Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

26 Capítulo XXV: Dez Mil Milhas Sinuosas


Notas iniciais
Vigésimo quinto capítulo dedicado à sakura_lyne pela linda recomendação! Obrigada mesmo! *--* ... Boa leitura!

Dead World Assembly

“As indicações da chegada do apocalipse surgem dos dois lados da estrada com uma frequência assustadora. A medida que se aproximam da cidade, serpenteando com crescente dificuldade entre os destroços abandonados [...], os sinais da maldição estão por toda a parte”.

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 77).

Capítulo XXV:

Dez Mil Milhas Sinuosas

Enquanto atravessam a outra metade da cidade morta, fica evidente que o fim do mundo é um evento — por ora — permanente e inquestionável. Os prédios comerciais ainda filtram a luz branda do sol e espelham-na com uma irremediável apatia. O vento frio sopra o lixo e traz o cheiro do abandono e da putrefação.

O Impreza negro segue roncando languidamente em direção à avenida espaçosa. A presença de errantes eleva-se gradualmente a partir de então. Seus rostos passíveis de emoções cruas estão lá para saudá-los.

O odor da morte os força a recuar e Sasuke troca a marcha e acelera.

Karin limita-se a olhar através da janela embaçada enquanto dúzias de mortos se lançam nas ruas, oriundos de todas as partes e trajados de todos os jeitos. Eles gemem continuamente, criando uma sinfonia macabra ao mesmo tempo em que seus membros desajeitados os levam a avançar; seus passos desajeitados ecoam no asfalto sujo.

— Apertem os cintos — Sasuke sugere, decidido a forçar o motor para cruzar aquele trecho da cidade o mais depressa possível.

A presença dos errantes deixa todos ansiosos. O ponteiro do velocímetro, no painel iluminado, paira sobre o 120 km/h.

Sakura faz como o ordenado, mas a tensão dentro do automóvel deliberadamente afrouxa conforme a entrada da cidade de Komatsushima ganha notoriedade na paisagem desolada.

Um imenso outdoor despede-se alegremente deles, desejando uma boa viagem e pedindo aos ocupantes que retornem em um futuro próximo. A visão da estrada depois de meses ainda é capaz de deixar Sakura inquieta e com um suor pegajoso nas palmas das mãos, mas ela ainda está se contendo para não transparecer seus medos.

A floresta de abetos cerca-os em questão de segundos, o cheiro dos pinheiros e de terra úmida afasta o odor da morte gradualmente. Os sinais da praga, no entanto, persistem e perseguem-nos mesmo depois que os prédios outrora reluzentes sob a alvorada tornam-se sombra amorfas.

Há um automóvel abandonado no acostamento, sangue borrifado na lataria enquanto pedaços de carne irreconhecíveis apodrecem sob o sol pálido.

Um morto-vivo desgarrado arrasta-se em outro ponto mais à frente. Ele grunhe frustrado e estende a mão deformada quando o Impreza não reduz a velocidade; fica para trás pouco tempo depois.

Folhas mortas cobrem a via-expressa e ainda esvoaçam avultadas. Os bordos desfolhados margeiam a estrada, são como velhas sombras caducas ruminando o clima intempestivo.

O céu, nesse ponto, já escureceu, pouco a pouco. Nuvens cinza-chumbo então cobriram-no por completo, escondendo o sol pálido. O vento tornou-se um lamento contínuo enquanto as temperaturas decaíam velozmente.

Sakura se contorcia, inquieta, no banco; um suor frio e pegajoso porejava sua testa e suas mãos unidas mal disfarçavam os tremores. As árvores passavam por ela manchadas em verde e marrom. O cinza do asfalto era um espelho que refletia a escuridão crescente do céu. Uma placa encontrou-os à borda da estrada, indicando o limite de velocidade, mato encobrira boa parte dela.

Talvez, se fechasse os olhos e apertasse os dentes... Mas não, ela não conseguiria se conter por muito mais tempo. Por isso, agarrou o cotovelo de Sasuke e demandou suplicante:

— Pare o carro, pare o carro... Agora! Por favor!

