasuke propositadamente ignorou.

Ele se sentou de frente para Shikamaru, sobre o mesmo tronco de árvore da noite passada. Gaara e Kankuro ladeavam-no como dois cães de guarda bem treinados, acomodados sobre pequenos caixotes enquanto o homem perneta ocupava um assento mais confortável, o toco de sua perna descansava no gramado.

— Cala a porra da boca — Gaara sibilou irritado, mal levantando o olhar de sua tigela fumegante. Quando refletiam o brilho das chamas da fogueira, os olhos claros se tornavam ainda mais imperscrutáveis e misteriosos.

Kankuro ignorou o tom de reprimenda na voz rouca do irmão mais novo e levantou o olhar para Sasuke:

— E então, já tem uma resposta?

Sakura olhou de um rosto a outro, aturdida, mas não fez menção de vocalizar sua confusão em nenhum instante. Todas as compleições pareciam tomadas por sombras sob as chamas dançantes do fogo.

— Eu ainda estou pensando — Sasuke respondeu pragmático. — Quero pesar todos os prós e contras antes de tomar qualquer decisão.

— Humpf, como se fizéssemos questão da sua presença — Gaara murmurou indiferente, os olhos mal se davam ao trabalho de fitar Sasuke.

— Não seja tão prepotente — Shikamaru interviu de forma diplomática, alisando a barba rala que cobria o queixo. — Uma ajudinha seria muito bem vinda, especialmente devido às circunstâncias da situação...

— Eu não preciso da ajuda dele — Gaara insistiu, soprando o caldo em sua tigela para amenizar a quentura excessiva. — Kankuro, Temari e eu podemos perfeitamente buscar o doutorzinho em Kyoto.

— Não seja estúpido — ralhou Shikamaru no ápice de sua paciência para apaziguar os rumos da conversação. — Não temos ideia do que poderíamos encontrar em Kyoto, e eu não falo apenas de errantes, como da possibilidade disso tudo não passar de uma armadilha.

— Mas nós já discutimos isso, não? — Kankuro interrompeu-o com a boca cheia. Terminou de mastigar um pedaço fibroso de carne e engoliu com dificuldade. — Quero dizer, as chances da historinha do doutor ser legítima são bem grandes.

— Eu quero estar preparado para qualquer eventualidade — Shikamaru se justificou racionalmente.

— Do que vocês estão falando? — A voz de Sakura finalmente se fez audível junto ao crepitar do fogo e dos sons de sucção que Kankuro fazia para tomar o caldo em sua tigela. — Que história é essa de Kyoto?

Gaara desviou o rosto com indiferença enquanto Shikamaru suspirou. Nesse instante, a mão de Sasuke encontrou a dela, segurando-a e apertando-a discretamente.

— Recebemos um pedido de ajuda de Kyoto — Shikamaru explicou sucinto —, de um homem que alega portar a cura para essa praga.

— A cura?! Mas...

— O helicóptero que o transportava para uma base militar sofreu uma pane e fez um pouso de emergência em Kyoto — Shikamaru suspirou pesadamente, seus dedos apertaram a tigela em suas mãos inconscientemente. — Os militares que haviam sido encarregados de protegê-lo e proteger a carga morreram todos e agora o doutor está escondido em algum lugar da cidade pedindo ajuda.

Sakura ficou pasma, mal conseguiu articular uma sílaba entrecortada que não minguasse na ponta de sua língua. Olhou de um rosto a outro, quase em choque; desde a expressão indiferente de Gaara, à divertida de Kankuro, à grave de Shikamaru e à indecifrável de Sasuke.

Ela umedeceu os lábios repentinamente secos com a ponta da língua e limpou a garganta.

— Mas, se ele realmente possui a solução para tudo isso, não devíamos buscá-lo?

— Queremos averiguar a legitimidade dessa história toda antes de tomar qualquer decisão, por isso, estamos pensando em enviar Kankuro, Gaara e Temari para Kyoto... — Shikamaru olhou de relance para a silhueta de Sasuke iluminada pelas chamas. — E Sasuke se pudesse ir junto seria de grande ajuda... Apenas por precaução, é claro — ele acrescentou com um leve pigarrear.

