Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

27 Capítulo XXVI: O Galardão dos Caídos


Notas iniciais
Vigésimo sexto capítulo dedicado à nightingale pela linda recomendação! Obrigada mesmo! *--*

Dead World Assembly

“E assim eles começam a caminhar para o oeste e, dessa vez, ninguém olha para trás”.

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 78).

Capítulo XXVI:

O Galardão dos Caídos

O romper da alvorada trouxe consigo o fim da tormenta. O sol pálido, prenúncio do inverno, mal havia despontado no firmamento quando Sakura e Karin silenciosamente se esgueiraram pelas ruas mortas de Myozai; o asfalto úmido ainda guardava o odor da tempestade e o ar frio soprava lixo no meio-fio.

Enquanto desciam uma ladeira, com os saltos dos coturnos ecoando no concreto molhado e o sol fúlgido acima delas, Karin olhou de esguelha para Sakura, que mantinha o punho cerrado sobre a Glock, no coldre em sua coxa direita.

Inventaram a Sasuke que procurariam por um antiácido na farmácia, já que Sakura alegou que ainda não se sentia muito bem e, mesmo a contragosto, ele pareceu ter engolido o subterfúgio delas, mas impôs que voltassem em no máximo uma hora e meia já que eles precisavam seguir viagem. Se suspeitou de que estamos mancomunadas por outro motivo, ao menos foi discreto para não fazer comentários, a ruiva ponderou razoavelmente.

Agora, Sakura tinha o olhar entrecerrado e nuvioso e o cenho crispado em preocupação.

Karin queria muito dizer algo a ela que a fizesse se sentir melhor, mas mordeu a língua para se forçar a ficar em silêncio. As suspeitas de gravidez deviam estar torturando-a, ainda que ela própria tivesse dito na noite anterior que as possibilidades eram quase nulas. Já os sintomas... Bem, estes não mentiam.

Assim, apertando o casaco em torno dos ombros, ela limpou a garganta e mirou o concreto molhado:

— Sasuke me contou que você cursava medicina em Tóquio.

Sakura a fitou, curiosa, e depois assentiu. O vento brusco atirava mechas rosadas contra o seu rosto pálido, desmanchando o rabo-de-cavalo.

— Sim, cursava o terceiro ano na Tōkyō Daigaku. Cheguei a, inclusive, fazer residência no Hospital Universitário durante alguns meses. Foi basicamente lá que aprendi sobre essa doença.

De chofre, Karin notou que o rosto de Sakura obscureceu conforme as lembranças daqueles dias escuros inundavam-na como uma enxurrada truculenta.

— Você sabe que, basicamente, essa doença não é causada por nenhuma espécie de parasita ou corpo estranho? — Vendo que a ruiva meneou a cabeça em negação, ela prosseguiu: — Nenhum vírus, nenhuma bactéria ou nenhum fungo. Parecia que, a cada dia, mais pessoas chegavam infectadas e os médicos não conseguiam encontrar qualquer explicação. Boatos circulavam de que os primeiros casos foram registrados na Coréia do Norte, outros diziam que havia se iniciado nos Estados Unidos da América. Parecia que não tinha importância, afinal, pois em questão de dias os governos de todos os países relatavam os mesmos sintomas, as mesmas autópsias inconclusivas.

“Os sussurros naqueles corredores só não eram mais horripilantes do que os rosnados dos pacientes, atrelados aos seus leitos. Naquela época, conheci uma neurologista prestigiada chamada Tsunade e ela tinha uma teoria interessantíssima sobre essa doença.

— Tsunade? — Karin testou a sonoridade do nome, estupefata. — Senju Tsunade? Ela é uma das mais respeitadas neurologistas de todo o Japão! Li algumas matérias sobre ela.

Sakura aquiesceu com um sorriso mínimo.