Atônito, mas a par do desespero dela, Sasuke fez como o pedido, reduzindo a velocidade enquanto manobrava o Impreza até o acostamento. O primeiro pingo de chuva bateu contra o para-brisa neste exato momento, rebentando em minúsculas gotículas.

Sakura desprendeu o cinto e abriu a porta, deslizando do banco como se sua vida dependesse disso. Preocupada, Karin fez o mesmo, seguindo-a enquanto via a garota correr até os cascalhos e curvar-se para vomitar violentamente. A ruiva estacou, aturdida, então se virou e sinalizou para que Sasuke não se aproximasse. De sobrecenho franzido, e visivelmente insatisfeito, ele assentiu.

Karin suspirou e voltou ao carro para apanhar uma garrafa d’água e generosamente se acercou de Sakura, que ainda sofria do mal-estar abrupto encurvada, arquejando e tossindo, e ofereceu a ela a garrafa. Com olhos lacrimejantes e terrivelmente pálida, ela sorriu, destampou a garrafa e bochechou com água para tirar o gosto horrível da boca.

— Obrigada, Karin.

Assentindo, ela se aproximou mais da garota, espiando com o canto dos olhos para garantir que Sasuke não as ouviria:

— Está se sentindo melhor?

Sakura concordou com um aceno de cabeça, mesmo que seu estômago ainda estivesse inquieto e que o gosto de bile perdurasse em sua boca. Ela daria tudo por um tubo de creme dental agora. Karin olhava-a condescendentemente e, honestamente, Sakura não sabia se devia se sentir agradecida ou nervosa com isso.

— Por que o mal-estar repentino?

Rapidamente ela se aprumou, bochechando mais uma vez e cuspindo tudo; sabia que não conseguiria manter nada no estômago.

— Eu não sei, talvez algo que eu tenha comido na noite passada. Eu verifiquei as datas de validade de tudo o que o Sasuke trouxe, mas mesmo assim... Não há como termos certeza de que podia ser consumido.

— Então não é a primeira vez que você se sentiu mal? — Karin indagou ao erguer ambas as sobrancelhas. Era difícil ler seus olhos por trás das lentes grossas dos óculos.

— Não — ela admitiu, derrotada. — Mas vou ficar bem, não se preocupe.

Karin mordeu o lábio e hesitou, no entanto, sabia que não sossegaria enquanto não saciasse aquela duvidazinha. Ela sabia que Sasuke e Sakura estavam juntos, ora eles dormiram no mesmo quarto, na mesma cama, então seu palpite tinha fundamento, mas ainda não se sentia no direito de perder a discrição e invadir a intimidade de ambos. Até porque Sakura era uma garota prudente e responsável, pelo que lhe parecera.

Não, Karin sacudiu a cabeça, e endireitou-se, decidida a esquecer aquela suposição maluca. Impossível, repetiu para si própria e encorajou Sakura com um último sorriso antes de dar a volta e entrar no carro. No banco da frente, Sasuke estudava um mapa. Mais pingos de chuva explodiam no para-brisa.

Karin olhou o retrovisor e descobriu o olhar atento de Sasuke sobre o seu rosto, o ângulo das sobrancelhas dele não mentia:

— Ela está bem?

Ela quase sorriu ante a pergunta dele. Apoiou o rosto no punho ocluso e aquiesceu.

— Foi só algo que ela comeu na noite passada.

Sakura voltou para o carro em seguida e fechou a porta; pingos de chuva escorriam pela sua pele e cabelo, mas seu rosto pelo menos recuperava um pouco de cor agora, além disso, a umidade aplacava o suor frio em seu rosto e nuca.

Em silêncio, ela prendeu o fecho do cinto e não fez qualquer comentário acerca do que aconteceu mais cedo.

Sasuke pousou o mapa sobre o volante e estudou o céu escuro. A estrada estendia-se infinita e solitária à frente. Abrindo a janela, ele colocou a cabeça para fora e sentiu o vento frio no seu rosto. O ar estalava com um estática bastante característica.