Sakura olhou o rosto de Sasuke mais uma vez, perfilado pelo calor das chamas. Ela entendeu que ele estava tentando tomar sua decisão a julgar pelos sobrecenhos enviesados e pelo olhar crispado que fitava obstinadamente o fogo.

— Nos dê uma resposta concreta amanhã, Sasuke — Shikamaru intimou, deixando o resto de seu jantar de lado e apanhando ambas as muletas, colocando-se de pé com dificuldade enquanto mancava pelo gramado à procura da namorada.

Gaara e Kankuro se retiraram ao mesmo tempo, o último não sem antes lançar uma piscadela para Sasuke que mais uma vez fez questão de ignorar a provocação. Em dado momento, vendo que Sakura havia terminado de comer, ele a pegou pela mão e a levou de volta para a barraca que dividiam, num ponto mais afastado de todas as outras acomodações.

Sabia que ela tinha perguntas a lhe fazer, pois sentia o olhar atento dela sobre o seu rosto o tempo todo. Mas é fato que ela não se manifestou até que ambos estivessem debaixo da coberta, dividindo o mesmo saco de dormir para amenizar o frio. A cabeça dela repousava em seu ombro, seu braço fez questão de enlaçá-la pela cintura e trazê-la para mais perto do calor do seu corpo.

Quando ela se aconchegou junto a ele, buscando uma posição mais confortável, Sasuke suspirou de forma inconsciente. A mão dela afagou o linho de sua camisa, brincando com alguns botões.

— Você vai? — A voz dela ruiu no silêncio e na sinfonia gemebunda que o vento orquestrava lá fora.

Ele respirou fundo quando Sakura pressionou a ponta gelada do nariz contra o pescoço dele.

— Ainda não me decidi.

— Por que não? — ela insistiu, afagando o peito dele com uma carícia despretensiosa, suave. As pontas dos dedos traçavam círculos invisíveis na camisa.

Sasuke encarou o teto da barraca para respondê-la.

— Eu não acho que haja muito da humanidade que valha a pena salvar, não a essa altura. Todos nós mudamos nesses meses de uma forma que não poderá ser corrigida; nenhuma porra de uma cura nos fará voltar ao que éramos antes disso tudo.

— Você realmente acha isso? — ela voltou a pressionar o nariz na pele do pescoço dele, respirando de forma errática, alterada.

Sasuke a respondeu com o silêncio. Sakura apoiou-se nos cotovelos para observá-lo melhor. Inclinou-se sobre ele para depositar um único beijo sobre a boca cerrada.

— Eu acho que você ainda tem esperança no fundo, ainda tem fé. Só não quer admitir.

— Esperança ou fé não me levariam a lugar algum agora, Sakura — ele virou o rosto para fitá-la, os olhos negros perfuraram-na quando a miraram. — Se chegamos até aqui, fé não teve nada a ver com isso. Apenas a lei do mais forte.

— Eu não acredito nisso — Sakura murmurou, estendendo a mão para afagar a face encrespada como se tivesse a esperança de remodelar a expressão austera nela contida apenas com o toque de seus dedos. — E você também não acredita nisso, Sasuke, porque eu sei que você ainda sente esperança, você ainda acredita que vai encontrar o seu irmão, você ainda acredita que nós encontraremos uma saída de tudo isso. Eu não acreditava antes de te encontrar, mas agora acredito. — A mão dela moveu-se para o ventre, pressionando a palma cuidadosamente sobre o volume miúdo e rígido. — Eu me forço a acreditar pela vida que está crescendo dentro de mim. E agora, com essa história da cura...

— Pode não ser verdade — Sasuke a interrompeu num rompante.

— Mas também há uma chance de ser — ela contornou a situação rapidamente com uma pequena convicção. — Estou me apegando ao que puder para continuar lutando, Sasuke. Nós perdemos Yokohama, mas ganhamos outra chance. Mas se nós desistirmos antes mesmo de tentar...

— Você não vai junto — ele declarou peremptório e ranzinza como se entrevisse o ponto onde ela queria chegar, ao que Sakura rapidamente meneou a cabeça com resignação.