— Tsunade alegou que essa doença, na verdade, afetava todo o sistema nervoso central do corpo humano. Conheci um geneticista que concordou com essa teoria dela e foi além: disse que o “gene” causador permaneceu latente, adormecido em nosso DNA até poucos meses atrás. Quem sabe qual foi o primeiro paciente que o despertou? Ou qual foi o gatilho que disparou essa manifestação em massa? — Sakura balançou a cabeça lentamente. — Uma vez que o sistema nervoso central do paciente falece, pelo que parece, esse “gene” em estado adormecido desperta e reinicia as atividades em uma parte seleta do cérebro. Instintos primários são religados e a necessidade mais básica para a sobrevivência torna-se a força motriz.

Karin riu pelo nariz, disparando o olhar para as ruas vazias. Um jornal velho estava pregado ao chão, estampando na primeira página a promessa de uma cura para o mais letal mal do século XXI.

— Alimentação — disse ela com sarcasmo.

Sakura concordou com um aceno de cabeça, visivelmente abatida e mais pálida do que antes, Karin observou. Teriam os enjoos voltado?

— Por isso se tornou tão difícil encontrar uma cura para essa doença. Não há como se criar uma vacina ou um antibiótico potente porque, essencialmente, não há como se combater algo que está entremeado ao nosso código genético. Tsunade defendia que a única forma de combater essa doença era isolar esse gene específico em nosso DNA. — Sakura lhe lançou um olhar maroto, o lábio inferior rosado preso entre os dentes perfeitos. — Lembra-se daquele projeto ambicioso que pretendia decodificar o código genético do ser humano?

— Projeto Genoma? — Karin ajeitou os óculos sobre o nariz, assentindo vigorosamente. — Lembro-me de ter lido algo na época... Havia tanta polêmica em torno disso...

— Pois bem, os pesquisadores realmente o fizeram há cerca de vinte anos — Sakura murmurou, enfiando seu punho livre no bolso da jaqueta de couro. Sua mão direita continuava atentamente pousada sobre a Glock em sua coxa. — Um grupo de pesquisadores conseguiu decodificar todas as sequências de cadeias de DNA do ser humano e... Eles já sabiam a respeito dessa doença. Na verdade, eles estavam pesquisando a respeito desse gene estranho quando os primeiros casos da doença surgiram. É claro que os Governos envolvidos abafaram todo o tipo de rumor em torno da pesquisa e eu só tomei conhecimento disso porque Tsunade foi intimada a participar do projeto no último instante. De qualquer forma, ela disse que já era tarde demais para tentar conter esse gene.

— Mas então, o Governo já sabia a respeito disso há muito, muito tempo! — Karin protestou, pensando nos rostos de todos aqueles que assistiu morrer e voltar. — E ainda assim, não fez nada para evitar. Não consigo acreditar que eles foram tão mesquinhos ao ponto de omitir essa informação da população. Se tivéssemos sido alertados ou mesmo preparados para essa situação...

— Pense no caos que isso geraria — Sakura rebateu, os olhos verdes e soturnos dardejando em direção às marquises e fachadas tombadas dos estabelecimentos. Uma boneca com vestido cor-de-rosa e cabelos encaracolados destacava-se no asfalto frio, a chemise do vestido estava suja de sangue. — Pense na taxa de suicídios que haveria, pessoas atirando contra a própria cabeça, pense no abalo que isso traria para a economia mundial. Pense que até mesmo guerras poderiam se iniciar a partir disso. Enquanto omitiam a verdade da população, os Governos trabalharam exaustivamente em uma forma de isolar o gene adormecido em nosso DNA, mas até hoje... Nunca houve a remota esperança de que uma cura pudesse ser encontrada. — As últimas palavras foram ciciadas, o assobio do vento por pouco não as suplantou. Mas elas ainda haviam sido pronunciadas, com um temor escancarado e agudo.

— Por que as mordidas nos afetam então? — Karin perguntou depois de um tempo, soerguendo uma sobrancelha rubra e esbugalhando os olhos por trás das lentes grossas. — Quero dizer, se isso está enterrado no nosso código genético há tanto tempo...

