Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

36 Capítulo XXXV: Catalisador de Cataclismos


Notas iniciais
Trigésimo quinto capítulo. Boa leitura!

Dead World Assembly

"— Nós vamos sobreviver a esse pesadelo e vamos fazer isso nos transformando em monstros piores que eles, está me entendendo? Agora não existem mais regras! Não existe filosofia, não existe misericórdia, não existe perdão, agora somos nós e eles e tudo o que eles querem fazer é devorar a gente! E por isso nós é que vamos devorar a porra dos zumbis! A gente vai mastigar eles e depois cuspir no chão e nós vamos sobreviver a essa situação, ou então eu vou destruir a droga do mundo! Você entendeu o que eu falei? ENTENDEU O QUE EU FALEI"?

KIRKMAN, Robert. A Ascenção do Governador (pag. 95)

Capítulo XXXV:

Catalisador de Cataclismos

Na manhã seguinte, Sakura descobriu que uma fina geada havia coberto toda a vegetação durante a madrugada; desde o gramado alto e seco até os ramos vistosos das criptomérias e dos pinheiros. O gelo tornou-os quebradiços e frágeis e pintalgou os prados de um branco encardido e impuro. O panorama monocromático — que se estendia até onde os olhos alcançassem — liquefez-se paulatinamente, conforme o sol nascia a leste.

Sasuke ainda ressonava imperturbável ao seu lado, o sobrecenho franzido, a boca levemente curvada para baixo numa careta descontente. Dividiram o mesmo saco de dormir na noite anterior na esperança de aplacar o frio infesto, mas, mesmo enrolada nos cobertores, as rajadas cortantes de vento do lado de fora da barraca a levavam a estremecer, batendo seus dentes com força.

Em silêncio, ela puxou algumas peças de roupa limpas da sua mochila. Tirou as que usava, tiritando em todo o tempo, e passou os braços pelas mangas do suéter de lã com um sentimento de satisfação e alívio.

Antes de abaixar o tecido grosseiro sobre o ventre, não conseguiu deixar de reparar o pequeno volume rígido que já se manifestava em seu baixo-ventre, entre os seus quadris. Balançou a cabeça, frustrada, e calçou os coturnos depois de colocar um par extra de meias. Ajeitou o cabelo o melhor que conseguiu, prendendo-o no costumeiro rabo de cavalo frouxo. Ponderou entre levar a Glock ou não e, no fim, acabou prendendo o coldre na coxa direita.

Rastejou para fora da barraca e deixou escapar um muxoxo quando uma rajada de vento glacial atravessou-a. Nesse ritmo, o inverno se solidificaria em no máximo duas ou três semanas. Por sorte, sua jaqueta de couro forrada com lã de carneiro a protegeu do pior da intempérie. Sakura subiu o zíper e afundou os punhos nos bolsos, esperando recuperar a sensibilidade nas pontas geladas dos seus dedos dormentes o mais depressa possível.

O céu azul estava forrado de nuvens. O gelo fino sobre o gramado derretia lentamente. A leste, por trás dos outeiros esbranquiçados, o sol firmava-se.

Sakura olhou em derredor, distraída, observando as poucas pessoas despertas espalhadas pelo acampamento; em um canto, sobre uma mesa dobrável de metal, um casal de idosos disputava uma partida de xadrez, matando o tempo. A poucos metros dali, uma mulher, usando um varal improvisado, amarrado entre os galhos grossos de um freixo, estendia algumas peças de roupa lavadas. Um bebê com pouco mais de um ano brincava com um ursinho de pelúcia sobre uma toalha de piquenique estendida a seus pés.

No entanto, era só olhar mais além que se via claramente homens e mulheres mais jovens e robustos portando armas que vigiavam os cercados em todo o seu perímetro. A vegetação densa e alta criava um paredão entre eles e o mundo exterior. Sakura não queria reconhecer, mas estava se sentindo mais segura ali, entre tantas pessoas, escondida no meio da floresta.

