Notas iniciais
Vigésimo capítulo, dedicado à Dona Carol pela linda recomendação que fez para a Fanfic! Obrigada mesmo, eu amei!!! *--* ... Boa leitura!

Dead World Assembly

“— Minha é a vingança e eu retribuirei, disse o Senhor. — Sangue e tecidos jorram. A cada golpe espocam faíscas no asfalto. — Deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo — sussurra Philip para ninguém em especial, liberando toda a raiva e a mágoa acumuladas numa enxurrada de golpes brutais. — Deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo”...

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 70).

Capítulo XX:

Admirável Novo Mundo

Quando Karin fechou o registro, a água fria ainda escorria pelo seu corpo trêmulo. Nos últimos minutos, deixara-a lavar mais do que a sujeira acumulada dos dias transcorridos. Chorara tanto de alívio quanto de medo durante o banho.

Cerrando os braços em torno do corpo, observou o trajeto das gotículas de água por entre os seus seios e o seu ventre. As marcas do passado continuavam lá, vergões, equimoses, cicatrizes denteadas e queloides ainda mal formados.

Por mais que suas mãos tivessem esfregado sua pele até deixá-la com uma coloração avermelhada e uma textura áspera, o cheiro de sexo violento permanecia em suas narinas, enojando-a. Tal como os toques bruscos e a sensação de bocas famintas cobrindo seu corpo.

Eu não queria, nunca quis, ela fungou, tremendo sob os resquícios do banho frio, os ombros chacoalhando a cada soluço estrangulado. Enfraquecida, apoiou-se nos azulejos, mordendo os lábios com força para se impedir de gritar e exprimir os sentimentos amargos que acumulara no peito.

Evitara o espelho acima da pia porque no fundo temia o próprio reflexo. Fugira da realidade nos últimos meses, desligando-se e fechando-se em um casulo dentro da sua própria mente enquanto homens violavam-na e agrediam-na. Era mais fácil assim, concluíra, deixar que fizessem com seu corpo o que quisessem e se satisfizessem logo. Aprendera com o tempo que lutar e resistir apenas prolongaria seu sofrimento e a diversão deles.

Carregar na pele tais estigmas e na alma tais lembranças já lhe fizera mal o suficiente. Estou segura agora, ela suspirou, recompondo-se, Sasuke cuidará de mim. Eu sei que sim. Buscou pelos óculos, que deixara sobre a pia, e os colocou, piscando a fim de afastar a água dos cílios, torcendo os cabelos.

Espreitando a porta, Karin hesitou antes de destrancá-la e abrir uma pequena fresta; a garota Sakura cumprira sua promessa. Aos seus pés havia uma toalha limpa e peças de roupa cuidadosamente dobradas.

Apanhou-as rapidamente, tornando a encerrar a porta. Enrolou-se na toalha e secou-se meticulosamente antes de vestir a calça de moletom e a camiseta de poliamida. Quando saiu do banheiro, sentiu o cheiro da comida oriundo da cozinha, e seus pés — e seu estômago faminto — levaram-na para lá antes que pudesse se deter.

Não ficou exatamente surpresa quando ouviu as vozes de Sasuke e da garota Sakura conversando casualmente, até mesmo reciprocando termos bruscos e grunhidos ásperos enquanto as imagens de uma cena doméstica completamente aceitável desdobravam-se diante dela.

Sentiu-se, de certa forma, uma intrusa naquele apartamento, principalmente quando Sasuke, num gesto inesperado, espalhou o que lhe pareceu molho hondashi semi-pronto na bochecha de Sakura um pouco antes de puxá-la para mais perto, sob protestos, e lambê-la sugestivamente, beijando-a em seguida.

Karin sentou-se à mesa calmamente e congelou quando Sakura a notou ali e lhe ofereceu um sorriso doce, desvencilhando-se de Sasuke.

— Vejo que as roupas serviram — comentou enquanto apanhava a panela fumegante do fogão improvisado e carregava-a até a mesa, ainda sorrindo.

Sasuke cuidou das tigelas e dos hashis. Eles se sentaram e começaram a se servir. Karin, hesitantemente, apanhou sua tigela e apanhou um pouco da massa viscosa que cheirava a temperos agridoces e legumes processados cozidos.

— Não se preocupe — garantiu Sakura com uma piscadela —, não deixei o Sasuke cozinhar.