— Eu sei que você não permitiria, mas isso não te impede de tentar por si mesmo. Sei que você é capaz e eu sei que você quer comprovar essa história toda com os seus próprios olhos... Pense na possibilidade!

— Eu ainda não estou convencido de que possa haver realmente uma cura para isso.

— Mas você pode tentar, pode conferi-la você mesmo, não pode?

— Veremos — ele deu o assunto por encerrado quando a puxou para os seus braços de novo no intuito de silenciá-la.

Sakura pareceu conformada com sua decisão apenas a princípio, mas não voltou a tocar no assunto. Tornou a encaixar o rosto contra a curva do pescoço dele e pressionou a boca contra a pele quente e macia.

— Sakura — Sasuke sussurrou roucamente o nome dela, como numa advertência, mas ela não lhe deu ouvidos de forma que levantou o rosto para depositar outro beijo sobre o queixo dele.

Ele a deteve, segurando-a pelos ombros. No escuro, os olhos dela brilhavam tão maliciosos quanto felinos, quase desafiadores. Eram impressionantemente verdes e carregavam um fogo líquido, incandescente.

— Não vai me machucar — ela garantiu num sussurro, respondendo à pergunta silenciosa que ele levava no olhar.

A verdade é que também sentia falta dela, tanto que aquela saudade igualava-se à sensação de uma dor física, uma fome latejante. Talvez por isso, então, a tenha empurrado para baixo do seu corpo e capturado a sua boca abruptamente.

As frustrações, o medo e o rancor acumulado ao longo de todos daqueles dias transbordaram nos toques impacientes de Sasuke conforme ele lidava com o botão e o zíper da calça dela. Ela gemeu abafado na boca dele e puxou-o para mais perto; tinham pressa em saciar aquela necessidade desesperadora.

Sasuke encontrou a bainha da blusa que ela vestia e sem demora correu as mãos pelo ventre macio, as pontas dos dedos esbarraram na renda do sutiã, mas não recuaram, antes aprofundando-se na quentura e no palpitar acelerado do coração dela. O corpo de Sakura mostrou-se mais sensível e receptivo às carícias de Sasuke como nunca até então.

As mãos dela rapidamente enlaçaram-se ao cabelo negro e revolto, depois afagaram as costas, precipitando-se para baixo da camisa, sentindo o calor e a firmeza dos músculos sob as pontas dos dedos.

Sasuke por fim voltou a atenção para a calça dela, puxando-a insistentemente enquanto a manta embolava em torno de suas pernas, dificultando o processo. Quando enfim os dedos dele tocaram-na nos quadris nus, Sakura suspirou em deleite. O espaço era relativamente pequeno, mas não se provou verdadeiramente um empecilho para o casal.

A boca de Sakura enfim foi liberta enquanto Sasuke descia os beijos pelo seu colo, afastando a gola de sua blusa à procura de pele para mordiscar. Ela gemeu baixinho, afundando os dedos no cabelo dele e suspirando quando, num momento de ternura e intimidade, viu-o depositar um beijo em seu ventre, descansando a bochecha sobre ele logo depois, mechas do cabelo dele lhe fizeram cócegas conforme ele lutava para normalizar o ritmo de sua respiração.

— Sasuke — ela o chamou na escuridão durante um único instante de abandono e fragilidade assim que sentiu os dedos dele pousarem imóveis sobre os ossos do seu quadril.

Só mais tarde, ele moveu-se novamente para terminar de desnudá-la, o toque ágil e decidido denotava toda a sua urgência. Ele voltou para capturar seus lábios e Sakura ajudou-o a se libertar da própria calça. As mãos dele trabalhavam mais rápidas e mais firmes do que as dela e logo se libertaram da peça incômoda.

Quando o corpo de Sasuke caiu sobre o dela, Sakura abafou um gemido no ombro dele, enterrando as unhas curtas no linho da camisa que eles não se importaram de retirar. Estar unida mais uma vez a ele era como reviver as noites solitárias no apartamento dele em Komatsushima, quase uma vida inteira atrás.