Ela continuou seu trajeto, passando ao lado de alguns carros e motocicletas — até mesmo o caminhão militar da noite anterior, desta vez coberto com uma lona verde-escura —, quando viu a loura, Temari, sair de trás de um dos veículos. Ela sorriu quando a viu ali:

— Hei, bom dia.

— Bom dia — Sakura respondeu com ar diplomático, acenando com a cabeça na direção da jovem loura.

— Já tomou o desjejum?

Sakura balançou a cabeça e agradeceu silenciosamente, pois estava faminta para ser franca. Queria aproveitar que, por ora, os enjoos haviam retrocedido para se alimentar o melhor que pudesse. Temari indicou o caminho com um gesto da mão.

— Pois venha comigo então.

Sakura imediatamente alcançou Temari, colocando-se ao lado dela. Ela ainda usava os jeans e a jaqueta de couro preta do dia anterior, mas os cabelos cor de caramelo estavam presos apenas por dois elásticos.

— Então, me conta mais sobre você e o seu parceiro... — Temari a instigou com um pequeno sorriso. Sakura levou mais do que o habitual para formular uma resposta coerente.

— Hmm, você quer dizer como viemos parar aqui? Bom, é uma longa história — interrompeu-se, imaginando se Temari recuaria, mas, para a sua surpresa, ela riu.

— Comece pelo início. Como conheceu o tal Sasuke? Sem ofensas, mas Shikamaru e eu o achamos um pé no saco.

— O Sasuke é um pouco... — ela ponderou a palavra, incerta. — Hmm, sisudo, mas ele é uma boa pessoa.

— Se você diz — a loura roçou a ponta da língua no céu da boca, a boca teimava em curvar-se em um sorriso trocista.

— Ele salvou a minha vida, mesmo que fôssemos completos estranhos na época — informou-a, sentindo uma súbita necessidade de defender o caráter de Sasuke. Então, ela balançou a cabeça, resignada: — Confesso que ele não é a pessoa mais fácil de se lidar. Às vezes ele é rude e pode soar frio e indiferente em outras ocasiões, mas ele passou por muita coisa, mesmo antes do mundo acabar...

— Entendo — Temari assentiu, mas de forma distante.

Sakura a acompanhou até um ponto específico do acampamento e notou à distância um coro dissonante de vozes. Havia uma van estacionada ali nas proximidades, um Nissan serena prateado que estava coberto de lama e tinha um dos pneus furados. Sakura notou que os bancos traseiros haviam sido todos removidos; uma lona havia sido estendida sobre dois postes medianos, cobrindo parcialmente o automóvel, funcionando como uma espécie de tenda. No interior, ela percebeu que havia sido improvisada uma pequena cozinha. O mais impressionante era o pequeno fogão a lenha de ferro.

Havia uma pequena aglomeração ali, algumas pessoas aguardavam na fila para terem o seu desjejum servido em uma pequena tigela de plástico. Três crianças, ao final da fila, acenaram de forma enérgica quando viram Temari:

— Hei, Temari, bom dia! — um menino de bochechas rechonchudas e óculos de aros redondos e imensos a cumprimentou.

— Bom dia para vocês, crianças — ela respondeu animada, parando bem atrás das crianças que só então notaram a presença de Sakura. Temari foi quem tomou a iniciativa de apresentá-los: — Crianças, esta é a Sakura, ela chegou ontem à noite — então gesticulou para a garota e em seguida apontou para cada uma das crianças: — E, Sakura, estes são Udon, Moegi e Konohamaru. Eles estão conosco desde que escapamos do centro de refugiados.

— Olá — ela acenou, tímida, e Temari bufou de modo discreto.

Pelo que pudera perceber, Udon era o garoto dos óculos de tartaruga e nariz constipado, pois fugava constantemente; Moegi era uma menina de chamativos cabelos acobreados e bochechas rosadas e Konohamaru era um garoto hiperativo de desgrenhados cabelos castanhos que não parava quieto um minuto sequer.