Karin fitou-a por cima do vapor temperado da comida; os olhos cristalíferos eram gentis e a miravam com uma empatia dolorosamente evidente. Ela não sabia como se sentir diante disso. Acostumara-se às agressões, aos termos obscenos, às violações, dia após dia. Vira o mesmo acontecer a outras garotas pouco antes de serem mortas covardemente, vira isso acontecer até mesmo com crianças.

Depois de tanto tempo convivendo com monstros, não sabia se conseguia se habituar a um gesto tão humano quanto sentir empatia pelo próximo.

Amuada, apanhou o macarrão com os hashis e mastigou-os tão depressa que temeu se engasgar. Há quanto tempo não comia algo tão delicioso? A constatação trouxe lágrimas aos seus olhos, escondidos por trás das lentes dos óculos.

— Não sabia que ainda havia pessoas boas por aí. — As palavras escaparam de sua boca antes que conseguisse evitar, e ela quase se arrependeu de tê-las dito.

Sasuke e Sakura entreolharam-se, mas foi a garota que falou com ela:

— Não precisa se preocupar mais com aqueles homens, Karin. Eles não podem mais te machucar.

Ela queria desesperadamente acreditar nisso. Mas tinha medo. Muito medo.

— Esse mundo está doente... — ela sussurrou, abanando a cabeça para afastar a umidade dos olhos. — Não são só as pessoas, é tudo. Tudo está infectado por essa doença.

— Nós sabemos — Sakura anuiu —, acredite, eu também sei o que você está sentindo. Mas tente se concentrar no fato de que está a salvo agora. Sasuke e eu — ela indicou para o rapaz taciturno, sentado à sua direita —, nós cuidaremos de você, tudo bem?

Quando Karin não ofereceu qualquer tipo de resposta, Sakura suspirou.

— Sasuke me contou que você tinha um primo. Naruto, não é? E que ele partiu para Yokohama...

— Bem antes das coisas ficarem piores — ela aquiesceu, desviando a atenção da comida.

Em seguida, fitou o rapaz.

— E ele conseguiu, Sasuke — ela afirmou, sem preâmbulos. — Poucos dias antes de ficarmos sem qualquer comunicação, Naruto me ligou. Ele e Minato e Kushina-san conseguiram chegar ao centro de refugiados.

— Você tem certeza? — Sasuke perguntou, erguendo uma sobrancelha e refreando o próprio reflexo de se permitir ter qualquer esperança.

— Claro que tenho — Karin anuiu, resfolegando. — Naruto me garantiu que o Governo cercou uma parte da cidade e os militares passaram a guardá-la desde então. Ele me contou que todos os dias chegavam dezenas de pessoas lá e elas eram recebidas e cuidadas.

Sasuke recostou-se na cadeira, encerrando os braços sobre o peito. Em seguida, lançou à Sakura um olhar especulador. A boca era sisuda, o rosto, severo.

— O que acha, Sakura?

A garota alisou o cabelo, preso num rabo de cavalo baixo.

— Não é nada do que eu não tenha ouvido falar antes. Boatos sobre esse centro de refugiados circulavam pelo subúrbio de Tóquio muito antes das coisas ficarem realmente complicadas por lá. Mas eu nunca conheci ninguém que tenha conseguido chegar à Yokohama e tenha conseguido relatar o feito.

— Itachi foi para lá, Sasuke — Karin lembrou-o com uma empolgação contida. — Não tive tempo de pedir ao Naruto para verificar se o esquadrão do seu irmão estava lá porque perdemos contato dias depois, mas ele me garantiu que havia muito armamento pesado e que cientistas e pesquisadores aterrissavam a todo instante em helicópteros militares. Havia tanques, jipes 4x4, cercas eletrificadas, barricadas, geradores para fornecer energia elétrica, o diabo a quatro — finalizou, gesticulando nervosamente com as mãos.

— Ino e eu consideramos seguir para Yokohama no princípio — Sakura comentou e seus olhos sombreados desviaram-se para suas mãos, pousadas sobre o tampão da mesa —, mas a rodovia estadual estava quase inacessível. Centenas de mordedores e de carros abandonados. Ouvi dizer que houve um acidente no trecho de Fujisawa com um caminhão tanque. Pelo menos, foi o que relataram em uma das últimas transmissões de emergência da rádio local.

Sakura suspirou profundamente, afundando na cadeira. O olhar turvo sugeria que ela estava perdida em alguma lembrança sombria do passado, de dias incertos e noites tenebrosas.