— Acredito que as mordidas apenas aceleram esse processo natural — Sakura observou. O sol, que se firmava mais a cada minuto no céu límpido, brilhava nos cabelos artificialmente rosados. — A causa da morte não é realmente a mordida, mas a febre altíssima. O fato de que a temperatura corporal não cede causa a desnaturação de proteínas e enzinas essenciais ao corpo humano. Vi pacientes arderem como se estivessem em uma fornalha durante dias e vi outros se sacudirem sobre os seus leitos com convulsões violentas. Os órgãos falecem um a um, um de cada vez. Eles sempre queimam até a morte — murmurou cabisbaixa — e depois voltam... Mas não completamente vivos.

O vento assobiou mais fino, soprando lixo nas calçadas. Mais à frente, um carrinho de supermercado estava tombado no meio da rua. Mas ainda não havia sinal da presença de qualquer um, fosse morto os vivo.

Elas avistaram a fachada destroçada da farmácia; a metade intacta da vitrine ainda exibia potes de cremes e pacotes de fraldas descartáveis.

— Sakura... — Karin a chamou, hesitante. — Se você estiver...

A garota estremeceu bruscamente e encolheu os ombros para disfarçar que tremia.

— O que você pretende fazer? — continuou, aprumando-se e acertando seu passo com o dela.

— Eu não sei — ela respondeu entre curtas lufadas de ar. Seus olhos em pânico a delatavam. — Eu não sei o que vou fazer, Karin.

Discretamente, sua mão pousou sobre o seu ventre, plano, sem qualquer indício que pendesse para uma resposta positiva ou negativa. Ainda, o interior de Sakura se retraía com a mera possibilidade do sim.

Elas pararam na calçada, diante da metade da vitrine que continuava intacta. A outra explodira em um milhão de cacos reluzentes que agora se espalhavam sob os seus pés. Sakura indicou com a cabeça para que Karin espiasse o interior da farmácia através da porta estreita de vidro enquanto ela própria desprendia o fecho do coldre e agarrava sua Glock, destravada e pronta para disparar.

A garota ruiva pressionou o rosto contra o vidro sujo e olhou o interior escuro do estabelecimento. Retângulos de luz da matina invadiam o recinto e descansavam sobre o piso de linóleo gasto. Karin envolveu a maçaneta e lentamente, silenciosamente a girou sob o seu punho, empurrando a porta de vidro.

Sakura irrompeu no interior da farmácia no segundo seguinte, segurava a Glock com ambas as mãos, os braços tensos estendidos, os joelhos separados mas alinhados. Seu coturno esmagou um caco de vidro e este estrepitou suavemente sob o peso.

Muitas das estantes estavam tombadas e destruídas. Restavam poucos frascos de remédios e estes ainda se tratavam de antigripais, antiácidos e colírios, além de tubos de pomada para queimaduras. Nenhum teste de gravidez à vista ainda.

Sakura saltou a estrutura retorcida de ferro de uma estante e empurrou para o lado com o pé uma caixa de papelão vazia. O balcão e a caixa registradora estavam cobertos por folhas de jornais antigos e páginas arrancadas de artigos de revistas científicas.

Conforme se aprofundavam nas entranhas do estabelecimento, uma escuridão suave caía sobre elas: Sakura à frente, Karin na retaguarda. Estava frio ali dentro e a pele de ambas já começava a se arrepiar, os pelos eriçados devido à tensão palpável.

Com a Glock a postos, Sakura se aproximou das estantes mais altas e pesadas, feitas de madeira, e que lançavam sombras sobre ambas, medindo cada passo, contando cada inspiração, cada batimento do seu coração. Antes de procurarem pelos testes, elas tinham de se certificar de que estavam sozinhas na farmácia.