As três crianças vestiam peças surradas de roupa e tinham manchas de sujeira no rosto, mas pareciam contentes enquanto aguardavam para serem servidas, apesar de todos os contratempos que já deviam ter experimentado. Sakura imaginou se todos os três eram órfãos.

Temari afastou-se por um momento e depois voltou com duas tigelas de plástico, entregando uma delas para Sakura, que sorriu agradecida.

Elas conversaram amenidades enquanto aguardavam a sua vez e a garota se surpreendeu quando lhe foi servido um caldo grosso e fumegante que continha um forte e delicioso aroma de leguminosas temperadas com algumas ervas que ela não conseguiu identificar; quando o experimentou, tinha uma consistência pastosa e estava agradavelmente quente, além de ter um gosto forte mas aprazível.

Ambas se acomodaram ali por perto, sentando-se sobre o mesmo tronco da noite anterior. Das brasas — de uma fogueira há pouco extinta — exalava uma fumaça tênue.

— O que achou? Bem melhor do que comida enlatada, não é? — Temari comentou depois de um tempo e Sakura pegou-se consentindo, o gosto do caldo perdurava em sua boca. Agora que tinha acalmado seu estômago, sentia-se inegavelmente mais disposta.

— Como exatamente vocês definem a função de cada um aqui?

Temari ponderou por um momento, depois deu de ombros.

— Nós não definimos nada, cada um contribui como puder. Eu, por exemplo, prefiro caçar a cozinhar — pausou para revirar os olhos dramaticamente ante o olhar que recebeu de Sakura. — É sério, eu me sentiria mortalmente entediada se tivesse que cuidar de alguma tarefa doméstica.

A loura esticou as pernas longas no gramado e inclinou-se para trás levemente. Seu humor pensativo e distante refletia o céu anuviado.

Repentinamente, ela tombou a cabeça para o lado, fitando Sakura com seus belos olhos escuros emoldurados em cílios longos e negros.

— Mais tarde, vou sair para caçar. Gostaria de vir comigo?

Ao notar a palidez conspícua que coloriu a face da garota, ela apressou-se em se explicar:

— Não iremos muito longe; no máximo um quilômetro e meio floresta adentro. Seria útil ter uma mãozinha... Você parece ser uma garota durona — Temari concluiu com um sorriso de canto e Sakura conteve o instinto de afagar o ventre por cima da jaqueta.

Relutantemente, ela aquiesceu, meneando a cabeça numa concordância aluída. A verdade é que precisava de um tempo para si mesma; os eventos dos últimos dias ainda reverberavam catastroficamente sob a sua perspectiva. Passara por muita coisa em um espaço de tempo muito curto: o início da jornada para Yokohama, a descoberta da gravidez, a morte de Karin, os inúmeros errantes em seu caminho, a proximidade onipresente da morte, o mau humor de Sasuke, a inconstância em sua atitude. Sakura estava frustrada e cansada além de qualquer limite humano.

Talvez por isso tenha aceitado tão depressa o convite de Temari para se embrenhar na floresta e espairecer. Não havia muitos riscos, ela garantiu.

A garota loura levantou-se de súbito, batendo as mãos no bumbum a fim de limpar a sujeira em seu jeans. Ela a olhou de canto, ainda sorrindo torto:

— Me encontre na entrada do acampamento, por volta do meio-dia. Sei que o seu namorado tem uma bela coleção de facas... — confessou sem o menor traço de remorso. — Eu estava de olho nelas na noite passada, então as traga também — disse, lançando uma piscadela e em seguida partiu.

Para Sakura, restou voltar para onde ela sabia que Sasuke se encontrava. Achou-o exatamente onde esperava enquanto ele organizava os pertences de ambos; concentrado demais em seus afazeres, demorou a notá-la, ali, de pé, encarando-o. Quando o fez, ergueu o olhar anuviado, a boca perdurava curvada para baixo naquela expressão azeda.