— Ino e eu desviamos no último instante; pegamos a interestadual e rumamos o tanto quanto possível para o sul. Nunca mais cogitamos tentar chegar à Yokohama. Eu posso jurar que por trás dos abetos, a oeste, víamos o clarão das chamas contra o céu noturno e o som de gritos.

— Mas não há outra rota? — Sasuke indagou, cogitando possibilidades, traçando planos, as engrenagens de seu cérebro trabalhando por trás dos olhos escuros e intensos.

— Para se chegar à Yokohama? — Sakura abanou a cabeça. — Podíamos tentar a sorte com a interestadual, mas não podemos esperar menos do que centenas de errantes transitando pela rodovia e carcaças de automóveis entulhando e atrasando nossa passagem.

Sasuke franziu o rosto, contemplando a parede logo à frente por longos segundos.

— Você... está cogitando...? — Sakura indagou ansiosa e Karin fitou-o, igualmente apreensiva.

— Eu não sei — ele admitiu pesaroso. — Antes, não tínhamos ideia de que o centro de refugiados realmente existia, mas agora que sabemos que Naruto conseguiu chegar lá...

— E-Ele me disse que havia comida, medicamentos e água potável suficiente para sustentar todo mundo por um bom tempo — Karin afirmou, animando-se. — Também há um centro médico, equipamentos hospitalares, e é totalmente seguro.

— Mas já se passaram meses — Sakura lembrou-a, emurchecendo seu entusiasmo e fazendo-a se encolher e fungar. — Não podemos tomar nenhuma decisão precipitada e nos arriscarmos nas estradas às cegas. Ao menos aqui estamos protegidos.

— Não por muito tempo — Sasuke a interrompeu, o tom de voz cortante. — Há o grupo de Hidan para nos preocuparmos, e ainda não sabemos quem estourou a corrente do portão do condomínio há alguns dias.

— Mas se nos mantivermos quietos por algum tempo... — Sakura alegou com otimismo, apenas para encontrar o semblante carrancudo de Sasuke e o olhar fragilizado de Karin.

— Estamos abastecidos com suprimentos agora, mas mais cedo ou mais tarde, eu terei que sair de novo e há a possibilidade de nos cruzarmos outra vez. Além do mais, quem garante quanto tempo podemos sobreviver aqui? Tokushima é uma província quase isolada do restante do país. Não podemos prever o futuro.

— Mas também não podemos assumir riscos demais, Sasuke — Sakura rebateu, crispando o olhar ao fitá-lo. — Estamos em meados de outono e é só uma questão de tempo até que o inverno comece. — Apertando os olhos claros, acrescentou: — Se estivermos na estrada durante o inverno, podemos morrer de fome ou congelados numa nevasca.

Ele se levantou, já tendo terminado a sua refeição, e se afastou para levar a tigela até a pia. E murmurou, ainda de costas:

— Eu não tomei nenhuma decisão ainda, mas quero ao menos considerar a possibilidade de partirmos futuramente.

Sakura bufou e se levantou, saindo da cozinha a passos duros. Karin observou-a desaparecer no quarto no fim do corredor antes de se levantar e se aproximar do rapaz, debruçado sobre a pia.

— Ela passou por maus bocados na estrada, não é? — abordou-o timidamente, depositando sua tigela vazia na pia. — Posso imaginar o que pode ter sido.

— A melhor amiga dela foi quase estuprada e morta por pessoas ruins — Sasuke murmurou à meia voz.

— Homens como Hidan, eu sei — anuiu e o tremor em suas mãos não passou despercebido por Sasuke quando mencionou o nome dele. — Não a culpo por não querer voltar para lá. Eu mesma nunca considerei a possibilidade de sair da cidade.

— Hn. Quando foi a última vez que conseguiu falar com o Naruto?

Karin suspirou e ajeitou os óculos. A lembrança do primo, de sua voz ao telefone, ainda lhe trazia conforto, apesar de tudo, e mesmo depois de tanto tempo.

— Uns três meses e meio, mais ou menos. Antes do sistema de comunicação entrar em colapso... Ele estava bem lá, sabe? Falava sobre a cura que estavam pesquisando, sobre as pessoas que chegavam todos os dias. Aí, nós perdemos contato e eu não consigo deixar de imaginar como ele está agora. Se está numa condição melhor ou pior do que a nossa... — Outro suspiro. — Sinto falta dele.

— Eu também — concordou Sasuke um pouco antes de se retirar, deixando-a sozinha com lembranças doloridas e feridas ainda frescas para lidar.