— A chuva está aumentando — observou macambúzio, tornando a fechar o vidro da janela, e Karin se inclinou para ouvi-lo mais atentamente. — Diria que vai se transformar em uma tempestade logo, logo.

— E o que faremos?

— O Distrito Myozai fica a alguns quilômetros daqui. Podemos encontrar um abrigo e esperar passar. Dirigir sob mau tempo está fora de cogitação.

— Estive em Myozai — Sakura se apressou para acrescentar. — Não tinha mortos-vivos por lá da última vez. Acho que pode ser seguro o bastante para esperarmos a tempestade passar.

Ficou decidido que eles procurariam abrigo em Myozai assim que Sasuke dobrou o mapa e deu a partida. Enquanto seguiam, exatamente como ele previu, a chuva transformou-se em uma tempestade feroz. As árvores, que começavam a rarear àquela altura, dobravam-se sob o vento gemebundo, enquanto os limpadores esforçavam-se para manter a água afastada do para-brisa.

Os quilômetros restantes até o distritos se deram embaixo de um aguaceiro colossal enquanto a tensão crescente emudecia todos os ocupantes do carro. Mais à frente, uma placa finalmente indicou que chegaram ao destino.

Myozai era um distrito pequeno e essencialmente agrícola. Mesmo assim, exibia as marcas do apocalipse da mesma forma que qualquer outra cidade populosa: as primeiras casas surgiram um pouco depois, esvaziadas e consumidas pelo abandono. Lixo se acumulava nas ruas estreitas, mas nenhum errante estava às vistas. O que indicava duas possibilidades: ou seus moradores fugiram para tentar a sorte na estrada antes de terem se transformado, ou os poucos mortos-vivos haviam perdido o interesse naquela cidadezinha interiorana e partiram em outra direção.

Uma vez que não havia sinal da presença dos mortos, os três relaxaram e Sasuke logo escolheu o lugar onde esperariam a tempestade passar, uma das poucas casas cuja entrada não se encontrava atulhada de lixo, além disso tinha muros altos e um portão gradeado reforçado.

Sasuke estacionou o Impreza no meio-fio e desprendeu o fecho de seu cinto:

— Peguem só o essencial para ficarmos essa noite. — E olhando para Sakura acrescentou: — E, Sakura, mantenha a sua arma destravada. Não sabemos o que tem lá dentro.

Ela assentiu, de sobrecenho crispado, e ajudou Karin a separar algumas coisas para levarem, enfiando tudo dentro de uma mochila de acampamento. O céu negro faria qualquer um acreditar que a noite já chegara, quando na verdade passava de pouco mais de duas horas da tarde.

Sasuke saiu do carro e encharcou-se no temporal. Protegendo sua Ruger, carregada e destravada, dentro do couro de sua jaqueta, ele espreitou a construção, recostando-se ao muro e olhando através das grades para a entrada da casa: paredes que um dia foram creme agora se encontravam horrivelmente encardidas, um jardim frontal cujo matagal crescia sem controle e uma única porta de acesso.

Ele testou as grades e descobriu-as trancadas. Então as escalou agilmente e saltou do outro lado. Chuva escorria pelo seu rosto. De posse da Ruger, acercou-se da porta, olhando uma única vez para trás para se assegurar de que Sakura e Karin esperavam a salvo no carro.

Com a mão livre, testou a maçaneta; trancada. Guardou a pistola no coldre axilar e tomando impulso, arrombou a porta com dois chutes. A madeira lascou e cedeu, e ele entrou. A luz cinza-fosca irrompeu no vestíbulo, estava ainda mais escuro lá dentro.

Voltando para o portão, ele sinalizou para que Karin e Sakura saíssem do carro e trouxessem o alicate. Com ele, estourou a corrente e abriu o portão gradeado, esperando que ambas passassem para fechá-lo.