As estantes esvaziadas e altas terminavam em uma bifurcação, sendo que o caminho da esquerda se encontrava bloqueado por mobília quebrada e amontoada. Dobrando à direita, Sakura segurou a respiração conforme girava o corpo em um ângulo de 45°...

E dava de cara com um errante alto e corpulento, que se lançou salivando sobre ela.

Um grito estrangulado ficou preso em sua garganta conforme os dois punhos podres e portentosos se fechavam na gola da sua jaqueta, agarrando-a e atirando-a de encontro à estante logo atrás. Seu dedo pressionou o gatilho, mas o homem — possivelmente o farmacêutico — era alto demais e a bala atravessou seu pescoço sem causar dano ao morto-vivo.

Karin gritou quando o corpo de Sakura bateu no dela, enviando-a com uma pancada dolorosa contra o chão. Os rosnados bestiais vinham do fundo da garganta do homem e preenchiam os ouvidos da ruiva como o zumbido de mil abelhas furiosas.

Sakura, indefesa e pressionada, contra a estante cerrou os dentes com força em frustração. Com o impacto de suas costas contra uma das tábuas sobressalentes da estante, o ar fugiu aos tropeços dos seus pulmões, uma exclamação dorida escapou de seus lábios e a Glock deslizou de suas mãos, caindo no piso de linóleo com um baque abafado.

O errante fincou os seus dedos podres na gola da jaqueta e, soltando um rosnado grave, tentou puxá-la de encontro aos seus dentes negros. Sakura relutou, apoiando ambos os punhos no pescoço da criatura e usando-os para alavancá-lo para trás. Ainda assim, os olhos mucosos do morto fixavam-se na carne macia e exposta do seu pescoço enquanto os dentes batiam uns contra os outros freneticamente.

Rosnando de frustração, Sakura retraiu um dos punhos, o cotovelo funcionando como uma espécie de alavanca, e em seguida mirou a mão oclusa na face do errante, socando-o com toda a força que conseguiu reunir, num gancho de direita que seu professor de defesa pessoal lhe ensinara anos antes.

A criatura guinchou quando o punho o atingiu fortemente no nariz e o osso podre cedeu sob a força aplicada. O morto recuou o suficiente para que Karin intervisse em seguida. Puxando-o pela parte de trás do suéter sujo, ela o atirou de encontro à outra estante e ergueu a Glock na mão livre em seguida.

Karin não tinha qualquer experiência com armas de fogo, mas pareceu instintivo quando seu dedo pressionou o gatilho, o ricochete do disparo enviando uma onda de choque por todos os seus músculos, amolecendo-os com uma quentura que beirava o desconfortável. O projétil acertou o centro da testa do morto-vivo e silenciou-o por definitivo.

O corpo escorregou até o assoalho num farfalhar delicado; saliva preta escorria da sua mandíbula esgarçada. A estranha luz por trás dos olhos mucosos apagou como uma lâmpada queimada.

Ofegando, Karin se afastou do corpo e voltou o seu olhar para Sakura que, igualmente sem fôlego e assustada, lhe lançou um olhar de gratidão.

— Você... Você me salvou, Karin.

Contendo um riso nervoso pelo que acabara de fazer e desacreditando que ela tivesse de fato enfrentado um errante e o apagado, Karin devolveu a Glock para sua legítima dona e enfiou os punhos nos bolsos do seu casaco.

— Não há de quê... Eu acho.

Minutos depois, elas vasculharam o restante da farmácia e a descobriram desinfestada de mais errantes — o que foi um verdadeiro alívio. Karin remexia uma prateleira quando encontrou a embalagem que procurava.

Hesitantemente ela se acercou de Sakura e estendeu para ela o pacote ainda lacrado:

— Tem um banheiro nos fundos — indicou com a cabeça a direção e Sakura mordiscou o interior da bochecha. — Vá lá, Sakura.