— Onde estava? — ele perguntou com um ar desinteressado, as mãos mantinham-se ocupadas, sempre em movimento, agora elas dedicavam-se a checar as munições restantes.

— Estava com a Temari — informou sucintamente, ajoelhando-se ao lado dele no gramado alto. A geada já derretera completamente àquela hora com o sol quente brilhando acima deles. Apartando os lábios, ela ciciou a próxima sentença decisiva: — Ela mais ou menos me intimou para caçar com ela mais tarde. E eu vou, Sasuke.

As mãos que, até aquele instante, mantinham-se ocupadas detiveram-se abruptamente. Ele lhe deu um olhar incrédulo, as pupilas haviam se dilatado, as narinas inflaram com uma súbita tragada de ar. A boca, por fim, apartou-se.

— Vai aonde? — ele parecia sentir a necessidade de ouvi-la confirmar o que havia dito anteriormente, portanto Sakura suspirou demoradamente antes de respondê-lo.

— Não iremos muito longe do acampamento. Além disso, ela deu a entender que tem experiência em caçadas. Ficaremos bem, Sasuke.

Ele se levantou de forma abrupta, assomando sobre ela hostilmente.

— E por que concordou com isso? Por acaso esqueceu que...

— Não, eu não esqueci! — exasperou-se, levantando-se também e fitando-o com a mesma determinação férrea e inabalável. Então, abaixou o tom de voz para um sussurrar cuidadoso: — Não percebeu que isso é um teste?

Sasuke franziu o cenho ao ouvi-la. Sakura, ignorando a tensão crescente que se instalara entre ambos, respirou fundo e continuou:

— Isso é um teste, Sasuke. Estão nos testando, avaliando se somos dignos de confiança.

Ele descartou o comentário com um esgar.

— E daí? Por que isso é importante? Não ficaremos aqui por muito tempo mesmo.

— Fale por si só — Sakura sibilou, atravancando a própria indignação e frustração.

Ela, nesse instante, pensou ter visto os olhos escuros de Sasuke relampejarem; a sensação estranha durou só um segundo e tão rápida quanto veio, ela se foi. Suspirando, retomou o assunto em pauta, controlando o próprio tom de voz. Sakura tinha total consciência de como Sasuke detestava se sentir contrariado e, honestamente, ela não estava animada com a possibilidade de discutir com ele agora.

— Olha, eu acho que nós devíamos reconsiderar, Sasuke — ela apoiou as mãos na cintura e trocou o peso do corpo para a outra perna. — Pelo bebê ao menos. Sejamos racionais, Sasuke, eu não posso dar a luz sozinha, à beira de uma estrada ou sem um lugar fixo. Temari tem experiência como enfermeira e pode me ajudar no parto.

— Eu não gosto disso — ele sibilou enquanto o gramado alto aflava ao redor, impelido pelo vento gélido.

— Você não tem que gostar — ela pontuou pragmática —, só precisa ter um pouco mais de paciência. Eu sei que você está frustrado por conta de Yokohama e eu sei que você esperava reencontrar o seu irmão, mas nós temos que estabelecer as nossas prioridades, Sasuke. Se nos afastarmos agora, as coisas podem piorar ainda mais. Seja um pouco mais paciente.

Por um instante, ele franziu o rosto, ponderando seu discurso e a lógica imputada neste. Enfim ele soergueu as sobrancelhas e suavizou a expressão severa em seu rosto.

— Certifique-se de não se afastar muito do acampamento e leve a minha faca de caça.

Sakura concordou, satisfeita. Abaixou-se até as mochilas e verificou-as até encontrar o estojo de couro que procurava. Encontrou a faca que procurava, uma de lâmina serrilhada e recurva, cuidadosamente embainhada. Ela ainda se lembrava como Sasuke a usara há algumas noites para remover a pele e as vísceras do coelho pego na armadilha.