Virou-se em seguida e voltou para a entrada, abrigando-se da chuva sob o frontão da casa. Sakura sacou sua Glock e destravou-a enquanto Karin agarrou-se à alça da mochila que carregava nas costas. Sasuke sinalizou para que ele fosse à frente enquanto Sakura cobria a sua retaguarda.

Assentindo, os três entraram na casa, passando pelo vestíbulo ornamentado, ouvindo a madeira ranger sob os seus pés enquanto relâmpagos lá fora varavam as janelas quebradas e clareavam os cômodos cobertos de negrume. Os móveis, ou quebrados ou ainda empoeirados, empilhavam-se nos recantos e por vezes bloqueavam a entrada de outros cômodos.

Três quartos, um banheiro, cozinha e sala, parecia mais do que eles poderiam pedir. E conforme vasculhavam recinto por recinto, descobriam-se mais e mais aliviados pela ausência tanto de vivos quanto de mortos na residência.

No fim, Sasuke arrastou um sofá até a porta principal para bloqueá-la, já que fora arrombada, e também empurrou alguns móveis de encontro às janelas quebradas, para impedir qualquer lampejo de visão do interior da casa. Eles acenderam uma vela na sala e estenderam colchões sobre o assoalho empoeirado, pois acharam melhor que ficassem juntos, em caso da necessidade de uma fuga às pressas.

Enxugaram-se e trocaram as roupas encharcadas por secas. Mais tarde, reviraram os cômodos atrás de qualquer coisa que pudesse vir a ser útil, mas não encontraram nada mais do que algumas pilhas, um pacote de biscoitos mofado e uma garrafa de um vinho francês pela metade, de uma boa safra.

Conforme a noite caía e a tempestade não cessava, resolveram se acomodar melhor. Comeram enquanto Sakura e Karin conversavam bobagens do mundo velho, e Sasuke mantinha-se vigilante. Eventualmente, recostaram-se no colchão frio e buscaram pelo sono que não vinha.

Sasuke retirou uma velha fotografia — a única que salvara — do bolso de sua jaqueta e a desamassou para olhar os rostos dos pais e do irmão à luz trêmula da vela. Jurou encontrar Itachi antes de devolvê-la ao seu esconderijo.

Não dormiu muito, mas assim que Sakura o cutucou no ombro, dizendo-lhe para tentar descansar e que ela vigiaria a partir de agora, ele não relutou; fechou os olhos, as pálpebras caindo mais pesadas do que antevira. Não relaxou os músculos tensionados, mas ao menos desfrutou de algumas poucas e preciosas horas de sono.

Assim que percebeu que Sasuke havia adormecido, pelo ritmo suave de sua respiração, Karin virou-se para Sakura, fitando-a através da escuridão que já decrescia. A garota estava abraçada aos joelhos e atenta ao menor ruído que estrugia lá fora, muito embora apenas os ecos da chuva fina se sobressaíssem aos sons noturnos.

— Você está bem, Sakura? — ela se sentou, estava cansada de tentar pegar no sono depois do pesadelo que a despertou há algumas horas: Hidan, sempre Hidan, suas mãos grossas em torno do seu pescoço, sufocando-a, os seus quadris batendo impiedosamente contra os dela enquanto seus gritos e gemidos de dor apenas só faziam excitá-lo mais.

A garota assegurou que sim com um pequeno sorriso; é verdade que os enjoos não haviam retornado, mas ela não se sentia muito bem ainda. Tinha a impressão estranha de que estava deixando algo passar, contudo não tinha certeza do que poderia ser.

Karin recolocou os óculos que tirara para dormir, mas não antes de limpá-los com a bainha do suéter.

— Sabe, por um instante eu fiquei preocupada com você.

Suspirou. Sakura ergueu uma sobrancelha, mas não disse nada.

— Pensei, por um instante — Karin prosseguiu, ruborizando de leve, e ponderando o termo mais correto (e mais suave) —, que, você sabe, os seus enjoos pudessem se tratar de...