As horas se arrastaram sob a perspectiva de Karin. Sem nada para fazer a não ser remoer o passado ou se entregar ao amargor da ociosidade, ela pôs-se a fitar o crepúsculo através da janela do seu quarto, por trás das nuvens violáceas, enquanto um sol pálido adormentava por trás dos prédios silenciosos como cadáveres frios.

O odor da morte persistia e o vento soprava o lixo lá embaixo. Abraçando-se, ela trouxe os joelhos até o peito, balançando-se sobre o colchão para evitar que as recordações aflorassem e a arrastassem para um abismo de autopiedade e flagelamento.

No cômodo ao lado, Sakura decidira ocupar a mente com as páginas finais de um livro de ficção. Cruzou os tornozelos e molhou o dedo para virar uma página quando Sasuke irrompeu no quarto, a pele úmida do banho, os cabelos gotejando no assoalho, pesados, uma toalha pendia de forma precária em torno da cintura.

Ela o ignorou enquanto se concentrava no livro, mas pela visão periférica, via-o apanhar peças de roupa na cômoda, largar a toalha e vestir-se rapidamente. Tentou ignorá-lo mesmo quando ele se sentou ao seu lado, as costas voltadas para ela, na beirada do colchão, enquanto curvava-se e secava os cabelos com a toalha previamente descartada.

— Você quer encontrar o seu irmão, não é? — ela indagou antes que conseguisse se impedir, mas as palavras ásperas há tempos sufocavam-na, implorando para serem expelidas. — É por isso que está considerando ir para Yokohama.

Sasuke deteve-se, os braços erguidos sobre a cabeça, os músculos salientados pelo brilho das gotículas de água. Então, deliberadamente, ele ajeitou os cabelos úmidos com os dedos, mas não fez qualquer menção de se levantar ou se afastar.

— E se for? Ele é a única família que me resta.

Sakura fechou o livro e depositou-o sobre a mesinha de cabeceira.

— Está disposto a arriscar tudo para revê-lo?

— Hn — ele resmungou antes de descartar a toalha, deixando-se cair de costas no colchão, cruzando os braços atrás da cabeça, a pele recendia ao banho e a um odor puramente masculino.

Sakura suspirou e se ajeitou, sentando próximo a ele. Ajeitou uma mecha de cabelo úmido, o rosto pairou acima do dele.

— Sasuke, eu sei no que está pensando, mas acredite quando eu digo que você não vai querer ver o que há lá fora. Se acha Hidan e seus homens insanos — e seus olhos tornaram-se sombrios, da cor da folhagem das árvores sob o poente —, devia ver como as pessoas que estão vivendo na estrada se portam.

— Você tem medo de voltar para lá, Sakura? — ele tombou o semblante, fitando-a, mas ela desviou o olhar e deitou-se no colchão, de lado, os cabelos ainda parcialmente úmidos do banho espalhando-se sobre o travesseiro.

— Eu nunca mais quero ter de cruzar com homens como os que atacaram a Ino. — Uma única lágrima deslizou por sua bochecha e Sakura a limpou rapidamente. A fragilidade em sua voz quebrantou algo dentro de Sasuke.

Rearranjando-se novamente sobre o colchão, ele deitou-se ao lado dela e tocou seu ombro.

— E nem precisa, Sakura — sussurrou, esticando-se para afastar o cabelo da nuca dela e depositar um beijo sobre a pele de pêssego. — Eu vou cuidar de você.

Finalmente, ela virou-se para encará-lo, os cílios meio úmidos.

— Eu estou considerando Yokohama, Sakura — continuou, estendendo a mão para tocá-la no rosto —, mas eu não vou a lugar algum sem você. É só uma precaução, para o caso de termos que sair da cidade. Não quero ser pego desprevenido.

— Eu sei — ciciou e no instante seguinte buscou pelos lábios dele, tocando-os com os seus, brevemente, delicadamente.

Entretanto, havia muito pouco que Sasuke desconsiderava e não investia com intensidade e uma dedicação absurda e aquilo certamente não escapava à regra. Envolvendo-a pela cintura, trouxe-a para mais perto do seu corpo, prendendo-a no enlace de seus braços. O calor cresceu gradualmente, naturalmente entre os seus corpos, esquentando a pele, apressando as carícias, ao passo que os beijos tornavam-se úmidos, quentes e sôfregos.