Sasuke ofegava baixinho acima dela, ditando e controlando o ritmo de cada investida. Parecia zeloso, preocupado em machucá-la. Mas Sakura lhe sorriu como num incentivo e declaração de que estava tudo bem. O rosto dele encrespou-se de concentração e prazer e apesar do sobrecenho franzido, os olhos eram suaves feito fogo negro brando, ardiam sem verdadeiramente queimar.

O desfecho magistral aproximou-se sorrateiro para ambos e arrebatou-os para longe da realidade mordaz, transladando-os para um desatino que, embora fugaz, fê-los esquecerem-se da onipresença massacradora da Morte e da Pestilência pelos escassos segundos em que se viram embevecidos pelo prazer da libertação.

Sasuke manteve o corpo de Sakura junto ao seu, não permitindo que arrefecesse ou perdesse o calor que até agora ele havia lhe proporcionado. Beijou os lábios úmidos dela uma última vez e ronronou quando os dedos dela tornaram a acariciar seu couro cabeludo como um afago materno.

— Obrigada — ela sussurrou com ternura ao abrir um sorriso que lhe chegava até os olhos.

Ele, por fim, deitou-se ao lado dela, ajudando-a a recolocar suas roupas e ajeitando-se ao seu lado novamente sobre o saco de dormir.

— Pelo o quê? — perguntou enfim, ainda sem fôlego, afastando algumas mechas de cabelo dos olhos dela.

Ela virou o rosto para estudá-lo, as bochechas permaneciam coradas e os olhos brilhantes e vívidos.

— Por ter me dado algo pelo qual valha a pena continuar lutando.

Ela lambeu os lábios e desviou o rosto, parecendo-lhe constrangida ou incomodada de súbito.

— Eu me afeiçoei demais a você, Sasuke, mais do que eu devia. Mas se quer saber, eu não estou arrependida — voltou a fitá-lo, a feição relaxada agora que o cansaço a tomava. — Eu não me arrependo de nada do que vivemos.

— Também não estou arrependido — ele confirmou, as pálpebras pesando sobre os olhos sonolentos.

A mão dela encontrou a dele sob a manta e entrelaçou seus dedos.

— Você já tomou a sua decisão?

— Sim — respondeu, os olhos cerrados, o rosto impassível e, no entanto, seu tom de voz o delatou.

Sakura sorriu em resposta porque também compreendeu e deu-se por satisfeita. Fechou os olhos e aconchegou-se mais ao corpo dele, buscando pelo seu calor e proteção.

Sasuke ainda não havia desistido de lutar.

Sasuke iria até Kyoto com os outros na esperança de encontrar a cura.

* * *

Você sabia tudo sobre mim

E eu sabia tudo sobre você

Nós sempre soubemos que isso, algum dia, acabaria.

Sigur Rós — Trecho de Ísjaki.

Notas finais
Pegação nesse capítulo porque A PEGAÇÃO EM SASUSAKU FOI CANONIZADA, CÊS TÃO LIGADOS? MUAHAHAHAHAHAHA ... SOMOS CANON! SOMOS CA-NON! SOMOS C-A-N-O-N! E os Haters espumam de raiva por isso HAHAHAHAHAHAHAHA ... Próximo capítulo, a jornada para Kyoto. Vocês acham que realmente há uma cura? Será que eles conseguem chegar até esse homem misterioso? Vish, eu não contaria com isso AHUAHUAHUAHUAHUAHUA Preparem-se! Porque minhas tendências homicidas estão prestes a retornar nessa Fanfic! ... Estou há três semanas sem conseguir assistir TWD por culpa da minha internet lixosa ;-; SOCORRO! ... Perdão pela demora, mas sabe como é né, duas semanas de provas, TCC, aí vem o fim do mangá e o Canon de SasuSaku para me desestruturar de vez, a Sarada-chan que chegou para integrar a nossa família SS *u* Me sinto madrinha dessa princesinha Uchiha! Hehehehe ... Enfim, obrigada a todos pelos reviews do cap. passado. Espero que quando as coisas esquentarem por aqui, muitos leitores retornem do mundo do limbo porque o único Ghost que eu gosto é o lobo do Jon Snow de Game of Thrones ASHASHAHSHAHSAHSHSA ... Até o próximo.