— Só para deixar bem claro uma coisa, Sakura... — ele murmurou de supetão, atraindo sua atenção; seu olhar escuro era quase ilegível, insondável, o rosto, no entanto, sustentava uma expressão neutra. — Lugares como este... — Havia um sentindo pejorativo implícito em sua voz. — Lugares cheios de pessoas, suprimentos e armas em hipótese alguma são seguros. Lugares como este só servem de catalisadores para catástrofes, são imãs que atraem tudo o que não presta. Nós ainda estaríamos mais seguros sozinhos e nada me convencerá do contrário.

Ela engoliu em seco, segurou a faca firme entre as suas mãos. Sasuke se aproximou e estendeu a mão para ajeitar uma mecha do cabelo dela, colocando-a atrás da orelha.

— Não se descuide em nenhum momento — alertou, entrecerrando os olhos pretos e graves. — Eu vou ver o que descubro, quero estudar o comportamento de cada um aqui. Nós ficaremos o tempo que for suficiente para decidirmos o que fazer, para onde iremos, depois disso partimos. Sem mais discussão.

Ainda que a contragosto, Sakura anuiu com um menear trêmulo e hesitante da cabeça. Pesara as palavras de Sasuke sobre aquele acampamento ser um imã para todo o tipo de catástrofe, um catalisador de cataclismos. Havia uma verdade inextricável naquelas palavras duras, uma verdade inescapável e opressora. Sakura não queria que esse temor se tornasse onipresente em seu consciente, mas uma vez que permitiu que ele se instaurasse, foi impossível não dar razão a Sasuke; ele estava certo.

Inquieta, ela fitou-o uma última vez antes de lhe dar as costas e se afastar pelo mesmo caminho pelo qual viera. Prendeu a bainha da faca em seu cinto e envolveu seus dedos em torno da sua Glock. Manteve os olhos baixos, os passos lentos enquanto atravessava o acampamento em busca do local onde Temari lhe pedira para lhe esperar.

Do outro lado do prado, Shikamaru olhava abismado a garota de cabelos cor de caramelo ajustar a corda de um elegante arco de caça Bowtech Captain com batentes de carbono e borracha. O rapaz conhecia bem as habilidades de Temari com aquele arco.

Com tiros silenciosos e precisos — fatais na maioria dos casos —, ele não se cansava de admirar a forma como ela sabia apertar a corda flexível de poliéster até o ponto certo para que a tensão no comprimento do fio não atrapalhasse na hora do disparo. Ela também tinha preparado uma pequena aljava de couro com cerca de meia dúzia de flechas e rapidamente pendurou sua alça sobre o ombro direito.

Testou o arco uma, duas vezes, esticando a corda com os dedos enluvados até que se sentisse satisfeita com o movimento de tração.

— Pronta para ir? — ele perguntou com um sorriso enquanto ela prendia o coldre com uma pistola Taurus .380 na coxa direita.

Há alguns dias, Gaara conseguira improvisar um silenciador com alguns materiais como um tubo de PVC e um cilindro de borracha. Era precário e não abafava por completo o estampido do disparo, mas era melhor do que correr o risco de atrair dezenas de errantes a cada vez que puxasse o gatilho.

Shikamaru ainda se lembrava de como Kankuro tentou minar a determinação do irmão caçula apenas para lhe deixar de mau humor. Ele tinha uma impressão bastante estranha acerca da relação entre os três irmãos. De qualquer forma, sabia que eles se protegiam e se cuidavam desde antes do centro. Temari certa vez mencionara algo sobre a mãe ter morrido muito cedo e do pai ter se entregado ao alcoolismo devido a isso.