— Gravidez? — Sakura adivinhou, esbugalhando os olhos e empalidecendo somente por pensar na possibilidade. Mas não, não era possível... Ela havia tido cuidado de evitar Sasuke nos dias em que sabia que estaria ovulando.

Karin confirmou com um aceno, visivelmente encabulada. Sakura balançou a cabeça.

— Isso não seria possível. Eu e o Sasuke... — limpou a garganta de leve, subitamente desconfortável com o tópico do diálogo murmurado. — Nós não... Quero dizer, não nos dias em que eu poderia... Em que eu estaria... Hmm, fértil — relutou com a palavra.

Karin ajeitou os óculos, aproveitando a deixa para desviar o olhar.

— Ah, entendo. Bom, eu ao menos nunca teria essa preocupação — desconversou, constrangida.

— Por quê? — Sakura fitou-a com mais atenção. Karin quase lhe parecia contrita por ter tocado nesse assunto.

— Eu não posso ter um bebê — afirmou, espremendo os olhos rubros por trás dos óculos. — Sou infértil.

— De verdade? — ela se inclinou para mais perto, ciente de que Karin reduzira o tom de voz para um sussurro quase impronunciado.

— Sim. Descobri um pouco depois que menstruei pela primeira vez. Meus fluxos eram muito constantes e eu tinha cólicas infernais. Minha Kaa-san me levou a um ginecologista e eu fui diagnosticada com endometriose. Tive que me submeter a uma Histerectomia para remover meus ovários há alguns anos. Por isso não posso ter um bebê.

— Sinto muito. — O sussurro de Sakura quase não foi ouvido devido ao uivo do vento nas frestas da madeira.

— Está tudo bem — Karin garantiu com um sorriso frágil. — Eu acho que nunca tive aptidão para ser mãe, além disso, depois de tudo o que Hidan e seus capangas fizeram comigo...

— Você acabou considerando uma benção — Sakura cogitou e a garota ruiva assentiu.

— Trazer um bebê a esse mundo também... Pode imaginar? Eu sei que não desejaria isso a nenhuma mulher.

O silêncio tornou a imperar, mas não por muito tempo. Sakura sustentou o rosto e acrescentou, retomando o assunto delicado e constrangedor:

— Mas não se preocupe. Esses enjoos não podem ser fruto de uma gravidez. Meu ciclo, felizmente, é metódico. Nunca adiantou ou atrasou uma só vez. — Sorriu, mas Karin sentiu em seu íntimo que havia algo errado com aquele sorriso.

— Tem certeza?

Sakura acenou com a cabeça e em seguida virou para o outro lado.

— Tenho sim. Não se preocupe.

— De qualquer forma, só para não termos dúvidas — ela assentiu consigo mesma, entusiasmada de repente —, eu vi a fachada de uma farmácia a um quarteirão daqui. Podemos verificar de manhã e ver se há testes de gravidez, só para você poder ter uma certeza mais concreta.

Sakura assentiu, mas não se virou para ela. Internamente, ela estava remoendo, revendo as noites em que dormiu com Sasuke e fazendo cálculos precisos. Não, não era possível, alegou para si própria, para o seu consciente atormentado. Ela não dormiu com ele nas noites em que teve certeza de que estava ovulando. Seu ciclo era perfeitamente regular.

Por anos ela soube em quais dias do calendário estaria fértil. Mas você não se preocupou com nada!, atirou com raiva para si própria. Nenhum método contraceptivo, e ela se apoiou somente em um que por muitas vezes se mostrara falho para inúmeras outras mulheres.

Sakura cerrou os dentes e abraçou com mais força os joelhos. Karin voltou a se deitar, ela notou pela visão periférica, e agora ressonava tranquilamente. À sua esquerda, Sasuke também dormia profundamente. Mas dentro da cabeça de Sakura, a tempestade não havia cessado, ela apenas começou.