Relutante, ela apanhou o pacote e seguiu para o banheiro. Sua garganta ardia e agora que a adrenalina se dissipava por conta da ausência de perigo, um sentimento mais perturbador assomava dentro dela.

Sakura entrou no banheiro pequeno e cerrou a porta. Abriu a embalagem e observou os testes com uma apatia inconsistente. Seu interior se encontrava em rebuliço e a expectativa lhe trazia o desconforto persistente da náusea, instalada próximo à boca do seu estômago.

Ela fez conforme as instruções, embora soubesse como aqueles testes de farmácia funcionavam. Sabia que embora não fossem cem por cento eficazes em muitos casos, eles eram o mais próximo de uma fonte segura para confirmar se ela estava grávida ou não. Testes de farmácia mediam a quantidade de um hormônio específico do período de gestação na urina.

E agora, Sakura estava prestes a descobrir a verdade.

Ela cravou os dentes no lábio inferior antes de relancear um olhar encrespado para o teste em suas mãos, observando os traços azuis na fita e desacreditando-os. Encarou-o por minutos inteiros e mais um pouco enquanto o seu interior trincava e rachava. A náusea se intensificou, especialmente devido ao odor desprezível dentro daquele cubículo apertado, mas Sakura não encontrou forças nem mesmo para vomitar.

Curvou-se sobre a tampa do vaso sanitário e desatou a chorar silenciosamente, segurando a cabeça entre as mãos. Repreendeu a si mesma e decidiu repetir o procedimento, esperou pelo resultado, cada segundo agoniadamente doloroso.

Depois, chorou novamente. Envolveu o ventre entre os braços e abafou os soluços para que Karin não a escutasse. Jogou os testes no lixo e só depois de se recompor, enxugando os rastros de lágrimas no rosto, abriu a porta e deu de cara com o rosto expectante de Karin.

— E então? — ela perguntou, retorcendo nervosamente as mãos na bainha de seu casaco.

Sakura tomou uma lufada de ar antes de conseguir encará-la sem tremer e lhe responder:

— Positivo. Deu positivo, Karin. — A ruiva empalideceu, piscando a fim de assimilar a informação, agora que já não se tratava mais de uma suspeita. — Eu estou grávida, Karin — Sakura continuou, as bordas avermelhadas das pálpebras não mentiam. — Eu não sei como, mas eu estou grávida. Essa doença... Ela deve ter mexido com o meu organismo e alterado o meu ciclo menstrual. Eu estou fodida agora!

— Não — Karin balançou a cabeça consternadamente. — Sakura, não diga isso. Esse bebê...

— Como farei isso, Karin? — ela perguntava, o lábio inferior tremia com uma nova crise nervosa. — Como vou sujeitar um bebê às mesmas condições as quais estamos vivendo?! É um bebê, Karin! UM BEBÊ!

— Sakura, olha... — Karin sussurrou na tentativa de apaziguá-la. — Eu sei que você está abalada agora, mas, por favor, não tome nenhuma decisão agora. Você tem que contar ao Sasuke, ele tem que saber... Ele...

— Não! — Sakura fremiu, limpando o choro com as costas da mão. — Sasuke não saberá dessa gravidez, não ainda. Nós já temos problemas demais, além disso...

Ela se deteve, passando por Karin como um furacão enquanto vasculhava prateleira atrás de prateleira, as mãos nervosas derrubando frascos no assoalho. Os olhos caóticos liam rótulo por rótulo, até que encontraram o que estavam procurando.

— Sakura, não faça isso — Karin murmurou às suas costas, mas a garota enrijeceu os ombros e simplesmente guardou o frasco no bolso da sua jaqueta. Os dedos apertavam-no fortemente, dolorosamente.

— É só uma precaução — ela garantiu, sem fitá-la. — Eu não tomei nenhuma decisão ainda.

— Pense bem antes de decidir o que vai fazer — a ruiva a alertou, afastando-se um pouco. — É uma vida, Sakura. Impedi-lo de nascer seria o mesmo que assassinato.