— Não se esqueça de vigiar o Kankuro e o Gaara — Temari abriu um sorriso zombeteiro e se aproximou do caixote de madeira onde Shikamaru se sentara; suas muletas descansavam ali por perto. Em qualquer outra ocasião — antes da perda de parte de sua perna esquerda —, ele teria acompanhado Temari na caçada, mas estava incapacitado em sua atual condição. — Não deixe que eles se matem — frisou, apanhando o rosto masculino entre suas mãos e pressionando a boca de encontro a dele.

— Tem certeza de que a garota é confiável? — ele perguntou, os lábios roçavam os dela quando se moviam, o hálito dele soprava no rosto dela; cheirava às folhas de hortelã que mastigara mais cedo.

— Ela dá conta, não se preocupe. — Afastou-se com um movimento ligeiro, apanhou o arco que até então estivera preparando e lançou uma piscadela para o homem sentado impassível sobre o trêmulo caixote de madeira. — Meu sexto sentido não costuma falhar quanto a isso. Certifique-se você de manter os olhos sobre aquele namorado dela.

— Ah, pode ter certeza de que eu vou — garantiu com um tom sombrio e ébrio.

— Devo voltar até o cair da noite — garantiu, apanhando sua mochila com todos os itens dos quais precisaria.

— Tome cuidado — ele concluiu, a testa ganhando vincos conforme sua expressão usualmente tranquila perturbava-se pela perspectiva de Temari se embrenhar na floresta apenas na companhia de uma estranha.

— Eu sempre tomo — lembrou-o com um último sorriso, um que era todo secreto, um código entre ambos. Shikamaru ainda se lembrava desse sorriso nos seus sonhos mais enevoados, quando havia sido dopado com tantos analgésicos por conta da dor em sua perna recentemente amputada.

Havia sido este sorriso caloroso, cativante, cheio de vida a recepcioná-lo quando despertou para a sua nova condição. Perdera uma parte de si, seus melhores amigos, em troca a vida lhe dera ela. Amava-a mais do que a si mesmo, mais do que tudo.

E enquanto a via se afastar pelo gramado alto do prado, pensava em como não conseguia lamentar nada, podia ter perdido tudo, mas em retribuição descobrira Temari e o amor.

Passaria por tudo novamente se isso significasse conhecê-la, se isso significasse receber seus sorrisos e seus olhares. Viveria tudo outra vez apenas para sentir o seu toque, sentir o seu corpo curvilíneo quente e desnudo apertado contra o dele na madrugada fria e ruidosa.

Alguns o considerariam um egoísta desprezível e mesquinho, mas para ser honesto Shikamaru não se importava nem um pouco.

* * *

Eu estou farto

Eu estou condenado

Com uma arma contra a minha cabeça

Uma arma contra a minha cabeça

Sozinho eu me encontro

Com uma arma contra a minha cabeça.

Delta Spirit — Trecho de Running.

Notas finais
Mil perdões pela demora excessiva... Mais uma vez. Mas culpem o Kishimoto! XD É sério! Eu queria ter postado na quinta-feira, mas aí tivemos aquele mangá destruidor que me deixou jogada no chão igual bicho morto na rodovia ;-; Desconfio de que ainda não me recuperei desse mangá... Mas quem eu estou tentando enganar? Eu não me recuperei mesmo do último mangá! XD ... Na boa, foi lindo! EU CHOREI O DIA INTEIRO POR CAUSA DESSE MANGÁ! T_T Deus, como SasuSaku é lindo! T_T ... Sobre DWA, as coisas estavam um pouco calmas, mas no próximo capítulo teremos a volta dos mortos-vivos (trocadilho legal HAHAHAHAHAHA) lol Mas sem zoar, no próximo teremos os nossos queridos fedorentos de volta ;D ... QUEM TÁ ANSIOSO PELO RETORNO DE TWD?! EUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU o/o/o/ *---* ... Muitíssimo obrigada a todos pelos reviews lindos! Chegamos ao número de 1.000! THANK YOU SO MUCH, LOVE YOU GUYS S2 ... Até o próximo!