Balançando-se levemente, ela ponderou os prós e os contras, enumerando-os para ver se conseguia se acalmar. Listou os sintomas comuns de uma gravidez e retrocedeu as últimas semanas, tardiamente se lembrou de que na semana retrasada sentiu algumas cólicas para as quais não deu atenção. Na semana passada notou os seios sensíveis e doloridos ao toque, mas julgou que se tratasse apenas do seu ciclo menstrual. E agora, os enjoos se manifestavam. Para o seu pânico, ela notou que ainda não havia menstruado.

Não, não e não!, seu cérebro se recusou a assimilar. O pânico latejou lentamente dentro dela, assomando e crescendo, infiltrando-se em cada pensamento seu, e Sakura se forçou a absorvê-lo com uma boa dose de autocontrole. Eram só suspeitas. Apenas suspeitas. E ela já estava se desesperando.

Mas não havia possibilidade alguma de que ela estivesse grávida... Havia? Ela tinha que se acalmar e pensar com clareza agora. Desesperar-se só pioraria a situação. De manhã ela iria a tal farmácia com Karin, faria o teste e tiraria a dúvida. De manhã. Em poucas horas.

Trazer um bebê a esse mundo também... Pode imaginar? Eu sei que não desejaria isso a nenhuma mulher, as palavras de Karin repercutiram dentro da sua cabeça e instintivamente Sakura apertou os joelhos contra o peito.

Ela não estava grávida. Não podia estar. Porque se estivesse...

O que você faria?, perguntou a si mesma, sua consciência culposa comprimindo o seu peito. O que faria? O que poderia fazer?, Sakura se perguntava, os olhos ardendo por conta do choro que reprimia.

Eu não sei, admitiu conforme as costas envergavam com o peso de um fardo inimaginável, não sei o que vou fazer. Ela estava escorregando da borda do precipício e ainda não tinha nem certeza do seu estado atual.

Sakura não se lembrava de alguma vez ter sentido tanto medo como agora sentia.

* * *

No meu caminho, o sol poente

Nuvens negras se aglomeram em volta de mim

Para o oeste, minha alma é atraída

Eu seguirei em frente, livre

Ainda há uma luz para ser encontrada.

Ben Nichols — Trecho de The Last Pale Light in the West.

Notas finais
Meus agradecimentos à AloeGreen por indicar a música linda, que toca no episódio 6 da 4ª temporada de TWD. *--* ... Haaa, que bomba! E aí, o que acham? Será que ela está grávida? Hmm... Se ela estiver, só garanto a vocês para não esperarem nada parecido com a gravidez da Lori. ... O Nyah! ficou um tempinho de molho e eu nem tive como compartilhar meus surtos com vocês, né? Ashashahshahsa O mangá tá pegando fogo! *--* Eu pirei com o ciúme do Sasuke no 675, morri com a Sakura usando Byakugou no Jutsu no 676 (eu caí dura no chão assim que ela liberou o selo, meu sonho era vê-la com aqueles tribais no rosto! *----------*) e dane-se que o Madara perfurou ela, ou que ela foi imprudente, ela não ia morrer mesmo, ela é DIVA, DIVAAAA!!! u.u Mas aí fui trazida de volta pelo Sasuke correndo feito um doido pra proteger o Time 7 no 677! Awnnnnn *--* E é óbvio que ele se importa com eles, né?! Fala sério, só Haters pra acharem que o Sasuke não se importa com o Time 7, poxa, eles são a família dele! Haters são cegos e burros! Ugh. ... Tivemos momentos SasuSaku numa semana, NaruHina na outra... Ai, ai meu coração! ... Mas enfim, se preparem porque nos próximos capítulos terá muuuuuita tensão, e teremos mortes! Hahahahahahaha Senti falta de alguns leitores no capítulo passado u.u ... Nos vemos nos reviews, e se houver feedback, volto ainda essa semana, dependendo do mangá, volto na quarta pra surtar com vocês! *--* E tenho más notícias: minhas provas semestrais começam sexta-feira (ai, Senhor da Glória! D:), isso significa que vou diminuir o ritmo das postagens. Elas vão normalizar assim que eu estiver de férias ;D ... De qualquer forma, responderei os reviews ainda hoje ou amanhã sem falta! Até.