Sakura balançou a cabeça lentamente, o olhar torturado por fim encontrou o de Karin.

— Não, Karin, impedi-lo de nascer não seria assassinato. Mas trazê-lo a esse mundo... — O olhar mais uma vez escureceu. — Trazê-lo a esse mundo... Isso sim seria assassinato.

— O Sasuke tem que saber. Você não pode decidir isso sozinha, Sakura — insistiu e recebeu um olhar reprovador de Sakura como resposta.

— Você não vai contar nada a ele — Sakura impôs com um tom desafiador que fazia Karin se sentir mal por ela.

— Não, eu não vou — ela garantiu, mordiscando o lábio. — Eu posso respeitar a forma como você está se sentindo, acredite, eu sei que você deve estar assustada e prestes a entrar em choque, mas pense nesse bebê, Sakura... Ele é inocente. Ele é completamente inocente, Sakura, e não deve pagar pelos pecados de outro...

Subitamente, a garota envolveu o ventre com os braços. Os olhos cintilaram com novas lágrimas, mas essas não eram de medo ou mesmo de pânico, essas, Karin soube reconhecer, já eram lágrimas de amor e desespero.

— Eu sei que ele é inocente, Karin. Eu sei que eu não posso condená-lo pelos meus erros, mas eu não vou conseguir... — balançou a cabeça, a ruiva começava a se preocupar com o estado emocional de Sakura: ela parecia à beira de um colapso nervoso. — Eu não sei se vou conseguir, não se eu começar a amá-lo. Como posso amá-lo se a cada dia vou correr o risco de perdê-lo? Como poderei amá-lo, Karin, se cada dia com ele poderá ser o último e se eu mesma posso morrer a qualquer instante?! COMO?!

Karin franziu os lábios e, num único gesto, abraçou Sakura, contendo os ombros que se sacudiam com o choro e abafando os soluços atormentados. Abraçou-a e não ofereceu mais nada do que conforto.

Por isso, sussurrou próximo ao ouvido de Sakura, ela própria chorando agora:

— Isso se chama esperança, Sakura. Isso se chama esperança.

* * *

Eu tento desistir de tudo

Mas eu sei que isso não vai sumir

E isso é algo que eu não quero ter de enfrentar

Eu não quero ter de enfrentar.

Demon Hunter — Trecho de My Heartstrings Come Undone

Notas finais
Haaaa, ela realmente tá grávida! XD E agora, hein? Hmmm, quando será que o Sasuke vai ficar sabendo? Aliás, notaram que ele nem deu as caras nesse capítulo? O motivo é simples: ele está de castigo, sim, eu o coloquei de castigo por seu comportamento inaceitável no último mangá. ... Não posso elogiar essa porcaria demais que ele vai lá e pisa na bola. Não te elogio mais também, Sasuke, seu pedaço de bosta! ARGH! (Sim, eu xingo esse desgraçado, mas no fundo eu amo ele) Tadinha da Sakura e tadinho do Kakashi-sensei T.T Sasuke, espero que a Kaguya te esfole, meu filho! *---* Aí a Sakura salva a sua vida miserável e nós vamos ver quem não pode fazer nada nessa bagaça Uehuehuehuehuehuehue ... Enfim, alguém assistiu o último epi de GOT? Gente, eu já sabia sobre aquela cena, mas o que foi AQUILO?! Uma das cenas mais violentas de GOT até agora e olha que eu curto cena violenta U_U ... Obrigada pelos reviews lindos! E espero ver vocês nesse também. Eu estou endoidecendo nessa semana de prova (ontem foi Ética, blargh), mas mesmo assim não pude deixar de postar. ... Responderei os reviews, se eu puder, hoje, mas é mais provável amanhã ou quinta. Meu cérebro costuma bugar em semana de provas, então ignorem se eu estou falando mais besteira que o normal. Até!