Quando percebeu que Sasuke rearranjava seu corpo, deitando-se por cima dela, levou suas mãos aos cabelos negros revoltos enquanto as dele percorriam sua barriga e detinham-se no cós de sua calça, puxando-a insistentemente para baixo. O ar frio vespertino deixou suas pernas nuas arrepiadas e quando percebeu, ela estava embolada em torno dos seus tornozelos.

— Não podemos — ela praticamente suspirou as palavras, recorrendo ao bom-senso de Sasuke, cujas mãos neste momento infiltravam-se sob a sua camiseta, massageando sua pele que ardia sob o toque dele.

Sasuke, no entanto, ignorou-a e desceu a boca para o pescoço dela. A essa altura, ele já cuidara de remover a camiseta que ela usava e agora seus beijos cobriam e alcançavam seu colo, assim como seus dedos enganchavam-se na alça do sutiã, negligentemente afastando-a e deixando-a pender frouxa sobre o ombro feminino.

— A Karin... — tentou argumentar, mas sofreu um espasmo quando a boca dele encontrou um ponto particularmente sensível. Logo, ele trilhava um caminho sem volta pelo ventre dela, circundando o umbigo pequeno com sua língua enquanto Sakura lutava para manter o autocontrole. A Karin está no quarto ao lado, pelo amor de Deus!, a parte pequena e ainda lúcida de sua mente disparou com um ultraje fascinante, considerando o quanto seu corpo respondia aos estímulos de Sasuke.

Sakura podia senti-lo sorrir contra a sua pele, a respiração errática, os dedos apalpando e acariciando, os dentes raspando superficialmente e causando-lhe um arrepio gostoso. Cretino, ela quis gritar, mas se conteve, cravando os dentes no lábio e enganchando os dedos no cabelo dele.

— Sa-Sasuke...

A voz da razão falou-lhe através da bruma de prazer, apelando para o seu bom-senso, mas neste ponto não havia mais nada que pudesse fazer. Uma vez nua, o corpo dele, também nu, estendeu-se sobre o dela e a cobriu. Sua boca pecaminosa generosamente abafou seus gemidos — e protestos — e ela se entregou, relaxando subitamente sob uma sensação que era ao mesmo tempo amarga e doce.

O mais inacreditável não foi nem ao menos constatar que ele sorria torto entre um beijo e outro e um impulso portentoso dos quadris, e, sim, que ela própria surpreendeu-se enlaçando a língua na dele e correspondendo cada arremetida.

Pouco tempo depois, perdeu-se no próprio prazer.

* * *

Fechar os meus olhos no escuro

Faz com que eu me sinta segura às vezes.

Sharon Van Etten — Trecho de Serpents.

Notas finais
Obrigada à Masumi por me indicar essa música linda, que toca no trailer da 4ª temporada de TWD *-* ... Ahhh, não disse que a presença da Karin não mudaria em nada o romance desses dois? Sasuke não tem jeito mesmo! x3 O que acham de Yokohama? Será que eles devem se arriscar para tentar chegar até lá? ... Agora, falando sobre os últimos episódios da 4ª temporada de TWD... Senhor da Glória, que episódios foram aqueles? Chorei quando a Maggie reencontrou o Glenn! E nesse último, fiquei tensa do começo ao fim! Que episódio! Eu sabia que o Terminus era uma armadilha! Sabia que vinha treta pela frente... E a temporada fechou sem sabermos do paradeiro da Beth, do Ty, da Carol e da Judith. Pelo visto, o pessoal do Terminus são os Canibais! E aquela cena em que o Carl quase foi violentado?! Rick ficou fulo! Achei-o INCRÍVEL nesse episódio, fora que tivemos o passado da Mich também... ... Ou seja... NÃO VOU AGUENTAR ESPERAR ATÉ OUTUBRO! AHHHH, ROBERT KIRKMAN, SEU SAFADO, BRINCANDO COM MEUS SENTIMENTOS ASSIM... arjhgfhgffgd ... Também terminei a leitura do livro A Queda do Governador semana passada. E ele é tão fininho que mais uma vez o Robert me trollou, encerrando o livro no momento mais tenso! (Michonne + Governador + colher = QUE. CENA. FOI. AQUELA? XD) Alguém já leu esse livro? *-* ... Enfim, espero que tenham gostado! :D Nos vemos nos reviews. Comentem, por favor! É importante que eu saiba o que vocês estão achando da Fanfic, ok? Dependendo do feedback, posso voltar semana que vem! ... E domingo temos o retorno de Game of Thrones! AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH lol Até.